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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 10

正文开头

O pedido de desculpas que ela nunca recebera

Márcia soltou Leo quando Rafael chegou.

O menino se escondeu atrás da mãe, esfregando o braço. Theo ficou junto dele.

Rafael viu o gesto antes de olhar para a mulher.

"Você está machucado?", perguntou ao filho.

Leo negou, mas não saiu de perto de Lara.

Ela passou a mão devagar pelo lugar apertado. Não havia ferida. Havia, porém, uma marca breve e o medo que a expressão dele não conseguia esconder.

Márcia ajeitou a bolsa.

"Foi só uma conversa."

"Eu pedi que soltasse", disse Lara.

"Não precisa fazer essa cena."

Rafael se virou completamente para ela.

"A senhora segurou meu filho depois que a mãe dele pediu para não tocar. Não vai chamar a reação dela de cena."

Márcia olhou ao redor. Algumas pessoas tinham interrompido as conversas. Um funcionário do restaurante se aproximava.

"Eu sou avó dessas crianças."

Lara sentiu Theo apertar sua blusa.

"Você é a mulher que apareceu para me ofender na porta de casa", respondeu. "E agora segurou meu filho. Esse é o assunto."

Márcia abriu a boca, mas Rafael falou antes.

"Peça desculpas."

A expressão da mulher mudou.

"Como?"

"A ele. E a ela."

"O senhor está se metendo numa história que não conhece."

"Conheço esta parte. Eu estava aqui."

O funcionário parou ao lado deles e perguntou se deveriam chamar a gerência. Rafael pediu que garantissem espaço para a família sair sem nova abordagem.

Não levantou a voz. Não precisou.

Márcia parecia procurar alguma pessoa que pudesse diminuir o que fizera. Encontrou apenas os olhos de Lara, que não estavam mais abaixados.

"Eu só queria que seu pai visse vocês."

"Então poderia ter feito um convite", disse Lara. "Não isso."

O silêncio seguinte foi desagradável, mas ela não correu para encerrá-lo. Pela primeira vez, outra pessoa não esperava que fosse ela a apaziguar a situação.

Márcia olhou para Leo.

"Desculpa. Não precisava segurar assim."

O menino não respondeu. Lara não o obrigou.

Rafael esperou.

Márcia percebeu que faltava algo e virou-se para a enteada.

"E desculpa por ter falado daquele jeito."

Lara assentiu uma vez.

"Não se aproxime dos meus filhos novamente sem falar comigo."

A mulher se afastou com o funcionário, rígida de raiva. Desta vez, porém, sua raiva não conduziu os outros.

Rafael se abaixou perto dos meninos.

"Vamos voltar à mesa?"

Theo olhou para a mãe. Leo continuava agarrado a ela.

Lara passou o braço em volta do menor.

"Podemos ir embora."

Rafael assentiu.

"Então vamos."

Não insistiu na sobremesa, no passeio nem em fingir que nada acontecera. Pediu a conta, recebeu os pertences e conduziu os quatro até o carro.

Leo só falou quando Lara terminou de prender seu cinto.

"Eu não fiz nada."

Ela parou, ainda inclinada sobre ele.

"Eu sei, meu amor."

"Eu estava vendo o bolo."

"Eu vi. Não foi culpa sua."

O menino respirou fundo, como se aquela confirmação desfizesse um nó.

正文1

Theo estendeu a mão entre as cadeirinhas. Leo pegou.

Rafael esperou Lara entrar e começou a dirigir sem ligar música. Ela manteve o rosto voltado para a janela durante alguns minutos.

"Desculpa", disse depois.

Ele olhou rapidamente para ela.

"Pelo quê?"

"Nosso passeio."

"Você não estragou o passeio."

Lara assentiu, embora demorasse a acreditar nisso por completo.

Mais adiante, Leo pediu água. Rafael estacionou num lugar adequado, e ela o ajudou a beber. O menino tinha recuperado parte da curiosidade e apontou uma bicicleta vermelha na calçada.

Lara percebeu que não precisava manter a tristeza por ele depois que o medo começava a passar.

"Essa é maior que a sua", disse.

"Eu vou crescer."

"Vai. Mas não hoje."

Theo riu. Rafael pegou o próprio telefone para avisar que se atrasaria para um compromisso da tarde.

Lara ouviu apenas a mudança de horário. Não ouviu nenhuma reclamação.

No apartamento, os filhos tiraram os tênis e pediram para montar o trem que tinham aprendido a organizar na escola. Ela lhes deu a caixa e deixou a porta da sala aberta para ouvir a brincadeira.

Rafael colocou as sacolas sobre a mesa.

"Quer que eu fique um pouco?"

Lara ergueu o rosto.

Era um convite de saída fácil. Ele poderia partir sem deixar nela uma nova obrigação.

Ela olhou para os filhos, depois para a chaleira.

"Pode ficar. Vou fazer café."

O homem retirou o relógio e o guardou no bolso. Aquele gesto pequeno a fez perceber que ele não pretendia ficar contando minutos.

Leo o chamou antes que chegasse à cozinha.

"Papai, você sabe pôr os trilhos?"

"Seu irmão sabe melhor que eu."

Theo endireitou as costas.

"Eu posso mostrar."

