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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 26

正文开头

A criança não tinha culpa

Lara se levantou tão depressa que a cadeira arrastou no chão.

Henrique já chamava ajuda. Bianca pegou a bolsa, ainda olhando para a mulher caída junto à mesa.

"Luana", chamou Lara. "Olhe para mim."

A jovem ergueu o rosto, assustada. Tinha uma mão na barriga e os olhos presos à saída por onde Bruno desaparecera.

"Ele vai voltar."

Lara se abaixou ao lado, sem puxá-la pelo braço.

"Agora você precisa ser atendida."

"Eu não quero..."

A frase se perdeu quando veio outra dor.

Lara olhou para Henrique, que falava com o serviço de atendimento e com a gerência do restaurante.

Bianca afastou uma cadeira para dar espaço.

"Pode estar grávida", disse Lara, baixo. "Eu não vou adivinhar o que está acontecendo. Ela precisa de alguém que examine."

Luana ouviu a palavra e começou a chorar.

"Eu estou."

Lara voltou ao rosto dela.

"Então vamos cuidar disso primeiro."

O restaurante colaborou com o atendimento, e pouco depois os três acompanharam a jovem ao hospital. Henrique dirigiu atrás do veículo que a transportava; Lara permaneceu perto durante a admissão.

Na sala de espera, Bianca enfim soltou a indignação.

"Ele saiu vendo que ela não estava bem."

Lara olhou para a porta fechada.

"Eu vi."

"Você já conhecia essa mulher?"

"Não."

Bianca passou a mão pelo rosto.

"Eu não teria pensado em ajudar tão rápido. Estava com tanta raiva dos dois."

Lara demorou um instante para responder.

"Quando fiquei grávida, eu não conhecia quase ninguém em Paris. Às vezes a pior parte era precisar de alguma coisa e não saber para quem pedir."

Bianca perguntou se Lara descobrira logo que eram dois.

Ela sorriu, lembrando da tela do primeiro exame.

"Achei que tinha entendido errado. Eu falava francês, mas naquela hora pedi para repetir duas vezes."

Henrique se inclinou um pouco, interessado.

"E repetiram?"

"Mostraram. Dois. Eu fui para casa com a imagem na bolsa e fiz as contas de novo, como se pudesse chegar a um resultado diferente."

Lara olhou para as próprias mãos.

"Não era só dinheiro. Era pensar em segurar dois bebês, ouvir dois choros, precisar dormir e não ter alguém acordado no outro lado da casa."

Bianca permaneceu quieta.

"Depois encontrei pessoas que ajudaram. Gabriel, uma vizinha, colegas. Mas demorei a acreditar que conseguiria."

Lara sorriu de novo, agora com mais calor.

"Quando os dois chegaram, eu continuava com medo. Só que já não conseguia imaginar uma vida em que não estivessem comigo."

Henrique olhou para a porta do atendimento, entendendo melhor por que ela havia se levantado no restaurante antes de considerar quem era a mulher caída.

Henrique, sentado do outro lado, ouviu em silêncio.

Lara pegou o telefone para avisar que o almoço havia terminado de outra maneira. Rafael retornou a chamada imediatamente.

"Você está no hospital?"

Ela explicou antes que a preocupação crescesse.

"Não é comigo. Uma mulher passou mal. Estou acompanhando até sabermos que não vai ficar sozinha."

正文1

"Henrique está com você?"

"Ele e Bianca."

O nome não provocou a reação que ela esperava. Rafael perguntou se precisava de alguma coisa e confirmou que Mauro buscaria os meninos no horário.

"Você não vai perder a saída deles", disse.

Lara fechou os olhos brevemente.

"Obrigada."

"Me avise quando terminarem."

Ela assentiu, embora ele não pudesse ver.

Quando a equipe permitiu que conversassem com Luana, a jovem estava mais estável, ainda em observação. A gravidez precisava de acompanhamento, e as primeiras informações traziam esperança sem promessas precipitadas.

Lara se sentou perto da cama.

Luana a olhou com vergonha.

"Você é a Lara."

"Sou."

"Ele falou de você."

"Imagino."

A jovem desviou o olhar.

"Eu não devia ter acreditado."

Lara não tentou tranquilizá-la sobre tudo que Bruno pudesse ter contado.

"Hoje o que importa é você conseguir se recuperar."

Luana levou a mão à barriga.

"Eu achei que ele ia ficar feliz."

Bianca, junto à porta, ficou muito quieta.

Lara reconheceu a esperança que havia levado outra mulher ao seu ateliê com raiva de quem não tinha culpa.

"Você contou quando?"

"Eu vinha tentando. Ele ficava nervoso. Dizia que não podia ter problema agora."

Luana engoliu em seco.

"Ele é casado. Eu sabia. Achei que fosse sair daquele casamento."

Lara olhou para ela por um momento.

Não precisava transformar cada escolha ruim da jovem numa sentença sobre o bebê.

"Você tem alguém da família para chamar?"

Luana mencionou uma irmã. Henrique ajudou a encontrar o contato, e Bianca combinou a chegada com ela.

