"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 19
A jaqueta que ele não esqueceu
"Eu não ia pedir hoje", disse Lara.
Rafael parou de dobrar uma camiseta.
Os dois ficaram quietos por um instante que ela percebeu tarde demais.
"Porque você ainda está organizando suas coisas", acrescentou depressa.
O homem baixou os olhos para a mala.
"Claro."
O sorriso discreto na boca dele não ajudou.
Lara colocou a manta na cadeira e apontou o livro junto à cama.
"Esse também é seu."
"Theo pediu para deixar."
"Theo não decide o que vai morar neste quarto."
Rafael ergueu o rosto.
"Eu percebi."
Ela saiu antes que a conversa descobrisse outros sentidos.
Na sala, Leo aguardava com a postura de quem precisava de uma explicação urgente.
"Ele vai mesmo?"
Lara se sentou perto do filho.
"Vai para a casa dele. Continua sendo seu pai. Continua vendo vocês."
"Eu sei. Mas de manhã não fica aqui."
Ela tinha pensado exatamente nisso. Não queria ouvir na voz de uma criança.
"Nós vamos organizar os horários."
Leo assentiu, sem parecer convencido.
Theo surgiu com uma caixa pequena e entrou no quarto de hóspedes. Lara ficou observando enquanto ele a entregava ao pai.
Eram peças do circuito que Gabriel trouxera, junto ao aparelho que os irmãos usavam para conversar com Antônio.
Rafael examinou a carcaça.
"Eu nunca vi esse modelo."
Theo apontou uma lateral.
"Porque a gente fez. Algumas partes. Não tudo."
O homem olhou para ele.
"Vocês montaram isso?"
"Com peças que já tinham função. O Sol arrumou umas conexões", explicou Leo, agora à porta.
Rafael virou o aparelho nas mãos com cuidado. Não era brinquedo. O acabamento tinha imperfeições, mas o trabalho dos meninos era muito mais organizado do que imaginara.
Theo esperava, tentando não parecer ansioso pela reação.
"Seu avô viu?"
"Viu."
"E sua mãe?"
O menino olhou para Lara.
"Ela sabe que a gente monta coisas."
Lara se aproximou.
"Eu também sei que algumas dessas coisas deixam parafuso em cima da minha máquina."
Leo sorriu, aliviado por a conversa não ter se tornado uma investigação.
Rafael devolveu o aparelho a Theo.
O menino abriu uma função simples que havia preparado para a família. A tela mostrava os contatos de Lara, do pai e dos avós com pequenos desenhos ao lado.
"Assim o Leo não precisa procurar muito."
"Eu sei procurar", protestou o irmão.
"Quando está com pressa, aperta errado."
Lara se inclinou para olhar. O desenho escolhido para ela era uma tesoura junto a um coração. O do pai tinha um avião.
"Eu fiquei com a tesoura?"
Leo apontou o coração.
"Com isso também."
Ela beijou sua cabeça. Rafael permaneceu olhando para os nomes na tela, surpreendido por já estar colocado entre as pessoas a quem os filhos recorriam.
Theo não fez uma apresentação grandiosa do trabalho. Mostrou uma coisa que conseguira construir para os quatro e esperou que os adultos a usassem.
Rafael pediu que lhe mandasse uma chamada de teste.
O telefone dele tocou no bolso.
Leo comemorou como se tivesse alcançado uma distância enorme. Theo sorriu, tranquilo, e Lara descobriu que não queria interromper aquela demonstração para lembrar a mala aberta.
"Depois você me mostra com calma."
"Depois quando?"
"No próximo dia em que ficarmos juntos. Não estou indo para outro país."
O menino assentiu. A frase pareceu servir para mais de uma preocupação.
Quando Mauro chegou, Rafael fechou as malas. Eram apenas duas, embora Lara tivesse a impressão de que ele espalhara muito mais coisas pela casa.
Foi conferir o armário do quarto de hóspedes e voltou segurando uma jaqueta escura.
"Faltou essa."
"Eu sei."
Ela parou junto à porta.
"Então por que ficou?"
"Posso precisar em outra visita."
Lara o encarou.
"Você está deixando roupa como se já tivesse combinado ficar."
"Estou deixando uma jaqueta. Posso levar, se atrapalhar."
Ele estendeu a mão.
Ela devia entregá-la. Em vez disso, ficou segurando o tecido por alguns segundos e depois o colocou sobre a cadeira.
"Mauro está esperando."
O sorriso de Rafael demorou a aparecer porque ele precisou primeiro entender que ela não lhe devolvera a roupa.
Theo percebeu imediatamente.
Leo também, mas preferiu a outra parte do plano.
Abraçou o pai pela cintura e começou a choramingar.
"Eu não quero que você vá."
A tristeza existia. O volume dela, porém, cresceu com um zelo teatral que Lara conhecia desde Paris.
Rafael se abaixou e alisou as costas do filho.
Theo olhou para a mãe, avaliando se deveria colaborar.
Lara ergueu uma sobrancelha.
Ele desistiu.
"Lua, você pode sentir saudade sem preparar uma apresentação."
O choro diminuiu quase na mesma hora.
Rafael passou a mão pela boca. Leo olhou para o irmão, ofendido pela falta de reforço.
Lara se aproximou e abraçou o menor também.
