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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 20

正文开头

O desenho que nem uma designer entendia

Na sexta-feira do evento, Lara escolheu tênis, uma camiseta clara e uma calça confortável.

Leo examinou a roupa.

"Dá para correr."

"Esse é o plano."

Theo conferiu as mochilas e o aviso da escola. Os meninos tinham discutido as atividades durante três semanas, trocado mensagens com o pai e decidido que precisariam de uma organização séria para conseguir todos os carimbos.

Lara preferia conseguir apenas uma manhã sem incidentes.

Chegaram primeiro. Rafael havia avisado que vinha direto de um compromisso breve e os encontraria na entrada.

Clara recebeu os meninos no pátio. Davi correu até eles, e os três começaram a comparar as fichas da atividade.

Lara foi até a sala indicada para os familiares.

Uma funcionária que ainda não conhecia ficou à porta.

"Seu nome?"

"Lara Azevedo. Sou mãe de Theo e Leo."

A mulher passou os olhos pela camiseta e pelos tênis antes de consultar a lista.

"Esta sala é para os familiares. O pessoal de apoio se apresenta na recepção."

Lara ficou olhando para ela.

"Eu acabei de dizer que sou mãe dos meninos."

"Os filhos do senhor Valença?"

"Sim."

A dúvida no rosto da funcionária deixou claro que não era a lista o problema.

Lara respirou fundo.

"Pode consultar o cadastro. Não há razão para me mandar a outro lugar sem conferir."

"Nós precisamos cuidar da entrada."

"Então confira."

A voz de Rafael veio atrás dela.

Ele estava de roupa confortável também, cabelo menos arrumado do que usava na empresa. Aproximou-se e ficou ao lado de Lara.

"Está impedindo minha mulher de entrar?"

Lara virou o rosto depressa.

A funcionária reconheceu o homem e começou a procurar a linha correta no papel com uma urgência nova.

"Não, senhor. Houve uma confusão."

"Ela já informou o nome e de quem é mãe."

Uma coordenadora veio resolver a situação, confirmou o cadastro e pediu desculpas a Lara. A funcionária saiu com ela, deixando a passagem livre.

Lara entrou sem continuar a discussão.

Rafael acompanhou.

"Sua mulher?", perguntou ela, baixo.

"Ficou mais rápido de explicar."

"Você consegue explicar muita coisa sem inventar."

Ele sorriu.

"Da próxima vez, faço uma frase maior."

Lara balançou a cabeça, irritada pela facilidade com que o sorriso dele desmontava sua reação.

Depois da breve apresentação, saíram para encontrar os filhos. Leo esperava perto da porta do pátio.

"A gente precisa ir junto."

Ele pegou a mão da mãe e a colocou na do pai.

Lara tentou retirar por reflexo. Theo se aproximou do outro lado.

"É uma ficha só para a família. Se a gente separar, perde tempo."

"Vocês fazem planos demais", murmurou ela.

Rafael esperou, sem apertar seus dedos.

Lara olhou para os meninos, depois para a mão dele.

Não era necessário ficar assim para usar uma ficha. Todos sabiam.

Ainda assim, ela deixou.

O homem fechou a mão devagar, e os quatro caminharam para a primeira atividade.

正文1

Mirela e Daniel os encontraram junto à mesa de carimbos. Davi chamou os irmãos de chefes, uma novidade que fez Lara erguer a sobrancelha.

Leo sorriu depressa.

"É porque a gente mostrou o trem."

Theo não comentou. Rafael também não, embora tivesse uma expressão muito satisfeita.

Os dois grupos decidiram seguir juntos. Na primeira sala, as crianças precisavam conduzir uma bola através de obstáculos, com orientação dos adultos.

Theo queria instruções exatas. Leo queria chegar antes de Davi.

O resultado foi uma bola perdida debaixo da mesa.

Lara se abaixou para pegá-la.

"A gente vai terminar antes se não disputar com os próprios amigos."

Leo olhou para Davi.

"Tá. Mas eu termino logo depois dele."

Na segunda tentativa, conseguiram. Rafael recebeu a bola no final do percurso e entregou aos meninos o primeiro carimbo.

Theo examinou a ficha como se um projeto importante acabasse de ser aprovado.

A atividade seguinte envolvia equilíbrio entre adultos. Lara ficou junto a Rafael enquanto tentavam atravessar um pequeno trajeto sem deixar cair o objeto que seguravam entre os corpos.

Mirela e Daniel riam do próprio erro. Lara não conseguia rir, porque Rafael estava perto demais.

"Você precisa olhar para a frente", disse ele.

"Você precisa não falar no meu ouvido."

"Estamos andando juntos. É onde sua orelha fica."

Ela soltou uma risada contra a vontade. O objeto caiu.

Leo levou as mãos à cabeça.

"Papai!"

"Eu assumo", disse Rafael.

Na nova tentativa, Lara começou a rir antes da metade. Perderam outra vez, mas os filhos também estavam rindo agora.

Na terceira, conseguiram, andando devagar demais para vencer qualquer corrida e perto o bastante para que ela sentisse o calor do ombro dele durante todo o caminho.

