"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 34
A casa que eles escolheram defender
Bruno tirou o telefone da mão de Priscila.
"Isso não é assunto seu."
"É dinheiro do meu pai."
"Seu pai sabe o que assinou. Você devia se preocupar com as fotografias de hoje."
Priscila ficou olhando para ele. Ainda tinha a marca do vestido apertado na cintura e os grampos presos no cabelo. Bruno usava o constrangimento dela como se tivesse encontrado uma autorização para tudo que fizera antes.
"Você estava com outra mulher antes de eu chegar perto de Vinícius."
"Não comece."
"Ela está grávida. Você me deixou passar meses ouvindo sua mãe perguntar por que eu não engravidava."
Bruno abriu a gaveta da cômoda. Tirou uma pequena embalagem e tentou guardá-la no bolso, mas suas mãos tremiam.
Priscila percebeu.
Lembrava de ausências repentinas, do suor no rosto em noites frias, da irritação desproporcional quando alguém o interrompia. Até então aceitara as desculpas porque era mais confortável do que investigar o casamento que exibira durante cinco anos.
"O que você está tomando?"
"Sai da frente."
Ela se colocou junto à porta.
Bruno tentou afastá-la. O movimento foi desajeitado, e o telefone caiu. Quando se abaixou para pegá-lo, perdeu o equilíbrio e ficou de joelhos, respirando mal.
Priscila recuou.
A mãe dele apareceu ao ouvir o barulho. Viu o filho no chão, a embalagem aberta e a expressão da nora.
"Chame alguém", ordenou.
Priscila permaneceu imóvel por um segundo.
"Priscila!"
Ela pegou o próprio telefone e chamou atendimento. Enquanto informava o endereço, a sogra tentava obter uma resposta do filho e lhe perguntava o que havia usado.
Bruno não respondeu com clareza.
A discussão sobre adultério terminou ali. O restante da madrugada foi tomado por uma ambulância, instruções e perguntas que a família não conseguiria responder com uma fotografia de casal sorrindo.
Na manhã seguinte, Lara acordou com o telefone vibrando sobre a mesa de cabeceira.
Márcia.
Olhou para o nome e esperou o aparelho parar.
Rafael, que dormira no quarto de hóspedes depois que ela cochilara no sofá, apareceu à porta já vestido.
"Os meninos ainda estão tomando café com meus pais. Mauro sai daqui a pouco."
Lara afastou a coberta. Ao apoiar o pé no chão, lembrou do curativo.
Ele percebeu sua expressão.
"Vou buscar sua sandália."
"A baixa."
Rafael a olhou.
"Eu aprendo algumas coisas."
Lara sorriu e pegou o telefone quando chegou uma mensagem.
Márcia queria que ela fosse à casa dos Farias. Dizia que a irmã precisava de ajuda e que Lara, depois do que acontecera no jantar, tinha obrigação de colaborar.
Ela releu a última frase.
Rafael voltou com as sandálias e encontrou seu rosto fechado.
"O que houve?"
Lara mostrou a mensagem.
Ele não pegou o aparelho. Leu junto à mão dela.
"Você quer ir?"
"Não. Quero saber se ela está em perigo. Não quero entrar numa sala com meu pai e ouvir que tudo começou porque voltei ao Brasil."
Rafael se sentou à beira da cama.
"Podemos perguntar pelo advogado. Sem você precisar ir."
Ela pensou e assentiu.
Respondeu a Márcia que, se Priscila estivesse sofrendo ameaças ou impedida de sair, deveria procurar ajuda imediata. Não participaria de negociações entre as famílias. Depois deixou o aparelho sobre a cama.
"Minha mãe morreu e eu passei anos tentando não dar trabalho", disse. "Agora até quando não vou a algum lugar parece que estou fazendo alguma coisa contra eles."
Rafael aproximou sua sandália.
"Hoje você vai ficar aqui. Eu vou precisar de ajuda para encontrar o café."
Lara olhou para ele.
"Está no mesmo armário desde que você quebrou o braço."
"Então acho que você consegue resolver esse problema."
Ela riu, apesar do peso que a mensagem deixara. Levantou-se, aceitou sua mão no primeiro passo e foi com ele à cozinha.
Na casa dos Farias, Sérgio chegara sem saber quanto da própria empresa seria colocado sobre a mesa.
Bruno continuava sob cuidados médicos. O pai dele, Alberto, aguardava no escritório com a mulher e uma pasta aberta.
Márcia perguntou por Priscila antes de se sentar.
"Está no quarto", respondeu a sogra. "Achamos melhor não sair agora."
"Ela está trancada?"
Alberto lançou um olhar à esposa.
"Não. Pode chamar sua filha."
Márcia foi buscá-la. Quando voltaram, Priscila não quis se sentar ao lado da sogra.
Sérgio a examinou com uma irritação que não fez nenhum esforço para esconder.
"Você tinha tudo. Precisava fazer aquilo?"
"Pergunte onde seu genro estava quando eu ficava em casa."
Alberto bateu os dedos na pasta.
"Não viemos discutir cada briga. Há compromissos entre as empresas. E uma situação que prejudica as duas famílias."
A proposta foi apresentada como uma solução. Os Farias forneceriam capital para manter o projeto dos Azevedo em andamento, num momento em que outros parceiros haviam recuado. Em troca, receberiam vinte e cinco pontos percentuais da companhia e participação no projeto.
Sérgio olhou para os documentos.
