"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 47
O marido que também queria acompanhar
Lara colocou duas amostras na mala e retirou uma delas.
Rafael aguardava à porta do quarto havia alguns minutos, segurando um carregador.
"Se você olhar mais tempo para o tecido, ele muda de cor?"
Ela ergueu os olhos.
"Com essa luz, às vezes."
O marido se aproximou, entregou o carregador e recebeu uma lista de coisas que ainda faltavam. Estava feliz demais por poder ajudar para reclamar da diferença entre viajar a trabalho sozinho e viajar com uma designer que precisava prever uma costura rompida do outro lado do oceano.
Nas semanas anteriores, Lara concluíra a etapa da Maison Vallon, organizara o trabalho futuro e revisara a proposta do ateliê. O nome da marca continuava numa pasta, com questões importantes já resolvidas e outras aguardando o retorno.
A investigação sobre Beatriz também não desaparecera. Augusto encontrara uma referência antiga ao laboratório, mas ainda não uma cópia verificável do resultado. Lara autorizara pedidos de acesso aos próprios registros e aos documentos da mãe que pudessem ser recuperados.
Não queria que a suspeita se tornasse o único assunto da sua vida.
Agora havia uma viagem, uma competição e uma mala que não fechava.
Rafael pressionou uma parte e quase ouviu o fecho pedir socorro.
"Não força", disse ela imediatamente.
"Eu estou só olhando."
"Com os dois braços?"
Ele soltou a mala. Lara retirou um par de sapatos e resolveu o problema que o marido pretendia vencer pela força.
Leo apareceu com um avião pequeno na mão.
"Esse vai?"
"Esse fica com você", respondeu a mãe.
O menino a olhou, decepcionado. Queria ir também. Fizera a pergunta de maneiras diferentes desde que soubera que os pais passariam vários dias fora.
Lara sentou na cama e o chamou para perto.
"Eu sei que você queria conhecer. Quando a gente viajar de férias, vai ter tempo de olhar tudo com vocês. Agora vou passar horas trabalhando, e vocês continuam com escola."
"Eu podia olhar do hotel."
"E depois de uma hora ia querer sair."
Leo pensou. Não encontrou uma defesa convincente.
Theo chegou com uma folha em que tinham anotado os horários das chamadas. Parte fora feita com a ajuda do pai, considerando a diferença de fuso e a rotina na casa dos avós.
Lara conferiu e pediu que não transformassem uma ligação atrasada em motivo de preocupação. Avisaria se uma etapa do concurso mudasse o horário.
"E se tiver uma coisa importante?", perguntou Theo.
"Vocês podem chamar. Só não precisam ficar acordados esperando a tela acender."
Ele assentiu.
Na despedida, Teresa recebeu os meninos com a naturalidade de quem já tinha escolhido onde guardaria as mochilas. Antônio levou a sério as instruções sobre o trabalho da escola, depois tentou negociar uma sessão adicional com o trem.
Lara abraçou os filhos mais de uma vez.
Quando entrou no carro, descobriu um desenho dobrado dentro da bolsa.
Theo escrevera que ela sabia fazer roupas bonitas. Leo acrescentara um coração e a recomendação de não esquecer de comer.
Rafael leu junto.
"Essa parte eu fiscalizo."
Lara encostou a cabeça no seu ombro por um instante antes de o carro partir.
Em Milão, Mathieu os esperava na chegada, gesticulando como se o aeroporto inteiro tivesse sido convidado para receber a colega.
Lara o viu primeiro e apressou o passo.
Ele a abraçou, afastou-se para olhar seu rosto e começou três perguntas antes de terminar a primeira.
Rafael aguardou dois segundos. No terceiro, colocou a mão na cintura da esposa.
Mathieu finalmente o observou.
Olhou para Lara, para a aliança e de volta ao homem.
"Você casou e deixou a notícia chegar depois da passagem?"
"Eu mandei uma mensagem."
"Uma mensagem com três palavras e uma foto de duas crianças fazendo careta. Eu achei que fosse uma piada do Leo."
Lara começou a rir.
Rafael estendeu a mão e se apresentou. Mathieu a apertou com entusiasmo e lhes desejou felicidade antes de perguntar se os meninos tinham vindo.
O marido relaxou um pouco ao perceber a afeição familiar na pergunta.
No caminho, Mathieu contou do professor, da organização e de colegas que também participariam. Étienne estaria como convidado e apresentador de uma etapa, afastado da avaliação das inscrições dos próprios discípulos.
Lara conferiu a credencial e fez perguntas sobre os horários. Rafael ouviu a mudança na sua voz: a esposa cansada da viagem começava a ceder espaço à profissional que queria entender o lugar onde trabalharia.
No hotel, enquanto ela organizava os materiais, ele verificou onde poderiam jantar cedo e quanto tempo levariam até o local das provas. Não tentou preencher todas as horas com um programa romântico.
Deixou uma garrafa de água perto da bancada e esperou que Lara percebesse sozinha o prato de comida.
Ela percebeu tarde.
