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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 53

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Os netos que ela não ia explicar de novo

"Eles já chamavam Rafael de pai antes do casamento?"

A pergunta de Isabela atravessou a conversa num tom de curiosidade cuidadosamente escolhido.

Lara baixou o telefone.

"Chamavam."

Uma das convidadas sorriu, achando que a história continuaria pelo encontro no aeroporto. Teresa permaneceu olhando para a jovem que perguntara.

Isabela ajeitou a alça da bolsa.

"Deve ter sido uma adaptação. Para ele também. Assumir crianças que já..."

"São filhos dele", disse Teresa.

O silêncio foi imediato.

Isabela ficou com os lábios entreabertos, sem saber como terminar a frase sem mostrar o que pretendia.

A anfitriã continuou com a voz tranquila.

"Theo e Leo são filhos da Lara e do Rafael. Meus netos. Não há adaptação de parentesco para explicar. Existe um pai aprendendo a cuidar de dois meninos, como em qualquer família que passou anos separada."

Lara sentiu a mão da sogra encontrar a sua sob a mesa.

Não precisava de uma defesa da existência dos filhos. Precisava não ouvir que, para manter a tarde agradável, deveria deixar aquela frase passar.

Isabela olhou de uma mulher para a outra.

"Eu não sabia."

"Agora sabe", respondeu Teresa.

Uma convidada tentou mudar o assunto para as semelhanças dos rostos. A anfitriã permitiu que a conversa seguisse, mas Lara ainda tinha uma coisa para dizer.

"Mesmo se não fossem filhos biológicos dele, não seria um motivo para falar das crianças desse jeito."

Isabela abaixou os olhos.

Lara não levantou a voz. Guardou o telefone e recebeu a xícara que outra mulher lhe ofereceu, aceitando a passagem para uma conversa em que os meninos não fossem uma prova a apresentar.

Teresa começou a contar de uma tarde com o trem. O relato tinha o avô no chão e uma estação que crescia em todas as direções. Em poucos minutos, uma das convidadas comparava a história com a própria neta, que insistia em guardar conchas dentro dos sapatos.

Lara conseguiu rir.

O aperto na mão da sogra diminuiu apenas quando percebeu que já não precisava daquilo para se manter firme.

Depois do café, Artur apareceu numa chamada breve para falar com a conhecida que trouxera Isabela. Teresa aproveitou para combinar uma lembrança de aniversário. Dezembro avançava, e o calendário das famílias começava a se encher de encontros.

O telefone foi passado de mão em mão, com conversas sobre datas e viagens. Isabela ficou mais quieta, observando Lara falar com naturalidade de uma rotina em que os filhos, o marido e o trabalho não pareciam exigir justificativa.

Quando a chamada terminou, uma convidada pediu que ficassem para uma partida de buraco. Teresa gostava do jogo e mantinha dois baralhos numa gaveta da sala.

Lara sorriu.

"Eu conheço. Minha vizinha em Paris jogava com umas amigas brasileiras. Aprendi esperando os meninos dormirem."

"Então fica comigo", disse a sogra.

Isabela se ofereceu para a outra dupla com a mulher que a acompanhara. Conhecia o suficiente para acreditar que poderia mostrar uma superioridade discreta, longe do terreno em que acabara de tropeçar.

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Distribuíram as cartas.

Na primeira rodada, Lara se atrapalhou com a organização da mão e ouviu uma explicação rápida sobre a regra que usavam naquela casa. Agradeceu sem fingir domínio.

Isabela relaxou.

Depois percebeu que a outra começava a observar o que Teresa guardava, quais cartas saíam e em que momento sua parceira hesitava.

Não eram sinais combinados antes. Era atenção.

Numa jogada que poderia favorecer apenas sua própria mão, Lara escolheu deixar espaço para a sogra completar uma sequência. Teresa a olhou por cima das cartas e sorriu.

A dupla venceu a primeira partida por pouco.

Isabela pediu outra imediatamente.

Lara aceitou, mas parou para responder ao áudio de Leo, que queria saber se o bolo tinha sobrevivido à viagem.

Ela gravou a confirmação com a mesa de fundo. Teresa entrou na resposta dizendo que tinham comido quase tudo e que, na próxima vez, ele precisaria fazer de novo.

Isabela ouviu a risada da criança no áudio seguinte.

A segunda partida foi mais disputada. Ninguém colocou dinheiro, joias ou promessas sobre a mesa. A graça estava no esforço de acompanhar Teresa, que comemorava uma boa carta com um suspiro pouco discreto.

Lara perdeu uma oportunidade e levou a mão à testa.

A sogra deu de ombros.

"Se a gente soubesse tudo, ficava sem motivo para jogar outra."

A frase a fez sorrir de uma maneira que Isabela achou irritante demais.

Era uma intimidade construída inclusive no erro.

No fim, a dupla de Isabela ganhou a rodada e Lara a cumprimentou sem amargura. A jovem tinha preparado uma provocação sobre sorte; sem encontrar uma reação que a sustentasse, guardou-a.

A tarde terminou sem o constrangimento público que imaginara causar.

