"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 44
A casa precisava das coisas deles
Leo decidiu que o avião viajaria no seu colo.
Lara explicou que o colo também precisava acomodar o cinto e que uma hélice perto do rosto não era uma boa companhia de viagem. O menino recebeu a decisão como mais uma das pequenas injustiças da mudança.
Theo encontrou uma caixa firme, pôs um pano no fundo e acomodou o brinquedo.
"Agora ele tem hangar", disse.
O irmão examinou. Aceitou.
Rafael levou a caixa para o carro com a mesma seriedade com que recebera os documentos do casamento. Lara o observou e percebeu que não era o tamanho da casa que a fazia querer ir.
Era aquilo. Um homem grande carregando com cuidado uma coisa importante para um menino pequeno.
Antes de fechar o apartamento, conferiu a cozinha pela última vez. O aluguel ainda seria encerrado depois da vistoria e da retirada do que faltava. Não tinha pressa para fingir que aquele lugar não pertencera à história deles.
Rafael apareceu à porta.
"Quer mais um minuto?"
Ela passou os dedos pela mesa onde desenhara tantas peças.
"Quero levar essa também."
"Tem lugar."
Lara sorriu, aliviada por não precisar defender uma mesa marcada quando poderia comprar outra.
Na casa de Rafael, os meninos entraram primeiro e pararam no corredor.
Conheciam parte dos ambientes das visitas anteriores. Dessa vez, as caixas com seus nomes já estavam junto à escada, e duas mochilas tinham um lugar baixo, ao alcance das mãos.
Leo correu até elas e voltou para buscar a mãe.
"Tem um gancho para você."
Lara olhou. Rafael colocara quatro ganchos perto de um banco, dois altos, dois baixos. O dela ainda tinha um papel escrito à mão para indicar a altura a ajustar.
"Não sabia se sua bolsa precisava de mais espaço", explicou.
Ela pendurou a alça e fez um pequeno teste.
"Assim está bom."
Rafael retirou a anotação, satisfeito com o primeiro acerto do dia.
Uma mulher veio recebê-los da cozinha. Chamava-se Célia e ajudaria com as refeições e a rotina da casa em dias combinados. Rafael fizera questão de conversar antes com Lara sobre horários e tarefas; ela não queria encontrar uma equipe desconhecida dentro da própria vida.
Célia cumprimentou os meninos pelo nome e perguntou se preferiam ver o quarto antes do almoço.
Leo já estava na escada.
Theo aguardou a mãe.
O quarto tinha camas baixas, espaço para os livros e uma mesa comprida para os dois. Não parecia uma loja inteira de brinquedos. As prateleiras vazias esperavam pelas coisas que haviam escolhido levar.
Leo abriu uma gaveta.
"Posso pôr qualquer coisa?"
"Quase qualquer coisa", respondeu Lara. "Comida aberta continua sem autorização."
O menino suspirou, reconhecendo a regra que aparentemente também se mudara.
Theo ficou junto à mesa, medindo a distância até a tomada com os olhos.
Rafael percebeu.
"O computador fica aqui. E essa parte fecha para os fios não ficarem pelo chão."
O filho se agachou para examinar. Leo foi conferir a cama e se deitou de braços abertos, testando se o espaço era suficiente para crescer.
Lara abriu uma caixa e encontrou os lençóis de Paris. Sentiu uma emoção pequena ao estendê-los num colchão novo.
Theo ajudou de um lado, Rafael do outro. Leo permaneceu em cima até os três o expulsarem com o lençol na mão.
A brincadeira terminou com ele embrulhado no tecido, gargalhando.
Depois Lara encontrou o quarto de trabalho.
Rafael não lhe comprara tudo que imaginava que uma designer deveria ter. Deixara uma mesa de apoio, boa iluminação e espaço para que escolhesse onde ficariam a máquina, o manequim e os materiais.
A mesa antiga chegaria no dia seguinte.
Lara abriu a janela e ficou alguns segundos olhando a luz sobre o chão.
"Aqui de manhã é bom para conferir cor."
"Eu achei que sim. Mas não quis colocar nada no caminho."
Ela se virou e lhe estendeu a mão.
Rafael entrou no abraço sem precisar de outro convite.
"Obrigada por esperar minhas coisas."
Ele beijou sua cabeça.
"Eu queria você aqui. Elas vêm junto."
O almoço aconteceu entre caixas, apesar da mesa pronta. Leo precisava abrir uma embalagem a cada poucos minutos. Theo começou a organizar o aparelho que montara para a família e percebeu que a conexão precisava ser refeita.
Rafael se inclinou para ver.
Já conhecia a carcaça e algumas funções. Ainda assim, pediu que o filho mostrasse como abrira espaço para um contato novo.
"A gente pode colocar a Célia", explicou Leo. "Se ela quiser."
Lara concordou em perguntar depois. O pai observou os componentes sem retirar o aparelho da mão do menino.
"Isso ficou mais estável do que na primeira versão."
Theo sorriu, orgulhoso.
"Eu mudei uma coisa."
