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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 31

正文开头

Ela reconheceu o caminho para a armadilha

"Que peça você quer mostrar no andar de cima?"

Verônica demorou um instante.

"Um desenho novo. Trouxe algumas coisas para conversar com interessados."

"Podemos marcar com a equipe depois do jantar."

Priscila sorriu, tentando tornar a recusa uma falta de gentileza.

"Você está sempre ocupada para as pessoas."

Lara sustentou seu olhar.

"Para algumas, estou."

Bianca se aproximou e pediu ajuda para escolher uma fotografia das peças. Lara colocou a taça sobre uma mesa lateral antes de acompanhá-la.

Verônica olhou para o recipiente.

Não viu que quase todo o conteúdo permanecia ali.

Perto do corredor, Bianca falou baixo.

"A taça veio de outro lugar. Eu vi."

"Também achei estranho."

Lara olhou para trás. Priscila conversava com um funcionário do hotel e apontava discretamente uma passagem.

O gesto trouxe a noite do quarto 407 com uma nitidez que ela não queria receber num evento do professor.

Bianca percebeu sua expressão.

"Vamos falar com Rafael."

Lara assentiu. Não precisava provar coragem ficando sozinha outra vez.

Quando conseguiram se aproximar, ele estava cercado por dois empresários. Lara tocou seu pulso e disse o suficiente para que o rosto mudasse.

"Não bebi. Bianca percebeu comigo. Vamos confirmar o que estão tentando fazer."

Rafael olhou para a direção indicada.

"Você não vai subir com elas."

"Eu não vou ficar isolada. Quero que o hotel veja essa taça e o funcionário que está ajudando."

Ele chamou Lucas, que o acompanhara ao evento, e pediu contato imediato com a gerência. Não discutiu ali os detalhes da noite antiga. A mulher que estava diante dele já sabia o peso do que via.

Bianca ficou com Lara enquanto a equipe do hotel recolhia discretamente a bebida e verificava a movimentação do funcionário.

Verônica e Priscila continuavam observando.

Lara percebeu que esperavam um sinal de fraqueza.

Foi ao corredor, ainda à vista de Bianca, e apoiou uma mão na parede. Fechou os olhos por um instante, deixando que a impressão de tontura chegasse às duas mulheres antes de qualquer explicação.

Não precisou esperar muito.

Priscila apareceu.

"Você não parece bem."

Lara não respondeu depressa. O telefone continuava junto à bolsa, registrando o encontro que Bianca já preparara para acompanhar.

"Talvez seja o calor."

"Tem uma sala de descanso. Eu levo."

"Prefiro que chamem Rafael."

Priscila apertou seus dedos perto do cotovelo.

"Ele está ocupado. Você não precisa incomodar."

A frase fez Lara sentir frio por dentro. Tinha sido dita de outras maneiras durante anos.

Dessa vez não aceitou que decidisse o que aconteceria.

Verônica veio atrás, oferecendo uma porta que o funcionário acabara de abrir. Lara permaneceu junto à parede, fingindo mais fraqueza do que sentia, mas sem atravessar.

"Pode entrar", disse Priscila. "Nós vamos cuidar."

Lara olhou para a porta aberta.

"Quem preparou essa sala?"

As duas trocaram um olhar.

Verônica perdeu a paciência.

"Você não está em condição de fazer perguntas."

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Verônica conferiu a porta aberta e se afastou, dizendo que buscaria uma pessoa para ajudar. Deixou Priscila junto a Lara, convencida de que a resistência terminaria antes de voltar. Não ficou para ver quem realmente chegou ao corredor.

Bianca surgiu do outro lado do corredor.

"Ela está em condição de escolher quem fica com ela."

Priscila soltou o braço de Lara e tentou sorrir.

"Só estamos ajudando."

Uma supervisora do hotel chegou em seguida e informou que acompanharia a convidada. O funcionário que abrira a sala foi chamado por outro responsável.

Priscila recuou. Ainda não sabia quanto havia sido percebido.

Lara se afastou com Bianca e a supervisora para um espaço reservado, seguro. Rafael chegou pouco depois.

Ao vê-la de pé, respirou melhor. Depois examinou seu braço.

"Ela segurou você?"

"Soltou quando Bianca veio."

Ele olhou para a amiga e agradeceu com um movimento curto da cabeça.

O gerente informou que o funcionário tinha recebido uma instrução incompatível com a organização do evento. Havia uma sala indicada pelas próprias convidadas, sem pedido do anfitrião, e a bebida entregue à equipe precisaria ser preservada para verificação.

As gravações do encontro mostravam a insistência em afastar Lara do salão e em não chamar Rafael.

Ainda era necessário compreender a parte seguinte.

Lara ficou perto da porta, tentando recuperar a leveza que perdera.

Rafael percebeu o tremor nos dedos.

"Não precisa continuar."

Ela olhou para ele.

"Eu não quero desaparecer e deixar que contem o resto como quiserem."

O homem ficou quieto, ouvindo o que aquela frase significava.

"Então ficamos juntos."

Lara assentiu.

