"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 48
Doze vestidos para uma mesma passagem
A primeira pessoa a discordar foi Owen.
Não da proposta de Lara. Ela ainda não tinha terminado a primeira frase.
Ele discordou de Clara Bell, a britânica, que queria começar pela cor, e da italiana Giulia, que achava impossível discutir cor sem definir o tecido disponível.
Lara colocou a caneta sobre a mesa e ouviu por alguns minutos.
Havia quatro designers, uma coleção de doze peças e um prazo que não aumentaria enquanto decidissem quem tinha razão.
Owen puxou uma folha para si.
"Podemos dividir três para cada um. Entregamos juntos."
"Isso é uma coleção ou quatro mesas encostadas?", perguntou Giulia.
Clara Bell começou a responder, mas Lara levantou a mão.
"Podemos mostrar primeiro o que cada um sabe fazer melhor? Sem decidir ainda quem vai ceder."
Os três a olharam.
Ela virou a folha e desenhou uma linha simples de vestido.
"A minha ideia muda quando vejo as de vocês. Se começarmos por isso, talvez não precisemos passar a manhã escolhendo quem perde."
Giulia pegou o lápis primeiro.
Owen ainda parecia contrariado, mas abriu a própria pasta de referências autorizadas. Clara Bell afastou a discussão sobre cor por alguns minutos.
Nas folhas apareceram estruturas muito diferentes. Giulia desenhava com segurança os detalhes feitos à mão. Clara Bell gostava de volumes e de uma leveza quase brincalhona. Owen trabalhava a forma com precisão severa. Lara procurava movimento e continuidade.
Faltava um motivo para existirem na mesma sequência.
Ela aproximou os desenhos.
"Todos nós fazemos roupa para uma passagem", disse. "Uma pessoa entra de um jeito e sai de outro. E todos desenhamos alguma vez uma noiva."
Clara Bell inclinou o rosto.
Giulia tocou uma folha com a ponta do lápis.
"Casamento?"
Lara assentiu.
Não propunha doze vestidos iguais, explicou. Podiam variar comprimento, volume e elaboração, conduzindo o olhar de uma forma à seguinte. Cada mão apareceria, mas uma mudança teria de preparar a outra.
Owen conferiu as regras do tema livre daquela fase.
"Quem faz o último?"
Lara não respondeu que seria ela.
"Escolhemos depois de ver a sequência. Se o meu não fechar, não fecha."
Giulia sorriu pela primeira vez.
Começaram.
A cooperação não ficou fácil de repente. Owen redesenhou uma linha sem perguntar, e Clara Bell se irritou. Giulia recusou um acabamento que levaria menos tempo, mas não suportaria o movimento que precisavam.
Lara também precisou ceder. Gostava de uma abertura na saia que competia com o volume da peça anterior. Retirou e mostrou a diferença, sem fingir que não lhe custara.
Owen observou.
Na vez seguinte em que quis mudar algo, perguntou antes.
A certa altura, Giulia perguntou como Lara faria uma peça funcionar sem um acabamento que dependia de muitas horas.
Ela não respondeu imediatamente. Pediu um retalho e testou uma dobra com os dedos.
O primeiro resultado ficou rígido.
Owen sugeriu mudar o sentido do corte. Clara Bell segurou o tecido na altura certa enquanto tentavam outra vez.
Giulia afastou-se para enxergar o conjunto.
"Assim não perde a linha quando ela senta."
Lara olhou para a própria mão, surpresa pela solução que não teria encontrado sozinha.
"Podemos levar isso para a peça seguinte também. Só um detalhe, para as duas conversarem."
Owen puxou o desenho que fizera e colocou ao lado. Dessa vez ninguém precisou pedir que dividisse a folha.
Quando a pausa foi anunciada, Clara Bell guardou os quatro lápis no mesmo recipiente. Giulia deixou um bilhete sobre o tecido para que ninguém perdesse a dobra ao voltar.
Lara fotografou apenas o estudo permitido para o registro do grupo e anotou quem propusera cada mudança. Queria lembrar como o trabalho começara a se encaixar, inclusive nas partes que já não podia chamar de suas.
Ao fim do primeiro período, tinham uma sequência possível.
Na pausa, Lara encontrou Rafael fora da área de trabalho. Ele segurava dois cafés, mas entregou primeiro uma embalagem com comida.
Ela sentou e ficou olhando para o próprio prato por alguns segundos.
"Estamos conseguindo."
Ele sorriu.
"Como?"
Lara explicou o que mudara, imitando a maneira como Owen prendia o lápis quando não gostava de uma proposta. Rafael riu, e ela percebeu que o cansaço diminuía quando podia contar o dia sem precisar provar que dera tudo certo.
"Você não vai perguntar pela Priscila?", disse depois.
O rosto dele se fechou um pouco.
"Você a viu?"
"Vi. Ela parecia satisfeita com o meu grupo."
Rafael esperou.
"Eu não tenho nada além de uma expressão. Não quero trabalhar olhando para o painel dela. Mas pedi à organização que registrem qualquer alteração na distribuição, porque houve um atraso estranho antes da nossa lista."
