"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 16
Os meninos também estavam com medo
Lara tentou ligar para Rafael enquanto o carro saía da rua.
A chamada não completou. Tentou Mauro, com o mesmo resultado.
O motorista disse que o sinal naquela região estava ruim. Ela guardou o aparelho por alguns segundos, sem se sentir inteiramente satisfeita.
Na escola, desceu pessoalmente para buscar os filhos.
Leo vinha com um cubo de montar na mão. Theo carregava a mochila e explicava que Davi tinha pedido para aprender um movimento.
Os dois entraram no carro, e Lara conferiu os cintos.
"Cadê o Mauro?", perguntou Leo.
"Esse senhor está substituindo hoje. Mauro precisou ser atendido."
O menino olhou para a nuca do desconhecido.
"Ele está bem?"
"Eu estou tentando saber."
Theo ouviu o tom da mãe e levantou os olhos do cubo.
O carro seguiu em silêncio. Lara tentou outra ligação. Nenhuma resposta.
Depois de alguns minutos, percebeu que não haviam virado na rua habitual.
"O caminho é por ali."
"Trânsito", respondeu o motorista.
Ela olhou para a janela. Havia movimento, mas não uma interrupção que justificasse aquela direção.
Theo também olhou.
"A gente nunca passa aqui."
Lara segurou o telefone com mais força.
"Pare o carro."
O homem não parou.
No retrovisor, seu rosto perdeu a aparência prestativa.
"Fique quieta. Vai ser melhor para os meninos."
O medo chegou inteiro.
Lara aproximou os filhos de si o quanto os cintos permitiam. Leo ficou muito pálido. Theo segurou a mão do irmão.
"O que você quer?"
"Só levar vocês."
"Se o problema é comigo, deixe as crianças."
O homem riu sem humor.
"Você não está escolhendo."
Lara tentou abrir a porta e encontrou o travamento. O carro continuava avançando, deixando as ruas mais movimentadas.
Não fez um segundo gesto brusco. Precisava observar, ganhar tempo e impedir que o homem tocasse nos meninos.
"Eles são pequenos", disse. "Não precisam ouvir ameaça."
"Então faça eles ficarem quietos."
Lara encostou a mão no cabelo de Leo.
"Olha para mim, Lua."
Ele olhou, com os olhos cheios de lágrimas.
"Fica com seu irmão."
Theo assentiu antes que ela pedisse.
O cubo permaneceu entre suas pernas. Seus dedos estavam apertados demais para brincar.
Leo olhou para a mãe e fez um movimento pequeno com a mão, procurando seus dedos. Lara o alcançou e apertou de leve.
Theo viu o gesto. Era uma coisa que faziam em lugares novos, quando os meninos não queriam dizer em voz alta que estavam assustados.
Agora nenhum dos três fingia que era apenas um lugar novo.
O mais velho colocou a própria mão perto da do irmão. Leo soltou um soluço e tentou enxugar o rosto na manga.
Lara queria abraçá-los inteiros. Precisou se contentar com aquela faixa estreita de contato entre os bancos e os cintos.
"Fiquem comigo", disse baixo.
Não era uma ordem para que fossem fortes. Era a única coisa que conseguia prometer naquele carro.
Theo assentiu, mas sentia a barriga apertada. Conhecia telas, números e caminhos desenhados num mapa. Não conhecia aquela estrada nem o homem que ameaçava sua família.
Olhou para Leo e percebeu que o irmão precisava de um rosto conhecido. Então manteve os olhos nele, embora também quisesse chorar.
Lara tentou acompanhar as placas. Algumas passaram rápido. Conseguiu guardar parte de uma saída, uma fachada e a direção em que o motorista seguia.
Não sabia se conseguiria usar nada daquilo.
Quando chegaram a uma construção afastada, havia outros homens esperando.
Um abriu a porta e puxou Lara pelo braço. Ela se segurou no banco.
"Não toquem neles. Eu desço."
O homem a arrastou mesmo assim.
Leo gritou pela mãe. Theo tentou sair logo atrás, mas um dos homens o ergueu pelo corpo.
Lara se virou com força. Sentiu um cheiro desagradável junto ao rosto, uma mão fechando sua passagem e um golpe quando tentou se libertar.
A última coisa que viu foi Leo chorando.
Depois tudo escureceu.
Quando recobrou a consciência, estava numa cadeira, com os braços presos. A cabeça doía, e uma luz alta tornava difícil distinguir o espaço.
"Mamãe."
Theo estava perto. Leo, atrás dele.
Lara tentou se mover imediatamente.
"Vocês estão machucados?"
O mais velho negou. Leo tinha uma marca vermelha na manga, mas não havia sangue. Chorava em silêncio, tentando obedecer à ordem de não fazer barulho.
Ela sentiu o coração se partir e precisou manter a voz estável.
"Venham perto."
Os meninos se encostaram nas suas pernas.
Um homem junto à porta mandou que ficassem ali. Não considerava duas crianças uma ameaça suficiente para imobilizá-las como a mãe.
