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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 27

正文开头

A costura que ninguém tinha visto

"Étienne Moreau é seu professor?", perguntou Rafael.

Lara passou os dedos pelo convite.

"É."

O homem conhecia o nome. A casa de moda, o trabalho que atravessara décadas, os profissionais que tinham aprendido com ele.

Conhecia três discípulos reconhecidos publicamente.

Lara não estava nessa lista.

Ela percebeu a pergunta antes que viesse.

"Eu nunca quis começar uma conversa mostrando o nome dele em vez do meu trabalho."

"Ele sabe?"

"Sabe. Reclama às vezes. Depois fala que eu sou teimosa e manda estudar mais."

Theo se aproximou.

"Ele também reclama quando o Leo encosta nas amostras."

"Porque eram pequenas", explicou o irmão. "Eu precisava olhar de perto."

Lara riu, e Rafael percebeu que aquele homem estrangeiro fazia parte de lembranças domésticas que ele ainda não conhecia.

Três dias depois, encontraram Étienne num espaço reservado do hotel onde ficaria hospedado. Ele esperava com uma bengala junto à poltrona e o olhar atento de quem não perdera a capacidade de perceber um corte errado.

Lara entrou e, por um instante, deixou de parecer a mulher que organizava tudo para os outros.

"Professor."

Étienne abriu os braços.

Ela se inclinou para abraçá-lo, cuidadosa e emocionada. Os meninos aguardaram até ele chamar os dois.

Leo se aproximou primeiro.

"Eu cresci."

"Percebi. Suas perguntas cresceram também?"

"Um pouco."

Theo entregou um desenho dobrado. O professor abriu com cuidado e elogiou a linha de um prédio.

O menino sorriu, orgulhoso.

Rafael foi apresentado depois. Étienne o examinou por alguns segundos antes de estender a mão.

"Então é o pai."

"Sou."

"Eles falaram bastante de você na última ligação."

Lara olhou para os filhos.

Leo descobriu um interesse imediato na mesa de chá. Theo ajeitou a manga.

Étienne sorriu, satisfeito com a reação.

A conversa passou pelo trabalho, pela chegada ao Brasil e pelo evento que realizaria algumas semanas depois. Laurent, seu discípulo mais antigo, organizava parte dos encontros; Émile e Mathieu chegariam para o jantar principal.

Quando Lara mostrou o desenho do vestido que pretendia usar, o professor aproximou a folha do rosto.

"Ainda gosto de como você resolve o tecido antes de pedir que ele se comporte."

Rafael ouviu a frase e lembrou da explicação sobre o ombro no ateliê.

"Ela me mostrou uma correção assim", comentou.

Étienne olhou para ele.

"A primeira vez que a vi, estava corrigindo uma roupa que ninguém mais queria."

Lara abaixou os olhos, sorrindo.

Era uma peça usada, entregue pela antiga proprietária do apartamento em Paris. O dinheiro precisava durar até o próximo pagamento; comprar um casaco novo não era uma opção naquela semana.

Ela levara o tecido a uma pequena loja para conseguir material e terminar o ajuste. Étienne visitava um amigo ali.

Vira Lara redesenhar a gola, mudar uma proporção e conseguir uma peça diferente sem tratar a roupa velha como resto.

Perguntara por que fizera daquele jeito.

Ela explicara pensando que conversava apenas com um homem interessado. Só depois reconhecera o rosto e quase esquecera as próprias palavras.

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Agora ele contava a história com a mesma satisfação de anos antes.

"Você não ficou tímida por muito tempo. Discutiu comigo sobre a manga."

"Porque aquela manga precisava ser menor."

"Precisava", admitiu ele.

Rafael olhou para Lara.

Ela não parecia constrangida por ter usado uma roupa recebida. Parecia emocionada ao recordar a primeira vez em que alguém enxergara seu trabalho quando não tinha um nome para apresentá-lo.

Leo encostou na mãe.

"Esse casaco ficava na sua cadeira."

"Outro parecido", corrigiu ela, beijando seu cabelo.

Theo apontou uma parte do desenho novo.

"Ela faz isso na nossa roupa quando fica pequena."

Étienne assentiu.

"É a mesma pessoa. Só mudou o tamanho do tecido."

Na saída, o professor pediu que Lara lhe enviasse os últimos estudos. Não queria apenas vê-la no jantar. Queria que chegasse pronta para mostrar o que havia construído.

Antes disso, Étienne pediu uma folha em branco e mostrou uma observação sobre o vestido. Não mudou o desenho por ela. Indicou o lugar em que a peça perdia movimento e esperou que Lara encontrasse uma alternativa.

Ela se sentou de novo, pegou o lápis e tentou duas linhas.

O professor observou sem interromper.

Rafael ficou perto dos meninos, que já conheciam aquele tipo de silêncio. Theo explicou baixo que o professor esperava a mãe terminar antes de dizer se gostava.

"Ela fica brava quando ele não gosta?", perguntou o pai.

Leo negou.

"Ela faz de novo. Depois fala que já sabia."

Lara ouviu e ergueu o rosto.

"Eu não falo sempre."

Étienne sorriu.

"Só quando sabia."

Ela riu e terminou a linha. O velho inclinou a folha, imaginando o tecido, e assentiu.

