"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 52
A cadeira ao lado dela estava ocupada
Isabela chegou à casa de Teresa com uma caixa grande demais para parecer uma lembrança casual.
Uma conhecida da família a acompanhava e fizera o pedido de visita no dia anterior. Teresa aceitara um café, imaginando uma conversa breve sobre a volta dos Albuquerque e os preparativos de dezembro.
Encontrou um conjunto de joias dentro do embrulho.
A mulher fechou a tampa devagar.
"É muito bonito. Mas não vou aceitar uma coisa assim numa visita."
Isabela sorriu com cuidado.
"Minha mãe sempre disse que a senhora gosta dessas pedras."
"Gosto. Também gosto de poder tomar café sem ficar devendo uma vitrine inteira."
A acompanhante riu, tentando aliviar. Isabela pareceu não saber se a frase fora um elogio ao presente ou uma recusa definitiva.
Teresa aproximou a caixa dela e ofereceu o prato de biscoitos.
Era definitiva.
A conversa passou pelos parentes, pela cidade e pelo trabalho de Rafael. Isabela encontrou uma abertura no nome e se inclinou um pouco.
"Ele deve ficar tão sozinho com tanta responsabilidade."
Teresa apoiou a xícara.
"Anda muito bem acompanhado."
"Eu quis dizer no trabalho."
"Também tem uma equipe."
A mulher que trouxera Isabela começou a falar do jardim, satisfeita por encontrar uma área sem armadilhas.
Teresa respondeu, mas percebeu o momento em que a jovem olhou para a fotografia dos netos na estante.
"São os meninos da Lara?"
"Meus netos. Theo e Leo."
Isabela assentiu, deixando a observação seguinte para depois.
Quando se despediu, levou a caixa de volta e uma sensação de que cada porta se fechava antes que conseguisse passar.
Naquela tarde, Lara tinha uma reunião sobre fornecedores com Henrique. A confirmação de parentesco ainda lhe ocupava a cabeça de maneiras imprevisíveis, e ela precisara reler a pauta duas vezes antes de entrar.
Henrique percebeu uma distração, mas não perguntou diante da equipe.
Ao final, esperou que os outros saíssem.
"Tem alguma coisa no projeto que está pesando?"
Lara fechou o caderno.
"No projeto, não. Estou resolvendo uma coisa da família. Prefiro falar quando entender melhor."
Ele assentiu sem insistir.
Depois mostrou uma alternativa de espaço para o ateliê, menor do que a primeira e com iluminação melhor. Lara se inclinou para olhar e começou a fazer perguntas que a trouxeram de volta à mesa.
Uma hora depois, Rafael a encontrou ainda animada, explicando por telefone por que a parede precisava ficar livre.
Reconheceu a voz de Henrique do outro lado.
Esperou, de pé junto à porta do quarto de trabalho, até ela desligar.
"Uma parede importante?"
Lara sorriu.
"Muito. Não faz essa cara."
"Eu tenho muitas caras."
"Essa é a que você usa quando quer saber por que outra pessoa recebeu uma hora minha e você está esperando cinco minutos."
Rafael se aproximou.
"Eu posso perguntar como foi a reunião?"
"Pode. Eu ia te contar."
Ela puxou a planta do espaço e lhe mostrou os pontos que a interessavam. O marido ouviu, fez uma pergunta sobre a circulação e percebeu que a entrada de material cruzaria com o atendimento se não ajustassem uma porta.
Lara pegou o lápis.
"É isso. Eu estava tentando resolver por aqui."
Rafael acompanhou a linha.
Por alguns minutos, a conversa esqueceu quem oferecera o investimento. Havia apenas uma mulher construindo seu trabalho e um homem tentando enxergar a casa que aquele trabalho precisaria.
Quando terminaram, ele encostou a boca no seu cabelo.
"Gosto quando você fica assim."
"Assim como?"
"Esquece de ficar com medo por um pouco."
Lara baixou o lápis.
A resposta lhe tocou mais fundo do que a provocação anterior.
Ela se virou e o abraçou, deixando a testa contra seu peito.
Rafael permaneceu ali até ouvir passos pequenos no corredor.
Leo apareceu segurando duas meias diferentes.
"Essas podem ir juntas?"
Lara olhou.
"Para brincar em casa, podem."
O menino pareceu aliviado por encontrar no mundo uma regra que permitia resolver problemas sem procurar o segundo par.
Rafael lhe mostrou o lugar onde uma das meias estava presa à barra da calça. Leo recolheu a prova do próprio descuido e saiu fingindo que a consulta não fora necessária.
Antes de dormir, Rafael procurou a esposa na varanda. Lara tinha levado a planta do ateliê para olhar sob outra luz e agora a mantinha esquecida no colo.
Ele se sentou perto, encostando o braço no dela.
"Quer voltar ao desenho ou prefere que eu distraia?"
Lara virou o rosto.
"Você está oferecendo alguma coisa específica?"
O sorriso dele veio devagar.
