"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 29
Ela também o amava
"Porque eu amo você."
Lara deixou de olhar para a pedra.
Rafael estava diante dela, perto do carro, a caixa aberta entre os dois. Mauro já acomodara os meninos no banco de trás, mas ninguém parecia disposto a se afastar muito da conversa.
"Não comprei para você dizer sim a alguma coisa", continuou ele. "Vi a peça, pensei em você e quis dar."
Ela tentou responder.
A garganta não ajudou.
Rafael não se aproximou mais. Esperou, embora a própria respiração tivesse perdido a serenidade do leilão.
Lara tocou a borda do veludo.
Não era o preço que a deixava sem palavras. Era ouvir de um homem que ela havia conhecido aos poucos que todos aqueles gestos tinham um nome.
O café entregue cedo. A paciência com os meninos. A presença na cozinha depois do galpão. A atenção ao desenho que ninguém mais precisava ver para continuar respeitando seu trabalho.
E a viagem em que ela finalmente deixara de chamar sua falta de outra coisa.
"Rafael."
Ele ergueu o rosto.
Lara sorriu com os olhos úmidos.
"Eu também amo você."
O homem ficou imóvel.
Não parecia ter entendido depressa o suficiente para comemorar.
Leo, pelo vidro aberto, entendeu imediatamente.
"Eu falei!"
Theo o puxou pela manga, mas não conseguiu esconder o próprio sorriso.
Rafael soltou uma risada curta e se aproximou de Lara. Ela apoiou a mão no peito dele, não para afastar, mas para dar um lugar ao que sentia.
Ele tocou seu rosto.
"Você tem certeza?"
Lara riu, emocionada.
"Você estava tão confiante há um minuto."
"Essa resposta é importante."
Ela assentiu.
"Tenho."
Rafael a abraçou. Sem ferimentos a proteger, conseguiu mantê-la perto com os dois braços, e Lara se deixou acomodar ali.
Theo fechou a própria mão, satisfeito. Leo começou uma comemoração que Mauro precisou moderar com uma lembrança sobre a garagem.
Quando Rafael se afastou, sua expressão já preparava uma proposta maior.
Lara percebeu.
"Mas eu não vou casar agora."
O sorriso dele diminuiu apenas o suficiente para que ela quase pedisse desculpas.
Não pediu.
"Quero estar com você. Não quero decidir todo o restante porque acabamos de dizer isso."
Rafael passou o polegar junto à mão dela.
"O que falta?"
"Eu ainda tenho coisas para terminar. Minha coleção, a competição que quero disputar, o que minha família tentou fazer com meu nome. Eu quero construir uma marca. Não sei quanto tempo tudo vai levar."
Ele ouviu sem procurar uma solução pronta.
Lara continuou, menos firme agora que precisava expor a parte difícil.
"Eu sei que poderia deixar muita coisa com você. Mas não quero olhar para minha vida e achar que a única saída que encontrei foi um casamento. Preciso terminar algumas escolhas por mim."
Rafael ficou olhando para ela.
"Você acha que precisa merecer estar comigo?"
A pergunta atingiu um medo que ela não formulara com tanta clareza.
Lara baixou os olhos por um instante.
"Às vezes."
Ele esperou que o olhasse de novo.
"Eu me apaixonei pela mulher que você já é. Não por uma versão futura que eu esteja esperando aprovar."
As lágrimas vieram antes que conseguisse segurar.
Rafael as enxugou com cuidado.
"E posso esperar o casamento. Não preciso que você abandone o que quer fazer."
Ela respirou fundo.
"Você consegue esperar sem me perguntar toda semana?"
O homem pensou, sério demais por um instante.
"Posso prometer não perguntar toda semana."
Lara começou a rir. Ele a acompanhou, satisfeito por ouvir o som em vez de outra defesa.
Leo se inclinou de novo pela janela.
"Então acabou a conversa?"
Theo olhou para ele, censurando a falta de paciência.
"Eu só queria saber se pode ficar feliz agora."
Lara se aproximou dos filhos e recebeu a mão do menor.
"Pode. Mas não precisa fazer uma festa no carro."
Leo pareceu considerar a restrição difícil. Theo assentiu com a dignidade de quem aceitaria comemorar depois em outro lugar.
Rafael guardou a caixa e abriu a porta para ela.
Antes de entrar, Lara tocou seu braço.
"Eu vou aceitar a joia."
Ele sorriu.
"Já é sua."
"Sem virar argumento no próximo pedido."
"Vou precisar encontrar outro argumento."
Lara pousou a mão sobre a dele.
"Você pode me chamar para sair sem apresentar um argumento."
Rafael olhou para os dedos dela, depois para seu rosto.
"Então vou chamar."
"E eu vou responder."
Ela sorriu, imaginando uma mesa pequena, uma conversa demorada e o telefone guardado. Fazia tempo que um encontro não lhe parecia algo que também podia desejar para si.
Ela balançou a cabeça, sorrindo.
