"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 24
A cama dele era grande demais para uma desculpa
Rafael atendeu no segundo toque.
"Lara?"
Ouviu uma respiração difícil e o som de alguma coisa sendo colocada sobre a mesa.
"O que aconteceu?"
Ela tentou responder. A voz saiu rouca, quase sem força.
"Acho que estou com febre."
Ele já procurava a chave do carro.
"Você consegue ficar sentada?"
"Consigo."
"Estou indo. Fique com o telefone perto."
Lara não tinha energia para discutir. Deixou o aparelho no colchão e se encostou à cabeceira.
Enquanto seguia para o apartamento, Rafael avisou Lucas e pediu que ajudasse com os meninos caso precisassem sair para atendimento. O assistente estava perto o suficiente para chegar pouco depois dele.
No prédio, o porteiro o reconheceu. Rafael usou a senha que Lara lhe dera durante a recuperação e foi direto ao quarto.
Ela estava acordada, mas parecia muito menor dentro da cama.
"Você veio mesmo", murmurou.
Rafael se abaixou ao lado.
"Claro que vim."
Tocou sua testa e encontrou a água derramada no lençol. Lara tentou explicar, irritada por não conseguir fazer uma tarefa tão simples.
Ele pegou outro copo.
"Não precisa me contar tudo agora."
Ela bebeu alguns goles e fechou os olhos.
"Os meninos..."
"Estão dormindo. Lucas vai ficar aqui enquanto eu levo você para ser avaliada."
A preocupação diminuiu apenas quando ouviu o assistente entrar e falar baixo do corredor.
Rafael lhe ajudou a vestir um casaco. Lara se apoiou nele ao levantar, sem fingir que tinha forças suficientes.
No atendimento, conseguiu responder às perguntas e receber as orientações necessárias. Estava febril e exausta; depois da avaliação, poderia descansar em casa acompanhada.
Quando saíram, Rafael não propôs deixá-la sozinha no apartamento.
"Minha casa tem espaço. E tem gente para ajudar com o restante."
Lara manteve o rosto junto ao vidro do carro.
"Eu só quero dormir."
"Então durma. Eu organizo."
Mauro, chamado para dirigir, seguiu até a casa. Rafael mandou a Lucas a informação de onde estariam e combinou que os meninos poderiam ir ao escritório mais tarde, acompanhados, se quisessem.
Era sábado. Não haveria escola nem a pressa habitual da manhã.
Lara adormeceu durante o trajeto.
Quando abriu os olhos novamente, a claridade vinha de cortinas que não reconhecia.
A cama era maior. Os travesseiros, diferentes. Havia uma bandeja sobre uma mesa distante e um cheiro familiar no lençol.
Rafael.
Ela tentou se sentar e encontrou o corpo ainda pesado.
O homem entrou antes que precisasse chamar.
"Você acordou. Está melhor? A cabeça ainda dói? Quer água? Trouxeram uma coisa leve para..."
Lara levantou a mão.
"Uma pergunta de cada vez."
Ele parou.
Ela quase sorriu, embora até isso parecesse trabalhoso.
Rafael aproximou a água e a ajudou a beber. Depois conferiu o horário das orientações recebidas e deixou o copo ao alcance.
"Você está mais calma."
"Eu estava falando demais?"
"Estava perguntando como se fosse uma reunião ruim."
O homem soltou uma risada breve, aliviado por ouvi-la reclamar com alguma energia.
Lara olhou ao redor.
"Isso é seu quarto?"
Rafael assentiu.
Ela puxou a coberta um pouco mais perto do corpo, embora estivesse vestida e não houvesse razão para o gesto.
"Não tinha outro?"
"Este já estava pronto e perto de mim."
"Conveniente."
"Muito."
O sorriso dele a fez esquecer por um instante a dor de cabeça.
Depois lembrou dos filhos.
"Theo e Leo?"
"Estão no escritório com Lucas. Mauro os levou. Queriam ver as peças que deixaram lá ontem."
Lara respirou melhor.
"Você avisou como eu estava?"
"Avisei. Já falaram com você, mas estava sonolenta. Leo pediu para eu repetir depois que você tinha respondido."
Ela fechou os olhos, envergonhada.
"Eu fui uma mãe péssima esta manhã."
"Você ficou doente. Não é a mesma coisa."
Lara não respondeu. Era bom ouvir sem precisar argumentar primeiro.
Rafael trouxe comida e esperou enquanto ela comia um pouco. Não fez a contagem de colheradas; pareceu satisfeito quando a cor de seu rosto melhorou.
Ela notou o cansaço nos olhos dele.
"Você dormiu?"
"Depois."
"Rafael."
Ele inclinou o rosto.
Lara tocou o braço dele.
"Não precisa ficar acordado me olhando. Eu vou chamar se precisar."
"Eu sei."
Mas não se afastou imediatamente.
Ela estava com sono de novo. Deixou a mão sobre o lençol, e Rafael ficou sentado perto enquanto sua respiração desacelerava.
Prometera buscar os meninos no começo da tarde. Olhou para o telefone, viu uma mensagem de Lucas informando que estavam bem e decidiu descansar apenas alguns minutos na outra ponta da cama.