Rafael se sentou e ouviu.

Lara preparou o café devagar. O silêncio da manhã tinha sido cheio de medo; agora era atravessado por peças encaixando, discussões sobre a estação e uma voz masculina perguntando onde deveria ficar a ponte.

Ela levou as xícaras à sala e permaneceu perto.

Quando o trem descarrilou, Leo culpou imediatamente a estrada. Theo mostrou que havia uma peça torta. Rafael assumiu que a colocara.

"Então você também erra", disse o menor, fascinado.

"Às vezes."

"Mamãe erra menos."

Lara sorriu por trás da xícara.

"Concordo", disse Rafael.

O menino parecia considerar aquele acordo uma boa notícia para o futuro da família.

Mais tarde, os dois foram ao quarto escolher livros. Rafael ficou no sofá, ao lado da mesa de trabalho de Lara.

Ela recolhia lápis que não precisavam ser recolhidos.

"Obrigada", disse.

"Você já agradeceu pelo café."

"Não foi pelo café."

Ele deixou a xícara na mesa.

Lara olhou para a porta do quarto antes de continuar.

"Na minha casa, quando alguém falava comigo daquele jeito, eu acabava ouvindo que devia ter respondido melhor. Ou que estava causando confusão."

Rafael permaneceu atento.

"Hoje você não me perguntou por que eu não deixei para lá."

"Porque eu vi o que aconteceu."

正文2

Ela passou uma unha pela borda de uma caixa.

"É estranho quando alguém simplesmente vê."

O homem se aproximou apenas o necessário para que a voz não chegasse ao corredor.

"Não vou pedir que você faça de conta para me deixar confortável."

Lara finalmente olhou para ele.

Havia coisas bonitas que os homens diziam porque esperavam receber alguma coisa em troca. Ela conhecia algumas. Aquela era difícil de classificar, porque Rafael não estendia a mão nem tentava terminar a conversa com um abraço.

Ele a deixava escolher.

Lara sentou na outra ponta do sofá.

Por um momento, ficaram apenas ouvindo os meninos discutir qual livro levar.

"Quando eles nasceram", disse ela, "eu achei que ninguém nunca mais conseguiria me assustar. Eu tinha duas pessoas para proteger."

Rafael olhou para a porta.

"E conseguiu proteger."

"Consegui. Mas ainda me assusto."

"Eu também."

Ela o encarou, surpresa.

"Quando?"

Ele inclinou o rosto para o braço de Leo, visível quando o menino voltou carregando um livro.

Não precisou responder.

Lara sentiu a garganta apertar. Recebeu o filho no colo e abriu espaço para Theo junto ao pai.

O livro tinha uma história sobre um barco pequeno que se perdia e encontrava o caminho de volta. Rafael leu a primeira página com tanta seriedade que Leo reclamou.

"O pato tem voz diferente."

"Que voz?"

O menino demonstrou.

Rafael tentou.

Lara abaixou o rosto para esconder a risada, sem sucesso. Theo deu uma instrução técnica: precisava sair mais pelo nariz.

Na segunda tentativa, a voz ficou pior.

Leo gargalhou no colo da mãe. O medo do restaurante parecia finalmente ter deixado seu corpo.

Lara olhou para Rafael, e ele percebeu o motivo do agradecimento antes que ela dissesse outra palavra.

Leo pediu que lessem a mesma página outra vez. Não porque tivesse perdido a história, mas porque queria ouvir a voz desastrosa do pato novamente.

Rafael olhou para Lara, pedindo ajuda sem palavras.

Ela balançou a cabeça.

"Você começou."

O homem tentou imitar o som anterior. Leo reclamou que agora estava diferente, e Theo sugeriu que primeiro fechasse um pouco a boca.

"Vocês estão formando uma equipe contra mim", disse Rafael.

"É uma aula", respondeu o mais velho.

Lara soltou uma risada tão franca que precisou tirar o livro do colo para não deixá-lo cair. Rafael ficou olhando para ela, e a próxima voz saiu ainda pior.

Leo se dobrou de tanto rir.

Mais tarde, Lara foi guardar o livro na estante. Encontrou a fotografia antiga dos três e ficou por um instante com os dedos no porta-retrato.

Rafael se aproximou, sem perguntar o que estava pensando.

"Essa foi no apartamento de Paris", disse ela. "Eles tinham dois anos. Não consegui fazer os dois olhar para a câmera."

"Leo está olhando para você."

Lara percebeu que era verdade. Theo também, embora de um ângulo diferente.

"Eu estava tentando distrair com uma música."

Rafael olhou para a fotografia e depois para ela.

"Funcionou de outro jeito."

Ela colocou o porta-retrato no lugar. Não precisava acrescentar a nova pessoa àquela imagem para que houvesse espaço para ele na casa.

O telefone dela vibrou sobre a mesa.

Gabriel avisava que voltara de uma rápida viagem de trabalho e perguntava se poderia passar no dia seguinte. Tinha trazido materiais que ela pedira e queria saber como os meninos estavam.

Lara respondeu que sim.

Ao levantar os olhos, encontrou Rafael olhando para a tela, sem tentar disfarçar completamente.

"O que foi?"

"Nada."

Leo ergueu a cabeça.

"Essa cara não é de nada, papai."

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