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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 42

正文开头

A camisa que ele não conseguia escolher

Leo largou os guardanapos no banco antes de se aproximar.

Theo segurou a colher com as duas mãos, como se ainda fosse responsável por uma parte importante do café.

Lara se sentou para ficar na altura dos filhos. Rafael permaneceu ao lado, a mão apoiada no encosto da cadeira.

"Seu pai e eu decidimos nos casar", disse ela.

O silêncio durou o suficiente para Leo conferir o rosto do irmão.

"Casar de verdade?"

"De verdade."

"Com roupa?"

Lara piscou.

Rafael precisou virar o rosto para não rir antes da explicação.

"Roupa de casamento", acrescentou Theo, socorrendo o irmão.

"Primeiro vamos organizar a parte do cartório", disse Lara. "Depois pensamos na festa. Não vai acontecer tudo amanhã."

Leo começou a pular mesmo assim.

Theo ficou parado por mais um segundo. Depois entregou a colher ao pai e abraçou a mãe.

Lara o apertou contra si. Sentiu os braços pequenos se fecharem com força em volta do seu pescoço.

"Você quer mesmo?", perguntou ele, junto à sua orelha.

Ela afastou o rosto para olhar seus olhos.

"Quero."

O menino sorriu antes de conseguir dizer qualquer outra coisa.

Leo voltou correndo, como se tivesse ido buscar impulso, e quase derrubou os três.

Antônio apareceu à porta para perguntar pelo café e encontrou a família abraçada.

Rafael ergueu o rosto.

"Ela disse que quer casar comigo."

O pai ficou imóvel.

"Agora?"

"Agora me disse. Não agora o casamento."

Antônio já chamava Teresa.

A mulher veio depressa, preocupada com o tom, e parou ao ouvir a notícia. Levou a mão à boca antes de abraçar Lara.

"Que alegria."

Não perguntou quando viria outro bebê nem abriu um calendário para escolher a festa. Ficou abraçada à jovem por alguns segundos, depois segurou seu rosto com cuidado.

"Vocês vão ser muito felizes. E nos dias difíceis também podem vir aqui."

Lara assentiu com os olhos úmidos.

Antônio chamou Rafael de filho com uma emoção que tirou do homem qualquer vontade de responder com uma brincadeira.

O café esfriou antes de alguém lembrar que o tinham levado para a varanda.

Na volta, os meninos fizeram perguntas que nenhum dos adultos havia previsto.

Se o pai mudaria de nome. Se poderiam levar o avião. Se o cartório tinha lugar para sentar. Se a mãe precisaria de ajuda para assinar com o vestido.

Lara explicou que ainda escolheria uma roupa e que o avião ficaria em casa.

"Mas pequeno cabe no bolso", insistiu Leo.

Theo olhou para ele.

"Você vai esquecer e ligar."

Rafael resolveu o assunto com a promessa de que fariam uma fotografia dos quatro antes de sair. O avião poderia aparecer nessa.

Quando chegaram, Lara encontrou o homem olhando para o telefone com concentração excessiva.

"O que você está fazendo?"

"Vendo o que precisamos para começar."

Ela espiou a tela. Havia uma lista de documentos.

"Você não perdeu tempo."

Rafael levantou os olhos.

正文1

"Você pode mudar de ideia sobre a camisa, a data, a festa. Eu só quero evitar que falte um papel."

Ela lhe beijou o rosto.

"Vamos conferir juntos."

Na semana seguinte, fizeram contato com o cartório, apresentaram os documentos solicitados e acompanharam as etapas necessárias. Lara manteve os compromissos do lançamento; Rafael reorganizou reuniões e descobriu que uma espera com data marcada podia consumir mais atenção do que uma negociação difícil.

Os meninos ficaram com a pequena função de marcar no calendário os dias que faltavam depois da confirmação.

Leo quis riscar dois de uma vez.

Theo o impediu, profundamente ofendido pela tentativa de alterar a passagem do tempo.

Enquanto isso, Lara conversou com Lourenço sobre a marca futura e concluiu uma etapa da coleção. Henrique recebeu suas observações sobre a proposta e devolveu uma versão que ainda seria revisada.

Nada parou porque ela decidira casar.

A constatação lhe trouxe um alívio quase tímido. Antes imaginara a mudança como uma porta que se fechava atrás de tudo que ainda queria fazer.

Agora revisava uma manga durante a tarde e, à noite, discutia com Rafael onde guardariam os lápis dos filhos quando passassem a viver juntos.

Uma casa precisava de lugar para mais coisas do que roupas.

Na véspera do casamento civil, Teresa telefonou para Lara.

"Você falou com ele há pouco?"

"Rafael? Falamos antes do jantar. Por quê?"

A mulher pareceu conter uma risada.

"Vim trazer uma coisa e encontrei o quarto dele parecendo uma loja depois de um vento forte. Acho que é melhor você receber uma fotografia."

A imagem chegou segundos depois.

Camisas e paletós cobriam a cama da casa de Rafael. Havia três pares de sapatos alinhados e uma gravata que Lara não se lembrava de ter visto.

Ela ampliou.

"Essa é vermelha?"

"Muito", respondeu Teresa.

Lara começou a rir.

Rafael telefonou antes que ela pudesse fazer outra pergunta.

"Minha mãe está documentando tudo."

"Ela presta um serviço à família."

"Eu só queria escolher uma roupa."

"Você sabe que vamos de dia, não sabe?"

Ele ficou em silêncio.

Lara apertou o telefone junto à orelha, sorrindo.

"Mostra."