"Eu ia comer."
"O Leo já tinha previsto essa defesa."
Lara sorriu e puxou uma cadeira.
Na manhã seguinte, encontraram Étienne e Laurent numa sala de convivência do espaço reservado aos convidados. O professor se levantou o suficiente para receber Lara, que lhe segurou os braços ao abraçá-lo.
"Sem fazer força", avisou ela.
"Você atravessou o oceano para me dar ordens?"
"Trouxe o Rafael para ajudar."
Étienne olhou para o marido e sorriu.
"Ela também fiscaliza seus legumes?"
Rafael percebeu que o tema já tinha viajado antes deles.
Lara sentou ao lado do professor, mostrou algumas imagens do lançamento e lhe contou sobre o ateliê. Ele ouviu sem corrigir uma linha que pertencia ao projeto em andamento; queria saber o que ela pretendia fazer com o tempo e com a equipe que ainda não tinha.
Rafael permaneceu a uma distância suficiente para conversar com Laurent. Mesmo assim, seus olhos voltavam quando Étienne segurava a mão da discípula para enfatizar um conselho.
Lara percebeu no terceiro olhar.
Quando saíram, passou o braço pelo dele.
"Você está com ciúme do meu professor?"
"Estou tentando acompanhar uma conversa em que todo mundo conhece uma parte da sua vida menos eu."
Ela diminuiu o passo.
A brincadeira que preparara deu lugar a uma resposta mais cuidadosa.
"Você pode perguntar. Não precisa ficar tentando adivinhar pelo jeito como ele me abraça."
Rafael lhe segurou a mão.
"Eu sei. E reconheço que a parte do abraço não ajudou minha elegância."
Lara riu e lhe deu um beijo no rosto.
"Você está aqui comigo. O restante da minha história não compete com isso."
Ele olhou para ela e deixou que a frase durasse.
No retorno ao hotel, Lara parou diante de uma pequena loja de materiais. Não precisava comprar nada para a prova, mas queria olhar as vitrines sem relógio por dez minutos.
Rafael entrou com ela e ficou comparando dois botões que pareciam iguais.
Lara mostrou a diferença de acabamento.
Ele aproximou um da luz e finalmente percebeu.
"Eu teria comprado o errado."
"Por isso você tem outras funções nessa viagem."
"Carregar sacolas?"
"Também. Mas hoje pode escolher o lugar do jantar. Eu não quero decidir mais nada por uma hora."
Ele guardou a escolha como uma pequena confiança, sem transformar o cansaço dela em motivo para mandar no dia seguinte.
Naquela noite, os meninos atenderam a chamada de vídeo diante de uma fortaleza de almofadas. Antônio dizia ao fundo que a estrutura precisava de ventilação. Teresa tentava convencer Leo a sair para que a mãe visse sua cara inteira.
Theo perguntou pelas máquinas e pelo tamanho das mesas. Lara mostrou apenas o material permitido, explicando que dentro das salas de prova nem tudo poderia ser fotografado.
Leo quis saber se o pai tinha comido.
Rafael aproximou o prato vazio da tela, encerrando a suspeita antes que crescesse.
Lara riu, sentindo a saudade apertar no meio da conversa mais comum do dia.
Depois que desligaram, ficou junto à janela, olhando a cidade.
Rafael se aproximou e encostou o queixo no seu cabelo.
"Você fica com essa cara antes de uma apresentação?"
"Às vezes."
"O que ajuda?"
Ela pensou.
"Não me dizer que já ganhei. Eu ainda não fiz nada aqui."
Rafael beijou sua cabeça.
"Então amanhã vou querer saber o que você fez."
Lara se virou dentro do abraço.
"Isso ajuda."
A primeira etapa exigia uma proposta individual com tempo limitado. Ela entrou com o coração acelerado, conferiu as regras e precisou de alguns minutos para parar de ouvir mentalmente todas as recomendações que recebera.
Depois o lápis encontrou o papel.
Ao sair, falou pouco. Queria comer, descansar e esperar o resultado sem desmontar cada linha em voz alta. Rafael não forçou uma avaliação no corredor.
A aprovação veio no fim da tarde.
Lara leu seu nome entre os classificados e sorriu tão abertamente que ele a abraçou antes de perguntar pela próxima fase.
Seria uma etapa de equipe, com grupos montados pela organização.
No painel de distribuição, o nome dela apareceu junto ao número sete.
Uma candidata ao lado soltou um assobio baixo ao reconhecer os demais integrantes.
Uma britânica de opinião firme, um francês famoso por refazer tudo sozinho e uma italiana de técnica tradicional que não gostava de mudanças de última hora.
"Boa sorte para fazer os três concordarem", comentou, afastando-se.
Lara releu os nomes.
Do outro lado da sala, Priscila observava o painel com uma satisfação que não combinava com a própria classificação mediana.
Lara viu o rosto da irmã e sentiu o entusiasmo ganhar uma borda de cautela.
Na manhã seguinte, teria de construir alguma coisa com aquelas pessoas.
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