Lara olhou ao redor. Um galpão desativado, restos de equipamentos, paredes manchadas e uma passagem lateral.
Não conhecia o lugar.
Conhecia, porém, a voz que saiu do telefone do homem quando ele recebeu uma ligação.
Priscila.
Lara não ouviu tudo. Ouviu seu próprio nome e a pergunta sobre os meninos. Foi suficiente.
O sequestrador se afastou para conversar, e Theo tocou discretamente nos dedos da mãe.
Ela virou a mão o pouco que podia.
O menino estava tentando avisar que ainda tinha algo no bolso.
Lara não olhou para baixo. Não queria chamar atenção.
"Eu estou aqui", disse a Leo.
O menor respirou fundo, sem conseguir parar inteiramente o choro.
"Eu quero ir para casa."
"Eu sei."
"O papai vem?"
Lara fechou os olhos por um instante.
Queria prometer. Não sabia se alguém sequer percebera que estavam desaparecidos.
"Ele vai procurar a gente."
Theo ouviu e se endireitou.
Não precisava de uma promessa absoluta. Precisava de tempo.
Quando o homem perto da porta se distraiu, o menino tentou ligar com o pequeno aparelho que carregava. A conexão falhou. Tentou uma mensagem curta; o envio permaneceu pendente.
Lembrou daquele aperto de mão no carro enquanto procurava outra oportunidade.
Não estava tentando mostrar que era mais inteligente que os adultos. Queria sair dali com a mãe e o irmão.
Demorou um pouco para firmar os dedos. A tela pareceu pequena demais, e a ausência de conexão tornou tudo pior.
Respirou como Lara fazia quando precisava recomeçar um desenho difícil.
Depois guardou o aparelho e voltou a observar. Leo continuava perto. A mãe trabalhava para manter os dois calmos. Precisava ajudar sem chamar atenção.
Leo viu a tela e olhou para o irmão.
Theo negou discretamente.
Do outro lado da cidade, Rafael esperava a volta da família e estranhava o atraso. A primeira chamada para Lara não completou. A segunda também não.
Ligou para Mauro.
Sem resposta.
O homem que Lucas enviara para conferir a situação encontrou o motorista ferido perto do local onde haviam tomado o carro. Chamaram atendimento e polícia; Lucas avisou Rafael imediatamente.
Rafael se levantou depressa demais. A dor no braço o atingiu, mas não o fez voltar à cadeira.
"Quando foi?"
Lucas informou o intervalo possível, depois o horário em que a escola confirmara a retirada dos meninos pela própria mãe.
Lara tinha entrado no carro certo.
Com a pessoa errada.
Rafael fechou os olhos, contando uma vez até conseguir organizar a voz.
"O rastreamento do veículo. Agora."
No galpão, Theo guardou o aparelho e encostou de novo na mãe.
Um dos homens se aproximou para verificar suas mãos. Lara começou a falar, atraindo a atenção para o próprio rosto.
"Minha irmã quer dinheiro? Quer que eu grave alguma coisa?"
"Sua irmã quer que você aprenda."
Lara sustentou o olhar dele.
"Então venha falar comigo. As crianças não têm nada a ver com isso."
O homem se inclinou, satisfeito com a possibilidade de intimidá-la.
Theo puxou o irmão para o lado, afastando-o da passagem.
Leo sentia medo. Não conseguia fazer o coração parar de correr. Mas conhecia o olhar do irmão quando precisavam agir juntos.
A mochila tinha ficado perto de uma caixa. Dentro havia um pequeno borrifador usado num trabalho escolar e objetos que os adultos não haviam considerado importantes.
Os meninos não tinham um plano perfeito. Tinham olhos atentos e a vantagem de ninguém acreditar que precisariam ser vigiados de perto.
Quando o homem voltou à porta, Theo alcançou a mochila com um movimento curto. Leo ficou no meio, tentando parecer apenas uma criança chorosa querendo água.
"Posso beber?"
O homem apontou uma garrafa sobre uma caixa e mandou que não derramasse.
Leo obedeceu. Suas mãos tremiam de verdade.
Theo aproveitou o breve intervalo para entregar à mãe um pequeno objeto que poderia ajudar a soltar a amarra. Lara o recebeu junto à mão, sem olhar.
Depois ouviu o telefone do menino tocar um som curto.
Não era uma chamada recebida. Era apenas um aviso do próprio aparelho.
Theo ergueu a cabeça e tomou uma decisão.
"Pai?"
O homem junto à porta se virou.
O menino segurava o telefone perto do ouvido.
"A gente está aqui. A mamãe também."
Leo entendeu e ficou imediatamente quieto.
Lara continuou trabalhando a amarra sem baixar os olhos.
"Quem está falando?", perguntou o sequestrador.
Theo olhou para ele com o rosto sério que havia herdado do pai.
"Meu pai."
O homem se aproximou. Theo deu um passo para trás.
"Ele já sabe onde a gente está."
Era mentira.
Lara soube. Leo soube. Os homens, por um instante, não souberam o que fazer com a certeza do menino.
E, longe dali, Rafael recebeu a última posição disponível do próprio carro.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4