Enquanto esperavam, a jovem pegou o próprio telefone. Havia chamadas feitas para Bruno e nenhuma resposta.

Lara observou o gesto.

"Não precisa continuar ligando agora."

Luana pousou o aparelho.

"Você odeia ele."

A frase não foi uma pergunta.

"Eu não confio nele. É diferente de passar o dia tentando lembrar."

"Mas ele fez alguma coisa com você."

Lara olhou para Bianca e Henrique. Os dois lhe deram espaço, afastando-se um pouco.

"Fez. E eu não vou fingir que não fez."

Luana ficou em silêncio. Depois abriu uma conversa no telefone.

"Ele disse que precisava que eu guardasse algumas mensagens. Falava de dinheiro, de um acordo com o pai da Priscila. Eu não entendia muito. Mas guardei porque tinha medo de ele negar que me conhecia."

Lara não pegou o aparelho imediatamente.

"Não me dê nada só porque eu ajudei você hoje."

"Não é por isso. Eu quero que ele pare de tratar tudo como se pudesse inventar depois uma história diferente."

A voz da jovem ganhou firmeza pela primeira vez.

Lara olhou para a tela quando Luana a aproximou. Havia promessas, referências a pagamentos e conversas que talvez precisassem ser compreendidas por alguém com os documentos certos.

Não eram uma solução mágica. Eram coisas que Bruno não esperava que outra pessoa guardasse.

"Se você quiser usar isso para se proteger, procure ajuda adequada", disse Lara. "Eu posso indicar alguém. E, se houver informação sobre o que fizeram comigo, quero saber. Mas uma coisa não fica condicionada à outra."

正文2

Luana assentiu.

"Eu quero."

Quando a irmã chegou, Lara se levantou. A jovem segurou sua mão por um instante.

"Você podia ter ido embora."

Lara olhou para a mão sobre a barriga.

"Eu não queria."

Luana soltou sua mão devagar e voltou a olhar para a própria barriga. A irmã se acomodou ao lado da cama, trazendo uma garrafa de água e roupas limpas.

Lara esperou que as duas começassem a conversar antes de sair. Não precisava ser a pessoa que ficaria ali até o fim. Queria apenas ter certeza de que o fim daquela tarde não encontraria a jovem sozinha.

Bianca a acompanhou até a saída. Henrique foi buscar o carro.

As duas ficaram sentadas por alguns minutos, cansadas de uma tarde que ninguém planejara.

"Estou começando a entender por que seus filhos falam daquele jeito de você", disse Bianca.

Lara tentou sorrir.

"Eles também reclamam da comida."

"São dois meninos. Não duas avaliações profissionais."

A risada veio sem dificuldade desta vez.

Rafael chegou antes que Henrique estacionasse perto da entrada. Lara levantou os olhos, surpresa.

"Você estava perto mesmo?"

"Fiquei."

Ele cumprimentou Bianca e Henrique, perguntando apenas o necessário sobre a paciente. A atenção permaneceu no rosto de Lara, procurando o cansaço que ela tentava esconder.

Quando ficaram no carro, perguntou:

"Foi difícil ver Bruno?"

Ela pensou antes de responder.

"Foi mais difícil ver o que ele fez com ela. Eu não senti saudade de nada."

Rafael segurou o volante, depois relaxou um pouco os dedos.

"Eu não estava perguntando para conferir isso."

Lara olhou para ele.

"Um pouco estava."

Ele sorriu, admitindo sem palavras.

Ela continuou:

"Eu queria que você soubesse mesmo assim."

A resposta mudou a expressão do homem.

No apartamento, os filhos a receberam com perguntas sobre o dia. Lara explicou que ajudara uma mulher que precisava de atendimento e confirmou que estava bem.

Theo observou seu rosto até acreditar. Leo trouxe um copo de água e quase derramou ao tentar ser solene.

Naquela noite, Theo perguntou se a mulher ficaria com o bebê.

Lara sentou ao lado dele.

"Os médicos estão cuidando. Nós vamos saber depois."

O menino assentiu. Leo encostou no sofá e disse que poderia mandar um desenho, como tinham feito para Mauro.

Ela beijou seu cabelo.

"Podemos perguntar se ela gostaria."

Rafael, perto da porta da cozinha, ouviu a proposta. Os filhos tinham aprendido com Lara que ajudar alguém também podia começar por uma coisa pequena, feita sem exigir que a pessoa explicasse toda a própria vida.

Rafael segurou a base antes que caísse.

"Um de cada vez", disse.

Lara sorriu para os três.

Depois do jantar, encontrou um envelope entregue pelo porteiro. Tinha um selo da França, seu nome escrito à mão e um papel encorpado que reconheceu antes de abrir.

Leu a primeira linha e levou a mão à boca.

Os meninos olharam imediatamente.

"É o professor?", perguntou Theo.

Lara assentiu, sorrindo com os olhos úmidos.

"Ele vem para São Paulo."

Leo começou a comemorar. Rafael ficou olhando para o convite e para a alegria que tinha transformado o rosto dela.

A mulher que ele conhecia ainda guardava uma parte importante da própria história.

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