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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 62

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Receita para um domingo

Rafael anunciou que faria o almoço com a segurança de quem acabara de aprovar um investimento cuidadosamente calculado. Lara, que o conhecia o bastante para desconfiar daquela segurança específica, perguntou qual seria o cardápio.

"Massa. Molho. Uma salada."

"Você está descrevendo três setores de um supermercado."

"Eu tenho uma receita."

Theo ergueu o rosto do livro. Leo largou um carrinho no sofá. Em poucos segundos, os dois estavam ao lado do pai, oferecendo ajuda com uma disposição que Lara considerou excessivamente animada.

"Nós podemos provar", disse Leo.

"Antes precisa cozinhar", observou Theo.

"Eu sei. Só estou organizando a parte final."

Célia estava de folga, e Lara pretendia fazer uma refeição simples. A proposta do marido, porém, veio acompanhada de uma expressão tão satisfeita que decidiu aceitar. Sentou-se no banco da cozinha com seu caderno de anotações e prometeu interferir apenas se a segurança alimentar estivesse em risco.

Rafael separou os ingredientes. Descobriu que o alho não vinha naturalmente pronto para ser picado e recebeu de Theo uma explicação longa sobre as cascas. Leo quis usar o espremedor antes de o dente estar descascado. A primeira tentativa produziu um som suspeito e um silêncio cheio de conclusões.

"Acho que ele está vestido ainda", comentou Lara.

Rafael lhe lançou um olhar por cima do ombro. "A consultoria está muito divertida hoje."

"É um benefício do domingo."

Os meninos ganharam tarefas compatíveis com as mãos pequenas: lavar tomates numa bacia baixa e separar folhas de manjericão já higienizadas. A faca ficou com Rafael. O fogão também. Lara explicou isso antes que a curiosidade de Leo se transformasse num pedido de participação arriscado.

A primeira colher de molho não foi aprovada pelo cozinheiro. Ele franziu a testa, acrescentou alguma coisa e provou outra vez. Lara observou a sequência com crescente interesse.

"Você está anotando?", perguntou ele.

"Estou tentando decidir se isso é cozinha ou negociação."

"O tomate está resistindo."

Theo estendeu a receita, onde a quantidade de sal estava impressa em letras bastante claras. Rafael a examinou como se o papel pudesse ter alterado as instruções durante o preparo.

Lara levantou-se finalmente, provou um pouco e alcançou mais tomate. Ajudou a ajustar o molho sem retirar a panela das mãos dele. Quando a massa ficou pronta, Rafael a escorreu com cuidado e recebeu aplausos dos filhos, que consideraram a etapa mais impressionante.

"O papai fez comida de verdade", anunciou Leo à mesa.

"A mamãe também participou", corrigiu Rafael.

"Só quando o tomate começou a ganhar", disse Lara.

Ele riu e puxou a cadeira para ela. O almoço ficou bom o suficiente para que todos repetissem, embora Theo tenha solicitado que a receita recebesse observações para a próxima execução. Rafael prometeu uma versão revisada. Leo perguntou se a revisão poderia incluir sobremesa.

Depois de comerem, cada um levou o próprio prato até a pia. A distribuição das tarefas provocou uma pequena revolta quando os meninos perceberam que cozinhar não encerrava o trabalho. Lara aproveitou a oportunidade para explicar que a louça não desaparecia quando uma pessoa saía da cozinha.

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"Eu já desconfiei disso", murmurou Rafael.

"Agora tem confirmação prática."

Ela o beijou depressa, recebendo dos filhos uma reclamação coordenada sobre beijos perto de utensílios. Nenhum dos dois, contudo, deixou de sorrir enquanto secava talheres sem ponta numa toalha.

À tarde, estenderam uma manta no jardim. Theo levou um quebra-cabeça, Leo levou um travesseiro grande demais e Rafael levou o caderno de casamento que Lara deixara na bancada. Ela recebeu o objeto com uma sobrancelha erguida.

"Você veio preparado."

"Achei que aqui seria um bom lugar para negociar as coisas importantes."

Os meninos se aproximaram imediatamente. A primeira reivindicação dizia respeito aos trajes.

"Não quero nada apertando o pescoço", informou Leo.

Theo concordou com a cabeça. "E preciso conseguir andar. Se tiver degrau, também preciso conseguir subir."

Lara anotou as duas condições com a seriedade que mereciam. Rafael sugeriu que a cerimônia não fosse excessivamente longa. Leo interpretou a observação como uma vitória pessoal e perguntou se já podia consultar opções de bolo.

"Uma coisa de cada vez", disse a mãe.

Falaram de um lugar ao ar livre, de pessoas próximas e de uma festa em que ninguém precisasse passar a noite preocupado com protocolos. Lara queria participar da escolha das flores, das roupas das crianças e do próprio vestido. Queria uma música que lhes dissesse alguma coisa. Não desejava entrar num evento e descobrir que apenas seu nome tinha sido necessário para organizá-lo.

Rafael ouviu sem interromper. Quando ela parou, acrescentou uma anotação na página.

"Perguntar antes de contratar qualquer surpresa que envolva mais de três pessoas."

Lara olhou por cima do ombro dele. "Três ainda pode ser muita gente."

