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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 33

正文开头

Ele ficou na altura dos pés dela

Rafael afastou uma cadeira junto à parede e esperou Lara se sentar. Depois se agachou diante dela.

Ela segurou seu ombro antes que alcançasse a fivela.

"O que você está fazendo?"

"Quero ver onde machucou."

"Aqui?"

Rafael olhou ao redor. O salão continuava cheio, embora a música já estivesse mais baixa e alguns convidados procurassem os casacos.

"Você prefere ficar em pé?"

Lara apertou os lábios. Ele tinha um jeito desagradável de fazer uma pergunta razoável justamente quando ela precisava de uma desculpa.

"Eu consigo tirar."

"Então tire. Eu seguro sua bolsa."

Recebeu a bolsa, recuando o suficiente para lhe dar espaço. Lara tentou alcançar a fivela sem puxar a saia, mas o fecho escapou dos dedos duas vezes.

Ele aguardou.

Ela ergueu os olhos.

"Você está esperando eu pedir?"

"Estou tentando descobrir qual das duas coisas vai incomodar menos."

Lara riu e soltou seu ombro.

"Pode ajudar."

Rafael apoiou o pé dela sobre o próprio joelho e abriu a tira com cuidado. A parte de trás do sapato saiu devagar, revelando a pele ferida no calcanhar.

O sorriso dele desapareceu.

"Desde quando está assim?"

"Começou a incomodar depois das fotografias."

"Você estava andando de um lado para o outro."

"Eu queria conversar com as pessoas."

Ele olhou para ela, e Lara se preparou para ouvir que deveria ter dito alguma coisa antes.

"Eu podia ter trazido uma cadeira."

A resposta a deixou quieta.

Bianca se aproximou com o casaco no braço e percebeu o sapato nas mãos dele.

"Eu tenho um par de sapatilhas no carro. Acho que são maiores que o seu número, mas dá para sair daqui."

Lara sorriu, agradecida.

"Você salvou minha noite mais de uma vez."

"Da próxima vez eu gostaria de ser convidada só para comer e conversar."

"Vou colocar no convite."

Henrique foi buscar o par com ela. Rafael pediu à supervisora do hotel um pequeno kit de primeiros socorros e colocou o outro sapato ao lado da cadeira.

Lara acompanhou o movimento de suas mãos. Ele havia passado a noite cumprimentando empresários, sendo procurado por gente que esperava alguns minutos de atenção. Agora examinava uma fivela fina como se não tivesse nenhum compromisso melhor.

"Você vai estragar a calça", disse ela.

"É uma calça."

"Uma calça cara."

"Quer que eu apresente a nota antes de continuar?"

Ela soltou uma risada e passou os dedos pelo cabelo dele, ajeitando a mecha que caíra na testa.

Rafael levantou os olhos.

O gesto tinha vindo sem preparação. Lara percebeu isso e, pela primeira vez naquela noite, não sentiu vontade de recolher a mão.

"Você está bonito", disse.

Ele olhou para os próprios joelhos dobrados.

"Demorou bastante para me avisar."

"Eu estava ocupada recebendo elogios."

Rafael sorriu.

Quando a supervisora voltou, ele deixou Lara limpar o pequeno ferimento e ajudou a prender o curativo onde ela não alcançava direito. Não apertou. Conferiu as bordas antes de afastar a mão.

正文1

"Assim?"

Ela movimentou o tornozelo.

"Assim."

Étienne apareceu com Laurent enquanto Bianca retornava com as sapatilhas.

O professor parou diante da cena, apoiado na bengala.

"Você passou semanas ajustando o vestido e esqueceu a parte que precisava carregar o vestido inteiro."

"Eu testei os sapatos. Não testei por tantas horas."

"Na próxima vez, teste enquanto trabalha. Se conseguir terminar um molde com eles, pode enfrentar um jantar."

Lara riu. Rafael calçou a sapatilha no pé dela, que ficou um pouco larga, mas não tocava na ferida.

Étienne lhe entregou uma pequena pasta que Laurent carregava.

Dentro estavam as fotografias das peças e algumas observações anotadas durante as apresentações.

