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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 38

正文开头

Uma lembrança que não cabia no acordo

Rafael leu o nome de Beatriz duas vezes.

Lara se inclinou para olhar a tela, mas ele já a virava na direção dela.

"O pai de Verônica. Diz que conheceu sua mãe."

A alegria no rosto dela diminuiu.

"Agora ele lembrou?"

Rafael não respondeu pela intenção do outro.

Lara pegou o aparelho e leu a mensagem inteira. Augusto pedia uma conversa reservada e mencionava um antigo grupo de leitura da universidade.

A referência a atingiu antes que decidisse dar importância.

Havia um broche entre as lembranças da mãe. Um livro aberto, preso numa caixa com fotografias, fitas e duas cartas cujos remetentes ela conhecera apenas pelo nome.

"Eu tenho uma coisa desse grupo", disse.

Rafael observou seu rosto.

"Quer ouvir o que ele tem?"

Lara olhou para os meninos, agora concentrados nas imagens do lançamento.

"Quero saber se existe alguma coisa antes de sentar para ouvir um pedido de favor."

Ele assentiu.

Responderam juntos. Augusto poderia encaminhar o material de que falava ou explicar primeiro a natureza da informação. Qualquer conversa sobre Beatriz ficaria separada do caso da filha.

A resposta demorou.

Quando veio, trazia uma fotografia antiga.

Beatriz aparecia sentada num degrau, com um livro apoiado nos joelhos. Estava rindo para alguém fora do enquadramento. O cabelo caía de um lado, preso por um grampo claro.

Lara levou o telefone para mais perto.

Conhecia fotografias de aniversários, viagens, uma festa de casamento. Não conhecia aquela versão da mãe, tão jovem que parecia ainda estar decidindo o que faria ao se levantar dali.

"É ela", murmurou.

Rafael permaneceu quieto.

Lara voltou à imagem, passando o polegar pela borda sem tocar no rosto.

"Eu queria essa fotografia."

"Vamos pedir o original."

Ela assentiu, emocionada de uma maneira que a irritou um pouco. Augusto tinha encontrado exatamente a parte que ainda não aprendera a proteger de estranhos.

Na manhã seguinte, ele foi recebido numa sala da Valença por Rafael. Lara preferira não comparecer antes de saber o que aquele encontro exigiria dela. Deu autorização para que Rafael ouvisse a história sobre a fotografia e pediu que não prometesse nada em seu nome.

Augusto chegou carregando uma pasta fina.

Parecia mais cansado do que no jantar. Colocou uma cópia da imagem sobre a mesa e retirou um pequeno broche com o desenho de um livro.

"Nós éramos do mesmo grupo. Eu estava dois anos à frente."

Rafael não tocou nos objetos.

"Lara reconheceu a fotografia. Quer uma cópia em boa qualidade."

"Posso dar a original. Não tenho motivo para guardar de quem..."

Ele parou, desconfortável com a própria formulação.

Rafael esperou.

Augusto mudou de assunto e perguntou se não haveria uma maneira de reduzir a exposição de Verônica.

"Ela tem uma carreira. Errou, mas isso pode acabar com tudo."

"A coleção da Lara também faz parte de uma carreira."

O homem baixou os olhos.

"Eu sei."

正文1

"Então trate a reparação com os responsáveis. Não vou negociar uma lembrança da mãe dela."

Augusto empurrou a fotografia sobre a mesa.

"Fique com ela. Não precisa me dar nada."

Rafael recebeu a imagem com cuidado.

O homem permaneceu sentado. Tinha começado aquela visita com uma proposta ensaiada e agora parecia não saber o que fazer com a parte que sobrara.

"Beatriz me pediu um favor, anos depois da universidade. A menina estava com cinco ou seis anos."

Rafael levantou os olhos.

"Que favor?"

Augusto respirou fundo.

"Eu conhecia uma pessoa ligada a um laboratório. Ela queria saber se uma suspeita podia ser verificada. Sobre parentesco."

A mão de Rafael ficou imóvel junto à fotografia.

"Que parentesco?"

"Entre ela e Lara."

O silêncio fez Augusto continuar depressa.

"Não fui eu quem examinou nada. Ajudei a fazer o contato. Ela depois me disse que o resultado não era o que esperava e pediu discrição."

"Você viu o resultado?"

"Uma cópia, na época. Não sei se ainda tenho. Houve mudança de escritório, caixas que..."

Rafael interrompeu com uma pergunta precisa.

"Ela disse que não era mãe da Lara?"

Augusto assentiu devagar.

"Disse que havia uma relação, mas não aquela. Eu achei que ela explicaria depois. Não explicou. Quando soube que tinha morrido, já fazia algum tempo que não conversávamos."

Rafael se recostou.

Beatriz morrera quando Lara tinha seis anos. A lembrança dos cabelos penteados, das fitas erradas, da fotografia guardada perto dos filhos voltou inteira, agora acompanhada por uma informação que ainda não podia ser tratada como verdade.

