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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 18

正文开头

O que ele fazia quando ela não precisava olhar

Na manhã seguinte, Lara acordou com Theo sentado perto do travesseiro.

"O Leo ainda está dormindo", informou.

Ela passou a mão pelo cabelo dele.

"E você?"

"Acordei um pouco."

Lara afastou a coberta para que se deitasse ao lado. O menino aceitou sem protestar que já era grande.

Da cozinha, veio o som de uma xícara. Rafael conversava baixo com Lucas, e os dois ficaram quietos ao ouvir passos no corredor.

Lara deixou Theo acomodado e foi até a porta.

Rafael olhou para ela imediatamente.

"Quer café?"

"Quero saber do Mauro."

Lucas explicou que ele continuava em recuperação e que seria possível falar por telefone mais tarde. Os meninos ouviram a notícia no café da manhã.

Leo perguntou se o motorista teria um adesivo também.

Lara olhou para Rafael e quase sorriu.

"Podemos fazer um desenho", sugeriu.

Theo pegou papel. O menor escolheu uma caixa de lápis.

Quando os filhos voltaram ao quarto, Lucas deixou sobre a mesa uma pasta com os primeiros registros reunidos. Rafael a fechou antes que Lara precisasse olhar.

Ela se sentou.

"Não precisa esconder de mim."

O homem ficou sério.

"Não estou escondendo. Achei que podia esperar até você comer."

Lara soltou um pouco o ar.

"Eu ouvi a voz da Priscila."

"Vamos entregar tudo que possa ajudar a confirmar."

"Ela vai dizer que estou inventando."

Rafael apoiou a mão sobre a pasta.

"Você não vai precisar ficar discutindo isso com ela na porta de casa."

A frase a aliviou mais do que uma ameaça teria aliviado.

Lara podia imaginar a irmã chorando diante de Sérgio, a madrasta chamando aquilo de uma confusão, alguém pedindo que não prejudicasse o nome da família.

Já conhecia aquela sequência.

Agora havia outras pessoas vendo o que acontecera.

Lucas informou que os homens detidos tinham sido encaminhados às autoridades e que a relação com quem os contratara seria investigada. Rafael pediu que não omitissem nenhuma informação, mesmo as que parecessem pequenas.

Depois recebeu uma ligação da empresa.

Não fez a chamada no quarto das crianças nem junto à mesa do café. Foi para a varanda.

Lara ouviu apenas uma parte.

"O projeto novo não vai seguir. Quero revisar o que ainda não foi assinado."

Quando voltou, ela estava esperando.

"A empresa do meu pai?"

Rafael não fingiu não entender.

"Tinha uma parceria em discussão. Não vou financiá-la."

Lara passou os dedos pela borda da mesa.

"Eu disse que queria cuidar das minhas coisas."

"E vai. Não decidi por você como fazer sua carreira nem o que dizer a eles. Decidi onde não quero colocar meu dinheiro depois que minha família foi ameaçada."

Ela ergueu o rosto.

Minha família.

Não perguntou a quem ele se referia.

Rafael permaneceu perto, deixando que avaliasse a resposta.

Lara assentiu devagar.

Na casa dos Azevedo, Sérgio recebeu a notícia antes do almoço.

Tentou duas ligações sem conseguir falar com Rafael. Na terceira, Lucas informou que a negociação havia sido encerrada.

正文1

Márcia o encontrou na sala com a gravata solta.

"O que aconteceu?"

"A sua filha."

Ela parou.

Sérgio apontou o telefone.

"Tem alguma coisa que vocês não me contaram?"

Márcia respondeu que Priscila andava nervosa desde a volta de Lara. Não mencionou as mensagens apagadas nem o modo como a filha evitara atender suas chamadas na noite anterior.

Sérgio passou a mão pelo rosto.

"Eu construí tudo isso. Não vou perder por causa de briga entre vocês."

Márcia olhou para ele.

"Você sabe de onde veio o primeiro dinheiro."

O nome de Beatriz não precisou ser dito para ocupar a sala.

Sérgio mandou que procurasse Priscila. Não era preocupação com Lara nem com os netos. Era medo de que a própria casa começasse a cobrar o que ele sempre preferira esquecer.

No apartamento, os desenhos para Mauro ficaram prontos depois do almoço. Theo fez um carro de rodas grandes. Leo acrescentou o motorista com uma cabeça enorme e um coração junto ao bolso.

Durante a ligação, os meninos falaram um por vez pela primeira vez em muitos dias.

Mauro agradeceu e disse que estava sendo cuidado. A voz cansada deixou Leo mais sério, mas não o fez desligar.

"Nós também estamos", respondeu.

Rafael, perto da mesa, baixou os olhos.

Nos dias seguintes, Lara reorganizou o trabalho e os horários dos filhos. A escola soube do necessário; Clara os recebeu sem pedir que contassem a história diante dos colegas.

Davi trouxe um lanche para dividir e reclamou que o trem ficara incompleto sem os dois.

Leo respondeu que fariam direito daquela vez. Theo já procurava a caixa azul.