"Eu não estou mandando seu pai desaparecer."
"Você deixa ele voltar?"
Ela encontrou os olhos de Rafael.
"Deixo."
Theo soltou o ar. Leo abriu um sorriso que ainda tinha uma lágrima verdadeira no canto.
A despedida veio em abraços desajeitados. Rafael conseguiu usar os dois braços com cuidado; não levantou os meninos, mas os manteve perto por tempo suficiente para que Leo parasse de perguntar quando voltaria.
Com Lara, não houve abraço.
Ele parou perto da porta.
"Me avise se precisarem."
Ela assentiu.
"Você também."
A resposta fez Rafael olhar para ela de novo.
Mauro pegou a última mala, e os dois saíram.
Lara fechou a porta devagar.
O apartamento não estava vazio. Os meninos já discutiam sobre onde guardariam o circuito, e a máquina de costura continuava sobre a mesa.
Ainda assim, havia uma ausência nova no modo como os sons se espalhavam.
No jantar, ela colocou quatro pratos por hábito.
Theo olhou para o lugar vazio.
Lara tirou o prato antes que Leo fizesse um comentário.
"Eu estava distraída."
O menor assentiu com uma delicadeza rara.
"Pode deixar a caneca dele. Não precisa comer."
Ela quase riu, mas a vontade veio junto a outra coisa.
Deixou a caneca na prateleira.
Mais tarde, trabalhou no quarto de hóspedes. Tinha recuperado o espaço da mesa, mas o lugar parecia estranho sem o livro na cama e o celular carregando na tomada.
A jaqueta continuava sobre a cadeira.
Lara a pegou para guardar. Sentiu o cheiro familiar e ficou imóvel por tempo demais.
Depois colocou num cabide, fechou o armário e decidiu que não havia nada de especial em fazer aquilo.
O telefone vibrou.
Rafael enviara uma fotografia dos desenhos dos meninos, agora apoiados sobre sua mesa em casa.
Ela respondeu que Leo perguntaria pela posição correta no dia seguinte.
Ele escreveu que aguardava a inspeção.
Lara olhou para a fotografia novamente. A mesa dele tinha espaço demais entre os objetos. Seus filhos resolveriam aquilo em uma tarde, pensou.
Antes de guardar o telefone, perguntou se já havia jantado.
A resposta demorou um pouco: Ainda não.
Ela ergueu os olhos para o relógio, depois digitou que não adiantava falar das refeições dos meninos se o próprio pai esquecia as suas.
Rafael ligou.
"Eu ia pedir agora", disse, antes que ela cumprimentasse.
Lara encostou o aparelho junto à orelha, sorrindo.
"Você está apresentando uma defesa?"
"Parece necessário."
Ela ouviu o som de uma cadeira. Imaginou o quarto distante, as malas ainda fechadas e ele procurando uma tarefa para ocupar o fim daquela primeira noite.
"Os meninos já dormiram", informou.
"Dormiram bem?"
"Sim. Sentiram sua falta."
Houve uma pausa pequena.
Lara percebeu tarde que a frase não incluía tudo.
Rafael não pediu que completasse. Perguntou apenas se continuava trabalhando, e os dois falaram por alguns minutos sobre o próximo dia.
Quando desligou, o apartamento ainda parecia diferente. Mas o silêncio tinha ficado menos grande.
Lara sorriu para a tela antes de conseguir controlar.
Na manhã seguinte, Mauro chegou no horário habitual. Rafael precisara ir cedo à empresa, mas confirmara que almoçaria com os filhos no sábado.
Leo quis saber se a casa dele tinha brinquedos. Theo queria ver a mesa em que colocara os desenhos.
Lara respondeu que perguntariam ao pai, e os dois entraram na escola discutindo o passeio futuro.
Davi os recebeu com uma caixa de lanche.
"Mamãe colocou para dividir."
Leo examinou o conteúdo, encantado.
"Ela conhece a gente muito bem."
Theo pegou uma porção pequena e agradeceu. Clara os orientou a guardar para o horário apropriado.
Antes de obedecer, Davi perguntou:
"Seu pai vem no dia das famílias?"
Theo levantou a cabeça.
"Que dia?"
O menino apontou um cartaz perto da porta. Haveria atividades no pátio e nas salas, com familiares convidados.
Leo leu apenas a parte que conseguia, mas entendeu o desenho de pessoas de mãos dadas.
Os irmãos se olharam.
Na empresa, Rafael estava ouvindo um relatório quando o telefone acendeu sobre a mesa.
Não pretendia atender até reconhecer o nome de Theo.
A mensagem perguntava se poderia ir à escola na sexta-feira do evento, dali a três semanas. Ele abriu o calendário e confirmou.
Outro texto veio logo depois: Mamãe também vai.
Rafael sorriu.
Do outro lado da mesa, o funcionário que esperava uma repreensão perdeu a linha do raciocínio.
"Pode continuar", disse o chefe.
O homem continuou, discretamente agradecido a quem quer que tivesse enviado aquela mensagem.
No apartamento, ao ler o aviso da escola mais tarde, Lara procurou o telefone de Rafael.
Não precisou perguntar se ele iria.
Já havia uma mensagem: Reservei a manhã.
Ela ficou olhando para a tela e descobriu que a sexta-feira, ainda distante, começara a parecer perto demais para não pensar nela.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4