A satisfação no rosto de Lara parecia a de Theo quando o circuito finalmente funcionava. Rafael reconheceu que os filhos tinham herdado mais do que o próprio formato de rosto.

Ela prometeu.

Rafael caminhou ao seu lado até o carro, esperando os meninos entrarem antes de falar.

"Eu não sabia de metade disso."

"Não estava escondendo de você. Era uma parte da minha vida que ainda não tinha aparecido."

"Quero conhecer."

Lara ergueu os olhos.

O pedido era simples. Ainda assim, pareceu mais íntimo que a curiosidade de quem tentava descobrir um currículo.

"Pode perguntar", respondeu.

Ele sorriu.

Na segunda-feira, Rafael viajaria por quinze dias para resolver compromissos da empresa fora do país. Avisara com antecedência, organizando os horários dos filhos e deixando claro que continuaria disponível.

Lara disse que não precisava de um planejamento tão detalhado.

Mas guardou a mensagem com os contatos.

Na despedida, Leo pediu uma fotografia do avião. Theo quis saber a diferença de horário. Ela perguntou se ele conseguira separar algum tempo para dormir.

Rafael olhou para ela.

"Você anda fiscalizando."

"Você começou."

Ele riu e se aproximou um pouco, sem a pressa que teria num aeroporto.

Lara ficou esperando.

O beijo na sua testa veio suave. Quando ele se afastou, ela queria pedir outra coisa e não encontrou coragem suficiente para dizer qual.

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Os primeiros dias passaram com trabalho e escola. Lara enviou desenhos ao professor, revisou a coleção e acompanhou uma prova de roupa que exigiu mais paciência do que imaginara.

Rafael ligava quando podia. Não eram chamadas longas todos os dias. Algumas vinham entre reuniões, com ruído de corredor e o pedido para que não desligassem enquanto procurava um lugar quieto.

Os meninos contavam novidades. Depois o telefone ficava com Lara.

Ela dizia que estava tudo bem. Em seguida lembrava um detalhe que gostaria de mostrar, uma pergunta sobre o dia dele, uma coisa que os filhos fizeram.

As conversas começavam a ficar maiores quando ninguém tinha mais uma notícia importante.

Num fim de tarde, Rafael perguntou pelo vestido.

Theo tinha acabado de mostrar ao pai uma ponte feita com peças de construção. Leo quis acrescentar um carro grande demais e derrubou uma lateral.

O silêncio dos irmãos durou apenas até Rafael perguntar se queriam reconstruir juntos pela câmera.

Theo trouxe as peças. Leo pediu desculpas, desta vez sem procurar uma explicação que culpasse a ponte.

Lara ficou ao lado, ouvindo o pai sugerir uma coisa simples e aceitar a correção do mais velho.

Quando terminaram, os meninos se afastaram para testar os carros. Ela continuou com o telefone na mão, querendo prolongar uma conversa que não tinha mais um problema a resolver.

Lara mostrou pelo vídeo uma parte ainda presa no manequim.

"Você não vai entender muito assim."

"Eu entendo que gosta quando chega nessa parte."

Ela olhou para a própria expressão refletida na tela.

Estava sorrindo.

Na última semana da viagem, Leo perguntou se a mãe também sentia saudade.

Lara guardou um lápis.

"Vocês sentem?"

"Eu perguntei de você."

Theo olhou para o irmão com respeito pela pergunta bem formulada.

Ela não conseguiu escapar.

"Sinto."

Leo assentiu como se finalmente tivesse recebido uma informação necessária.

Não fez uma piada. Apenas encostou o rosto no braço dela.

Na noite em que Rafael deveria voltar, Lara terminou um ajuste tarde e foi à cozinha preparar algo simples. Os meninos dormiam, e a cidade parecia mais quieta pela janela.

O telefone ainda não tinha uma mensagem de chegada.

Ela conferiu, guardou e tentou dizer a si mesma que não estava esperando.

A campainha tocou.

Rafael estava à porta, com uma mala pequena e o cansaço no rosto.

Lara ficou olhando para ele por um instante longo demais.

"Você não foi para casa?"

"Ainda não."

"Devia descansar."

Ele passou os olhos pelo cabelo preso de qualquer jeito, pela roupa de casa e pelo sorriso que ela tentava disfarçar.

"Posso fazer isso depois de ver você."

Lara se afastou para deixá-lo entrar.

Na cozinha, preparou mais uma porção de massa com caldo. Rafael sentou e recebeu o prato como se não tivesse comido direito durante toda a viagem.

"Não serviam comida lá?"

"Serviam."

"Você está comendo como o Leo."

Ele sorriu, mas não parou.

Lara ficou na cadeira ao lado, contando sobre o vestido e o professor. Depois se calou, percebendo que já lhe tinha dito quase tudo nas ligações.

Rafael colocou o talher no prato.

"Eu senti sua falta."

Ela ergueu os olhos.

O homem não estava brincando nem esperando que os filhos ajudassem.

Lara aproximou a mão da dele.

"Eu também."

Rafael se levantou devagar.

Ela ficou perto, sem procurar outra tarefa para ocupar os dedos.

Quando ele tocou seu rosto, o silêncio deixou de parecer um intervalo entre duas frases.

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