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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 32

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A quarta discípula

Priscila surgiu na passagem, tentando fechar o vestido com uma mão e afastar Vinícius com a outra.

Ele estava sem o paletó, com a camisa aberta no colarinho e uma expressão que perdeu rapidamente a arrogância ao reconhecer o grupo.

O quarto não mostrava uma convidada sem forças.

Mostrava duas pessoas interrompidas numa escolha que gostariam de esconder.

Bruno, que seguira os demais, parou à entrada.

Por um instante, pareceu não compreender que a mulher diante dele era sua esposa.

"Priscila."

Ela olhou para o marido, depois para os convidados.

Verônica ficou tão pálida que o gerente lhe perguntou se precisava sentar.

"Isso não era..."

A frase terminou sem uma explicação.

Lara apareceu ao lado de Rafael.

Priscila a viu e perdeu a última parte do controle.

"Você armou isso."

Lara sustentou seu olhar.

"Eu não coloquei você nesse quarto."

Vinícius pegou o paletó e tentou passar, mas o gerente lhe pediu que permanecesse para esclarecer a utilização da sala. O pai dos irmãos, Augusto Duarte, chegou pouco depois, atraído pela movimentação e pela notícia de que os filhos estavam envolvidos.

O homem passou os olhos por Verônica, pelo rapaz e por Priscila. Percebeu que nenhuma das três respostas seria simples.

Bruno avançou na direção da mulher e segurou seu braço com força.

Rafael se colocou perto o suficiente para impedir que o movimento continuasse.

"Solte."

Bruno olhou para ele, furioso.

"É minha mulher."

"E você não vai bater nela aqui."

O gerente chamou os responsáveis pela segurança. Bruno recuou, lançando à esposa um olhar que não prometia uma conversa tranquila.

Lara não o observou com prazer. Sua irmã tinha escolhido uma mentira cruel, mas aquilo não tornava o braço apertado uma cena agradável.

Verônica tentou recuperar a história do colar.

"Eu só queria encontrar minha joia."

Bianca, perto de Lara, olhou para a bolsa que a empresária carregava.

O gerente pediu que conferisse ali antes de continuar a busca.

Verônica hesitou.

O colar apareceu num compartimento interno, colocado com cuidado demais para ter caído.

O silêncio dos convidados ficou mais pesado.

Lara falou antes que Priscila tentasse outra acusação.

"No corredor, vocês insistiram em me levar para essa sala. Disseram que não precisava chamar Rafael. O funcionário que preparou a porta já foi identificado pelo hotel."

Priscila abriu a boca.

Bianca mostrou o registro do encontro à gerência. Não colocou no salão imagens íntimas nem entregou uma história pronta aos curiosos.

Entregou as palavras usadas pelas próprias mulheres e a sequência que testemunhara.

Étienne ouviu a explicação, sério. Laurent ficou perto dele, acompanhando os responsáveis pelo evento enquanto decidiam os próximos passos.

A taça oferecida a Lara estava preservada. As instruções dadas ao funcionário não desapareceriam porque a busca pelo colar tinha falhado.

Verônica tentou dizer que ajudava uma convidada passando mal.

"Então por que precisou dessa história de colar?", perguntou Bianca.

Não houve uma resposta que coubesse no que todos tinham visto.

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Augusto pediu que os filhos o acompanhassem para uma conversa reservada com a gerência. Priscila saiu com Bruno, cercada pelos olhares que pretendia dirigir à irmã.

O hotel registraria o ocorrido e entregaria as informações necessárias às autoridades. A noite não terminaria com a simples troca de uma versão por outra.

Quando o grupo começou a voltar, Rafael olhou para Lara.

"Você está bem?"

Ela respirou fundo.

"Estou. Só não quero ficar aqui ouvindo todos inventarem o resto."

Ele assentiu e a acompanhou.

Bianca ficou do outro lado. Henrique esperava no salão e se levantou ao vê-las.

Não perguntou por detalhes diante de curiosos. Ofereceu água, e Lara aceitou.

Étienne pediu alguns minutos antes de retomar o jantar. Não fingiu que nada acontecera, mas também não permitiu que a tentativa de humilhar uma convidada se tornasse o assunto exclusivo de uma noite preparada para mostrar trabalho.

Laurent terminou a apuração dos votos recolhidos antes da confusão.

O vestido de Lara e o de Verônica tinham recebido a mesma quantidade: cento e oito cada um. As outras peças dividiam o restante dos votos válidos.

Um convidado perguntou pelas duas cédulas que faltavam no total anunciado.

Étienne olhou para Laurent e depois para Lara.

"Nós dois não votamos."

O comentário despertou a curiosidade que o restante da noite quase havia apagado.

"Por quê?", perguntou uma designer.

O professor chamou Lara com um gesto.

Ela se aproximou devagar, consciente dos olhos voltando ao vestido preto e ao rosto que, até pouco antes, algumas pessoas só relacionavam a Rafael.

Étienne ofereceu a mão.

"Esta é Lara Azevedo. Minha quarta discípula."

O salão ficou quieto por um segundo.

Depois as vozes vieram em surpresa, reconhecimento e perguntas que agora tinham outro motivo.

Lara segurou a mão do professor, emocionada.

"Ela preferiu por muito tempo apresentar os próprios desenhos antes de apresentar meu nome", continuou ele. "Eu respeitei. Hoje acho que também posso apresentar a pessoa de quem tenho orgulho."