Ele e Márcia controlavam sessenta por cento. Aceitar a proposta reduziria aquela posição a trinta e cinco.
"Vocês estão chamando isso de ajuda?"
"Você precisa de dinheiro", respondeu Alberto. "Eu preciso de garantias."
"E minha filha entra onde nessa conta?"
Priscila se virou para o pai, surpresa pela pergunta.
A resposta seguinte desfez a surpresa.
"Eu não vou entregar a empresa por causa de um casamento."
Márcia começou a protestar. Alberto disse que ninguém seria obrigado a assinar naquela manhã, mas que as condições não ficariam disponíveis por muito tempo.
A mãe de Bruno acrescentou que preferia evitar uma separação pública enquanto ele se recuperava. Priscila soltou uma risada curta.
"Enquanto a grávida não aparece na porta, você quer dizer."
Ninguém respondeu depressa.
Ela compreendeu que a discussão sobre a sua vergonha era também uma maneira de mantê-la quieta sobre o filho deles.
Sérgio recolheu a cópia da proposta.
"Vou mandar examinar."
Priscila se levantou.
"Eu vou com vocês."
Márcia segurou sua bolsa. A sogra abriu a boca para objetar, mas Alberto fez um gesto para que se calasse.
Na saída, Priscila olhou para o quarto onde o marido estava. Já não tinha vontade de descobrir uma desculpa que permitisse voltar a gostar dele.
Queria saber o que ainda podia tirar daquela casa antes que os outros resolvessem tirar dela.
No apartamento de Lara, Leo chegou segurando uma caixa de bolo.
Theo trazia o quebra-cabeça incompleto numa base de papelão, sustentada com tanta seriedade que Rafael foi ajudá-lo antes de cumprimentar.
"Não pode entortar", avisou o menino.
"Percebi."
Lara se abaixou para receber Leo, mas ele apontou imediatamente para seus pés.
"Você pôs o remédio?"
"Pus um curativo."
"O vovô falou que não pode ficar mexendo."
Ela olhou para Rafael.
"Vocês distribuíram um relatório?"
"Eu só avisei que você tinha machucado o calcanhar."
Theo conferiu as sandálias e pareceu aprovar. Leo lhe entregou o bolo.
"Esse é seu. A vovó perguntou se você tinha comido sobremesa. Eu falei que não sabia."
"E resolveu trazer uma garantia."
O filho assentiu.
Sentaram para ver as fotografias. Lara mostrou o professor, Laurent e a saia em movimento. Theo quis ampliar a imagem da costura. Leo procurou o colar e depois perguntou se o pai também aparecia em alguma.
Rafael mostrou a que tirara com ela antes de sair.
O menor se inclinou, satisfeito.
"Essa pode ficar perto da nossa."
Lara olhou para a estante. Havia uma fotografia antiga de Paris, a da escola e os desenhos dos filhos.
"Vamos escolher uma moldura."
Leo correu buscar uma que estava guardada. Theo começou a discutir o tamanho da impressão. Os dois se afastaram, deixando a caixa de bolo aberta sobre a mesa.
O telefone de Lara vibrou novamente.
Dessa vez era Luana. Estava com a irmã, tinha passado por uma nova avaliação e continuaria o acompanhamento da gravidez. Perguntava se a indicação de um profissional para orientá-la ainda valia.
Lara enviou o contato combinado e perguntou se queria conversar.
A jovem ligou.
Falou do atendimento, depois de Bruno. A mãe dele também entrara em contato, oferecendo que fosse para a casa da família.
"Agora querem saber se comi, onde dormi, quando faço exame", disse. "No restaurante ele me deixou no chão."
Lara ficou quieta, ouvindo.
"Você vai?"
"Quero entender o que estão prometendo. Mas não vou sozinha."
Lara achou bom ouvir isso. Não tentou decidir o restante por ela.
Luana informou que encaminharia as mensagens guardadas ao profissional que consultaria. Algumas mencionavam transferências entre as empresas e nomes que não reconhecia.
"Talvez ajudem no que fizeram com você."
"Se ajudarem, ele me avisa. Primeiro veja o que precisa para você e o bebê."
Depois da ligação, Lara permaneceu perto da janela.
Rafael se aproximou e lhe ofereceu um pedaço do bolo num prato.
"Você esqueceu de provar."
Ela aceitou e encostou o ombro no dele.
"Eu não quero passar o dia acompanhando o que acontece naquela casa."
"Então não vamos."
"Se chegar alguma coisa importante, você me conta? Sem tentar resolver tudo antes."
Rafael assentiu.
Da sala, Leo gritou que a moldura era pequena demais. Theo respondeu que a cabeça do pai não era culpa da moldura.
Lara começou a rir e voltou para perto dos filhos.
Mais tarde, já na empresa, Rafael recebeu uma chamada de Lucas.
O sistema que ajudara a revisar para uma empresa parceira apresentara uma sequência incomum de acessos. Não parecia uma tentativa de apagar dados. Alguém estava testando caminhos e desistindo antes de deixar um endereço completo.
Rafael abriu o computador do escritório reservado e examinou os registros.
Reconheceu a maneira de interromper uma sequência.
Sob o nome Noite, respondeu ao desafio que encontrara.
No outro lado da conexão, uma pequena janela surgiu na tela de Theo.
O menino deixou de mastigar o último pedaço de bolo.
"Lua. Vem ver uma coisa."
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