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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 46

正文开头

O adversário tinha pijama de foguete

"Você fala alto quando fica bravo", disse Theo.

"Porque o Noite faz de propósito."

Rafael permaneceu à porta, sem se mover.

O nome tinha chegado depois de Musa, completando uma suspeita tão improvável que levou alguns segundos para aceitar a sequência.

Dentro do quarto, Leo apontava a tela. Usava um pijama de foguetes, e um dos pés saíra da pantufa.

"Ele muda a condição e depois diz que já estava lá."

Theo franziu a testa.

"Na última estava. A gente que não conferiu."

Rafael reconheceu o problema. Reconheceu também a correção enviada naquela tarde, agora repetida na voz de uma criança que precisava ser lembrada de escovar os dentes.

Bateu duas vezes e entrou.

Leo tentou fechar a tela. Theo segurou sua mão tarde demais.

"Não era a hora de desligar?", perguntou o pai.

"A gente só estava olhando uma coisa", respondeu Leo.

Rafael puxou a cadeira que sobrava.

Era baixa demais. Seus joelhos ficaram numa posição pouco digna, mas não quis permanecer de pé sobre os dois.

"Uma coisa do Musa?"

O silêncio se espalhou pelo quarto.

Theo ficou imóvel.

Leo olhou para a porta, como se procurasse uma saída para a palavra que acabara de ser ouvida.

"É um nome de jogo", tentou.

"E Noite é o homem que você disse que muda tudo sem avisar?"

O menor fechou a boca.

Rafael apontou para o computador.

"Podem abrir."

Theo obedeceu, devagar.

A página do ambiente de desafios apareceu. O pai leu a sequência, viu a pequena mudança no arquivo e soltou o ar pelo nariz.

Não estava aliviado o suficiente para rir. Ainda.

"Vocês dois são o Musa."

Não fez a pergunta como uma acusação. Mesmo assim, Theo endireitou as costas.

"A gente resolve junto."

Rafael passou a mão pelo rosto.

A lembrança das ligações difíceis, do horário em que o adversário desaparecia e das frases impacientes ganhou explicações que nunca considerara possíveis.

Leo olhou para ele com ansiedade crescente.

"Você vai contar para a mamãe?"

"Antes disso, quero que expliquem desde o começo."

Os meninos se olharam.

Theo começou pela plataforma, pelos problemas disponíveis e pela ajuda de um contato conhecido como Moon. Rafael interrompeu para perguntar quem era a pessoa, o que sabiam de sua identidade e que informações tinham compartilhado.

As respostas não foram tão tranquilizadoras quanto os filhos esperavam.

Não sabiam tudo. Tinham reconhecido competência e tomado aquilo como confiança suficiente.

O pai ouviu sem elevar a voz.

Quando chegaram à estrutura da empresa parceira, Theo abaixou os olhos.

"A gente achou que era uma cópia antiga. Parou quando viu que respondia."

"Eu vi onde pararam."

Os dois levantaram a cabeça ao mesmo tempo.

Rafael abriu o próprio telefone e acessou sua conta no ambiente.

A assinatura apareceu na tela.

Noite.

Leo recuou na cadeira.

Theo se aproximou tanto que quase encostou o nariz no aparelho.

"É você?"

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Rafael sustentou o olhar.

"É."

O menor olhou para o irmão com indignação profunda.

"A gente jantou com ele."

Rafael tentou manter a expressão séria. A tentativa não durou.

A risada saiu curta, surpreendida, e os meninos o observaram como se aquilo fosse uma desvantagem adicional no resultado.

"Vocês jantam comigo todos os dias."

"Mas você ouviu eu reclamar."

"Ouvi. Que bom que ainda consegui a sua água."

Theo baixou a cabeça, e seus ombros começaram a se mover.

Leo lhe deu um toque, ofendido pela deserção. Acabou rindo também.

Por alguns segundos, os três só conseguiram olhar um para o outro.

Depois Rafael pediu o histórico com mais calma.

Não queria apenas a parte engraçada. Precisava saber os riscos que os filhos haviam corrido, que dados acessaram e o que acreditavam poder fazer porque conseguiam fazer.

Theo mostrou as referências entregues sobre a empresa dos Farias e explicou quais tinham sido separadas do trabalho sob o codinome.

Rafael comparou o que lembrava. Não pediu que entrassem em conta alheia para demonstrar capacidade.

"O que vocês sabem fazer é extraordinário", disse. "Isso não transforma qualquer lugar num lugar onde podem entrar. Nem qualquer pessoa que sabe muito num amigo."

Theo assentiu, com os olhos fixos na própria mão.

Leo perdeu o sorriso.

"Você está bravo?"

Rafael olhou para o rosto do filho, pequeno demais para a dimensão do segredo que guardara.

"Estou preocupado. E estou tentando entender como não percebi antes."

"Você viu o telefone."

"Vi. Também vejo vocês pedirem ajuda para encontrar uma meia. Meu cérebro ainda está juntando as duas coisas."

Theo riu, envergonhado.

O pai se inclinou para o computador e pediu que identificassem os dados pessoais compartilhados. Separariam o que precisava ser alterado e o que podia continuar num ambiente adequado.