Laurent ficou do outro lado dela.

"Eu não quis votar numa colega cuja evolução acompanhei tão de perto. O trabalho dela pode ser avaliado sem que nosso afeto decida o resultado."

Laurent entregou a lista à organizadora. Os dois nomes permaneceram juntos, com cento e oito votos ao lado de cada um. Uma assistente guardou as fichas e pediu aos convidados que deixassem livre a passagem para as últimas apresentações.

Lara gostou de saber que seu vestido recebera atenção sem precisar do anúncio.

Étienne pediu que ela desse um passo para o lado. Observou a dobra que se formou junto ao quadril e ergueu um dedo, pensativo.

"Você ainda quer mudar alguma coisa", disse Lara, reconhecendo a expressão.

"Quero olhar melhor. É diferente."

Ela riu e girou devagar. O professor acompanhou o movimento da saia, depois assentiu, satisfeito. Lara pegou sua mão entre as duas por um instante. Estava quente, apesar do frio que ele sempre reclamava nos hotéis.

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"Está confortável?"

"Agora que você parou de fugir da fotografia, muito."

Laurent chamou a pessoa que segurava a câmera. Lara ficou ao lado do professor, ainda sorrindo quando o flash acendeu.

Uma mulher da equipe de outra marca se aproximou para perguntar como construíra o movimento da saia.

Dessa vez, não foi interrompida por uma acusação nem uma pergunta sobre o homem que a acompanhava.

Lara explicou a escolha do tecido e a mudança que fizera depois da primeira prova. Étienne ouviu, sorrindo com a mesma satisfação de quando a encontrara ajustando um casaco usado numa loja pequena.

A designer que fizera a pergunta observou a linha da cintura e quis saber quanto tempo o modelo levara.

Lara contou que a primeira ideia aparecera antes do convite, mas que o vestido só encontrara a forma final depois de várias provas.

"Você não deixou o desenho como estava?"

"Não funcionava do mesmo jeito no corpo. Eu queria que se movesse bem, não só que parecesse bom parado."

A mulher assentiu e pediu seu contato profissional.

Lara entregou o cartão da Maison Vallon com o próprio nome, sem tentar acrescentar ao papel tudo que Étienne acabara de dizer.

Outra convidada perguntou se pretendia apresentar uma coleção independente.

"Pretendo", respondeu. "Ainda estou construindo."

Étienne sorriu para ela.

"E vai continuar construindo amanhã. Não pense que um jantar termina o trabalho."

Lara riu, reconhecendo o professor que ouvira reclamar de mangas, proporções e preguiça de refazer uma linha.

"Eu sei."

Ele apertou sua mão.

Por um instante, a voz ficou menos pública.

"Hoje também pode aproveitar."

Lara o abraçou com cuidado. Quando se afastou, Laurent lhe ofereceu um sorriso que não tinha a solenidade de apresentar uma descoberta. Era apenas a alegria de ver a colega finalmente conhecida pelo nome.

Do outro lado, Rafael aguardava sem parecer irritado com o abraço. Tinha visto o rosto dela mudar e entendido que algumas pessoas haviam cuidado de partes da sua vida que ele só agora começava a conhecer.

Quando Lara voltou para perto, o homem não tentou dizer nada melhor que o professor. Tocou sua mão e recebeu o sorriso que ela já vinha preparando para ele.

Rafael ficou a poucos passos.

Ela olhou para ele entre duas respostas, e encontrou um orgulho tão claro que precisou sorrir antes de continuar.

Rafael levantou discretamente o polegar quando ela terminou a explicação. Lara quase riu no meio da resposta seguinte. Guardaria aquele gesto para contar aos meninos; parecia muito com o sinal que eles faziam quando uma peça difícil finalmente se encaixava no quebra-cabeça.

Mais tarde, Lara se afastou até uma mesa para respirar um pouco.

Rafael veio junto, sem pedir que encerrasse as conversas anteriores.

"Você estava me olhando", disse ela.

"Estava."

"Desde quando?"

Ele pensou por um instante.

"Desde que saiu do quarto com esse vestido."

Lara riu.

Rafael tocou a mão dela sobre a mesa, e o gesto a ajudou a soltar a última tensão dos ombros.

O telefone vibrou.

Teresa enviara uma fotografia dos meninos diante do quebra-cabeça. O barco tinha crescido, e Leo segurava um pedaço de bolo como se fosse parte do prêmio.

Havia uma mensagem de áudio.

Lara ouviu junto a Rafael.

Theo perguntava se a apresentação da mãe tinha dado certo. Leo queria saber se alguém tinha visto a joia.

Ela respondeu que sim às duas perguntas e mandou uma fotografia do vestido, sem colocar a confusão no meio da alegria que os filhos esperavam dividir.

Rafael a ajudou a enquadrar a imagem.

Quando guardou o aparelho, Lara deu um passo e sentiu o sapato pressionar um lugar dolorido no calcanhar.

Tentou disfarçar.

O homem percebeu imediatamente.

"Sua perna?"

"Meu sapato. Já estou nele há muito tempo."

Rafael olhou para o par, depois para o modo como ela apoiava o peso.

"Vamos sentar."

Lara ia dizer que não precisava.

Ao encontrar o olhar dele, preferiu aceitar a mão estendida.

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