Ele riscou o número. "Perguntar antes."

A simplicidade da correção a enterneceu. Encostou-se nele, deixando que os meninos debatessem se alianças podiam ser transportadas em carrinhos. Theo alegou que rodas facilitavam a logística. Leo queria saber se o carrinho poderia buzinar.

"Vocês vão entregar com as mãos", decidiu Rafael.

"O senhor não valoriza inovação", respondeu Leo, repetindo uma expressão que ouvira num telefonema do pai.

Lara começou a rir tanto que precisou tirar o caderno do colo.

Mais tarde, quando os meninos adormeceram diante de um filme, ela e Rafael voltaram ao jardim com café. O barulho da casa chegava amortecido pelas portas abertas. Havia uma peça azul esquecida perto de um vaso e um tênis minúsculo de cada lado da manta.

Rafael ficou olhando para os objetos antes de falar.

"Às vezes penso no que perdi."

Lara não precisou perguntar de quem estava falando. Segurou a caneca com as duas mãos.

"Eu sei."

"Não quero fazer vocês passarem o resto da vida compensando isso. Só... existem coisas que eu não vi."

Ela reconheceu a diferença entre lamentar e cobrar. Durante muito tempo temera que a culpa se tornasse mais uma exigência entre os dois. Naquela tarde, Rafael não parecia pedir absolvição. Estava dividindo uma tristeza que também lhe pertencia.

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"Eu posso contar", disse Lara. "Algumas histórias você já ouviu. Outras eu vou lembrando. E eles vão fazer coisas novas amanhã. Provavelmente antes do café."

Ele riu baixo. "Com algum objeto desmontado."

"Provavelmente."

Ficaram em silêncio por um momento. Rafael passou o braço por seus ombros. Lara deixou a cabeça descansar ali, ouvindo o ritmo tranquilo de sua respiração.

"Você ainda pensa em ter outro filho?", perguntou ela.

Ele não se moveu depressa. Virou o rosto para observá-la.

"Penso. Mas quero saber como você pensa nisso."

Lara deixou o café sobre a mesa. Não era a primeira vez que o assunto passava pela família em forma de brincadeira. Era, porém, a primeira vez que ela o abria sem risos ao redor.

"Quando os meninos eram pequenos, eu achava que nunca mais teria coragem. Eu os amava tanto e estava tão cansada que as duas coisas pareciam ocupar o mesmo lugar. Tinha medo de precisar de ajuda e descobrir que não havia ninguém."

Rafael a ouviu com o rosto sério. Não tentou prometer que eliminaria todo cansaço ou que faria o tempo voltar.

"Eu quero estar", disse. "Na consulta, na madrugada, na roupa suja. Não só na foto."

Lara sentiu uma emoção quente subir pelo peito. Aquelas eram as palavras que conseguia acreditar porque via pequenos ensaios delas todos os dias: um lanche preparado, uma mochila conferida, um menino febril no colo do pai.

"Eu tenho vontade", confessou. "Não para consertar o que aconteceu. Tenho vontade de viver isso com você."

Rafael beijou sua testa, demorando ali. "Então a gente conversa mais. Com calma. E decide junto."

Ela levantou o rosto. O beijo que veio depois não precisou de pressa. Quando se afastaram, Lara passou a ponta dos dedos pelo colarinho dele, ainda com uma marca quase invisível do molho do almoço.

"Você vai precisar melhorar a culinária."

"Estou disposto a contratar uma equipe de pesquisa."

"Uma receita e prática devem resolver."

À noite, os meninos ressurgiram cheios de energia, enquanto os adultos precisavam de uma segunda disposição para acompanhar a montagem de uma cidade no tapete. Rafael foi designado responsável pela ponte. Lara recebeu a escola. Leo construiu uma padaria com duas caixas e estabeleceu que o funcionamento não teria intervalo.

Theo acrescentou uma casa menor ao lado da deles.

"É para quando vier visita?", perguntou Lara.

"Pode ser. Ou para outra pessoa da família."

Ela olhou para Rafael. Nenhum dos dois disse nada sobre a conversa do jardim. Deixaram o menino encaixar o telhado, inventar uma porta e seguir para o próximo prédio.

Depois do banho, Lara leu uma história sentada entre as duas camas. Rafael ficou perto da porta, esperando sua vez de receber os pedidos de água e as últimas perguntas. Leo quis saber se um casamento podia ter o mesmo prato do almoço.

"Pode", respondeu ela.

O menino pensou melhor. "Então talvez seja melhor a mamãe ajudar de novo."

Rafael levou a mão ao peito, ofendido de brincadeira. Theo tentou defendê-lo, mas terminou explicando que a experiência tinha sido satisfatória apenas depois da intervenção.

Lara saiu do quarto rindo, puxada pela mão do marido. No corredor, ele a abraçou pela cintura.

"Nossa família é muito rigorosa nas avaliações."

"Você foi aprovado."

"Com ressalvas?"

Ela o beijou antes de responder. "Com repetição do prato. É uma nota alta."

Rafael apagou a luz do corredor, e os dois seguiram juntos. O caderno do casamento continuou aberto sobre a mesa, com uma página inteira ainda em branco para tudo o que escolheriam depois.

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