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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 41

正文开头

A gaveta que ela não precisava pedir para abrir

"Esse é o Theo", disse Lara, apontando para a manta amarela.

Leo inclinou a cabeça.

"Eu sei. O meu cabelo era melhor."

"Você quase não tinha cabelo", lembrou a mãe.

Antônio riu e ampliou a fotografia com uma delicadeza desajeitada. Não queria tocar na tela errada e perder os dois bebês.

Teresa pediu a imagem seguinte.

Lara mostrou a cozinha do primeiro apartamento, com uma das cadeirinhas junto à mesa e a outra perto de uma janela estreita. Na fotografia, um pano cobria metade da bancada.

"Eu estava tentando fazer almoço e terminar uma barra. A vizinha tirou."

Rafael olhou por mais tempo.

"Você trabalhava ali?"

"No começo. Depois consegui um espaço melhor. Nessa época eles dormiam em horários diferentes. Quando um fechava os olhos, o outro parecia receber um aviso."

Leo riu, encantado com a ideia de ter organizado uma operação antes mesmo de falar.

Theo perguntou se a vizinha era a mulher que fazia sopa.

"É. Ela levava uma panela e ficava sentada comigo às vezes. Dizia que o marido fazia comida demais. Demorei a perceber que era uma desculpa."

Teresa segurou a xícara com as duas mãos.

"Você tinha alguém quando nasceu o primeiro?"

Lara assentiu.

Contou do hospital, da ajuda que conseguira organizar e do momento em que voltara para o apartamento com os dois. Não contou como se cada dia tivesse sido apenas sofrimento. Lembrou de Leo dormindo com a boca aberta, de Theo só se acalmar quando ouvia a mesma música e da primeira vez em que conseguira tomar café ainda quente.

Às vezes riam. Em outras, Teresa lhe apertava a mão sem interromper.

Rafael perguntou pelo primeiro aniversário. Antônio quis saber quando haviam começado a andar. Os meninos corrigiram detalhes de histórias que tinham ouvido tantas vezes que pareciam lembranças próprias.

Depois de algum tempo, Leo encostou no ombro do avô e começou a piscar devagar.

Theo continuava de pé junto à mãe, resistindo com dignidade.

Teresa ofereceu levar os dois para descansar. O menor aceitou antes de lembrar que o irmão ainda não havia decidido.

Lara se abaixou.

"Sol, pode ir."

"Você fica aqui?"

"Fico. E depois quero ver a cidade que montaram."

O menino olhou para Antônio.

"Não pode desmanchar."

"Nem um trilho", prometeu o avô.

Rafael os levou até o quarto que já conheciam. Ao voltar, encontrou Lara guardando o telefone e Teresa enxugando discretamente uma marca de chá sobre o pires.

A mãe ergueu os olhos para ele.

Não havia uma cobrança explícita ali. Havia o peso de imaginar anos que não conhecera.

Rafael sentou ao lado de Lara e recebeu sua mão.

Antônio respirou fundo.

"Eu tinha muitas perguntas antes de conhecer vocês. Algumas nem sabia formular direito. Hoje percebo que preciso ouvir mais do que perguntar."

Lara sorriu, ainda emocionada.

"Eles vão contar bastante. Principalmente o Lua."

"Estou disposto a correr esse risco."

正文1

Teresa se levantou e pediu licença por um instante. Voltou com uma caixa pequena, de madeira escura, cujas bordas mostravam marcas de uso.

Lara endireitou a postura.

A mulher a colocou sobre a mesa.

"Minha sogra me deu isto no ano em que me casei. Eu fui experimentar e achei que não podia usar. Era bonito demais, antigo demais, importante demais. Eu tinha uma lista inteira."

Antônio sorriu de leve.

"Ela usou no domingo seguinte."

"Porque sua mãe disse que joia na caixa não fazia companhia a ninguém."

Teresa abriu a tampa.

O colar tinha pedras verdes em pequenos encaixes, delicadas o suficiente para não parecer pesado. Lara se inclinou, observando o trabalho do fecho e o desenho das ligações.

"É lindo."

"Gostaria que ficasse com você."

Lara ergueu o rosto imediatamente.

"Teresa, eu não..."

"Pode pensar. Não precisa pôr agora nem dizer sim para me agradar."

A facilidade com que a mulher lhe devolveu espaço tornou a recusa menos simples.

Lara olhou para Rafael. Ele não parecia esperar que aceitasse como parte de um acordo.

"Minha avó usava com um vestido que minha mãe consertou tantas vezes que virou outra peça", explicou ele. "Acho que iam gostar de conversar com você sobre isso."

Lara tocou a borda da caixa.

"É uma coisa da família."

Teresa lhe segurou a mão.

"É. Por isso pensei em você."

As lágrimas vieram com uma rapidez que Lara já não conseguia disfarçar naquele dia.

Ela riu, procurando um lenço.

Antônio lhe ofereceu um antes de Rafael alcançar o próprio bolso.

"Aqui eu ainda ganho algumas corridas", comentou.

Lara enxugou os olhos.

"Eu gostaria de aceitar. Só estou tentando entender como se recebe uma coisa assim."