Rafael parecia achar aquele método excelente.

Mais adiante, uma prova de força convidava os adultos a completar uma sequência curta de exercícios enquanto os filhos contavam.

Antes de começarem, o professor lembrou que ainda havia uma mesa de construção em equipe para quem quisesse completar a ficha. Os meninos decidiram ir primeiro até lá.

Cada pessoa só poderia fazer uma parte do trabalho. Theo quis organizar tudo sozinho e foi lembrado de que os adultos também precisavam participar.

Leo correu para buscar a primeira peça. Lara ficou encarregada de receber, e Rafael, de encaixar.

Na segunda viagem, o menino trouxe o formato errado.

"Esse também é bonito", justificou.

"Mas não cabe", respondeu Theo.

Lara se abaixou para mostrar a diferença, sem tirar a peça das mãos do filho. Leo escolheu outra e voltou ao percurso.

Rafael esperou que Theo indicasse a posição e montou como ele pediu. O mais velho pareceu surpreso por conseguir conduzir o pai com tanta facilidade.

Quando terminaram, Lara recebeu a última peça de Leo e a entregou ao homem.

Os dedos se tocaram de novo.

Dessa vez ela não retirou a mão depressa. Ficou perto enquanto ele encaixava, observando a figura completa.

"Esse nós fizemos bem", disse Rafael.

正文2

Theo conferiu cada parte e concordou. Leo pediu o carimbo, orgulhoso da peça bonita que finalmente encontrara um lugar adequado.

Lara olhou para os três e sentiu vontade de guardar aquele instante sem precisar de uma fotografia. Depois, voltaram à prova de força, e Rafael entregou a ficha ao professor.

Rafael já havia recuperado o braço para aquele esforço e recebera liberação na avaliação recente. Mesmo assim, Lara o olhou antes que começasse.

"Sem transformar em campeonato pessoal."

"É uma prova."

"Uma prova de escola."

Daniel ouviu e sorriu.

Os dois homens começaram as flexões lado a lado. Davi gritava um número; Leo gritava outro, tentando tornar a contagem mais rápida que a do amigo.

Theo corrigia o irmão, absolutamente ofendido com a falta de rigor.

Lara ficou perto de Rafael, acompanhando os movimentos. A camiseta esticava nos ombros a cada descida, e a facilidade com que sustentava o corpo a fez esquecer por alguns segundos o comentário que pretendia fazer.

Ele ergueu os olhos.

"Tudo bem?"

"Eu estou esperando você terminar."

Rafael sorriu e concluiu a sequência sem prolongar. Daniel fez o mesmo.

Mirela bateu palmas. Leo saltou sobre a ficha, pedindo que o professor carimbasse logo.

Ao se levantar, Rafael encontrou o rosto de Lara um pouco corado.

"Agora tenho permissão para descansar?"

"Você podia ter descansado antes."

"Mas estava tão bem acompanhado."

Ela lhe entregou a garrafa de água com força demais. Ele aceitou, rindo baixo.

A vitória física, porém, não preparou a família para a sala de desenho.

Rafael recebeu uma palavra e um pincel. Precisava desenhar sem falar para que Lara adivinhasse.

Ela era designer. Ele parecia confiante. Theo já segurava a ficha para o carimbo.

Rafael fez um círculo, duas linhas tortas e algo parecido com uma antena.

Lara inclinou a cabeça.

"Um mosquito?"

O homem franziu a testa e acrescentou outra linha.

"Um mosquito machucado?"

Leo tapou os olhos.

Theo baixou a ficha.

Rafael tentou melhorar o desenho, que passou a parecer uma colher com pernas.

"Um alienígena?", perguntou Lara, já rindo.

O tempo acabou.

O professor revelou a resposta: cavalo.

Lara olhou para o papel. Depois para Rafael.

"Em qual planeta?"

Mirela começou a rir tão alto que Daniel precisou guardar o próprio desenho. Davi adivinhara o barco dele na primeira tentativa.

Rafael colocou o pincel sobre a mesa com uma dignidade que ninguém respeitou.

"Arte permite interpretação."

"Essa pede investigação", disse Lara.

Os filhos riram junto. Theo finalmente abraçou a cintura do pai, perdoando a derrota. Leo pediu o desenho para mostrar à avó.

"Não precisa", respondeu Rafael.

"Precisa muito."

Ao fim da manhã, tinham carimbos suficientes para os prêmios, embora nenhum dos meninos deixasse o pai esquecer o cavalo.

Na fotografia final, Lara ficou entre Rafael e os filhos. Leo pediu que se aproximassem mais. Theo colocou a ficha na frente do corpo, sério outra vez.

A câmera registrou o instante em que Lara começou a rir porque Rafael murmurou que desenharia um cavalo melhor da próxima vez.

Ela não pediu que repetissem a fotografia.

Era a primeira em que não precisava distrair ninguém para parecerem felizes.

Na saída, Leo olhou para o irmão e depois para o pai.

Theo assentiu discretamente.

Ainda faltava um prêmio que a escola não tinha colocado na ficha.

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