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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 21

正文开头

O beijo não estava no programa

"Papai também ganhou", disse Leo, assim que chegaram ao carro.

Lara conferia a mochila dele.

"Ganhou o quê?"

"As provas. Algumas."

Theo olhou para o desenho do cavalo que o irmão insistira em carregar.

"Algumas", confirmou.

Rafael ficou quieto, interessado no rumo daquela conversa.

"Então precisa de um prêmio", concluiu o menor.

Lara ergueu os olhos.

"Ele tem dois filhos satisfeitos. Acho que já é bastante."

"Eles ficam ainda mais satisfeitos com almoço", disse Rafael.

Leo aprovou imediatamente. Theo também, embora preferisse uma postura mais contida.

Lara olhou para o relógio.

"Eu preciso ir ao ateliê."

"Depois do almoço eu levo."

Ela hesitou. Uma parte de si queria sair antes que o calor da mão dele voltasse à memória. A outra ainda não queria que a manhã terminasse.

"Sem demorar."

Rafael sorriu.

"Vamos tentar."

Mirela e Daniel se despediram perto da saída. Davi carregava uma sacola com três bichos de pelúcia: o dele e os que os gêmeos haviam decidido lhe dar.

"Vocês não querem mesmo?", perguntou Lara.

Theo negou. Leo explicou que tinham brinquedos demais e que Davi queria organizar um zoológico no quarto.

O amigo abraçou a sacola, encantado.

"Você vai mostrar depois", pediu Theo.

Davi prometeu, e as duas famílias combinaram outro encontro.

No restaurante, Leo colocou o cavalo desenhado por Rafael sobre a mesa.

"Não vamos expor isso perto da comida", disse o pai.

Lara riu e guardou na pasta da atividade.

"Eu gostei."

Rafael ergueu uma sobrancelha.

"Gostou?"

"Você me fez rir. É uma função para o desenho."

Ele pareceu considerar o argumento.

Theo observou os pais em silêncio. Leo achou que poderia pedir sobremesa cedo, mas a mãe encerrou a tentativa com um único olhar.

Comeram conversando sobre a manhã. Rafael reconheceu que sabia pouco de atividades infantis; Lara disse que ela também aprendia uma coisa nova a cada escola que os filhos frequentavam.

"Você parecia tranquila", comentou ele.

"Eu parecia?"

O homem sorriu.

"Até meu cavalo."

"Seu cavalo poderia abalar qualquer pessoa."

Os meninos riram. Lara percebeu que a mão dela voltara à proximidade da dele sobre a mesa sem que planejasse.

Leo pediu para ver a fotografia tirada na escola. Lara abriu no telefone e mostrou aos dois.

Theo reparou que estava com uma ponta do cabelo levantada. O irmão reclamou que a ficha escondia parte de sua camiseta.

"Eu gostei assim", disse a mãe.

Rafael se aproximou para olhar. Na imagem, Lara estava rindo com a cabeça levemente virada para ele.

"Pode me mandar?"

Ela assentiu.

Leo pediu para enviar aos avós também, especialmente para que vissem o desenho do cavalo no canto da pasta.

"A fotografia da família", especificou Rafael.

Theo sorriu.

Enquanto Lara fazia o envio, o mais velho começou a contar que, numa atividade em Paris, ela tivera de participar de duas equipes porque cada filho ficara num grupo diferente.

"Eu corri de um lado para outro", lembrou ela.

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"E ganhou?", perguntou Rafael.

"Não lembro. Lembro que depois os dois quiseram colo ao mesmo tempo."

Leo encostou a cabeça no braço dela, demonstrando que aquele gosto não havia desaparecido.

Rafael olhou para os meninos, depois para Lara.

"Hoje eu posso ficar com uma equipe."

Ela encontrou os olhos dele. Era uma frase pequena sobre uma brincadeira antiga, mas tinha o peso de uma mudança que agora podia imaginar em muitas outras situações.

"Hoje deu certo", respondeu.

Rafael não tentou segurá-la na frente deles. Apenas ficou ali, e a escolha de não se afastar tornou o gesto mais íntimo do que parecia.

Quando terminaram, ele perguntou se poderia ficar com os filhos durante a tarde. Tinha um pequeno intervalo entre compromissos e queria mostrar o escritório onde colocara os desenhos.

Lara assentiu.

"Mauro busca os dois antes do jantar. Eu vou estar em casa."

Leo comemorou. Theo quis saber se o pai tinha levado o telefone que haviam mostrado.

"Ficou com você, lembra?", respondeu Rafael.

O menino tocou a mochila e assentiu, percebendo a própria distração.

Lara sorriu. Às vezes esquecia o quanto ainda eram pequenos quando os via responder com tanta certeza.

No caminho para a Maison Vallon, os dois fizeram perguntas sobre o escritório. Rafael respondeu e, numa parada, virou-se para lembrar que não poderiam sair de perto dele ou de Lucas sem avisar.

Theo assentiu imediatamente. Leo também.

A lembrança do galpão não precisava entrar na conversa para que todos a reconhecessem.

Rafael voltou à frente, e Lara tocou discretamente seu antebraço direito.

Ele olhou para a mão, depois para ela.

