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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 14

正文开头

O lado da cama que a mãe perdeu

O relógio da sala marcou quase meia-noite quando Theo desceu do beliche.

Leo já estava sentado na cama de baixo, abraçando o travesseiro.

"Demorou."

"Você está falando alto."

O menor fechou a boca e assentiu com energia.

Os dois atravessaram o corredor na ponta dos pés. Theo abriu a porta do quarto de hóspedes devagar; Leo escorregou primeiro para dentro.

Rafael ouviu o movimento e acendeu a luz pequena da mesa.

"O que aconteceu?"

As duas crianças pararam como se tivessem sido flagradas numa reunião proibida.

"Nada", disse Leo.

"Então por que vocês estão aqui?"

Theo olhou para a cama.

"A gente queria ficar perto."

O pai pousou o livro. A esperança nos rostos pequenos era muito maior que a travessura.

"Sua mãe deixou?"

Leo apertou o travesseiro.

"Ela está dormindo."

Rafael soltou o ar devagar. Podia mandá-los de volta. Deveria, provavelmente. Mas naquela primeira noite dentro da casa deles, a vontade de conhecer o peso dos filhos dormindo perto foi mais forte.

"Só se não encostarem no braço."

Leo já estava subindo.

Theo o segurou pela camiseta.

"Devagar."

Rafael ajudou com a mão livre. Os dois se acomodaram do lado direito, um junto ao pai, outro mais perto da parede.

Leo colocou o próprio travesseiro na cabeça da cama, ajustou três vezes e finalmente suspirou.

"Aqui é bom."

Theo examinou a distância até a imobilização. Trouxe a manta para perto, impedindo que o irmão rolasse na direção errada.

O cuidado deixou Rafael quieto por alguns segundos.

"Você costuma cuidar dele assim?"

"Ele se mexe dormindo."

"Você também", respondeu Leo.

"Menos."

O pai puxou o lençol até as pernas dos dois.

"Vocês podem descansar agora."

Mas Leo não tinha ido ali só para dormir.

"Você gosta da nossa casa?"

"Gosto."

"Mesmo sendo pequena?"

Rafael olhou para a porta, além da qual estavam a mesa de trabalho de Lara e os desenhos presos junto à estante.

"Tem o que eu queria encontrar."

Leo sorriu. Theo manteve os olhos abertos, olhando para o rosto dele.

"Você gosta da mamãe?"

A pergunta não tinha o tom de uma brincadeira.

Rafael virou a cabeça o suficiente para encarar o mais velho.

"Gosto."

"Não só porque a gente está aqui?"

O homem demorou um instante antes de responder.

"Não só por isso."

Theo pareceu aliviar uma preocupação que não contara a ninguém.

Leo aproximou o rosto.

"Ela gosta quando alguém lembra das coisas."

"Que coisas?"

"O café. O desenho que ela fez. Que ela não gosta de ficar esperando sem saber."

Rafael olhou para Theo, reconhecendo a própria promessa recente.

"Eu estou aprendendo."

"Pode perguntar", disse o menor. "A gente sabe bastante."

O pai sorriu.

"Eu percebi."

Theo bocejou, tentando esconder com a mão. Leo ficou mais quieto também, mas ainda tinha uma pergunta.

"Você vai gostar da gente quando ficar bravo?"

Rafael sentiu o peito apertar.

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"Vou."

"Porque a mamãe fica brava e continua."

"Eu também vou continuar."

O menino aceitou a resposta e encostou o rosto na manga do pai.

Theo colocou a mão pequena sobre o lençol, perto da dele.

Rafael cobriu os dedos do filho sem apertar.

Ficaram assim até as perguntas darem lugar à respiração lenta.

Ele deveria ter dormido depois. Permaneceu acordado por mais algum tempo, observando dois rostos semelhantes ao seu que, até poucos dias antes, não conhecia.

Quando ouviu Leo murmurar pela mãe durante o sono, ajeitou a manta e respondeu bem baixo:

"Ela está aqui."

Foi a frase que também o acalmou.

Na manhã seguinte, Lara encontrou duas camas vazias.

O primeiro impulso foi medo. O segundo, depois de ver a porta do quarto de hóspedes entreaberta, foi uma irritação muito específica.

"Theo Azevedo. Leo Azevedo."

Rafael abriu os olhos.

Os meninos demoraram mais. Leo se enfiou no travesseiro; Theo levantou a cabeça e percebeu imediatamente o erro de cálculo.

"Nós íamos voltar", disse.

"Quando? Depois de criar raízes?"

Leo espiou por cima do tecido.

Lara cruzou os braços.

"Eu falei para vocês deixarem o pai descansar."

Rafael se ajeitou com cuidado.

"Eu deixei que ficassem."

Ela virou o rosto para ele.

"Então temos três pessoas para conversar."

Leo descobriu que aquela frase não o beneficiava e sentou imediatamente.

Theo deslizou para fora da cama, ajudando o irmão a descer.

Lara conferiu o braço de Rafael. Estava acomodado, sem sinais de que as crianças o tivessem pressionado.

A preocupação diminuiu. A outra sensação, não.

Seus filhos nunca tinham deixado a cama dela tão silenciosa por vontade própria.

"Vão lavar o rosto", disse.