"Não é para abrir hoje", avisou.

Lara já tinha levantado a capa.

O professor tocou a borda com um dedo.

"Eu conheço você. Hoje vai para casa."

Ela fechou a pasta, sorrindo.

Ao se despedir, abraçou-o por mais tempo.

"Obrigada pelo que disse."

Étienne acariciou suas costas.

"Você não precisa agradecer toda vez que fico orgulhoso. Eu ficaria sem tempo para reclamar das suas mangas."

Lara soltou uma risada junto ao ombro dele.

Quando se afastou, os olhos estavam úmidos. Laurent lhe desejou uma boa noite e prometeu enviar a fotografia dos três.

Rafael recolheu os sapatos, a bolsa e a pasta. Lara estendeu a mão para pegar alguma coisa.

Ele lhe ofereceu o braço.

"Isso aqui você pode levar."

Ela aceitou.

No carro, deixou os pés descansarem sem os sapatos. Mauro dirigia, e a divisória permitia que conversassem baixo sem disputar com o ruído da rua.

Durante alguns minutos, Lara só olhou pela janela.

Rafael não perguntou imediatamente o que estava pensando. A mão dele ficou aberta entre os dois, sobre o banco, até ela encostar a sua.

"Eu gostei de ouvir meu nome", disse por fim.

Ele virou o rosto.

"Quando o professor me chamou. Eu sabia que iam fazer perguntas. Algumas pessoas vão dizer que só gostaram do vestido depois que souberam quem me ensinou."

"Os votos foram antes."

"Eu sei. É disso que quero lembrar."

Lara olhou para a pasta no banco.

"Durante anos, quando meu nome aparecia em algum lugar, eu tinha vontade de fechar a página. Hoje as pessoas perguntaram sobre uma coisa que eu fiz."

Rafael apertou seus dedos.

"Você respondeu muito bem."

Ela sorriu.

"Você entendeu alguma coisa?"

"A parte sobre não deixar a roupa bonita só quando a pessoa está parada."

"Essa foi importante."

"Eu estava prestando atenção."

Lara se aproximou e encostou a cabeça no ombro dele. Rafael acomodou a mão na sua cintura.

O corpo dela finalmente começou a reconhecer o cansaço. Tinha passado horas em pé, falado com desconhecidos, revisto um medo antigo e encontrado o professor no meio de tudo aquilo.

"Você ficou muito quieto depois do corredor", murmurou.

Ele levou alguns segundos para responder.

"Eu estava tentando não levar você embora sem perguntar."

Lara ergueu a cabeça.

"Você queria?"

正文2

"Queria. No momento em que me contou da bebida."

Ela observou seu rosto. Rafael não tinha a expressão satisfeita de quem se comportara bem e esperava um prêmio.

"Eu não ia entrar naquele quarto."

"Quando cheguei, eu ainda não sabia o que você ia fazer. Só vi Priscila perto de uma porta e você segurando uma taça."

A voz saiu mais áspera na última frase.

Lara deslizou a mão até o pulso dele.

"Por isso eu fui falar com você."

"Eu sei. Depois você voltou ao corredor."

"Com Bianca e a equipe perto."

"Perto não é a mesma coisa que ao seu lado."

Lara se endireitou, sentindo a própria irritação surgir antes que pudesse escolher uma resposta.

"Se eu tivesse ido embora, teria passado a noite pensando que outra vez fizeram uma coisa comigo e eu precisei desaparecer. Eu não queria dar isso a elas."

Rafael baixou os olhos para as mãos dos dois.

"Não estou pedindo que faça isso."

"Parece."

Ele demorou um pouco.

"Estou dizendo que tive medo. Não sei falar disso sem começar a procurar o que podia ter impedido."

Lara perdeu a resposta preparada.

O homem olhou para ela outra vez.

"Passei cinco anos sem saber onde você estava. Agora sei o caminho da sua casa, o horário da escola, como você fica quando está com sono. Não consegui olhar aquela porta sem pensar no que eu perderia."

Ela se aproximou, tocando seu rosto.

"Eu também não quero perder isso."

