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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 43

正文开头

Marido, vamos para casa

Lara guardou o telefone na bolsa antes de voltar à mesa.

Rafael puxou a cadeira para ela e esperou que os meninos começassem a discutir qual fotografia mandariam a Davi.

"Seu pai?", perguntou baixo.

Ela assentiu.

"Quer conversar sobre a família. Foi assim que escreveu."

Rafael olhou para a mesa, onde Antônio tentava impedir que Leo mergulhasse uma flor no copo de água.

"Hoje?"

"Hoje não."

Lara pegou sua mão por baixo da toalha.

Ele apertou seus dedos e voltou a ouvir Theo explicar por que o buquê precisava aparecer inteiro na fotografia.

Mais tarde, no apartamento, a roupa clara foi pendurada com cuidado. Os meninos ficaram com os avós por algumas horas, e os dois passaram o começo da noite entre caixas abertas e listas sobre a mudança.

Rafael encontrou três desenhos dentro de uma pasta de contratos.

"Isso vai para o seu escritório?"

"Tudo o que está nessa pasta vai. Não misture com as amostras."

Ele a fechou imediatamente.

Lara sorriu. Não parecia possível que tivessem casado poucas horas antes e já estivessem discutindo a etiqueta de uma caixa.

Quando ele se aproximou por trás para alcançar uma fita, ela se virou e encostou as mãos em seu peito.

"Oi."

Rafael abaixou o rosto.

"Oi, minha mulher."

A expressão a fez rir e corar ao mesmo tempo.

"Você pretende falar isso o tempo inteiro?"

"Estou testando."

Ela o beijou. A fita ficou esquecida até uma caixa mal apoiada escorregar do sofá e espalhar dois panos no chão.

Rafael encostou a testa na dela.

"Nossa casa tem menos caixas vazias."

Lara olhou para a sala que havia organizado depois da volta ao Brasil.

"Amanhã eu começo a levar. Hoje quero ficar um pouco aqui."

Ele assentiu e lhe beijou o cabelo.

O pai telefonou de novo na manhã seguinte. Dessa vez Lara atendeu, enquanto Rafael levava os filhos à escola.

Sérgio começou pela ausência de convite.

"Eu soube por outra pessoa que minha filha se casou. Você acha isso normal?"

Lara fechou uma caixa de livros.

"Você me procurou para perguntar se eu estava feliz?"

"Não tente inverter a conversa."

"Então diga o que quer."

Ele respirou fundo, irritado com a perda da autoridade que esperava encontrar na primeira palavra.

"Precisamos conversar pessoalmente. Tem coisas sobre sua mãe e sobre a empresa que você não sabe."

Lara parou com a mão sobre a fita.

"Que coisas sobre minha mãe?"

"Não vou tratar disso por telefone."

Ela conhecia o recurso. Uma palavra certa, uma informação incompleta, a promessa de que algo importante só existiria se aceitasse sentar diante dele.

Ainda assim, pensou na fotografia de Beatriz e na história de Augusto.

Não queria que o pai continuasse decidindo quais perguntas ela tinha direito de fazer.

Combinou um horário numa cafeteria e avisou Rafael antes de sair. Disse o que Sérgio mencionara e pediu que a buscasse depois. Não precisava que participasse da conversa desde o começo, mas queria que soubesse onde estaria.

正文1

Ele demorou um instante para concordar.

"Se quiser sair antes, me liga."

"Eu ligo."

Sérgio já estava sentado quando ela chegou. Seus olhos foram primeiro à aliança, depois à bolsa.

"Então é verdade."

Lara se sentou sem tirar o casaco.

"Eu não faria uma brincadeira com isso."

Ele pediu café e tentou assumir o tom de quem começava uma reconciliação.

Disse que os últimos meses tinham sido difíceis, que Priscila estava descontrolada e que Márcia não pensava antes de falar. Lamentava algumas coisas, acrescentou, sem escolher nenhuma.

Lara esperou até o silêncio obrigá-lo a continuar.

"Eu sei que você ficou magoada. Mas já passou muito tempo."

"Para mim também passou. Não deixou de acontecer."

Sérgio ajeitou o guardanapo.

"Você tem sua vida agora. Está bem. Não precisa continuar alimentando uma guerra."

"Eu estava empacotando livros quando você ligou."

O comentário o fez apertar a boca.

"Você sabe o que estou dizendo."

"Sei. Quero saber por que falou da minha mãe."

Ele desviou os olhos brevemente.

"Beatriz teria gostado de ver você casada. Gostaria que a família estivesse reunida."

Lara deixou a xícara sobre o pires sem beber.

Não era uma informação. Era mais uma tentativa de pôr a mãe morta numa cadeira onde ele pudesse falar por ela.

"Você não tem nada novo para me contar sobre ela?"

"Estou dizendo o que ela desejaria."

"Não perguntei isso."

Sérgio se endireitou.

A paciência ensaiada começou a acabar quando percebeu que Lara não facilitaria a transição para o pedido principal.

A empresa precisava de um novo parceiro. A negociação com os Farias ficara comprometida pelas investigações. Rafael conhecia o projeto e poderia retomá-lo, agora com condições diferentes.

Lara ouviu até o fim.

