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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 30

正文开头

O vestido era dela

Lara terminou a última costura na véspera do jantar.

Deixou o vestido sobre o manequim e ficou olhando por alguns minutos, procurando alguma coisa que ainda precisasse mudar.

Theo apareceu à porta.

"Já está pronto?"

"Acho que sim."

Leo veio atrás e examinou a peça.

"Parece que você vai ficar muito alta."

"É o sapato que faz isso."

Ele olhou para o par separado junto à cadeira e pareceu compreender que havia um equipamento importante envolvido.

Na noite seguinte, os meninos ficariam com os avós, levados por Mauro depois que Lara conferisse tudo. Já conheciam a casa, e Antônio prometera continuar o quebra-cabeça do barco.

Leo ainda tentou negociar que poderiam ir ao jantar se ficassem quietos.

Theo o olhou com desconfiança.

"Você não fica quieto num almoço."

Lara sorriu e lhe entregou a mochila.

"Vocês vão ter uma noite boa também."

Rafael chegou antes da saída dos filhos e ouviu instruções para não deixar a mãe cansada demais.

"Eu vou tentar", respondeu.

Theo parecia satisfeito. Leo pediu uma fotografia do vestido e uma informação sobre a sobremesa.

Depois que os meninos saíram, Lara terminou de se preparar no quarto.

O vestido preto acompanhava o corpo sem depender de excesso de ornamento. A linha do colo deixava o colar visível, e a abertura da saia aparecia apenas quando caminhava.

Ela prendeu parte do cabelo, deixando o restante cair sobre os ombros.

Ao sair, encontrou Rafael esperando junto ao sofá.

O homem se levantou e ficou quieto.

Lara parou, desconfiada.

"Está estranho?"

Ele se aproximou devagar.

"Não."

"Você ficou com essa cara."

Rafael olhou para o desenho da peça, para a pedra junto ao colo e, finalmente, para o rosto dela.

"Eu estava tentando escolher o primeiro elogio."

Lara sentiu a satisfação subir junto ao calor nas bochechas.

"Pode começar pelo trabalho."

Ele tocou a costura lateral com a ponta dos dedos.

"Gosto de como ele muda quando você anda. Parece simples até se mover."

Era uma observação que ela não esperava receber.

"Foi o que eu tentei fazer."

"Conseguiu."

Rafael aproximou o rosto do dela, sorrindo.

"Agora posso elogiar quem está usando?"

Ela riu antes que o beijo breve chegasse.

Quando se afastou, percebeu que o colarinho dele tinha ficado um pouco fora do lugar. Aproximou as mãos para ajeitar.

Rafael permaneceu muito quieto, olhando para seu rosto.

"Você sempre fica assim quando eu arrumo sua roupa", disse Lara.

"Estou colaborando."

"Com cara de quem pretende dificultar."

Ele sorriu e colocou uma mão leve na cintura dela. Lara terminou o ajuste, mas não retirou as mãos imediatamente.

"Hoje você vai encontrar gente que quer falar do meu trabalho", lembrou.

"Eu quero ouvir."

"Sem interromper todo homem que chegar perto."

Rafael olhou para o vestido, depois para ela.

"Vou precisar de algum esforço."

Lara riu, satisfeita com a resposta sincera demais para parecer uma promessa perfeita.

Pegou a bolsa e foi até a porta. O homem a acompanhou, oferecendo o braço antes que ela precisasse procurar apoio nos sapatos altos.

正文1

Lara aceitou e percebeu que não se sentia conduzida a uma noite que ele decidira por ela. Ia a um encontro de pessoas do seu trabalho, usando uma peça sua, com alguém que queria estar perto.

Quando entraram no carro, fotografou o vestido para mandar aos filhos, cumprindo a promessa antes que Leo precisasse cobrar.

A resposta de Antônio veio com um áudio do menor: a mãe estava bonita, mas precisava olhar a ponte que eles tinham acabado de montar.

Rafael ouviu junto e começou a rir. Aquela era a competição de atenção que já sabia não conseguir vencer.

No Hotel Belvedere, o jantar de Étienne reunia designers, representantes de marcas e convidados interessados nas colaborações que a casa de moda buscava no Brasil.

Lara entrou com Rafael, mas não deixou que o braço dele fosse a única apresentação que teria naquela noite.

Cumprimentou Lourenço, conversou com colegas da Maison Vallon e respondeu perguntas sobre a própria roupa. Alguns a conheciam do trabalho. Outros começaram a conhecê-la ali.

Uma costureira que acompanhava a equipe reconheceu a alteração na saia e perguntou se a prova final dera certo.

Lara mostrou o movimento com um passo curto. A mulher sorriu, orgulhosa por ter participado de uma etapa que o restante dos convidados não conhecia.

Rafael percebeu a troca e guardou a pergunta para depois. Gostava de descobrir que cada detalhe aparentemente simples trazia outras mãos, outras tentativas e uma conversa que Lara podia contar com entusiasmo.

Rafael permaneceu perto até ela se sentir à vontade. Depois foi abordado por empresários que já esperavam falar com ele.

Ainda assim, seus olhos voltavam constantemente para ela.