Os meninos fizeram perguntas. Algumas respostas os frustraram. Outras os deixaram aliviados por finalmente poder mostrar uma parte importante do trabalho a alguém capaz de acompanhar.

Quando Theo explicou uma solução que Rafael não havia usado, o pai lhe pediu que repetisse.

O menino parou, desconfiado.

"Você não sabe?"

"Se eu soubesse, não estava pedindo."

Theo sorriu lentamente.

Explicou com as mãos, empurrou uma folha e refez um trecho. Rafael ouviu até encontrar o ponto em que economizara uma etapa.

"Foi uma boa ideia."

O elogio fez o rosto do menino mudar.

Leo aproximou a cadeira.

"Eu falei para ele tentar desse jeito."

"Você falou que a primeira versão era feia", corrigiu Theo.

"Ajudou."

Rafael riu de novo, orgulhoso de um jeito que ainda vinha acompanhado de espanto.

Rafael pegou uma folha e pediu que cada um desenhasse a parte do problema que mais lhe interessava. Theo começou pela estrutura. Leo apontou o que queria que acontecesse quando alguém escolhesse uma opção errada.

Os desenhos se encontraram no meio do papel.

"Foi assim que vocês começaram a trabalhar juntos?", perguntou o pai.

Theo assentiu.

"Eu faço uma parte. Ele reclama. Às vezes a reclamação serve."

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Leo lhe deu um empurrão leve no ombro.

"Você também reclama. Só usa mais palavras."

Rafael ficou olhando a folha, lembrando do próprio quarto quando era menino. Gostara de ter respostas que os outros não compreendiam, mas nem sempre tivera alguém disposto a ouvir como chegara até elas.

Agora havia dois filhos esperando que perguntasse de novo.

Ele apontou para a junção das linhas.

"Aqui eu teria feito diferente. Não sei se melhor. Me mostrem por que escolheram isso."

Theo puxou outra folha. Leo recuperou o lápis que tinha caído sob a mesa.

O pai esqueceu por alguns minutos o tamanho da descoberta e passou a acompanhar o tamanho da alegria dos dois ao explicar.

Lara chamou do corredor, perguntando se já tinham terminado.

Os três olharam para a porta ao mesmo tempo.

"Estamos guardando", respondeu Rafael.

Leo soltou o ar.

O pai olhou para ele, sério outra vez.

"Eu não vou transformar isso numa conversa às pressas agora, antes de dormir. Mas também não quero uma mentira nova todo dia. Precisamos organizar o que vocês fazem e o que sua mãe precisa saber."

Theo assentiu.

"Ela vai achar que a gente não brinca."

Rafael olhou para o avião, os trilhos e um livro aberto de cabeça para baixo na cama.

"Ela já sabe que vocês brincam. O problema é o que fazem quando ela pensa que estão só brincando."

Leo se encolheu um pouco.

"A gente queria ajudar."

O pai baixou a voz.

"Eu sei. Vocês não precisam merecer um lugar nesta casa resolvendo problemas dos adultos."

A frase fez Theo levantar os olhos.

Rafael os chamou para perto. Leo veio imediatamente. O mais velho demorou apenas o tempo de fechar o computador direito.

"Eu gosto de conhecer vocês", disse o pai, mantendo os dois abraçados. "Até quando descobro uma coisa que me deixa sem saber onde pôr a cabeça."

Leo encostou no seu ombro.

"Você também não contou que era o Noite."

"Esse argumento vai me perseguir por algum tempo, não vai?"

Theo assentiu contra a camisa dele.

Depois de guardarem tudo, Rafael ficou até os meninos se acomodarem. Apagou a luz da mesa e deixou a do corredor como de costume.

No jantar do dia seguinte, os três estavam educados demais.

Leo agradeceu pela salada antes de perceber o compromisso assumido. Theo elogiou a água. Rafael perguntou duas vezes se Lara precisava de alguma coisa.

Ela pousou o garfo.

"Vocês quebraram algo?"

"Não", responderam os filhos.

Rafael bebeu água.

"Por quê?"

"Porque ninguém nesta mesa elogia água sem ter alguma coisa para explicar."

Theo olhou para o prato. Leo começou a rir e tentou disfarçar com uma tosse.

Lara estreitou os olhos para o marido.

Ele sustentou o olhar com uma serenidade que lhe custou muito mais do que parecia.

Antes de dormir, ela mostrou uma mensagem de Étienne. A inscrição na seleção internacional fora aceita após a avaliação do portfólio. A próxima etapa aconteceria em Milão, algumas semanas depois.

Rafael pegou o telefone para conferir as datas.

Lara viu o gesto e sorriu.

"Você já está escolhendo um voo?"

"Estou tentando não esperar você fazer uma mala para perguntar se posso ir."

Ela encostou no seu braço.

"Pode. Mas eu vou trabalhar."

"Eu também sei fazer isso."

Do quarto dos meninos veio uma risada baixa.

Rafael olhou para a porta, reconhecendo que havia na casa duas pessoas preparadas para questionar qualquer afirmação sobre suas habilidades.

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