O cansaço ganhou antes que pudesse organizar uma desculpa melhor.
Na empresa, Leo girava lentamente na cadeira do pai.
Theo pediu que parasse.
"Vai ficar tonto."
"Eu já parei."
"Está girando ainda."
O irmão colocou os pés no chão, obedecendo. Lucas tinha trazido comida, brinquedos e uma autorização para usarem um computador da mesa lateral.
Os dois escolheram o computador.
Quando o assistente saiu para buscar água, Theo abriu um desafio de programação que acompanhavam por meio de um contato conhecido apenas pelo apelido Moon.
Na tela, o nome da equipe era Musa.
Leo aproximou a cadeira.
"Esse ainda está aberto?"
"Está. Só falta a última parte."
Não era o desenho simples que Lucas imaginara ao ouvir a palavra jogo. Os meninos liam sequências, comparavam padrões e conversavam por mensagens curtas com pessoas que não sabiam a idade deles.
Theo preferia pensar antes de tentar. Leo gostava de testar uma ideia logo e corrigir no caminho.
Os dois métodos se completavam melhor do que suas discussões faziam parecer.
O menor encontrou uma solução e ficou satisfeito demais para esconder.
Theo conferiu primeiro a mensagem do pai no próprio telefone. Rafael avisara que a mãe estava descansando e que a temperatura tinha melhorado.
O menino mostrou ao irmão.
Leo se recostou na cadeira, aliviado.
"Então a gente termina."
"Sem fazer barulho."
"Aqui ela não ouve."
Theo o encarou.
"Eu ouço."
Leo sorriu, baixou o volume de um aviso do computador e voltou à tela. Mesmo ali, escondidos atrás de um jogo e de nomes que os adultos não conheciam, continuavam discutindo como dois irmãos que dividiam uma mesa pequena em casa.
"Consegui."
Theo conferiu, enviou a resposta e tirou o fone.
"Agora guarda."
Leo abriu uma tela infantil quando ouviu passos.
Lucas voltou e encontrou os dois concentrados em figuras coloridas.
"O pai de vocês ainda não chegou. Querem ligar?"
Theo olhou para o irmão.
Leo sorriu.
"Mamãe precisa descansar."
O assistente concordou e deixou os copos sobre a mesa. Os meninos sabiam que estavam seguros ali; a curiosidade sobre o tempo que os pais demoravam começava a superar a saudade.
Na casa, Lara se virou e encontrou uma presença quente perto de si.
Abriu os olhos.
Rafael dormia do outro lado da cama, por cima da coberta. A distância entre eles era respeitável até que ela estendera o braço durante o sono.
Sua mão estava junto ao ombro dele.
Lara a retirou depressa.
O homem acordou.
"O que foi?"
Ela olhou para a claridade, depois para o relógio.
"Os meninos!"
Rafael sentou imediatamente.
Os dois se encararam.
Por um segundo, Lara quis rir da descoberta de que não era a única adulta capaz de perder o horário.
No seguinte, apontou o telefone.
"Ligue."
Ele obedeceu.
Lucas confirmou que os filhos estavam bem, alimentados e esperando. Leo pediu para falar com a mãe e perguntou se o pai também precisava dormir porque fizera exercícios demais na escola.
Lara olhou para Rafael e começou a rir.
"Talvez, Lua."
O homem pegou a chave do carro e prometeu buscá-los imediatamente.
Antes de sair, inclinou-se perto dela.
"Você não tenta resolver mais nada sozinha hoje."
"Eu vou ficar aqui."
Rafael sorriu.
Na empresa, recebeu os filhos em dois abraços e escutou as reclamações sobre o atraso. Theo falou pouco. Leo apresentou a lista inteira.
Quando os meninos foram pegar as mochilas com Lucas, Rafael conferiu a mesa. Havia uma janela fechada pela metade, com caracteres que não combinavam com o jogo infantil.
Ele parou.
Antes que examinasse melhor, ouviu os filhos chamando e guardou a pergunta para depois.
Na volta, encontraram Lara no sofá, de rosto menos abatido. Leo correu para abraçá-la; Theo encostou na sua outra lateral.
Rafael ficou perto, satisfeito com aquela imagem.
"Você pode continuar aqui esta noite", disse.
Lara olhou para ele.
"Eu também tenho uma cama."
"Ontem ela não tinha ninguém perto para ver que você estava com febre."
Ela abriu a boca, depois a fechou. Era difícil discutir com uma lembrança tão recente.
Leo apoiou a cabeça no colo dela.
"A gente gosta daqui."
Theo olhou para o pai.
Lara percebeu a troca e apontou os dois.
"Vocês já estão montando alguma coisa."
Rafael sorriu.
"Hoje só estamos cuidando de você."
Ela deixou a cabeça recostar no sofá, cansada demais para separar o que era cuidado e o que era um desejo que já não parecia pertencer apenas a ele.
Mais tarde, Bianca mandou uma mensagem. Tinha conversado com os pais sobre encerrar o noivado e agradecia o jantar da noite anterior.
Depois perguntou se poderia apresentar seu irmão a Lara, quando estivesse melhor.
Ele conhecia o trabalho dela. E, segundo Bianca, estava curioso para reencontrá-la.
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