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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 55

正文开头

Quando ela levantou os olhos

Lara trocou de vestido duas vezes antes de admitir que a dificuldade não era a roupa.

Rafael a encontrou com um brinco na mão e o outro já colocado.

"Quer desistir?"

Ela olhou para o espelho.

"Quero que seja amanhã. Ou ontem. Hoje está demorando demais."

Ele se aproximou e lhe ofereceu a mão para guardar o brinco que não usaria.

Iriam ao aniversário de Artur. A presença de Helena e Eduardo fora confirmada, mas ninguém marcara uma apresentação pública da hipótese de parentesco.

Os dois tinham recebido os documentos e o resultado de relação familiar que Lara autorizara compartilhar. A confirmação direta dependeria de exames próprios, conversas e acesso às informações que cada um guardava.

Saber disso não diminuía a expectativa.

Lara ainda não conhecia suas vozes de perto.

"Eu não sei o que vou sentir quando olhar para ela", disse.

Rafael segurou o brinco com cuidado.

"Você não precisa combinar antes."

Ela soltou um pouco o ar e escolheu o segundo.

Os meninos ficariam com Teresa e Célia no começo da noite. Antônio os acompanharia à recepção e voltaria com o casal se precisassem sair cedo.

Quando Lara se despediu, Theo examinou seu rosto como fazia nos dias em que ela precisava mostrar uma roupa importante.

"Você volta antes de eu dormir?"

"Vou tentar. Se não conseguir, seu pai avisa."

Leo lhe entregou um pequeno adesivo que sobrara de uma atividade da escola.

"Esse é para você. Mas pode guardar para não estragar o vestido."

Lara colocou na bolsa e o beijou.

No carro, manteve a mão junto à de Rafael durante boa parte do caminho.

Ao chegarem, Roberto os recebeu com uma delicadeza mais contida que a habitual. Artur agradeceu a presença de Lara e lhe tocou o braço ao receber o cumprimento.

Ela lhe desejou feliz aniversário.

Antes que a conversa continuasse, uma mulher apareceu ao lado de Eduardo.

Lara soube quem era antes da apresentação.

Não viu uma cópia de si. Viu um rosto com os anos que o seu ainda não tinha, uma forma conhecida de inclinar a cabeça e uma surpresa que lhe tirava as palavras do mesmo modo que agora faltavam às suas.

Helena ficou imóvel.

Tinha imaginado o encontro desde a ligação do pai. Consultara as fotografias do prêmio, reconhecera uma semelhança que podia ser amplificada pela vontade de encontrar uma resposta.

Ao vivo, foi o movimento da boca de Lara antes de sorrir que desfez a distância da tela.

Eduardo apoiou a mão nas costas da esposa.

"Boa noite", disse, a voz menos firme do que pretendia.

Lara respondeu e ouviu seu nome pronunciado por Helena.

Só o nome.

Não veio mãe, filha ou um abraço que a obrigasse a decidir depressa.

Ainda assim, precisou apertar os dedos de Rafael para continuar de pé com naturalidade.

Antônio percebeu e entrou na conversa, cumprimentando os anfitriões pelo aniversário. O gesto permitiu que todos respirassem antes de outra frase.

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Helena disse que acompanhara o trabalho em Milão e gostara especialmente da peça final.

Lara agradeceu.

Perguntou como fora a viagem e ouviu a resposta com uma atenção estranha, querendo guardar o timbre da voz sem parecer que a examinava.

Isabela surgiu perto deles com um vestido escolhido para receber elogios.

No primeiro instante, sorriu para os pais. No seguinte, viu Helena olhando para Lara e sentiu o próprio lugar perder nitidez.

A mãe se virou quando ela chamou, elogiou a roupa e lhe tocou a mão.

O carinho continuava ali. Isabela não conseguiu percebê-lo inteiro, porque a atenção já não estava apenas nela.

Eduardo pediu que a filha o ajudasse a receber alguns convidados. A jovem concordou, mas não demorou a voltar os olhos para o casal Valença.

Lara e Rafael se afastaram para cumprimentar Artur novamente. Não ficaram encurralados no primeiro encontro, e ela agradeceu silenciosamente a possibilidade de conhecer aquelas pessoas por alguns minutos de cada vez.

Durante uma pausa, Eduardo se aproximou da mesa de doces onde Lara escolhera água.

Não levou um copo preparado por outra pessoa nem um pedido disfarçado.

"Eu gostaria de perguntar sobre os documentos que você enviou", disse. "Não aqui, se não quiser."

Lara olhou para ele.

"Podemos marcar. Eu também quero entender."

Eduardo assentiu, aliviado por uma resposta que não lhe devia.

"Aceita fazer a comparação direta? Eu e Helena estamos disponíveis. Com o laboratório que você preferir acompanhar."

Lara respirou fundo.

A pergunta tinha o tamanho de uma porta, mas vinha sem uma mão empurrando suas costas.

"Aceito. Quero ver tudo."

"Claro."

Rafael se aproximou ao vê-los conversando, e Lara lhe contou o que tinham combinado. Eduardo não tomou a presença do marido como uma ameaça ao que acabara de conseguir.