Antes de sair do espaço reservado, Rafael lhe ofereceu água. Ela segurou o copo por alguns segundos sem beber, olhando para a porta por onde o funcionário desaparecera.

"Eu queria que essa noite fosse só uma noite boa", disse.

Ele ficou perto.

"Ainda pode ter partes boas."

Lara olhou para ele, cansada de descobrir a mesma hostilidade usando roupas diferentes.

"Quando vi a taça, senti como se tivesse voltado para aquele corredor. Eu sabia que estava aqui, com gente perto. Meu corpo demorou mais para entender."

Rafael aproximou a mão da dela.

Lara encostou os dedos, aceitando.

"Eu olhei para você antes de vir", continuou. "Queria ter certeza de que não ia precisar explicar tudo sozinha depois."

"Você não vai."

Ela bebeu um pouco de água. A resposta simples não tornava Priscila menos perigosa, mas lhe devolvia a diferença entre a jovem que fugira sem ninguém e a mulher que agora podia chamar alguém pelo nome.

Bianca se aproximou para informar o que a supervisora do hotel confirmara. Lara ouviu, fez uma pergunta e começou a se recompor.

Rafael soltou a mão apenas quando ela precisou pegar o telefone. Permaneceu ao lado enquanto recebiam as informações, sem usar sua força para empurrá-la para fora da própria noite.

Quando Lara disse que queria voltar, ele pegou sua bolsa e esperou que estivesse pronta.

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Lara conferiu no espelho se o tecido estava preso na pulseira. Soltou a ponta com cuidado e alisou a saia, recuperando um gesto que conhecia desde as primeiras provas de roupa em Paris.

"Segura um instante?"

Rafael recebeu a bolsa e ficou esperando enquanto ela ajustava a alça do vestido. Quando terminou, Lara respirou fundo e olhou para Bianca.

"Vamos."

A amiga abriu a porta, verificou o corredor e estendeu a mão. Lara a apertou antes de seguir. Rafael caminhou junto, carregando a bolsa até que ela pedisse de volta. Na passagem para o salão, Lara ouviu novamente a música. Um garçom afastou a bandeja para deixá-los passar, e ela agradeceu com um aceno. Reconheceu a melodia e deixou que o passo encontrasse o ritmo.

No outro corredor, Vinícius encontrou Priscila sozinha.

Verônica voltara ao salão para preparar a segunda parte da história: uma joia perdida, gente curiosa, uma porta aberta no instante certo.

Priscila disse ao rapaz que Lara estava sendo acompanhada e que precisariam esperar uma nova oportunidade.

Ele ficou irritado, menos interessado em fingir uma conversa profissional do que estivera diante da irmã.

"Vocês fazem tudo complicado."

Priscila se aproximou.

"Você também podia ter chegado antes."

Não era a primeira vez que falavam daquele jeito. A aproximação entre os dois havia começado muito antes daquela noite, em encontros que nenhum dos dois tinha contado a Bruno.

Vinícius olhou para o corredor vazio e tocou sua cintura. Priscila não se afastou.

Tinha sido rejeitada pelo marido tantas vezes nos últimos meses que, naquele instante, escolheu aceitar a atenção de alguém que parecia desejá-la e desprezar Lara na mesma medida.

Entraram numa sala próxima, a mesma preparada para produzir um escândalo. Vinícius colocou a chave sobre a mesa e a beijou.

Os dois estavam acordados. Os dois escolheram permanecer.

Nenhum percebeu a pressa da própria imprudência.

No salão, Verônica tocou o pescoço e representou a descoberta.

"Meu colar."

Uma convidada se virou.

"O que aconteceu?"

"Eu estava usando. Descansei um pouco no andar de cima e agora..."

Étienne se aproximou com Laurent. Perguntou onde ela estivera e orientou que a gerência ajudasse a verificar o caminho.

Verônica insistiu que lembrava exatamente a sala.

O gerente do hotel, já informado do encontro no corredor, ouviu com atenção.

Lara saiu do espaço reservado junto a Rafael e Bianca. Ao perceber que o grupo já se formava no salão, mantiveram distância suficiente para não chamar atenção de Verônica, seguindo o que ela dizia à gerência.

A empresária apontou o acesso ao andar superior.

"Pode ter caído lá. Prefiro conferir agora."

Alguns convidados os acompanharam, atraídos menos pela possibilidade de ajudar do que pela promessa de alguma coisa para comentar depois.

Lara apertou a mão de Rafael.

Ele sentiu e a manteve perto.

Não sabiam ainda qual cena encontrariam do outro lado. Sabiam que não seria a versão em que ela apareceria sozinha, sem forças e sem voz.

Na porta indicada, Verônica fez um gesto de impaciência.

"É esta."

O gerente bateu antes de abrir. Ouviu uma resposta confusa, um movimento apressado e o som de uma coisa caindo.

Verônica perdeu a paciência.

"Meu colar pode estar aí."

Laurent ficou ao lado de Étienne. Rafael não soltou Lara.

Quando a porta finalmente se abriu, o primeiro rosto que apareceu não era o que Verônica esperava mostrar.

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