"Se quer ajudar, procure o que tiver. Datas, nome do laboratório, qualquer mensagem. Não tire conclusões no lugar de um documento."

Augusto assentiu.

"Eu não queria trazer isso dessa maneira."

Rafael olhou para a pasta vazia.

"Mas trouxe enquanto pedia uma coisa para sua filha. Lara vai precisar saber também desse contexto."

O homem abaixou o rosto.

Quando saiu, Rafael permaneceu algum tempo sem chamar Lucas.

Depois encaminhou a fotografia para digitalização e pediu que o contato antigo fosse verificado, se Augusto conseguisse recuperá-lo. Não queria uma investigação que começasse escolhendo uma conclusão.

Queria saber se existia algo além da palavra de um pai tentando livrar a filha das consequências.

Ligou para Lara.

Ela atendeu no intervalo de uma prova, ainda com alfinetes presos na almofada do pulso.

"Ele entregou a fotografia?"

"Entregou. É sua. E contou uma coisa que precisa de confirmação. Podemos conversar hoje, sem os meninos ouvirem?"

Lara ficou quieta.

"É sobre minha mãe?"

"É. Não tenho um documento que sustente ainda. Não quero lhe contar uma certeza que não existe. Mas também não vou fingir que foi só uma conversa sobre a fotografia."

Ela encostou na bancada.

Havia vozes do outro lado da porta, uma costureira chamando pela modelo e o som de uma máquina em funcionamento.

"Hoje eu preciso terminar aqui", disse. "Se puder esperar até a noite, prefiro."

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"Pode."

"Você não está me escondendo alguma coisa urgente?"

"Não há nada que exija que você saia daí agora."

Lara assentiu, soltando um pouco o ar.

Naquela noite, os meninos jantaram cedo e pediram para terminar a história com o pai. Rafael leu até o final, corrigindo a voz do personagem sob orientação de Leo.

Quando voltou à sala, Lara tinha duas xícaras sobre a mesa e a caixa de lembranças no colo.

A fotografia nova estava ao lado do broche que ela guardava desde pequena.

"É o mesmo desenho", disse.

Rafael sentou perto.

Contou a conversa sem repetir as palavras de Augusto como se tivessem o peso de um exame. Falou do contato, da suspeita e da cópia ainda não localizada.

Lara não o interrompeu.

Depois olhou para a imagem por tanto tempo que ele teve vontade de perguntar o que precisava. Não perguntou antes que ela voltasse a falar.

"Ela achava que eu não era filha dela?"

"Foi o que ele disse."

"E ele escolheu agora para lembrar."

"Sim."

Lara encostou a caixa na mesa.

"Eu não sei se acredito."

"Não precisa decidir hoje."

Ela passou a mão pela testa.

Por um instante, lembrou de Márcia dizendo que seu rosto não combinava com o da mãe. Da própria procura por semelhanças diante de fotografias. Lembranças antigas que agora pareciam prontas para se alinhar a qualquer história, mesmo uma que ainda não tinha prova.

Não quis entregá-las tão depressa.

Pegou o broche.

"Eu lembro dela me deixando usar isso no vestido. Era pesado, ficava puxando o tecido. Ela dizia que eu podia levar só para a sala, porque era pequena e ia perder."

Rafael ouviu.

"Depois que morreu, eu usava escondido. Tinha medo de Márcia guardar onde eu não encontrasse."

Os olhos se encheram antes que terminasse.

Rafael aproximou o braço, e Lara encostou nele com a caixa entre os dois.

"Eu queria uma fotografia nova. Não queria começar a duvidar de tudo."

"A fotografia continua sendo dela. E o que você lembra também."

Lara apertou o broche na mão, depois soltou ao sentir a ponta.

Rafael o recebeu e colocou sobre a tampa.

Ela ficou perto por mais algum tempo. Não pediu que ele fizesse a suspeita desaparecer nem que encontrasse toda a resposta naquela noite.

"Se achar alguma coisa, quero ver", disse.

"Eu trago para você."

"Mesmo se for ruim."

Ele beijou sua testa.

"Mesmo assim."

Na manhã seguinte, Lara guardou o broche e deixou a fotografia nova na estante.

Theo a encontrou olhando para a imagem e perguntou quem era.

"Sua avó Beatriz. Quando era mais nova."

Leo se aproximou.

"Ela sabia que você ia fazer a gente?"

Lara soltou uma risada surpreendida.

"Não, Lua. Eu era pequena quando ela morreu."

O menino pensou, observando o sorriso da mulher na fotografia.

"Eu queria mostrar meu avião."

Lara o puxou para perto. Theo encostou do outro lado.

"Ela ia gostar de vocês."

A frase saiu com uma certeza que não dependia do que Augusto ainda pudesse encontrar.

Mais tarde, Henrique lhe escreveu pedindo uma reunião. Tinha acompanhado o caso da coleção e queria retomar uma conversa iniciada no primeiro almoço, antes do hospital e de tantas outras coisas.

Dessa vez enviou uma proposta preliminar.

No alto da página, Lara leu o próprio nome.

LARA Atelier.

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