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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 17

正文开头

Agora eles podiam chorar

O homem avançou para tomar o telefone de Theo.

"Me dá isso."

O menino recuou até a cadeira da mãe. Leo colocou a garrafa vazia diante do corpo, tentando parecer apenas assustado.

Estava assustado. A parte que precisava fingir era outra.

Lara sentiu a amarra ceder um pouco. Não olhou para as próprias mãos.

"Se ele conseguiu falar, alguém já sabe", disse ao homem.

O sequestrador hesitou e chamou o companheiro junto à porta. Os dois discutiram por alguns segundos sobre o sinal, cada um tentando culpar o outro.

Foi o intervalo de que Theo precisava.

Leo deixou a garrafa cair perto da passagem. Quando um dos homens se abaixou para afastá-la, o menino ergueu o borrifador e lançou água no seu rosto.

Não o derrubou. Não o deixou incapaz de agir. Apenas o fez fechar os olhos e recuar, irritado com uma coisa que não esperava.

Lara soltou a mão e empurrou a cadeira contra suas pernas.

"Corram!"

Theo pegou o irmão. Os dois saíram pela passagem lateral, e Lara foi atrás, ainda trabalhando para liberar o outro pulso.

O corredor terminava numa porta. Theo tentou abrir. Trancada.

Leo se virou, procurando outro caminho.

Não havia.

Lara colocou os filhos atrás de si quando os homens apareceram. Um deles tinha o telefone pequeno de Theo na mão.

"Seu pai não estava falando coisa nenhuma."

O menino sentiu o rosto esquentar.

"Ele vai vir."

"Vai nada."

Lara sustentou o olhar do homem e continuou protegendo os filhos, embora a força nas pernas estivesse diminuindo.

Do lado de fora, Rafael chegou com Lucas e os profissionais que o acompanhavam. A localização do carro levara ao acesso do galpão; a polícia já tinha recebido as informações.

O braço imobilizado o impedia de agir como queria. Pela primeira vez, precisou aceitar que outra pessoa abrisse o caminho enquanto ele tentava reconhecer vozes dentro da construção.

Ouviu Leo chamar pela mãe.

Tudo dentro dele se estreitou até aquele som.

No corredor, Theo ergueu a cabeça.

O homem diante dele soltou uma risada.

"Não adianta olhar assim. Essa mentira já acabou."

Rafael apareceu atrás dele.

"Afaste-se dos meus filhos."

O sequestrador ficou imóvel antes de se virar. Reconheceu o rosto, depois os homens à entrada e as ordens que já vinham de outra parte do galpão.

Lara não esperou que terminassem de contê-lo.

Puxou os dois meninos e caminhou na direção de Rafael.

Leo começou a chorar alto. Theo segurou a mão da mãe até alcançar o pai.

Rafael se abaixou com cuidado e recebeu os dois do lado do braço livre. O menor se agarrou à camisa. O mais velho encostou o rosto no seu ombro, sem tentar manter a expressão séria.

Lara parou junto deles.

Tinha conseguido correr, falar, observar e proteger. Agora que não precisava mais fazer nada disso sozinha, não conseguiu formular uma frase inteira.

"Eles..."

Rafael ergueu os olhos.

正文1

"Eu estou vendo."

Ela levou a mão à boca. As lágrimas vieram de uma vez.

"Você demorou."

Ele assentiu, mesmo sem saber como teria conseguido chegar antes.

"Desculpa."

Lara se aproximou e abraçou sua cintura, cuidando do braço sem conseguir pensar nisso direito. Rafael se levantou apenas o suficiente para sustentá-la com a mão direita.

Ela chorou contra sua camisa.

Não havia nada bonito no jeito como seu corpo tremia. Ele não tentou arrumar aquele momento com uma frase elegante.

"Estou aqui", repetiu, baixo. "Os meninos estão aqui."

Leo continuava preso à sua perna. Theo ficou junto à mãe, segurando a borda da blusa.

Rafael colocou a mão na nuca de Lara e manteve os três perto até Lucas avisar que poderiam sair com segurança.

Antes de caminharem, Theo levantou o rosto.

"Eu menti que você estava no telefone."

Rafael olhou para ele.

"Eu soube."

"Não dava para ligar."

O menino parecia precisar explicar por que o pedido não havia chegado.

Rafael passou a mão pelo seu cabelo.

"Você ganhou tempo."

Theo começou a chorar novamente, desta vez sem esconder.

"Eu estava com medo."

O pai o trouxe para mais perto.

"Eu sei, Sol."

Lara tocou as costas do filho e ficou ali, alisando o tecido enquanto ele chorava.

Leo olhou para o pai por cima da própria manga molhada.

"Eu também."

"Podem ficar com medo agora", disse Rafael. "Nós vamos para casa."

A avaliação inicial aconteceu antes que partissem. Lara tinha marcas nos pulsos e precisava verificar o golpe na cabeça; os meninos estavam abalados, mas sem lesões importantes aparentes. Foram encaminhados para atendimento, e Rafael permaneceu com eles durante os exames e as perguntas necessárias.

Lucas cuidou dos telefonemas. As informações sobre o galpão, o carro e os envolvidos seriam entregues à investigação. O telefone tomado de Theo também foi recuperado.

