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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 13

正文开头

A camisa tinha botões demais

"Amanhã a gente conversa", disse Lara.

Leo abriu a boca para insistir. Theo puxou discretamente sua manga.

O pai já tinha conseguido que ela não dissesse não. Era melhor não estragar.

Lara deu um beijo em cada menino e os encaminhou para Lucas, que esperava junto à porta. Antes de sair, voltou os olhos para Rafael.

"Você me avisa se precisar de alguma coisa."

"Aviso."

"De alguma coisa de verdade."

O sorriso dele apareceu devagar.

"Entendi."

Ela foi embora levando consigo a lembrança desagradavelmente nítida daquele sorriso.

Na manhã seguinte, os exames e a reavaliação permitiram que Rafael continuasse a recuperação em casa, com orientações, retorno marcado e ajuda nas tarefas que exigissem o braço.

Lara ouviu tudo antes de concordar com os filhos.

"Alguns dias", disse. "Até você se organizar melhor."

Rafael assentiu.

Leo quis comemorar, mas Theo o cutucou.

O menor converteu os braços erguidos numa tentativa pouco convincente de ajeitar o cabelo.

Lara viu. Estava cansada demais para discutir com três pessoas felizes.

Mauro os buscou no hospital. Era um homem de voz calma, acostumado a trabalhar com Rafael, e se apresentou aos meninos pelo nome antes de conferir as cadeirinhas.

Leo quis saber se ele conhecia o pai há muito tempo.

"Há alguns anos."

"Ele sempre faz essa cara?"

Mauro encontrou o chefe pelo retrovisor.

"Algumas vezes."

Lara riu. Rafael preferiu olhar para a rua.

Quando chegaram ao prédio, Lucas já esperava com duas malas e uma sacola. Teresa tinha enviado roupas confortáveis antes de seguir viagem com Antônio.

Lara olhou para a quantidade de bagagem.

"Alguns dias", repetiu.

"Minha mãe preparou", disse Rafael.

"Ela sabe que seu braço vai melhorar?"

Lucas abaixou o rosto. Mauro ficou muito ocupado com uma alça.

Rafael aceitou a provocação sem reclamar. Estava na porta da casa dela; aquela era uma vitória suficientemente grande.

No quarto de hóspedes, Lara tirou uma caixa de amostras da cama, abriu a janela e colocou uma almofada para apoiar o braço.

"É menor que seu quarto, imagino."

"Serve muito bem."

"Não tem televisão."

"Eu consigo sobreviver."

Leo apareceu na porta com o próprio travesseiro.

"Eu também."

Lara se virou.

"Você também o quê?"

"Posso ficar aqui. Cabe."

"Seu pai precisa descansar."

"Eu descanso junto."

Theo, atrás dele, trazia uma pequena manta. Ao encontrar os olhos da mãe, colocou-a rapidamente sobre a cadeira.

"Essa é para ele."

Rafael manteve o rosto sério por um esforço quase doloroso.

Lara cruzou os braços.

"Os dois vão dormir no quarto de vocês. Podemos fazer companhia enquanto ele estiver acordado."

Leo abraçou o travesseiro, desanimado.

"Mas ele fica sozinho."

"Ele dormia sozinho antes de conhecer vocês."

O menino olhou para o pai com evidente compaixão.

"Que triste."

Lara perdeu a batalha contra o riso por um segundo. Depois recuperou a autoridade, devolveu o travesseiro ao filho e mandou guardar as mochilas.

Quando ficaram sozinhos, Rafael passou os olhos pelo quarto.

正文1

Na estante, havia tecidos dobrados, um manequim pequeno e uma caixa de botões separados por cor. Uma fotografia dos meninos bebês estava encostada perto de um livro.

Lara percebeu o olhar.

"Esse era meu quarto de trabalho também. Não tive tempo de organizar tudo."

"Não precisa tirar."

"Você não vai achar confortável dividir espaço com linhas e moldes."

"Eu não sou tão delicado."

Ela olhou para o homem que havia pedido ajuda para comer sopa com uma mão livre.

"Tenho dúvidas."

Rafael sorriu.

Durante o almoço, os meninos conversaram sem parar. O pai precisava de água, de guardanapo, de saber que Davi também tinha um avião, de olhar uma peça nova.

Lara pediu que lhe dessem tempo para mastigar.

"Eu estou mastigando", disse Rafael.

"Você também poderia me ajudar a moderar."

Ele olhou para os filhos.

"Sua mãe tem razão. Um assunto de cada vez."

Leo levantou a mão.

"O meu é primeiro porque comecei ontem."

Theo discordou. Lara terminou o almoço com a sensação de que agora havia três pessoas a alimentar e nenhuma disposta a facilitar o trabalho.

Mas, quando começou a recolher a mesa, Rafael puxou as caixas vazias para perto e conseguiu empilhá-las com a mão direita.

"Isso eu faço."

Ela parou antes de mandá-lo descansar.

Era bom que ele soubesse onde podia ajudar. Melhor ainda que tentasse sem esperar elogio.

Quando os meninos foram ao quarto, Lara ficou separando as embalagens. Rafael puxou a cadeira para não atrapalhar sua passagem.

"Eu posso pedir alguém para ajudar com a limpeza", sugeriu.

"Já vem uma pessoa amanhã."

"Então me diga o que posso fazer hoje."

Lara colocou os guardanapos perto dele.

"Isso. Sem inventar que precisa de duas mãos."