Os dois obedeceram depressa.

Rafael ficou olhando para ela.

"Não dormiram mal."

"Esse não era o combinado."

"Eu sei."

A concordância tirou parte da força da bronca.

Lara puxou a manta e dobrou sobre a cadeira.

"Agora só querem saber de você."

A frase escapou antes que pudesse avaliar como soaria.

Rafael se inclinou um pouco.

"Isso incomoda?"

Ela olhou para ele, ofendida pela delicadeza da pergunta.

"Não."

O homem esperou.

Lara largou a manta.

"Um pouco. Eu sei que é infantil."

Rafael sorriu sem deboche.

"Eles passaram a noite me explicando como cuidar de você."

Ela parou.

"O quê?"

"Não vou contar tudo. Mas acho que posso garantir que ninguém foi substituído."

Lara olhou para a porta do banheiro, de onde vinha uma discussão sobre quem tinha usado mais água.

O rosto relaxou antes que percebesse.

"Café da manhã em dez minutos."

"Vou tentar não trocar os botões."

Ela lançou um olhar para ele e saiu, corada o suficiente para que Rafael sorrisse novamente.

Na mesa, Leo puxou uma cadeira para a mãe. Theo colocou o copo de café perto do prato dela.

Os cuidados excessivamente coordenados a fizeram erguer uma sobrancelha.

"Vocês estão tentando compensar alguma coisa?"

"A gente gosta de você", disse Leo.

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Lara não conseguiu discutir com aquilo.

Beijou os dois, colocou comida nos pratos e apontou os tomates que o pai começava a afastar.

Rafael os devolveu sem protesto. Os filhos testemunharam o gesto com respeito.

Mauro chegou para levar a família à escola e Lara ao ateliê. Rafael acompanhou a saída até a porta.

Antes disso, Leo voltou à cozinha porque tinha esquecido um desenho. Encontrou a mãe lavando uma xícara e abraçou sua perna.

Lara baixou os olhos.

"Você veio buscar o quê?"

"Isso também."

Ela desligou a torneira e se abaixou.

O menino colocou os braços em volta do pescoço dela, sem pressa. Theo apareceu atrás com a mochila e esperou. Quando Lara abriu o outro braço, se aproximou imediatamente.

"O pai de vocês contou alguma coisa?", perguntou, desconfiada da coincidência.

Theo olhou para o irmão.

Leo respondeu:

"Ele contou que você gosta de café."

"Todo mundo sabe isso."

"Então não contou nada novo."

Lara riu e apertou os dois. O abraço durou o suficiente para lhe devolver uma segurança que não queria admitir ter perdido.

Rafael parou à entrada da cozinha e encontrou os três juntos.

Não interrompeu.

Quando Lara levantou o rosto, ele tinha uma expressão tranquila, diferente da satisfação competitiva que ela esperara ver.

"Prontos?", perguntou.

Leo soltou a mãe e correu até o desenho. Theo ajeitou uma mecha do cabelo dela que o abraço bagunçara.

Lara beijou a testa dele.

Ao se levantar, encontrou Rafael ainda olhando. Pela primeira vez, não sentiu que a aproximação dos filhos com o pai lhe tirava um lugar. Parecia que alguém agora conseguia enxergar por inteiro o lugar que ela sempre tivera.

"Me avise quando chegar", pediu a ela.

Lara terminou de ajeitar o sapato.

"Você está dentro da minha casa e quer conferir quando eu chego ao trabalho?"

"Quero saber se chegaram bem."

Ela ergueu os olhos. O tom era tão cotidiano que fez parecer antiga uma intimidade recém-adquirida.

"Eu aviso."

Leo acenou.

"Não sai do nosso lugar."

"Hoje não pretendo."

Quando voltaram da escola, Lara passou num mercado com os meninos. Mauro esperava numa vaga próxima, e Rafael descansava no apartamento.

Theo empurrava um carrinho pequeno. Leo escolhia alimentos suficientes para uma semana em cada corredor.

"Um pacote", disse a mãe.

"Mas o papai gosta."

"Seu pai não precisa de seis."

Um homem perto da seção de frutas virou a cabeça.

Diego Salles reconheceu Lara antes de lembrar de onde. Tinha visto os meninos entrando com ela e agora ouvia a referência ao pai.

Quando Mauro se aproximou da entrada para ajudar com as sacolas, Diego reconheceu o motorista de Rafael.

A lembrança das notícias antigas veio em seguida.

Lara Azevedo. Um noivado rompido, fotografias de hotel, histórias repetidas em almoços da família dele.

Diego continuou parado enquanto ela respondia uma ligação.

"Não", disse Lara, sorrindo para o telefone. "Eu não comprei só legumes. Ainda assim você vai comer alguns."

Leo pediu para falar. Recebeu o aparelho e anunciou ao pai que escolhera uma coisa especial para o jantar.

Diego ouviu a voz de Rafael pela ligação e ficou mais sério.

Não conhecia o resultado do exame nem a verdade sobre o hotel. Em vez de perguntar, decidiu que já havia entendido o suficiente.

Olhou para Lara colocando as compras no carro e se convenceu de que precisava salvar o amigo de uma mulher que sabia exatamente como prendê-lo.

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