A chamada passou para vídeo. Rafael apareceu de camisa escura com a gravata vermelha, a expressão séria demais para alguém que normalmente se vestia sem esforço.

Lara levou a mão à boca.

"Não ria", disse ele.

"Ainda não comecei."

"Está fazendo muito barulho para quem não começou."

Ela abaixou a mão, mas o sorriso continuou.

"Você está bonito. Só parece que vai anunciar uma empresa nova."

Rafael olhou para o espelho fora do enquadramento.

"Eu achei que precisava de alguma cor."

"Você pode usar a camisa clara e o paletó azul. Eu gosto deles em você."

Ele olhou para as roupas sobre a cama.

"Aquela camisa?"

"Essa. E vem sem a gravata vermelha."

Teresa, ao fundo, aprovou com tanta convicção que o filho olhou para ela.

"Você podia ter dito antes."

正文2

"Você pediu que eu não interferisse. Estou aproveitando para aprender a obedecer."

Lara riu novamente.

Rafael soltou a gravata.

"Você já escolheu?"

Ela virou a câmera para o vestido claro pendurado no armário. Simples, com uma linha que fizera questão de ajustar pessoalmente e sapatos baixos separados embaixo.

Ele demorou para responder.

"Vai usar o cabelo como?"

"Ainda não sei. Por quê?"

"Quero imaginar."

A resposta calou a brincadeira por alguns segundos.

Lara voltou a câmera para o próprio rosto.

"Você vai ver amanhã."

"Eu sei."

Ficaram olhando um para o outro até Leo aparecer junto ao braço dela.

"Papai, você não pode esquecer da gente."

Rafael ergueu uma sobrancelha.

"Estou falando com você agora."

"Depois que virar marido."

Theo surgiu atrás do irmão, fingindo que só vinha buscar um livro.

Lara os chamou para perto.

"Vocês estavam preocupados com isso?"

Leo mexeu na manga do pijama.

"A vovó disse que vai ser um dia muito importante."

"Vai", confirmou Rafael. "Vocês também fazem parte dele."

"Mas você vai morar com a mamãe."

"E com vocês. Não vou trocar meus filhos por uma esposa."

Theo parou de procurar o livro.

Rafael olhou diretamente para ele pela tela.

"Vou continuar levando vocês à escola. E não vou esquecer o trem."

Leo fez uma pequena lista de outras obrigações. Theo acrescentou que precisavam terminar o circuito antes do fim de semana.

O pai concordou com tudo que poderia cumprir e corrigiu a proposta de tomar sorvete todos os dias.

A negociação terminou com os dois mais tranquilos e Lara sorrindo para a facilidade com que o futuro passava a incluir pedidos tão comuns.

Na manhã seguinte, ela acordou antes do despertador.

Fez café, conferiu o vestido e encontrou um desenho preso à porta do quarto. Quatro pessoas de mãos dadas. Um sol, uma lua e um coração desproporcional no alto da folha.

Havia uma frase escrita com ajuda do irmão: Hoje a gente vai junto.

Lara tocou o papel antes de chamar os filhos.

Rafael chegou no horário combinado, de paletó azul e camisa clara. Quando ela abriu a porta, ele ficou olhando por tempo suficiente para Leo espiar atrás da mãe e verificar se havia algum problema.

"Você gostou?", perguntou o menino.

Rafael assentiu.

"Muito."

Lara sentiu o rosto aquecer.

Ele lhe entregou um pequeno buquê e recebeu o beijo que ela deu antes que os filhos pudessem sugerir.

O procedimento no cartório foi acompanhado por Antônio, Teresa e pelas testemunhas combinadas. Os meninos se sentaram perto dos avós, com a recomendação de esperar a hora das fotografias.

Quando chamaram seus nomes, Lara olhou para Rafael.

Ele estava tão atento à sua expressão que quase perdeu a orientação seguinte.

Ela lhe apertou a mão, sorrindo.

Responderam às perguntas, ouviram as palavras e assinaram. Lara acompanhou a caneta deslizar sobre o papel sem sentir que entregava o próprio nome a alguém.

Quando Rafael a beijou, Leo bateu palmas antes dos outros.

Theo começou imediatamente depois, deixando a seriedade para outra hora.

Na saída, Teresa abraçou Lara e corrigiu uma pequena dobra no vestido. Antônio segurou os netos para a primeira fotografia, mas os dois exigiram voltar para junto dos pais na seguinte.

Rafael guardou o documento com um cuidado quase exagerado.

Lara viu e sorriu.

"Não vai desaparecer."

Ele tocou a pasta.

"Prefiro não testar."

Durante o almoço, manteve a mão perto da dela mesmo quando precisava pegar o copo. Leo perguntou se agora teria de chamá-lo de marido também, e fez a mesa inteira rir.

Mais tarde, enquanto os avós entretinham os meninos, Lara saiu com Rafael para olhar as fotografias num lugar mais quieto.

Havia uma em que os quatro riam, Theo de olhos fechados e Leo segurando o buquê torto.

"Essa", disse ela.

Rafael concordou.

Antes que pudessem enviar a imagem aos amigos, o telefone de Lara tocou.

O nome do pai apareceu na tela.

Ela olhou para Rafael, surpresa com a coincidência desagradável.

A mensagem chegou enquanto decidia se atenderia.

Sérgio soubera do casamento. Dizia que precisavam conversar sobre o que aquilo significava para a família.

Lara releu a frase e levantou os olhos para o homem ao seu lado.

Na sala do restaurante, seus filhos riam com Teresa. Antônio tentava manter uma flor presa no bolso sem que Leo a puxasse outra vez.

Ela silenciou o telefone e voltou para a mesa segurando a mão do marido.

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