Na última mão, Lara precisou descartar uma carta que Teresa parecia querer. Parou, conferiu a própria sequência e escolheu outra possibilidade.

A sogra a observou, curiosa. Só entendeu o motivo quando recebeu a carta seguinte e conseguiu concluir o conjunto.

"Você viu antes de mim."

Lara sorriu.

"Eu estava olhando o que você tentou fazer na rodada passada."

Teresa lhe deu um pequeno toque no braço, satisfeita. Não era uma vitória extraordinária, mas a mulher gostava de encontrar alguém que prestava atenção ao seu jeito de jogar.

Quando recolheram a mesa, pediu que Lara voltasse para uma partida sem visitas. Queria lhe mostrar um baralho antigo, com uma marca numa das cartas que Antônio sempre negava ter dobrado.

Lara aceitou, já imaginando o sogro apresentando a defesa com o mesmo rigor que Rafael usava para justificar uma ervilha esquecida no prato.

Quando as visitas saíram, Lara ajudou Teresa a recolher as cartas.

A mulher a observou guardar o baralho na caixa.

"Eu devia ter parado a pergunta mais cedo."

Lara ergueu o rosto.

"Você parou quando ela mostrou o que queria dizer. Obrigada."

Teresa lhe acariciou o braço.

"Você não tem que me agradecer por falar dos meus netos como meus netos."

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Lara assentiu, emocionada apesar do esforço para manter a leveza.

Ficaram organizando os pratos até ela conseguir continuar.

"Às vezes eu ainda espero que uma pessoa olhe para mim e peça para eu não levar tão a sério."

Teresa deixou a bandeja.

"Você achou que eu faria isso?"

"Não achei. Mas meu corpo espera antes de eu decidir."

A sogra a trouxe para um abraço.

Lara deixou o rosto descansar junto ao ombro dela por alguns segundos, sentindo o perfume familiar que já aprendera a reconhecer.

Quando Rafael chegou para buscá-la, encontrou as duas discutindo se a sobra de bolo deveria ser levada para casa ou guardada para os meninos no dia seguinte.

Ele recebeu um pote e a explicação resumida do que acontecera.

O rosto se fechou ao ouvir o nome de Isabela.

Lara tocou sua mão antes que começasse a procurar um telefone.

"Sua mãe falou. Eu também. A tarde continuou. Não quero ir embora levando só a parte ruim."

Rafael olhou para Teresa.

Ela assentiu, orgulhosa da nora de um jeito que não precisava de aprovação do filho.

No caminho, ele perguntou se Lara gostaria que reduzissem os encontros com a jovem.

"Eu não vou convidar para dentro da nossa casa agora", respondeu. "Mas também não quero que toda reunião de família vire uma preparação para me defender dela."

Rafael lhe segurou a mão.

"Eu vou deixar claro que não há espaço para esse tipo de aproximação comigo. Não precisa esperar outra tarde."

Lara assentiu, aliviada.

Ele enviou uma mensagem objetiva por meio do contato usado para as visitas: não aceitaria convites pessoais, comentários sobre a esposa ou tentativas de envolver os filhos em insinuações. Assuntos familiares seriam tratados com respeito e sem interferência no casamento.

Não deixou a recusa escondida atrás de Lucas.

Em casa, os meninos inspecionaram o pote de bolo antes de ouvir o restante da história sobre as cartas.

Leo quis aprender a jogar imediatamente. Theo perguntou se todas as cartas tinham a mesma chance de aparecer.

Lara trouxe um baralho antigo e começou por uma brincadeira mais simples. Rafael sentou no tapete e recebeu de Leo a função de segurar as cartas que sua mão pequena não comportava.

"Isso é parceria?", perguntou o pai.

"É ajuda. Você ainda não sabe as regras."

Lara riu, vendo o marido aceitar a posição com dignidade.

No meio da partida, Theo levantou os olhos.

"A vovó ficou feliz com o bolo?"

"Ficou. Chamou vocês para fazer outro."

O menino sorriu e abaixou a cabeça para escolher uma carta.

Lara ficou olhando a concentração dos dois, imaginando o que sentiria se soubessem da pergunta daquela tarde. Não precisavam saber cada frase para reconhecer a segurança que recebiam.

Ela os puxou para um beijo rápido, provocando protestos porque atrapalhava a distribuição.

Mais tarde, Teresa telefonou para combinar a reunião de Natal. Haveria parentes que Lara conhecera apenas por fotografia e outros de quem Rafael falava usando nomes que os meninos ainda confundiam.

"Quantas pessoas?", perguntou ela.

A sogra fez uma pausa.

"Depende de quantos aceitarem que vão comer pouco."

Lara começou a rir.

Rafael, ouvindo apenas um lado da conversa, encostou a testa no sofá, resignado.

Leo queria saber se haveria crianças. Theo queria saber se conseguiriam terminar o trem antes que chegassem.

Naquela noite, os quatro fizeram uma lista de coisas para levar.

Pela primeira vez, Lara acrescentou uma travessa grande sem precisar calcular quantas pessoas gostariam que ela não estivesse à mesa.

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