"Fez bem."
Lara bebeu o café.
"Eu quero ganhar pelo que fizer aqui. Não passar o tempo inteiro explicando o que ela tentou."
Rafael lhe tocou a mão.
"Então volta e faz. Eu fico perto se precisar."
Nos períodos seguintes, a equipe trabalhou com os profissionais de execução disponibilizados para todos. As condições eram as mesmas; ninguém podia trazer uma oficina particular para acelerar a própria coleção.
Lara conferiu amostras, ouviu as costureiras e aprendeu a pronunciar um termo italiano que Giulia repetia cada vez que um acabamento parecia grosseiro.
Clara Bell passou a chamá-lo pelo nome errado de propósito, só para fazê-la rir.
Owen encontrou uma maneira de reduzir o peso de uma estrutura sem perder a forma. Mostrou primeiro a Lara, que chamou os outros dois para ver.
A última peça ganhou uma saia longa e limpa, com o trabalho de Giulia junto ao colo e uma transição de volume que Clara Bell propusera. Owen reviu o apoio interno. Lara reuniu a linha que conduzia tudo ao movimento.
Quando o vestido ficou de pé no manequim, os quatro se afastaram ao mesmo tempo.
Não parecia ter sido feito por uma pessoa só.
Parecia ter sido pensado pelas quatro para chegar ali.
Na manhã da apresentação, a equipe recebeu as modelos e fez os últimos ajustes. Lara conferia a bainha de uma das peças quando ouviu um grito na área de troca.
Uma modelo estava sentada no chão, segurando o pé.
Havia sangue junto ao calcanhar e um sapato afastado com a ajuda de uma toalha.
O movimento da sala mudou imediatamente.
Giulia chamou a equipe médica. Clara Bell abriu espaço e foi buscar o responsável pela apresentação. Lara se agachou perto da jovem, perguntando apenas o necessário para não atrapalhar o atendimento.
A moça tremia de dor e susto.
Um pequeno objeto cortante estava preso no interior do sapato.
Owen estendeu a mão para olhar, mas Lara o impediu antes de tocar.
"Deixa como está. Chama alguém da organização para registrar."
A equipe isolou o par e conferiu os outros. Lara acompanhou o que era possível enquanto a modelo recebia cuidados.
Não procurou uma culpada pelo volume da própria raiva.
Pediu que preservassem os registros de entrada, os horários e o caminho percorrido pelo material.
Depois veio a parte que ameaçava a coleção inteira: era o vestido final, preparado para aquela modelo, e as substitutas autorizadas estavam alocadas em outros grupos.
Clara Bell ficou pálida.
"Não dá tempo de refazer em outro tamanho."
Giulia conferiu as medidas, calculando em voz baixa.
Lara olhou para a peça, depois para a sala.
"Eu posso vestir."
Owen ergueu o rosto.
"Você vai desfilar?"
"Se permitirem. Primeiro vamos perguntar."
A responsável técnica consultou as regras e encaminhou o pedido à coordenação. A substituição teria de ser registrada, o vestuário não poderia ganhar alterações fora do limite e a avaliação continuaria centrada na coleção.
Não havia proibição de uma integrante apresentar a peça.
A autorização veio com pouco tempo sobrando.
Lara foi se trocar enquanto Giulia preparava o ajuste final. O vestido fechou com uma pequena acomodação já permitida no acabamento. Clara Bell lhe prendeu o cabelo e afastou uma mecha do rosto.
"Você sabe andar com essa saia?"
Lara olhou para o tecido.
"Eu desenhei para alguém poder andar. Agora vou descobrir se acertei."
Owen soltou uma risada nervosa e se abaixou para conferir a barra.
Antes de saírem, Lara pediu notícias da modelo. Soube que estava sendo atendida, acompanhada por uma responsável e fora de risco imediato.
A informação lhe devolveu o ar que ainda faltava.
Rafael recebeu o aviso no lugar reservado ao público. Soube do ferimento e da substituição por uma mensagem curta da esposa, enviada antes de entregar o telefone.
Leu duas vezes.
Quando Mathieu se sentou ao lado, ele ainda estava com o aparelho na mão.
"Ela está bem?"
Rafael assentiu, mas não parecia ter terminado de acreditar.
Na área de espera, Lara ouviu a primeira música e procurou o rosto dos colegas.
Giulia segurou sua mão por um instante.
"A coleção está pronta. Agora deixa ela andar."
As primeiras modelos entraram. O silêncio concentrado do público começou a se transformar em atenção visível, rostos que acompanhavam uma silhueta e esperavam a seguinte.
Lara respirou fundo.
Quando chegou sua vez, levantou o queixo e deu o primeiro passo.
Na plateia, Rafael ficou imóvel.
A esposa vinha na direção da luz usando uma roupa construída com a própria vontade, depois de se recusar a deixar um ferimento e uma armadilha encerrarem o trabalho de quatro pessoas.
Ele se levantou para enxergar melhor antes mesmo de perceber.
Lara o encontrou entre os rostos e sorriu por um instante mínimo.
Depois voltou os olhos para a frente.
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