"Está tudo bem", disse baixo.

Ela assentiu, embora não soubesse se tentava tranquilizá-lo ou receber a tranquilidade que oferecia.

Na entrada do ateliê, Lara se virou para beijar os filhos.

Leo recebeu seu beijo com os braços abertos. Theo tentou manter a seriedade e falhou quando ela beijou também o nariz dele.

"Vocês voltam para casa antes do jantar."

"Sim, mamãe", disseram os dois.

Ela se preparou para descer.

Leo olhou para Rafael e depois para a mãe.

"Você esqueceu um."

Lara sabia exatamente aonde aquilo iria.

"Não esqueci."

Theo fez a sugestão com menos espetáculo:

"Papai também ficou com a gente o dia inteiro."

Rafael olhou para ela sem a menor tentativa de parecer desinteressado.

Lara abriu a porta.

"Então agradeçam. Vocês sabem fazer isso."

Desceu antes que os meninos encontrassem outro argumento.

A tarde estava clara, e a entrada do prédio, quase vazia. Ela poderia simplesmente continuar andando.

"Lara."

A voz dele a fez parar.

O vidro do motorista desceu, e Rafael inclinou o rosto.

"Venha um instante."

Ela voltou com a expressão mais séria que conseguiu.

"Tem alguma coisa importante?"

"Tem."

Lara chegou perto da janela.

Ele não falou imediatamente. A brincadeira que esperava encontrar tinha desaparecido da expressão dele.

"Eu não queria que você entrasse achando que isso era só ideia deles."

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O coração dela bateu de outro jeito.

"Isso o quê?"

Rafael aproximou a mão do rosto dela. Tocou a linha da mandíbula com cuidado, sem puxá-la.

Lara poderia ter recuado. Em vez disso, ficou olhando para ele, lembrando a mão no pátio, o ombro perto do seu e a maneira como havia reservado uma manhã inteira para a família.

Ele se aproximou.

O beijo veio breve, mas não pareceu pequeno.

Lara fechou os olhos por um instante que não pretendia conceder. Quando Rafael se afastou, continuava perto o bastante para ver que ela perdera a resposta.

"Era importante", disse ele, baixo.

Ela respirou fundo e se afastou da janela.

"Você é impossível."

Rafael sorriu.

Lara caminhou até a entrada tentando lembrar como seus pés deveriam se mover normalmente.

Antes de alcançar a porta, olhou de novo para o carro. Rafael ainda a acompanhava com os olhos. Ela ergueu a mão num aceno pequeno, sem conseguir esconder o sorriso. Depois entrou, irritada apenas por não ter disfarçado melhor.

Atrás dela, Leo começou a rir. Theo o silenciou depressa, mas não conseguiu esconder a própria satisfação.

Rafael fechou o vidro antes que a comemoração ficasse alta demais.

"Pronto", disse Leo. "Agora pode desenhar melhor."

O pai olhou para ele pelo retrovisor.

"Uma coisa de cada vez."

No elevador, Lara encostou os dedos no rosto e os retirou imediatamente, como se alguém pudesse interpretar o gesto.

Uma funcionária entrou no andar seguinte e a cumprimentou. Lara respondeu com uma alegria que lhe pareceu excessiva.

Não sabia se queria rir de si mesma ou voltar até o carro para reclamar com ele de verdade.

A imagem dos olhos de Rafael antes do beijo tornava a segunda opção perigosa.

Quando o telefone vibrou, ela olhou depressa demais.

Ele enviara uma mensagem informando que haviam chegado ao escritório e que Leo já exigia conhecer a máquina de café.

Lara respondeu que o filho não tomava café.

A resposta veio: Já expliquei. Ele decidiu que quer saber como funciona.

Ela sorriu, aliviada pela familiaridade da conversa. Não precisava descobrir toda a própria vida naquela tarde.

Na sala do escritório, Rafael recebeu a fotografia e ficou olhando por alguns segundos. Leo viu o rosto dele e se aproximou.

"Você gostou?"

"Gostei."

Theo trouxe a pasta da escola e retirou os desenhos bons, deixando o cavalo separado com uma discrição inexistente.

Rafael pegou também aquela folha.

"Pode ficar tudo aqui."

Os meninos o ajudaram a escolher o lugar. A fotografia foi para o telefone; os papéis ficaram junto aos desenhos anteriores.

Quando Lucas entrou, encontrou o chefe segurando uma folha torta e ouvindo duas crianças discutirem se o animal precisava de nome.

Pela primeira vez, a mesa parecia contar algo sobre a pessoa que a ocupava.

Ainda assim, antes de guardar o celular, escreveu mais uma frase: Não desenhe cavalos nos documentos da empresa.

Rafael enviou um rosto sorrindo.

Joana a encontrou junto à saída do elevador.

O rosto da assistente não combinava com a leveza que Lara trazia.

"Tem uma pessoa esperando. Eu tentei explicar que você chegaria depois..."

"Um cliente?"

"Não exatamente."

Lara diminuiu o passo.

Da sala de reuniões, veio o som de uma cadeira arrastando.

Uma mulher se levantou ao vê-la pela porta de vidro.

Tinha um recipiente na mão e uma raiva que Lara não sabia de onde vinha.

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