O homem começou a dobrar, obediente demais para alguém acostumado a dar ordens.

Ela passou por trás da cadeira e roçou o ombro dele sem querer. Rafael ergueu o rosto. Lara demorou um instante para continuar até a pia.

Não era só a casa que parecia mais ocupada. Seus movimentos, antes tão automáticos, agora encontravam uma presença que ela não conseguia ignorar.

"Está dobrado errado", disse, apontando o primeiro guardanapo.

Rafael olhou para o papel, depois para ela.

"Hoje eu não acerto nada."

Lara sorriu e lhe mostrou a dobra, ficando perto um pouco mais do que precisava.

À tarde, Lara trabalhou na sala. Os meninos brincaram perto, e Rafael recebeu uma chamada curta no quarto.

A voz dele mudou ao falar com a empresa: objetiva, precisa, sem espaço para brincadeiras. Lara escutou uma orientação firme sobre um prazo e reconheceu por um instante o homem das notícias.

Depois Leo bateu na porta e perguntou se o braço doía mais quando ele falava daquele jeito.

A reunião ficou em silêncio.

Lara tapou a boca com a mão.

Rafael pediu um minuto e apareceu no corredor.

"O que você precisa?"

"Nada. Só queria saber."

"Não dói mais."

"Então tá."

正文2

O menino voltou ao tapete. Rafael olhou para Lara, que fingiu concentração no desenho.

"Você está rindo."

"Não posso atrapalhar sua reunião."

O homem balançou a cabeça e voltou ao quarto.

No fim da tarde, Mauro levou os meninos para um passeio curto na área comum do prédio, autorizado por Lara. Ela aproveitou para organizar a cozinha e separar a roupa do hóspede.

Rafael queria tomar banho. Recebera orientações para proteger a imobilização e conseguiu organizar tudo com alguma ajuda, antes de entrar sozinho.

Lara deixou uma camisa de algodão e uma calça confortável do lado de fora.

Quando a água parou, esperou alguns minutos. Depois bateu.

"Você terminou?"

"Quase."

Ela voltou a guardar pratos. Mais alguns minutos se passaram.

"Rafael?"

Um silêncio.

"A camisa ficou estranha."

Lara franziu a testa.

"Estranha como?"

"Os botões não estão na ordem certa."

Ela abriu a porta apenas depois que ele disse que podia entrar.

Rafael estava de calça, com a camisa torta e o peito parcialmente descoberto. A imobilização tornava difícil alcançar o lado oposto, mas não explicava inteiramente aquele resultado.

Lara parou na porta.

Ele olhou para baixo.

"Eu tentei."

Ela deu dois passos, decidida a encerrar rapidamente o problema. Não foi tão fácil manter a decisão quando ficou perto.

O cheiro de sabonete era discreto. A pele ainda guardava o calor do banho. Não era uma fotografia nem uma lembrança quebrada: era um homem adulto, bonito demais, esperando que ela aproximasse as mãos.

Lara baixou os olhos para os botões.

"Começou no buraco errado."

"Percebi no final."

"Não resolveu recomeçar?"

"Estou pedindo ajuda."

Ela soltou o primeiro botão. Depois o segundo.

O dedo roçou a pele dele por acidente. Rafael ficou muito quieto.

Lara passou a respirar com cuidado, irritada consigo mesma. Tinha dado banho em duas crianças durante anos. Um botão não deveria ter importância alguma.

Mas nenhum dos filhos a olhava daquela maneira.

"Você precisa descansar", disse.

"Estou de pé há pouco tempo."

"Então fique quieto."

"Já estou."

A resposta quase trouxe um sorriso. Ela o segurou e começou a abotoar corretamente.

Rafael ergueu a mão livre para afastar uma mecha que caíra junto ao rosto dela. Lara parou.

Os dois se olharam.

"Estava atrapalhando", disse ele, baixo.

Ela terminou o último botão sem responder.

"Pronto."

Deu um passo atrás, mas ele ainda não se moveu.

"Obrigado."

A voz tinha perdido toda a firmeza da reunião.

Lara pegou a toalha sobre a cadeira apenas para ocupar as mãos.

"Da próxima vez, camiseta."

"Você prefere?"

Ela ergueu os olhos. O sorriso dele era pequeno e provocador.

"Prefiro não virar sua camareira."

Saiu antes que ele respondesse.

Na cozinha, bebeu água e encostou o copo frio na bochecha.

Não ajudou muito.

Os meninos voltaram e encontraram a mãe excessivamente concentrada no jantar. Leo perguntou por que ela estava com calor. Theo olhou para o quarto do pai, depois decidiu que não precisava fazer outra pergunta.

Mais tarde, Lara conferiu o horário da medicação, ajudou Rafael a acomodar o braço e deixou uma garrafa de água perto da cama.

Ele estava com um livro aberto.

"Vai dormir tarde?"

"Só um pouco."

"Você passou a tarde trabalhando."

Rafael fechou o livro.

"Boa noite, Lara."

Ela apagou a luz principal.

"Boa noite."

Antes que fechasse a porta, ele falou de novo.

"Foi bom vir para cá."

Lara apertou a maçaneta.

"Você pode mudar de ideia quando descobrir o café da manhã."

"Vou correr o risco."

Ela saiu sorrindo, sem conseguir evitar.

No quarto dos meninos, duas cabeças se ergueram quando os passos da mãe se afastaram.

Leo apontou para o corredor.

Theo colocou um dedo sobre os lábios.

Esperariam mais alguns minutos.

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