Rafael quis saber qual, e a conversa quase esqueceu a sobremesa. Leo os trouxe de volta com a alegação de que aquela parte do dia não podia ser adiada por motivos técnicos.
À tarde, a casa recebeu vozes em lugares que antes ficavam vazios. Um livro foi parar no braço do sofá. Lara deixou uma fita de medir na cozinha e a encontrou mais tarde sendo usada para comparar bananas.
Antes de subir, Theo voltou ao banco da entrada e mudou a própria mochila de gancho. Rafael perguntou se estava alto demais.
"Daqui eu alcanço sem puxar a do Leo."
O pai examinou a distância e trocou os dois ganchos baixos de posição. Lara ficou observando enquanto o filho experimentava novamente, satisfeito por uma dificuldade tão pequena também poder alterar a casa.
Ela se aproximou e pendurou sua bolsa ao lado.
A primeira discussão importante surgiu com as camas.
Leo queria dormir com os pais na primeira noite. Theo afirmou que apenas acompanhava o irmão, embora já segurasse o próprio travesseiro.
Rafael olhou para os dois, depois para Lara.
Ela cruzou os braços.
"Você vai me ajudar ou esperar eu ser a única pessoa dizendo não?"
Ele se abaixou diante dos filhos.
"Podemos ficar com vocês até se acostumarem. O quarto de vocês é aqui."
Leo olhou para a porta dos pais, no mesmo corredor.
"Mas é novo."
"O nosso também ficou novo para mim", disse Lara. "Podemos conhecer tudo antes de dormir. Ver a luz do corredor, o banheiro, onde fica a água."
Theo pareceu considerar a proposta útil. Leo pediu que a porta não ficasse inteiramente fechada.
Fizeram o percurso juntos. Rafael acendeu a luz pequena, mostrou que ouviriam uma chamada e deixou um copo no lugar combinado.
Não houve uma solução milagrosa. Leo voltou duas vezes para conferir se a mãe ainda estava no quarto. Na segunda, Lara o levou de volta e sentou à sua cabeceira até a respiração se acalmar.
Theo fingiu dormir até o irmão parar de se mexer.
Quando ela se levantou, a mão pequena alcançou a sua.
"Boa noite, mamãe."
Lara se inclinou e lhe beijou a testa.
"Boa noite, Sol."
Encontrou Rafael no quarto, recolhendo uma toalha que deixara sobre a cama.
Ele parou ao vê-la à porta.
Lara tinha levado um pijama na mão e agora parecia não saber onde colocá-lo. A intimidade que antes surgia em visitas tinha ganhado gavetas, cabides e uma escova junto à dele.
Rafael sorriu sem provocar.
"Seu lado tem mais tomadas. Achei que ia precisar."
Ela olhou para a mesa de cabeceira.
Havia lugar para o livro, o telefone e a pequena caixa com o broche da mãe.
"Eu posso trocar depois?"
"Pode mudar o quarto inteiro. Só me avise onde vou dormir."
Lara riu, e o nervosismo perdeu um pouco da força.
Mais tarde, esqueceu o pijama fora do banheiro e precisou pedir que o marido entregasse. Rafael apareceu junto à porta segurando a roupa, com um sorriso que a fez perceber o tamanho da pequena distração.
"Não diga nada", pediu ela.
"Eu ainda não disse."
"Seu rosto está preparando."
Ele lhe entregou o pijama e se afastou, rindo baixo.
Quando saiu, Lara encontrou o secador ligado na tomada. Rafael apontou a cadeira perto do espelho.
"Você vai dormir com o cabelo molhado se depender só da sua disposição."
Ela sentou e deixou que ajudasse, orientando a distância do ar quente. Ele ouviu cada correção, separando as mechas com cuidado.
O gesto a deixou mais vulnerável do que esperara.
Quando terminou, ela se virou e o puxou pela camisa para um beijo. Rafael apoiou as mãos no encosto, mantendo-a perto sem apressar.
"Agora não está preparando nenhuma frase?", perguntou Lara.
Ele sorriu junto à sua boca.
"Estou ocupado."
O telefone dela tocou sobre a cama.
Henrique.
Lara soltou uma risada curta ao ver a expressão do marido e atendeu apenas para confirmar que recebera um documento. Combinou ler pela manhã e desligou.
"Era trabalho."
"Eu ouvi."
"Você está olhando como se a proposta tivesse entrado no quarto."
Rafael se aproximou outra vez.
"Pode ficar para amanhã?"
Ela colocou o telefone virado para baixo e lhe passou os braços pelo pescoço.
"Já ficou."
Aquela noite não precisou de mais caixas abertas. Na penumbra do quarto, Lara escolheu ficar perto, dizer o que queria e ouvir o marido perder a voz firme nas pausas entre os beijos.
Quando a luz se apagou, o corredor permaneceu aceso como haviam prometido aos filhos.
Na manhã seguinte, ela acordou com duas batidas cuidadosas na porta.
Leo queria saber se o café da manhã também tinha mudado de casa.
Rafael abriu um olho, resignado. Lara se escondeu no travesseiro para rir.
A casa já sabia quem morava ali.
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