Étienne a recebeu com um abraço carinhoso.

"Você terminou a parte que me preocupava."

"Terminei."

Ele a fez girar um pouco, observando o movimento da saia.

Lara riu, lembrando das provas no pequeno ateliê em Paris.

Rafael, a poucos passos, ficou sério o suficiente para que Laurent percebesse.

O discípulo mais velho sorriu discretamente.

"Ele tem oitenta e seis anos", comentou, baixo.

Rafael olhou para ele.

"Eu sei."

Laurent não tentou ajudá-lo a parecer menos evidente.

Bianca chegou com Henrique e se aproximou de Lara com um sorriso. A relação entre as duas já tinha outras conversas além daquela tarde do ateliê.

Falaram sobre os meninos, sobre o fim do noivado e sobre o vestido. Henrique elogiou o desenho sem tocar na peça.

Rafael ficou ao lado de Lara no instante seguinte.

Ela percebeu e colocou a mão no braço dele.

"Você ia se comportar."

"Estou cumprimentando."

"Com muita eficiência."

O homem sorriu, e Henrique recebeu o cumprimento com tranquilidade.

Ao longo da noite, Laurent organizou uma apresentação informal das peças usadas por algumas designers convidadas. Não era o concurso internacional, apenas uma maneira de mostrar soluções, comparar ideias e permitir que o público votasse nas roupas de que mais gostava.

Lara aceitou participar quando Étienne pediu.

Rafael olhou para ela com orgulho que já não conseguia esconder.

正文2

Do outro lado do salão, Priscila observava.

Tinha escolhido um vestido chamativo e esperava ocupar uma parte importante da atenção. Encontrou a irmã sendo cumprimentada por pessoas que não lhe perguntavam nada sobre o escândalo antigo.

A pedra negra junto ao colo de Lara completava o que queria odiar.

Verônica Duarte se aproximou, usando o colar claro comprado no mesmo leilão.

Era diretora da VD Studio, acostumada a transformar cada presença num anúncio da própria marca. Tinha conhecido Rafael em eventos, sem jamais conseguir uma conversa tão fácil quanto a que Lara recebia apenas ao se virar para ele.

"Ela está com o diamante", disse Priscila.

Verônica já tinha visto.

"Eu tenho olhos."

A resposta não impediu a outra de continuar.

"Não sei quanto tempo ele vai manter esse interesse."

"Não parece tão pouco."

Priscila ficou quieta, irritada por ouvir a conclusão que tentava evitar.

Vinícius, irmão de Verônica, apareceu com um copo na mão. Conhecia Priscila e gostava da facilidade com que ela aceitava conversas que o resto das pessoas preferia encerrar.

Olhou para Lara sem disfarçar o interesse.

"Vocês estão preocupadas com a mesma pessoa?"

Verônica lançou um olhar para ele.

Priscila sorriu.

Os três se afastaram para um canto menos movimentado. Não precisaram falar por muito tempo para recuperar uma ideia que já tinham discutido antes do jantar.

Uma bebida. Uma sala de descanso. Uma busca por uma joia desaparecida.

O restante dependeria das pessoas que aparecessem para olhar.

Perto da mesa de apresentação, Lara ouviu Étienne comentar o trabalho de uma jovem designer e se lembrou do quanto gostava de vê-lo ensinar sem humilhar.

Foi por isso que o primeiro elogio de Priscila lhe pareceu estranho.

"Seu vestido ficou bom."

Lara se virou.

"Obrigada."

Não acrescentou outra coisa.

Verônica apareceu ao lado, com duas taças de bebida sem álcool.

"Estamos tentando fazer as pazes por uma noite", disse, oferecendo uma.

Lara recebeu sem beber.

Conhecia a concorrente pelo nome e pela marca. Não conhecia nenhuma razão para que estivesse interessada em fazer as pazes.

Rafael foi chamado por um representante perto do outro lado do salão. Lara o viu se afastar, ainda atento a ela.

Bianca, próxima, percebeu que uma das taças não viera da bandeja usada pelo restante dos convidados.

Pouco antes, Lara lhe mostrara uma mensagem dos meninos. Theo perguntava se o professor também ganharia bolo; Davi queria saber se a mãe já tinha comido. Bianca rira e recomendara que mandasse uma fotografia da mesa de doces. Agora o telefone estava guardado, e Lara observava a bebida com uma atenção que não combinava com aquela conversa tranquila.

Bianca acompanhou o olhar da amiga até Priscila. Reconheceu a impaciência atrás do sorriso, a mão insistente indicando o corredor. Aproximou-se mais um passo, deixando livre o caminho para Lara voltar ao salão. Se a amiga quisesse sair dali, encontraria alguém ao lado.

O detalhe seria pequeno em outra conversa.

Com Priscila parada ao lado, não pareceu pequeno.

Verônica falou de uma peça que precisaria mostrar no andar superior. Priscila concordou, sorrindo com a facilidade que Lara conhecia bem demais.

A designer olhou para a taça em sua mão.

Cinco anos antes, aceitara um convite sem fazer a segunda pergunta.

Dessa vez, começou por ela.

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