"Pode começar fechando a tampa para os meninos não acharem que faz parte da estação", sugeriu Teresa.

A risada dos quatro soltou a tensão.

A mulher guardou a caixa numa pequena sacola e pediu que Lara a levasse quando fosse embora. Depois falaram do ateliê que ela pretendia criar.

Antônio perguntou como escolheria o lugar. Teresa quis saber quando poderiam ver a primeira coleção. Rafael ouviu Lara explicar os limites que negociava com Henrique e o prazo de que precisava para cumprir os compromissos atuais.

"Não quero prometer uma abertura e trabalhar todo dia até não conseguir ver os meninos", disse ela.

"Então esse custo precisa entrar na conta desde o começo", respondeu Antônio. "Tempo também acaba."

Lara assentiu, satisfeita por não precisar justificar por que aquilo importava.

Teresa olhou para o filho.

"Ele está aprendendo essa parte."

Rafael aceitou a provocação.

"Estou."

Mais tarde, os meninos acordaram e levaram a mãe para conhecer o restante da casa. Theo mostrou os livros que Antônio separara. Leo abriu uma gaveta onde estavam papéis e lápis, depois parou ao lembrar que poderia ter revelado familiaridade demais.

Lara se agachou junto a ele.

"Não precisa fingir que não sabe onde ficam suas coisas. Eu gosto que vocês tenham um lugar aqui."

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O filho a olhou com alívio tão claro que ela se perguntou quantas conclusões os dois ainda tentavam tirar sozinhos.

Theo se aproximou.

"Você também pode guardar alguma coisa."

Teresa, que vinha pelo corredor, ouviu.

"Claro que pode. Vamos escolher uma gaveta para as coisas de desenho? Tenho umas revistas que queria lhe mostrar."

Lara olhou para a mulher, depois para os filhos.

A ideia de ter uma gaveta em outra casa, sem precisar pedir licença toda vez, a comoveu mais do que esperara.

"Podemos escolher", respondeu.

No fim da tarde, Rafael a encontrou na varanda, observando os meninos no jardim com o avô.

Teresa saíra para buscar café. O ar estava mais fresco, e Lara tinha o lenço que a mulher lhe emprestara sobre os ombros.

"Foi muita coisa?", perguntou ele.

Ela assentiu, sorrindo.

"Muita coisa boa. Eu não sei se estava preparada."

Rafael ficou ao lado.

Ela lhe mostrou no telefone uma mensagem de Joana: a última prova da coleção tinha funcionado. A modelo conseguira andar e sentar sem que a barra saísse do lugar.

Rafael viu a fotografia e sorriu para ela.

"Você estava esperando isso desde ontem."

"Estava. Eu quase liguei durante o almoço."

"Pode ligar agora, se quiser."

Lara respondeu à assistente, agradeceu à equipe e guardou o aparelho. Ele continuava ali, esperando sem pressa. Ela percebeu o quanto desejava encontrar aquele mesmo gesto nos outros dias.

Lara olhou para seu perfil. Havia uma semelhança entre ele e Antônio que aparecia mais quando sorriam para os meninos.

"Você ainda quer casar comigo?"

A pergunta o fez virar completamente.

"Lara."

"Eu sei que queria antes. Estou perguntando agora."

Rafael procurou seus olhos, como se precisasse conferir que ela não dizia aquilo por causa da caixa sobre a mesa.

"Quero. Mas você disse que precisava de tempo. Não tem que mudar porque gostou de hoje."

Ela encostou na coluna da varanda.

"Eu ainda preciso terminar meu trabalho. Continuo querendo a marca. E não sei o que vou descobrir sobre minha mãe."

Ele esperou.

"Só comecei a achar que estou colocando tudo numa fila. Primeiro resolvo uma coisa, depois outra. Quando não tiver mais nenhuma dúvida, posso construir a vida com você."

A voz ficou menor.

"Eu não sei quando vai ser esse dia."

Rafael aproximou a mão do rosto dela.

"Você não precisa resolver isso agora."

"Eu sei. É por isso que estou conseguindo pensar."

Lara segurou seu pulso, mantendo-o perto.

"Eu quero me casar com você. Quero continuar trabalhando, ficar nervosa com meus desenhos, discutir porque deixou um prato cheio de ervilhas. E voltar para a nossa casa depois."

Rafael fechou os olhos por um instante.

Quando abriu, ela estava sorrindo, também assustada com a felicidade que acabara de dizer em voz alta.

"Tem certeza?", perguntou.

Lara riu baixinho.

"Você sempre perde a confiança na melhor hora."

Ele a puxou para um abraço.

"Nessa hora eu não quero entender errado."

Ela apoiou o rosto no pescoço dele.

"Entendeu certo."

Rafael a beijou com uma alegria que fez Lara esquecer a varanda até ouvir um barulho perto da porta.

Leo segurava uma bandeja pequena com guardanapos. Theo estava atrás, carregando uma colher.

Os dois olhavam para os pais.

"O café chegou?", perguntou Lara, afastando-se um pouco.

Leo assentiu.

Depois olhou para o pai.

"Você está com essa cara por causa do café?"

Rafael soltou uma risada e estendeu a mão para os dois.

"Não. Venham aqui. Temos uma coisa para contar."

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