"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 15
Noventa e nove rosas não compravam uma resposta
Diego passou a noite lendo versões antigas da mesma história.
As fotografias do hotel continuavam disponíveis em publicações que confundiam repetição com certeza. O nome de Lara aparecia ao lado de palavras que ele julgou suficientes para explicar quem ela era.
Não procurou falar com Rafael.
Se o amigo estivesse envolvido demais, talvez defendesse a mulher antes de ouvir qualquer argumento. Diego preferia apresentar uma prova que considerasse impossível de discutir.
Tinha uma ideia simples, e uma confiança grande demais na própria ideia.
Se Lara aceitasse sua atenção e seu dinheiro, Rafael entenderia.
Na Maison Vallon, Lourenço recebeu com interesse a proposta de uma coleção conjunta para uma iniciativa da Salles. Havia um projeto comercial real, com prazos e referências suficientes para justificar a reunião.
Diego fez questão de perguntar quem coordenava os desenhos.
O diretor mencionou Lara.
Ele sorriu.
Na manhã da reunião, Lara chegou ao ateliê pensando nos botões de Rafael e no ridículo de ainda lembrar daquilo durante o trajeto.
Ele a encontrara na cozinha cedo, usando uma camiseta que finalmente não exigia assistência. Quando ela comentou a melhora, Rafael respondeu que não gostaria de eliminar todos os motivos para vê-la de perto.
Lara lhe entregou o prato com dois pedaços de tomate a mais.
Agora sorria sozinha diante da bancada.
Joana se aproximou com uma pasta.
"Você está de bom humor."
"Eu gosto desse tecido."
A assistente olhou para a amostra cinza que as duas haviam chamado de problemática no dia anterior.
"Ele melhorou durante a noite?"
Lara pegou a pasta.
"O que temos?"
Joana explicou a reunião e mostrou as informações recebidas. Lara examinou referências, tirou dúvidas sobre o cronograma e separou os desenhos relevantes.
Quando entrou na sala, Diego estava perto da janela, com a camisa aberta no colarinho e um sorriso preparado.
Era bonito. Sabia disso de uma maneira que Lara identificou quase imediatamente.
"Lara Azevedo?"
"Sim. Prazer."
Ela estendeu a mão. Diego segurou por um instante mais longo do que deveria.
"Não disseram que a designer seria tão interessante quanto os desenhos."
Lara puxou a mão, sem mudar a expressão.
"Espero que tenha gostado dos desenhos. São o motivo da reunião."
Lourenço indicou as cadeiras e abriu a apresentação antes que o silêncio se tornasse constrangedor.
Durante a conversa de trabalho, Diego mostrou uma competência que contrastava com a abordagem inicial. Conhecia o público do projeto, perguntou por custos de produção e identificou um problema no prazo.
Lara ajustou uma solução, explicou a escolha de materiais e recusou uma ideia que comprometeria o caimento.
Diego a ouviu com atenção.
Não esperara ter de respeitar tanto uma mulher que chegara decidido a desprezar.
A surpresa não foi suficiente para fazê-lo rever a história. Apenas tornou o plano mais interessante, na sua opinião.
Quando a reunião terminou, Lourenço saiu para buscar um documento. Diego aproveitou o intervalo.
"Podemos continuar a conversa no almoço."
"Eu preciso terminar uma prova de roupa."
"Seu diretor vai entender."
"Eu combinei com uma equipe que está esperando."
Ele se aproximou do lado da mesa.
"Então jantar."
Lara guardou os desenhos.
"Também tenho compromisso."
"Todos os dias?"
"Tenho dois filhos. Na maior parte dos dias, sim."
Diego pensou no mercado e na voz de Rafael pelo telefone. A confirmação da maternidade pareceu fortalecer sua conclusão, quando deveria ter provocado mais perguntas.
"Seu marido não pode ficar com eles?"
"Eu não tenho marido."
O sorriso dele aumentou.
"Então não vejo por que não..."
"Eu acabei de explicar."
A voz de Lara perdeu a cordialidade suficiente para tornar o limite claro.
Diego ficou um segundo sem responder.
Lourenço voltou, entregou o documento e não percebeu a mudança na sala. Lara se despediu profissionalmente e retornou ao ateliê.
Joana perguntou como fora.
"O projeto é bom."
"E o cliente?"
Lara olhou para ela.
"Vamos manter o assunto no projeto."
A assistente assentiu, embora o sorriso sugerisse que havia entendido mais que a resposta.
Em casa, Rafael a encontrou cansada e ofereceu ouvir sobre o dia.
Lara deixou a bolsa numa cadeira.
"Um cliente que não sabe receber um não."
O rosto do homem mudou.
"Que cliente?"
"Um projeto novo da empresa. Nada que eu não consiga resolver."
Ela tirou os sapatos antes de continuar.
"Se eu precisar de ajuda, falo."
Rafael observou o rosto dela e conteve a pergunta seguinte. Era uma promessa que já lhe pedira antes, e precisava permitir que ela a cumprisse no próprio tempo.
Leo apareceu com uma colher na mão.
"O jantar está quase. Eu ajudei."
Lara olhou para a cozinha.