"Você me chamou para pedir que eu fale com meu marido sobre um investimento."

"Não é um favor para um estranho. Sou pai da mulher dele."

Ela sentiu a antiga vontade de explicar o quanto aquilo doía. Não a seguiu.

"Não vou fazer isso."

"Nem vai examinar a proposta?"

"Não. Se o projeto é bom, apresente pelos canais da empresa. Meu casamento não entra na negociação."

Sérgio olhou ao redor, incomodado com o garçom que se aproximava.

Baixou a voz apenas por isso.

"Você não pode me tratar como um homem qualquer depois de tudo que gastei na sua criação."

Lara se levantou devagar.

"Se tiver alguma questão financeira legítima para tratar comigo, encaminhe por escrito. Eu não vou comprar uma conversa respeitosa com um contrato do Rafael."

Ele se levantou também.

"Eu não terminei."

Lara pegou a bolsa e pediu a conta do próprio café. Sérgio tentou continuar falando, mas ela já caminhava para a saída.

Perto da porta, um homem que o acompanhara se colocou no caminho, confuso com o gesto feito pelo patrão.

"Só um instante, senhora."

Lara parou a uma distância segura.

"Saia da frente."

Sérgio veio atrás e lhe segurou o braço.

O medo apareceu antes da raiva. A lembrança do carro errado chegou tão depressa que ela precisou respirar para não recuar contra a parede.

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"Solte. Agora."

O gerente se aproximou ao ouvir sua voz. Antes que precisasse intervir, Rafael entrou pela porta.

Seus olhos desceram até a mão no braço da esposa.

"Ela pediu para soltar."

Sérgio obedeceu, surpreso pela aparição.

"Rafael, nós estávamos apenas conversando."

O homem ficou ao lado de Lara. Não a puxou para trás de si; encostou a mão nas suas costas e esperou que ela se equilibrasse.

"A conversa terminou quando ela quis sair."

O acompanhante afastou-se da porta. O gerente perguntou a Lara se precisava de ajuda.

"Preciso que garantam que eu possa ir embora."

Ele assentiu e permaneceu ali.

Sérgio tentou sorrir para Rafael.

"Não queria que nosso primeiro encontro como família começasse assim. Eu soube do casamento e naturalmente queria acertar algumas coisas."

Rafael abriu a pasta que trazia, onde guardara os documentos para uma providência daquela manhã. Mostrou a certidão apenas o suficiente para encerrar a tentativa de tratar o vínculo como uma notícia duvidosa.

"Nós nos casamos. Isso não lhe dá o direito de exigir nada dela ou de impedir que saia."

Lara olhou para a pasta.

Mesmo naquela situação, percebeu o cuidado com que ele recolocou o papel, protegendo uma borda que nem chegara a dobrar.

Sérgio mudou de expressão, procurando a vantagem que ainda poderia extrair da confirmação.

"Então você entende minha posição. Sua esposa é minha filha. O futuro das duas famílias..."

"Meu futuro não está em discussão aqui", interrompeu Lara.

O pai olhou para ela com impaciência renovada.

"Você sempre foi teimosa."

"E hoje eu vou embora."

Virou-se para Rafael, encontrando o olhar que esperara por ela sem exigir uma explicação adicional.

"Marido, vamos para casa."

O rosto dele mudou antes que conseguisse disfarçar.

"Vamos."

Saíram com o gerente acompanhando até a porta. No carro, Lara apoiou a bolsa no colo e respirou fundo.

Rafael aguardou um instante antes de perguntar pelo braço.

Ela mostrou que não havia marca importante, mas deixou que sua mão permanecesse sobre a dele depois.

"Você veio cedo."

"Sua mensagem disse que a conversa parecia estar acabando. Preferi esperar perto."

Lara assentiu. Tinha enviado o aviso sob a mesa quando o pai começara a falar da empresa.

"Ele não tinha nada sobre minha mãe."

Rafael apertou seus dedos.

A frustração deixou sua voz baixa.

"Eu queria que, pelo menos uma vez, tivesse me chamado porque sentiu minha falta."

Ele não tentou dizer que Sérgio talvez sentisse à sua maneira. Lara teria percebido a bondade da mentira e ficaria sozinha com ela depois.

Rafael se inclinou e beijou sua testa.

"Você não precisa voltar para tentar conseguir essa resposta hoje."

Ela fechou os olhos por um instante.

Depois olhou para a pasta no banco traseiro.

"Você está andando com a certidão?"

O marido demorou um segundo.

"Precisava resolver uma coisa."

"E depois vai guardar onde?"

"Num lugar seguro."

Lara sorriu pela primeira vez desde a cafeteria.

"Não precisa levar para buscar pão."

"Vou considerar a recomendação."

Ela riu e lhe pediu a mão de novo.

Quando chegaram ao apartamento, as caixas já tinham etiquetas. Uma delas estava torta, com a letra de Leo e um pequeno desenho de quatro pessoas.

Rafael se agachou para ler.

Lara abriu a porta e ficou observando o marido dentro daquela sala que, em breve, começaria a esvaziar.

A casa para onde iriam precisava receber tudo aquilo.

Inclusive o jeito como ela aprendera a voltar.

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