Quando Lara mencionou a voz de Priscila, Rafael ficou tão quieto que ela percebeu sua raiva antes de vê-la.

"Depois", pediu.

Ele olhou para os filhos, sentados juntos na cadeira.

"Depois."

Mauro estava recebendo atendimento em outro local. Lucas confirmou que sobrevivera ao ataque e que a equipe médica acompanhava seus ferimentos.

Leo perguntou por ele duas vezes. Rafael respondeu as duas, sem irritação.

No caminho de volta, Lara ficou entre as cadeirinhas, segurando uma mão de cada menino. Rafael sentou no banco da frente; Lucas dirigia.

Theo adormeceu primeiro. Leo resistiu, abrindo os olhos sempre que o carro mudava de velocidade.

"É nosso caminho?"

Lara olhou para a janela.

"É. Estamos perto."

O menino apertou sua mão até ver a entrada do prédio.

Em casa, Rafael deixou os dois escolherem quem os ajudaria a se trocar. Queriam a mãe, mas não queriam que ele saísse da sala.

Lara lavou os rostos pequenos, retirou as roupas sujas e encontrou a camiseta de dormir que Leo preferia. Theo pediu a manta antiga de Paris.

Tudo aquilo tinha servido em noites comuns. Naquela, parecia ajudar a devolver o mundo ao tamanho conhecido.

正文2

Rafael aguardou junto à porta, de camisa amassada, o cabelo fora do lugar. Quando Lara saiu do quarto, encontrou uma refeição simples que Lucas havia providenciado.

Os meninos comeram pouco, mas beberam água. Leo quis sentar no colo do pai; Rafael explicou onde poderia se apoiar sem machucar o braço.

Theo ficou ao lado da mãe, encostando o pé no dela por baixo da mesa.

Leo segurou o pão nas duas mãos e olhou para o pai.

"Como você achou?"

Rafael explicou que o carro tinha um sistema que permitia saber por onde passara e que Lucas ajudara a reunir as informações.

Theo ouviu com atenção.

"Eu achei que ninguém sabia."

"Eu estava procurando desde que vocês demoraram."

O menino olhou para a mãe, depois para o próprio prato.

Lara percebeu que aquela resposta desfazia uma parte importante do medo. Os filhos não tinham sido esquecidos enquanto estavam longe.

Leo tomou um gole de água e deixou o pão sobre a mesa.

"Eu não quero brincar de esconder amanhã."

Rafael assentiu.

"Amanhã você escolhe outra coisa."

"Pode ser o trem."

"Pode."

Theo aproximou o pé mais um pouco do da mãe. Lara encostou de volta, aceitando aquela conversa silenciosa que ainda precisava continuar.

Ninguém mencionou o jantar perdido nem a hora.

Depois, Lara deitou entre os filhos até os dois dormirem. Rafael ficou na cadeira próxima, recebendo o peso do olhar dela sempre que levantava o rosto.

Quando precisou se levantar, avisou.

"Vou buscar água. Já volto."

Lara assentiu, grata por não ter de perguntar.

Mais tarde, acordou no próprio quarto. Tinha ido até ali acompanhada dele, ainda sonolenta, depois que os meninos estavam acomodados.

Agora a luz junto à cama estava acesa, e Rafael aguardava na poltrona.

"Que horas são?"

"Quase duas."

Ela tentou se sentar e sentiu o corpo reclamar.

Ele se aproximou, ajudando com a mão livre.

"Os meninos?"

"Dormindo. Fui ver há pouco."

Lara bebeu a água que ele ofereceu. Só então percebeu a fome.

Rafael pareceu entender.

"Tem comida quente. Quer tentar?"

Ela assentiu.

Na cozinha, ele abriu um recipiente com caldo de legumes e frango desfiado, acompanhado de pão. O cheiro simples fez Lara fechar os olhos por um instante.

"Ainda está quente."

"Eu mantive para você."

Ela sentou e segurou a colher. Rafael ficou na cadeira em frente, esperando sem vigiar cada gesto.

A comida desceu devagar. A cada colher, Lara parecia encontrar mais uma parte de si que o medo havia espalhado.

"Você não dormiu", disse.

"Vou dormir."

"Esse não foi o assunto."

Rafael sorriu, cansado.

Ela estendeu a mão sobre a mesa. Desta vez, não precisou de uma emergência para tocar nos dedos dele.

"Obrigada por vir."

Ele fechou a mão em torno da dela.

"Eu sempre vou procurar vocês."

Lara ficou olhando para aquele encontro de mãos até ouvir um barulho no corredor.

Theo aparecera na porta, abraçando a manta.

"Posso ficar aqui também?"

Rafael puxou a cadeira ao lado.

"Pode."

Quando Leo veio atrás, ninguém perguntou por que tinham acordado.

Sentaram os quatro na cozinha, de madrugada, e Lara percebeu que ainda tinha medo.

Leo pediu que deixassem uma luz acesa no corredor. Rafael concordou e se levantou para acender. Theo acompanhou o gesto até o fim, como se precisasse ver a casa obedecer àquele pequeno pedido.

Mas já não precisava sustentá-lo sozinha.

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