Mauro tinha trazido a refeição encomendada. Rafael organizara os pratos com o braço livre, e os meninos se encarregaram de espalhar talheres em lugares discutíveis.
"Você não precisava", disse ela.
"Eu também moro aqui esta semana", respondeu Rafael.
Theo apontou a cadeira da mãe.
"A sua ficou melhor."
Ela se sentou sem saber o que fazer com o alívio que sentia.
Durante o jantar, Leo perguntou se o pai dormia bem no quarto pequeno.
"Durmo", respondeu Rafael.
"Mais do que na sua casa?"
Ele olhou para Lara antes de dizer que, naquela semana, sim.
Theo pareceu guardar a informação. O irmão quis saber se poderiam pôr mais desenhos na parede, para melhorar ainda mais.
"A dona da casa decide", disse Rafael.
Lara colocou o garfo no prato.
"Podem usar a prancheta. Na parede, não."
Leo aceitou a alternativa e começou a discutir com Theo que desenho fariam. O pai ouviu, embora sua atenção voltasse constantemente à mulher do outro lado da mesa.
Quando terminaram, os meninos correram ao quarto buscar papel. Lara permaneceu sentada por um minuto, sentindo o cansaço do dia finalmente chegar.
Rafael se aproximou.
"Não vai contar sobre o trabalho?"
Ela olhou para ele, surpresa por ainda se lembrar.
"A gente resolveu a prova do vestido. O ombro ficou bom."
"Você estava preocupada com aquilo."
"Estava."
Contou a mudança que fizera e como a equipe reagira. Rafael ouviu sem fingir entender mais de costura do que entendia; fez uma pergunta simples, e ela mostrou com a mão o movimento do tecido.
Ele acompanhou a explicação até o fim.
Lara percebeu que não estava apenas falando do problema daquele dia. Estava descobrindo o prazer de encontrar alguém em casa e ter uma coisa boa para contar.
Quando Leo voltou com os desenhos, ela já parecia menos cansada.
Na manhã seguinte, chegou um enorme buquê ao ateliê.
Noventa e nove rosas, informou o entregador, como se a quantidade tornasse o gesto irresistível.
O nome de Diego estava no cartão.
Joana chamou Lara, e duas pessoas do setor levantaram a cabeça. Lourenço sorriu ao passar, convencido de que a parceria comercial renderia uma aproximação pessoal.
Lara leu o cartão sem sorrir.
"Obrigada por trazer", disse ao entregador. "Mas não vou ficar com as flores."
O homem consultou a nota.
"Posso registrar a recusa."
"Por favor."
Ele reorganizou a embalagem e saiu. O espaço deixado pelo buquê pareceu tornar a curiosidade das pessoas ainda maior.
Lara voltou ao trabalho.
Joana foi atrás.
"Você não gostou?"
"Eu gosto de flores. Não gostei de dizer que não quero sair com alguém e receber isso no dia seguinte."
A assistente deixou de sorrir.
"Entendi."
Lara assentiu, agradecendo o encerramento do assunto, e pegou o lápis. Uma parte do desenho parecia inadequada agora que via o tecido em movimento. Preferia gastar a manhã resolvendo aquilo.
Diego recebeu a notícia da recusa pouco antes do almoço.
Em vez de aceitar, concluiu que precisaria de mais insistência. Era difícil perder um jogo que acreditava ter criado para salvar outra pessoa.
No fim da tarde, estacionou seu carro amarelo perto da Maison Vallon.
Lara o reconheceu ao sair.
Continuou olhando para a rua, procurando o carro que Mauro normalmente trazia.
Diego baixou o vidro.
"Você recusou minhas flores."
"Recusei."
"Não gostou da cor?"
Ela virou o rosto.
"Não era uma questão de cor."
"Então me dê uma chance de entender no caminho. Posso levar você."
"Já tenho quem leve."
Diego olhou para o celular dela, depois para a rua.
"Seu carro está atrasado."
"Eu consigo esperar."
O silêncio não durou. Ele tentou comentar o projeto, sugerir outro restaurante e perguntar onde ficava a escola dos meninos.
Lara apertou a bolsa junto ao corpo.
"Nós conversamos sobre trabalho no horário de trabalho. Agora eu preciso ir."
O carro de Rafael apareceu antes que ele insistisse novamente.
Ela reconheceu a placa e caminhou até a porta traseira. O motorista saiu para abri-la.
Não era Mauro.
"Boa tarde, senhora Lara. Vim substituir o Mauro. Ele se machucou e foi atendido."
Ela parou.
"Machucou? Como?"
"Um acidente na saída. Pediu que eu viesse para não deixar a senhora e os meninos esperando."
O homem usava a mesma roupa escura dos funcionários que ajudavam Rafael. Sabia seu nome, tinha o carro certo e mencionou o Colégio Horizonte antes que ela perguntasse.
Diego chamou de novo do outro veículo.
Lara entrou para encerrar aquela abordagem e pegou o telefone.
Queria confirmar como Mauro estava.
Quando a porta se fechou, o motorista olhou para ela pelo retrovisor.
"Vamos buscar seus filhos primeiro. O senhor Rafael está aguardando vocês."
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