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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 36

正文开头

O que eles tinham guardado

Rafael telefonou antes que Lara se afastasse da porta.

Ela voltou à sala pequena para atender.

"Quero ver o que publicaram", disse ele, depois de ouvi-la. "Você pode me mandar?"

Lara enviou as imagens e uma fotografia das folhas abertas sobre a mesa.

"Não é uma semelhança. Tem uma versão que eu descartei. Eles copiaram até o que não funcionava."

Rafael ficou quieto enquanto examinava.

"Quem recebeu o conjunto?"

"Estamos levantando. Algumas pessoas tinham parte, outras precisaram ver tudo por causa da apresentação. Eu não quero apontar alguém porque entrou na sala duas vezes."

"Certo."

A ausência de uma solução instantânea a deixou falar mais. Contou das provas, da campanha suspensa e do medo de perder o lançamento depois de meses de trabalho.

"Eu sei que as folhas são minhas", disse, por fim. "Mas eles já colocaram o nome deles na frente."

"Então vamos deixar organizado o que mostra o caminho até as folhas. Posso pedir que nossa equipe examine a circulação dos arquivos com a Maison Vallon?"

Lara respirou fundo.

"Pode. Com Lourenço acompanhando. E eu quero saber o que encontrarem."

"Você vai saber."

Ela apoiou a testa na mão livre.

"Estou com tanta raiva que não consigo nem escolher por onde começar."

"Comece por não jogar fora nada que pareça repetido. E por almoçar. Bianca ainda está aí?"

Lara olhou para a amiga através do vidro.

Ela segurava duas embalagens e fazia um gesto impaciente para a mesa.

"Está tentando resolver essa parte."

Rafael soltou o ar, um pouco mais tranquilo.

"Então eu não vou atrapalhar. Me ligue depois da reunião."

Lara desligou e abriu a porta.

Bianca colocou o almoço diante dela.

"Você pode ficar com raiva sentada. Eu testei durante anos. Funciona."

O comentário arrancou uma risada breve.

Lara pegou o garfo e começou a comer.

Na casa dos Azevedo, Priscila esperara o pai terminar uma ligação antes de pedir os documentos que ele examinava.

Sérgio cobriu a pasta com a mão.

"Não é assunto seu."

Ela reconheceu a frase. Bruno a dissera na noite do jantar.

"São as minhas fotografias que vocês estão usando para discutir a empresa. Então quero saber o que concordou em dar."

"Ainda não entreguei nada."

Márcia se aproximou da mesa e pediu calma, mas Priscila já puxava a cópia da proposta.

Vinte e cinco por cento. O projeto. Condições de aporte. Garantias.

Não era um acordo para protegê-la. Era uma maneira de transformar a crise em negócio, e todos falavam como se ela devesse agradecer por ainda ter um lugar na casa do marido.

"Ele levou a outra para lá", disse.

Márcia ficou pálida.

Luana comparecera acompanhada da irmã e de uma profissional que a orientava. A mãe de Bruno insistira para que ficasse num quarto de hóspedes durante a recuperação, alegando que teria ajuda e proximidade com o pai do bebê.

Priscila soubera por uma antiga funcionária.

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"Você vai aceitar isso?", perguntou à mãe.

"Eu quero que você não faça outra coisa sem pensar."

Sérgio pegou a pasta de volta.

"Por uma vez, escute sua mãe."

Priscila olhou para os dois e compreendeu que precisaria levar alguma coisa além da própria indignação para ser ouvida.

Naquela tarde, mandou buscar roupas e documentos pessoais na casa dos Farias. Entre os papéis que guardara havia nomes de lugares, mensagens antigas e fotografias de comprovantes que Bruno pedira para ela não comentar.

Abriu uma conversa e encontrou o endereço de um bar ao qual ele voltava com frequência.

Dessa vez não apagou quando ele perguntou onde estava.

Na escola, Theo e Leo souberam que a mãe trabalharia até mais tarde. Mauro os levou ao escritório do pai, conforme combinado com ela.

Rafael terminou uma chamada e encontrou Leo sentado na cadeira de visitantes, segurando uma caixa de lápis.

"Mamãe ficou triste?"

Ele deixou os papéis sobre a mesa.

"Ficou chateada com uma coisa do trabalho."

Theo se aproximou.

"A gente viu a roupa no telefone da Bianca. Parece a dela."

Rafael examinou seu rosto.

"Vocês ouviram alguma conversa?"

"Ela mandou uma mensagem quando estávamos com a mamãe ontem. Hoje apareceu a fotografia no telefone dela de novo, antes de ir embora da escola."

Lara encontrara Bianca brevemente na entrada, e os meninos tinham visto mais do que os adultos imaginavam.

Rafael puxou uma cadeira para ficar perto.

"Estamos conferindo como os desenhos saíram. Sua mãe está trabalhando com a equipe."

Leo apertou o lápis.

"Não podem pegar uma coisa que ela fez e falar que é deles."

"Não deveriam."

Theo ficou quieto por algum tempo.

Depois perguntou se as mensagens de Luana também estavam sendo conferidas.

Rafael se endireitou.

"Como sabe dessas mensagens?"

O menino olhou para o irmão.

Leo respondeu primeiro:

"A mamãe falou que a moça guardou coisas para ninguém dizer depois que estava inventando."

Rafael lembrava da conversa na sala, diante dos filhos. Ainda assim, havia uma pergunta a mais nos olhos do mais velho.

"Vocês têm alguma coisa para me mostrar?"