Ela colocou a folha sobre a mesa antes que respondesse e lhe segurou a camisa. O beijo começou leve, com a alegria pequena de descobrir que ainda podia provocar aquele homem mesmo nos dias em que se sentia desorganizada por dentro.
Quando se afastaram, Rafael continuou perto.
"Essa distração eu posso repetir."
Lara encostou a testa na dele.
"Não fica convencido. Eu também gostei da ajuda com a porta."
Ele riu e a puxou para o abraço. Ficaram ouvindo a casa por alguns minutos: uma torneira fechada, o som distante de Célia guardando a última coisa antes de ir embora, os filhos já quietos no quarto.
Lara não pegou o papel outra vez. Levou a mão do marido consigo ao entrar.
No dia seguinte, Rafael recebeu uma tentativa de agendamento feita por um contato dos Albuquerque. O assunto comercial indicado era vago. Lucas pediu uma pauta e descobriu, na conversa seguinte, que Isabela pretendia acompanhá-los sem função definida.
O horário foi recusado por falta de objetivo de trabalho.
Rafael contou a Lara durante o jantar, antes que outra fotografia ganhasse uma interpretação própria.
Ela ergueu os olhos do prato.
"Ela ainda está tentando?"
"Não houve encontro. A mensagem não passou da agenda."
Lara assentiu e continuou cortando a comida de Leo.
O marido observou a tranquilidade por alguns segundos, sem saber se devia se sentir aliviado ou injustamente pouco disputado.
Ela percebeu.
"Você queria mais drama?"
Rafael tomou água.
Theo olhou para o irmão, sentindo que uma parte interessante da conversa passava por cima deles.
Lara tocou a mão do marido.
"Sei onde você está. E gosto que me conte antes de virar uma surpresa."
O pequeno orgulho que Rafael sentira pela própria transparência virou outra coisa, mais quieta, quando ela entrelaçou os dedos nos seus.
Depois de colocar os filhos na cama, Lara lhe contou que também sentira ciúme ao lembrar do jeito como Isabela o olhara no aeroporto.
"Só não vou transformar cada tentativa dela num teste para você."
Ele a puxou para perto no sofá.
Lara passou o polegar sobre a aliança dele, ainda se acostumando a encontrá-la nos gestos comuns. O marido acompanhou seu olhar e aproximou a mão da boca para beijar seus dedos. Ela sorriu antes que ele continuasse.
"Ainda bem. Eu já tenho dois examinadores em casa."
Lara ergueu uma sobrancelha.
Rafael beijou sua mão antes que perguntasse mais.
Naquela semana, Teresa organizou uma tarde de café com algumas conhecidas antigas. Lara fora convidada desde o começo e ajudaria a escolher a roupa que a sogra pretendia usar num encontro de família.
Isabela soube da ocasião pela mesma mulher que intermediara a visita anterior.
Dessa vez preparou um presente menor e um discurso mais fácil.
Queria parecer interessada na vida de Teresa, não apenas no filho. Pediu conselhos sobre a cidade, mencionou o trabalho dos pais e falou de uma infância cheia de viagens que imaginava tornar natural a aproximação entre as famílias.
Teresa respondeu às perguntas que faziam sentido e não completou as insinuações.
Lara chegou pouco depois, atrasada por uma prova. Trazia uma bolsa com duas amostras e um pote de bolo que fizera com os meninos.
A sogra se levantou para recebê-la e pegou o pote com entusiasmo desproporcional à embalagem simples.
"Eles fizeram a cobertura?"
"Tentaram. Eu salvei uma parte."
Teresa riu e lhe deu um beijo.
Isabela observou a facilidade com que Lara se sentava na cadeira deixada perto da anfitriã. Não havia apresentação especial, nem esforço para conquistar a atenção de todas as pessoas ao mesmo tempo.
Ela já pertencia à conversa.
Uma convidada perguntou pelo prêmio. Outra quis saber quando abriria a marca. Lara respondeu com cuidado sobre o calendário, agradecendo o interesse sem prometer uma data que ainda não podia cumprir.
Teresa trouxe a blusa que queria combinar com o lenço e pediu sua opinião diante das outras.
Lara mostrou uma dobra possível. A discussão sobre tecido tomou a mesa por alguns minutos e incluiu até quem chegara falando que não entendia de roupa.
Isabela tentou participar, sugerindo outra joia.
Teresa agradeceu e manteve o conjunto que escolhera com a nora.
Não era uma competição anunciada. Isabela a sentiu mesmo assim.
Quando uma fotografia dos meninos apareceu no telefone de Lara, a jovem se inclinou para olhar.
Uma conhecida comentou a semelhança dos dois. Isabela ouviu, lembrando das histórias antigas que encontrara sobre o noivado rompido.
O nome Azevedo continuava ligado a uma família que ela conhecia apenas pelas piores notícias recentes.
Talvez houvesse um modo de lembrar àquela mesa que Lara não chegara ao casamento com uma história tão simples.
Isabela aproximou a xícara do pires e escolheu a pergunta que faria.
Naquele instante, Teresa ainda sorria para a imagem dos netos.
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