Era o primeiro dia em que Lara os viu entrar sem olhar de novo para trás.

Naquela tarde, trabalhou em casa. Rafael permanecia no quarto de hóspedes, entre os retornos médicos e as reuniões que conseguia realizar sem transformar a sala numa extensão do escritório.

Lara encontrou a fotografia da mãe ao procurar uma pasta antiga.

Ficou sentada por algum tempo com a imagem no colo.

Rafael apareceu à porta.

"É Beatriz?"

Ela assentiu.

"Você se parece com ela?"

Lara examinou o rosto da fotografia.

"Sempre achei que não muito. Mas lembro dela penteando meu cabelo. Dessa parte eu lembro bem."

Ele se sentou perto, sem pegar a imagem.

"Ela gostava de desenhar?"

"Gostava de roupa bonita. E de me deixar escolher uma fita que nunca combinava com o vestido."

Lara sorriu ao recordar.

"Meu pai não começou com nada. Foi a família dela que ajudou. Albuquerque. Eles tinham negócios fora do Brasil. Minha mãe já vivia afastada deles quando eu era pequena."

Rafael ouviu o sobrenome sem interromper.

"Ela contava por quê?"

"Pouco. Falava que algumas casas podem ser grandes e ainda assim não ter espaço para todo mundo. Eu não entendia."

Lara tocou na borda da fotografia.

"Depois ela morreu. Eu tinha seis anos. E o que ela contava ficou incompleto."

正文2

Lara ajeitou a fotografia no colo.

"Eu achava que Márcia tinha aprendido a gostar de mim. Durante anos, fazia tudo parecer um cuidado. Quando eu precisava de alguma coisa, ela aparecia. Se eu discutia com Priscila, explicava que eu era a mais velha e precisava entender."

Rafael ficou olhando para ela.

"Você acreditou."

"Acreditei. Eu queria acreditar. Bruno também entrou assim. Como uma pessoa que parecia ter escolhido ficar comigo."

Lara respirou fundo antes de contar sobre a mensagem que a levara ao quarto errado e a conversa que ouvira ao voltar para casa. Não descreveu a noite inteira. Não precisava.

Rafael ouviu o nome do noivo e o da irmã sem interromper. A mão livre fechou devagar, depois se abriu quando ela olhou.

"Eu não soube como explicar para ninguém", continuou Lara. "Eles já tinham uma história pronta. Eu só tinha vergonha de ter confiado."

Ele aproximou o rosto, atento.

"Você não precisava saber o que eles estavam escondendo para merecer ser bem tratada."

Ela tentou sorrir, mas os olhos ficaram úmidos.

Rafael esperou. Quando Lara baixou a fotografia, pegou sua mão com cuidado.

Ela deixou.

"Agora às vezes demoro para acreditar quando uma pessoa faz alguma coisa sem cobrar depois", disse.

Ele apertou seus dedos de leve.

"Eu vou estar aqui para você conferir."

Lara soltou uma risada pequena.

"Você fala como se fosse fácil."

"Não é. Mas eu gosto de ficar."

Ela olhou para ele, ainda emocionada, e pela primeira vez permitiu que o conforto durasse sem procurar uma razão escondida.

Rafael olhou para o rosto de Lara, percebendo que a volta ao país havia aberto mais de uma ferida antiga.

"Você guardou muita coisa sozinha."

"Eu também guardei os dois melhores resultados."

Ela apontou os meninos, que discutiam no tapete sobre o desenho de um foguete.

Rafael sorriu. Lara ficou olhando para a fotografia mais um instante e depois a colocou perto dos filhos.

Ao longo das semanas, o quarto de hóspedes deixou de parecer provisório. Uma camiseta secava junto às pequenas roupas no varal. Havia uma caneca escolhida por Leo, um livro que Theo insistia em deixar ao lado da cama e uma almofada que Lara reposicionava sem pensar.

A recuperação exigiu paciência. Rafael aprendeu a aceitar ajuda sem transformar cada dificuldade em desculpa para chamá-la. Lara, em troca, deixou de desconfiar de toda aproximação.

Às vezes sentavam na cozinha depois que os filhos dormiam. Falavam de tecidos, da empresa, do próximo dia. Algumas noites bastava ficar em silêncio.

Oito semanas depois do acidente, ele voltava a usar o braço nas tarefas comuns e seguia recuperando força. O médico liberou a rotina com orientações sobre esforço, e os compromissos na empresa já ocupavam quase todos os dias.

Teresa e Antônio estavam novamente em casa. Mauro também havia retornado ao trabalho.

Rafael não tinha mais uma razão convincente para permanecer no quarto de hóspedes.

Naquela noite, Lara foi buscar uma manta e encontrou uma mala aberta sobre a cama.

O peito apertou antes que pudesse chamar aquilo de alívio.

"Você está arrumando?"

Rafael olhou para ela.

"Achei melhor não esperar que você pedisse."

Lara segurou a manta com as duas mãos.

Era exatamente o que deveria querer.

Não soube por que tinha deixado de parecer uma boa notícia.

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