Rafael segurou sua mão e beijou a parte de dentro dos dedos.

"Então me deixe ficar do seu lado quando precisar enfrentar alguma coisa. Mesmo se achar que consegue sozinha."

Lara assentiu devagar.

"Mas você precisa me ouvir quando eu disser que quero ficar."

"Hoje eu ouvi."

Ela olhou para os sapatos no chão do carro.

"Ouviu. E encontrou outra coisa para mandar."

Rafael acompanhou seu olhar.

"Nesses sapatos você não volta para casa."

Lara começou a rir. Ele a puxou para perto, e dessa vez ela acomodou a cabeça no seu peito.

Quando chegaram ao apartamento, os meninos ainda estavam com os avós. Teresa já havia avisado que dormiam e que Mauro poderia buscá-los pela manhã.

Lara ligou para agradecer. Antes que conseguisse perguntar pela noite, ouviu a voz de Leo ao fundo.

"Eu acordei porque você estava falando de mim."

"Eu nem disse seu nome, Lua."

"Mas pensou."

Teresa riu e colocou a chamada no vídeo. Leo apareceu com o cabelo amassado e uma marca de travesseiro na bochecha.

Theo estava atrás, enrolado numa manta.

"O professor gostou?", perguntou o mais velho.

"Gostou. Amanhã eu mostro as fotografias."

Leo aproximou o rosto da tela.

"Você ainda está bonita?"

Lara olhou para o próprio vestido, agora um pouco amarrotado.

"Um pouco cansada."

Rafael se inclinou ao lado dela.

"Continua bonita."

Leo sorriu, satisfeito com a avaliação.

Theo percebeu os sapatos na mão do pai.

"Quebrou?"

正文3

"Machucou meu pé", explicou Lara.

O menino franziu a testa.

"Então não usa amanhã."

Ela olhou para Rafael.

"Mais um."

"A recomendação foi muito sensata", respondeu ele.

Teresa tomou o telefone de volta antes que os meninos resolvessem despertar completamente. Lara mandou beijos, ouviu dois pedidos diferentes de café da manhã e desligou com o sorriso ainda no rosto.

No quarto, trocou o vestido por uma roupa leve. Ao voltar à sala, encontrou Rafael colocando um copo de água junto ao sofá.

Havia também uma torrada no prato.

Ela parou à entrada.

"Você fez?"

Ele examinou o pão, que não tinha nenhuma parte queimada.

"Pode comer sem medo. Não usei o fogão."

Lara sentou, rindo, e pegou um pedaço.

Rafael acomodou uma almofada para que ela apoiasse os pés. Depois se sentou ao lado e soltou o primeiro botão da camisa.

Ela encostou o prato no colo.

"Seu braço não precisa de ajuda hoje."

O homem olhou para ela, entendendo a lembrança.

"Infelizmente."

Lara o beijou antes que encontrasse uma provocação melhor. O prato quase escorregou, e Rafael precisou segurá-lo com uma mão enquanto a outra permanecia na cintura dela.

Ela se afastou, rindo contra sua boca.

"Está vendo? Você já faz duas coisas ao mesmo tempo."

"Três. Estou tentando não pedir para ficar."

A franqueza lhe aqueceu o rosto.

Lara pegou o prato, colocou sobre a mesa e voltou a encostar nele.

"Fica um pouco. Eu queria uma parte da noite só nossa."

Rafael beijou seu cabelo e deixou o telefone virado para baixo. A pasta do professor permaneceu fechada sobre a mesa.

Por alguns minutos, nenhum dos dois procurou outra coisa para fazer.

Do outro lado da cidade, Priscila ainda estava acordada quando Bruno abriu a porta do quarto.

Ela esperava outra discussão sobre Vinícius. Em vez disso, ele colocou o telefone sobre a cama.

Luana havia enviado uma mensagem avisando que procuraria orientação sobre a gravidez e sobre as conversas que guardara.

Priscila leu até o fim.

"Que conversas?"

Bruno estendeu a mão para tirar o aparelho, mas ela o afastou.

"Que conversas, Bruno? E por que ela está falando de dinheiro que você recebeu do meu pai?"

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