Theo demorou antes de abrir a mochila.

Retirou um caderno com endereços de páginas e números anotados. Não era o trabalho secreto que faziam sob o nome Musa. Era uma lista que começara com a curiosidade sobre as empresas dos adultos e terminara numa série de dados que não combinavam.

Mostrou dois registros públicos da empresa de Bruno e uma apresentação antiga enviada por engano num grupo de materiais escolares patrocinados.

"Eles disseram que eram empresas diferentes. Mas o contato era o mesmo. E aqui o dinheiro aparece como serviço duas vezes."

Rafael não elogiou imediatamente.

Leu as referências, conferiu as datas e abriu uma das páginas indicadas.

"Como chegaram a isso?"

Theo explicou a origem de cada item daquele caderno. Leo completou a parte sobre o patrocínio, lembrando que Davi perguntara pelo símbolo da empresa.

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O pai ouviu até o fim.

"Isso pode precisar de explicação. Não significa sozinho que alguém cometeu um crime."

"Mas você pode olhar", disse Theo.

"Posso. E vou entregar a quem sabe comparar com os documentos certos. Vocês não vão entrar em conta de ninguém para procurar o resto."

Leo levantou os olhos depressa demais.

Rafael percebeu.

"Estou falando sério."

Theo assentiu.

A satisfação de ser ouvido veio misturada ao desconforto de descobrir que o pai não considerava toda descoberta uma autorização para ir mais longe.

Rafael fechou o caderno.

"Obrigado por trazerem para mim. Agora temos outro problema."

Os dois ficaram tensos.

Ele apontou a mesa de lanches.

"Sua mãe vai chegar com fome. Preciso de ajuda para separar uma coisa que ela goste."

Leo já estava de pé quando Theo percebeu a mudança de assunto.

Escolheram um sanduíche simples, fruta e água. Leo quis colocar dois doces, mas o irmão lembrou que a mãe geralmente dividia com eles e acabava sem nenhum.

Acrescentaram um terceiro.

Lara chegou cansada, carregando uma pasta muito mais cheia do que a que levara pela manhã.

Encontrou três pratos pequenos sobre a mesa e um bilhete com letras desiguais: O seu está aqui.

Sentou antes de começar a falar.

Leo se encostou nela. Theo mostrou o doce separado, tentando não parecer orgulhoso demais da solução.

Rafael trouxe água.

Lara olhou para os três e sentiu os olhos arderem.

"Eu vou chorar por causa de um sanduíche. Que vergonha."

"Pode comer primeiro", sugeriu Leo. "Depois molha."

Ela riu e o abraçou com força.

Na manhã seguinte, Priscila entregou informações sobre Bruno às autoridades por intermédio de uma orientação que procurara por conta própria. O relato incluía o endereço do bar e o que presenciara na noite do atendimento.

Não sabia até onde aquilo a protegeria. Sabia apenas que não aceitaria continuar sendo a única pessoa obrigada a sentir vergonha.

A apuração não começou e terminou no mesmo dia. Nos dias seguintes, outras informações foram verificadas, e uma ação no estabelecimento encontrou substâncias proibidas e pessoas que precisariam explicar sua participação.

Bruno estava entre elas.

A notícia chegou a Lara durante uma prova de roupa. Ela largou o telefone quando a costureira perguntou se a manga precisava subir mais um pouco.

"Um centímetro", respondeu, aproximando-se para conferir.

Só depois, sentada com Rafael, ouviu o restante. A empresa dos Farias também seria examinada a partir de informações financeiras entregues por fontes diferentes, entre elas os documentos encaminhados por Luana e as referências conferidas pela equipe.

Não havia decisão sobre tudo. Havia perguntas que já não podiam ser encerradas com uma ameaça familiar.

Lara pensou na jovem e no bebê, depois em Priscila.

"Ela ajudou a denunciar?"

"Pelo que foi informado, sim."

Lara ficou quieta.

Não sentiu vontade de ligar para a irmã nem de comemorar a doença de Bruno. Sentiu o alívio estranho de saber que o homem que ajudara a decidir seu destino cinco anos antes agora precisaria responder pelas próprias escolhas.

Rafael segurou sua mão sobre a mesa.

"Você quer falar disso?"

"Hoje, não muito. Quero terminar minha coleção."

Ele assentiu.

Na empresa, mais tarde, Lucas deixou uma atualização sobre a VD Studio. O levantamento dos arquivos já mostrava uma circulação que precisava ser esclarecida; uma pessoa da equipe poderia ter intermediado o acesso.

Rafael examinou os registros e pediu que a assessoria da Maison Vallon recebesse a mesma informação.

Depois viu a solicitação comercial que Verônica enviara semanas antes, antes do jantar, propondo aproximação com a Vértice.

Ela ainda esperava uma resposta.

Rafael leu a proposta até o fim.

"Marque uma conversa com a equipe dela", disse. "Quero saber exatamente que coleção pretendem licenciar e o que estão dispostos a garantir por escrito."

Lucas assentiu, mas não saiu imediatamente.

"Vou alinhar os detalhes. A senhora Lara..."

"Eu falo com ela depois da reunião de hoje. Primeiro quero saber o que a VD Studio vai apresentar."

Na outra empresa, Verônica recebeu a confirmação do encontro e sorriu pela primeira vez desde o jantar.

Abriu a pasta da coleção copiada.

Na tela do telefone de Lara, pouco depois, apareceu a fotografia de Rafael entrando no prédio da concorrente.

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