Pediu que o acompanhasse se fosse o que a deixaria confortável.

Lara guardou a data que acertariam depois e voltou à sala com Rafael.

Pouco mais tarde, Isabela a encontrou numa passagem perto da varanda.

"Minha mãe está muito impressionada com você."

Lara parou.

"Ela foi gentil."

"As pessoas estão sendo gentis demais. Você deve estar gostando."

O cansaço de adivinhar intenções se transformou numa irritação conhecida.

"Se quer perguntar alguma coisa, pergunte."

Isabela cruzou os braços.

"Você acha que porque se casou com Rafael agora tem um lugar em qualquer família?"

Lara a observou por um instante.

Poderia ter dito que procurara os Albuquerque antes de conhecer os registros, que a relação de Beatriz existia sem depender do marido. Não precisava explicar tudo naquele corredor.

"Meu casamento não está em disputa. E eu não vim aqui para disputar nada com você."

Tentou passar. Isabela se colocou no caminho, recuou ao mesmo tempo e esbarrou numa pequena mesa.

O copo caiu. A jovem perdeu o equilíbrio e se sentou abruptamente no chão, apoiando a mão no tapete.

A música e as conversas continuaram por meio segundo antes de alguém perceber.

正文2

Lara se abaixou por reflexo, mas Isabela afastou seu braço.

"Não encosta."

Ricardo, filho de Roberto e primo de Isabela, chegou primeiro. Ao ver a jovem no chão e Lara junto dela, tirou uma conclusão antes da pergunta.

"O que você fez?"

Lara ficou de pé devagar.

"Nada. Ela esbarrou na mesa."

Isabela tinha os olhos cheios de lágrimas. Não disse que fora empurrada. Também não corrigiu a forma como se agarrava ao braço do primo enquanto olhava para Lara.

Ricardo se colocou à frente dela.

"Você não precisava tratar a Isabela assim."

Rafael chegou com Antônio no momento em que as palavras começavam a atrair um grupo.

Lara sentiu a velha sequência se formando: uma pessoa falava, outras ouviam o tom e preparavam a mesma certeza sem saber de onde viera.

Dessa vez não baixou os olhos.

"Pergunte se ela foi empurrada", disse.

Ricardo tentou continuar, mas Antônio interrompeu.

"Eu vi o fim da conversa da porta. Não vi a Lara tocar nela. Quem viu?"

O silêncio mudou de natureza.

Artur se aproximou com Roberto. Pediu que deixassem espaço para Isabela se levantar e perguntou diretamente o que acontecera.

A jovem olhou para os rostos reunidos.

"Eu esbarrei."

Ricardo apertou sua mão.

"Você pode falar. Não precisa ter medo."

"Ela acabou de falar", disse Rafael.

Sua voz fez o primo olhar para ele.

O marido ficou ao lado da esposa, não entre ela e a possibilidade de responder.

"Você a acusou sem ouvir. Corrija."

Ricardo olhou para Isabela mais uma vez. A jovem confirmou, agora com a voz pequena, que Lara não a empurrara.

O pedido de desculpas veio rígido.

Lara o recebeu sem fazer de conta que o suficiente para encerrar a cena era também o suficiente para apagar o sentimento.

Helena chegou depois de ouvir parte do tumulto. Ao ver Isabela chorando, deu um passo para ajudá-la e parou ao encontrar o rosto de Lara.

Havia duas dores naquela passagem. Ainda não sabia como alcançá-las sem escolher a primeira que reconhecia.

Lara percebeu a hesitação e sentiu uma parte de si recuar.

Rafael lhe tocou as costas.

"Quer ir?"

Ela assentiu.

Despediram-se de Artur, lamentando que a saída fosse antes do previsto. Antônio foi junto, sem deixar que a explicação de um mal-entendido tornasse a experiência da nora um preço inevitável da festa.

No carro, Lara ficou em silêncio até o primeiro semáforo.

"Ela olhou para mim e não sabia o que fazer", disse, por fim.

Rafael sabia a quem se referia.

Não disse que Helena devia ser perdoada porque estava confusa. Esperou.

Lara apertou o adesivo guardado na bolsa e só então percebeu que o tirara do envelope.

"Eu também não sabia. Mas não fui eu quem teve o braço da família inteira para se segurar."

Antônio, no banco ao lado de Mauro, virou um pouco o rosto.

"Você pode sair de um lugar que a machuca. Não tem que ficar para facilitar a vida dos anfitriões."

Lara assentiu, com os olhos úmidos.

Em casa, os filhos ainda estavam acordados. Leo correu para a porta e perguntou se ela usara o presente.

Lara o abraçou antes de responder.

Theo se aproximou do outro lado e esperou a mão que ela abriu.

Enquanto os três ficavam juntos no corredor, Rafael recebeu uma mensagem de Eduardo.

Ele perguntava se Lara chegara bem e confirmava que respeitaria o combinado sobre a verificação.

Rafael mostrou à esposa depois que os meninos foram ao quarto.

Ela leu e respondeu por conta própria.

Não sabia ainda o que queria chamar de família.

Sabia que precisava da verdade antes de decidir o restante.

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