No caminho, os meninos fizeram perguntas sobre coisas muito práticas. Se o pai passaria mais tempo com eles. Se a mãe iria conhecer a casa inteira. Se poderiam continuar telefonando quando quisessem mostrar um desenho.
Lara e Rafael responderam uma a uma. A palavra amor não apagava a necessidade de horários, de trabalho, de escola.
Mas deixava mais simples imaginar que haveria quatro pessoas organizando tudo aquilo.
Leo voltou à pergunta que considerava mais urgente.
"Você vai dormir na nossa casa hoje?"
Rafael olhou para Lara, deixando que a resposta passasse por ela também.
"Hoje eu vou para a minha", disse ele. "Podemos jantar juntos amanhã."
O menino pareceu decepcionado por descobrir que uma declaração de amor não resolvia imediatamente a cama do quarto de hóspedes.
Theo ficou pensativo.
"Mas vocês estão juntos."
"Estamos", confirmou Lara.
"Então a gente pode falar para o avô?"
Ela sorriu.
"Pode falar que estamos felizes. Não precisa prometer uma festa que ninguém marcou."
Leo assentiu e olhou para o pai.
"Ele vai gostar."
"Sua avó também", disse Rafael.
Lara encontrou o olhar dele e sentiu uma emoção diferente da que a joia provocara. Não tinha a ver com receber uma coisa cara. Tinha a ver com imaginar pessoas esperando por ela sem que precisasse entrar na sala pedindo desculpas por existir.
Ao chegarem, Theo esperou que a mãe terminasse de guardar a caixa antes de se aproximar.
"Você está feliz mesmo?"
Ela se ajoelhou diante dele.
"Estou, Sol."
O menino parecia avaliar se havia uma parte escondida da resposta.
Lara segurou suas mãos.
"Eu sei que vocês queriam muito. Mas não estou dizendo isso só para deixar vocês felizes. Eu quero também."
Theo finalmente sorriu e a abraçou. Leo veio atrás, encostando nos dois sem pedir espaço.
Rafael ficou perto até que Lara erguesse o rosto para chamá-lo com um gesto. Aproximou-se e recebeu os três, ainda surpreso com a facilidade de ser convidado para aquele lugar.
No apartamento, Leo correu para procurar o telefone dos avós. Theo ficou com Rafael e pediu que não contasse ainda sobre o avental, porque o irmão queria fazer a revelação por vídeo.
Lara observou os três de longe.
Tinha voltado ao país pensando no que lhe fora tirado. Agora havia uma cena diante dela que ninguém poderia colocar numa notícia antiga.
Rafael se aproximou quando os meninos foram ao quarto.
"Posso?"
Mostrou a caixa.
Lara assentiu.
Ele tirou o colar e passou para trás dela. Seus dedos afastaram o cabelo com cuidado, e o metal tocou a pele fria no primeiro instante.
Depois veio o calor da mão dele.
Lara ficou quieta enquanto fechava.
Rafael a conduziu até o espelho da sala.
A pedra parecia diferente ali, junto à camiseta simples e ao rosto ainda emocionado.
"É bonito", disse ela.
Ele olhou pelo reflexo.
"É."
Mas não estava olhando para a pedra.
Lara se virou para ele, reconhecendo a resposta, e o beijou antes que Rafael precisasse buscar outro jeito de se aproximar.
Dessa vez não houve um susto, um pedido dos meninos ou a desculpa de despedida.
Só a vontade dos dois.
Quando se afastaram, Lara manteve a mão junto à camisa dele.
"Eu não sou muito boa nisso", admitiu.
"Em beijar?"
Ela riu, batendo de leve no braço dele.
"Em acreditar que uma coisa boa pode continuar."
Rafael segurou seus dedos.
"Eu também estou aprendendo."
Lara olhou para ele e não precisou escolher uma frase mais inteligente. Ficou perto por mais um instante, aproveitando a resposta antes que os meninos voltassem para perguntar quem atenderia a ligação da avó.
Mais tarde, quando ficou sozinha para trabalhar, colocou a caixa perto do vestido quase pronto. O convite de Étienne estava ao lado.
Não queria usar a joia para parecer alguém que não era. Gostava de vê-la junto a uma peça que construíra com as próprias mãos.
No fim da tarde, o professor telefonou para perguntar sobre os ajustes.
Lara explicou a última mudança na cintura. Ele ouviu, deu uma observação curta e perguntou se Rafael a acompanharia.
Ela sorriu.
"Vai."
"Então diga a ele que precisa deixar você conversar com seus colegas."
Lara começou a rir, lembrando do aeroporto e da pilha de exercícios.
Quando contou a Rafael, o homem respondeu que saberia se comportar.
Leo ouviu do sofá e lançou um olhar para Theo.
Os dois não pareceram convencidos.
Na outra casa, Priscila segurava o convite do mesmo evento, decidida a chegar com um vestido que ninguém esqueceria.
Pela primeira vez desde a volta de Lara, não queria apenas evitar uma derrota.
Queria preparar uma cena que a irmã não conseguiria explicar.
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