"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 9
Ele buscava os filhos e esperava pela mãe
Rafael chegou ao Colégio Horizonte quinze minutos antes da saída.
Lara o encontrou apoiado junto ao carro, respondendo uma mensagem. Ele guardou o telefone assim que a viu.
"Ainda falta um pouco", disse ela.
"Eu sei."
"Sua reunião acabou cedo?"
"Eu saí na hora que precisava."
Ela ajeitou a bolsa no ombro, tentando não dar importância demais à resposta.
Da sala vieram duas vozes antes que a porta se abrisse. Leo contava alguma coisa à professora; Theo dizia que ele estava misturando a ordem dos acontecimentos.
Quando avistaram os pais, os dois pararam.
Leo abriu um sorriso e correu. Theo veio depressa também, embora sem abandonar a aparência de quem caminhava normalmente.
"Vocês vieram juntos!"
Lara se abaixou para receber o menor. Theo lhe entregou o desenho dobrado.
"Foi o avião."
Ela abriu com cuidado. A tinta azul tinha atravessado um pouco o papel.
"Ficou lindo. Vou colocar perto da minha mesa."
Theo olhou para o pai.
Rafael se inclinou para ver.
"A asa ficou melhor que a do brinquedo."
O menino sorriu sem mostrar os dentes.
Leo puxou o braço do homem.
"Eu comi o lanche."
"Tudo?"
"Quase. Tinha uma coisa verde."
Rafael fez uma expressão tão discreta que só Lara percebeu.
Ela estreitou os olhos.
"Entendi de onde veio."
"O quê?"
"Nada. Ainda."
No carro, os filhos contaram a manhã por pedaços. O escorregador. As tintas. Um menino que tinha um tênis acendendo luz. A professora que sabia distinguir os dois sem precisar olhar as etiquetas.
Lara ouviu, aliviada. Rafael fez perguntas pequenas, sem transformar o passeio numa avaliação.
Quando deixaram os meninos no apartamento, ele recebeu uma ligação e precisou voltar à empresa. Antes de sair, confirmou o horário do dia seguinte.
"Você vai vir de novo?", perguntou Leo.
"Vou."
"E depois?"
Rafael olhou para Lara.
"Podemos combinar."
Ela percebeu a pergunta dentro da resposta.
"Nos dias em que conseguir", disse. "Sem fazer promessas que seu trabalho não deixe cumprir."
"Eu aviso quando houver mudança."
Theo assentiu, satisfeito com aquele método.
Na quarta manhã, Lara já reconhecia o som do carro estacionando. Leo queria descer antes de terminar o leite. Theo conferia se o desenho do dia anterior continuava sobre a mesa da mãe.
Rafael trazia café para ela num copo fechado.
"Não sabia se já tinha tomado."
"Tomei."
"Então eu fico com este."
Lara pegou o copo antes que ele o afastasse.
"Não falei que não queria outro."
Os meninos trocaram um olhar no elevador.
Naquele mesmo dia, Clara pediu que os pais entrassem um instante na saída.
Davi estava perto da mesa, com os braços cruzados. Leo tinha a camiseta amassada; Theo, uma expressão fechada.
"Houve uma discussão no pátio", explicou a professora.
Lara se abaixou diante dos filhos.
"Quero ouvir. Um de cada vez."
Leo abriu a boca. Theo colocou a mão no braço dele.
"Davi pegou nosso carrinho. Eu pedi para devolver. Ele disse que era dele."
"Porque estava na caixa", protestou Davi.
Clara explicou que Theo havia levado um brinquedo pequeno para a adaptação e que, depois, ele fora misturado aos da sala.
"Ele me empurrou", disse Leo.
"E você empurrou de volta", lembrou Theo.
O irmão lhe lançou um olhar ofendido pela precisão.
Rafael permaneceu perto, esperando. Não se colocou à frente de Lara nem decidiu que seus filhos tinham razão apenas por serem seus.
Os pais de Davi chegaram durante a conversa. Mirela ouviu a professora, depois fez o filho mostrar onde havia guardado o carrinho.
Ele apontou a caixa.
Theo encontrou o brinquedo e conferiu uma pequena marca sob a roda.
"É meu."
Davi perdeu parte da segurança.
"Eu não sabia."
"Agora sabe", disse Mirela.
As desculpas vieram relutantes. Leo precisou repetir a sua olhando para o colega.
Lara alisou a camiseta dele.
"Você pode ficar bravo. Não pode transformar todo problema numa luta."
"Eu ganhei", murmurou o menino.
"Não era competição."
Rafael tossiu para não rir. Lara olhou para ele, e a expressão séria voltou imediatamente.
Ao saírem, Davi se aproximou de Theo.
"Você sabe montar o trem grande?"
"Qual?"
"O da caixa azul."
Theo hesitou, depois assentiu.
"Mas tem que separar as peças primeiro."
Davi aceitou como se aquele fosse o preço de um acordo importante. Leo pediu para colocar os vagões.
Mirela soltou o ar.
"Cinco minutos atrás parecia o fim do mundo."
"Ainda teremos outros", respondeu Lara.
As duas sorriram. Daniel, marido de Mirela, cumprimentou Rafael sem a cerimônia que ela vinha encontrando em outras pessoas. Conversaram brevemente sobre os filhos, e não sobre empresas.
Lara gostou disso.
Mirela esperou os meninos terminarem de combinar a brincadeira e perguntou se os gêmeos já conheciam alguém no bairro.
"Ainda não", respondeu Lara. "Estamos aqui há pouco tempo."
"Davi demora a dividir, mas depois quer trazer os amigos todos os dias. Se vocês quiserem, podemos marcar uma tarde."
Lara olhou para os filhos. Theo fingia não escutar. Leo já fazia planos com o carrinho devolvido.
Ela trocou o número com Mirela e agradeceu.
No estacionamento, Rafael pegou as mochilas antes que ela tentasse carregar as duas.
"Você parece aliviada."
"Eu estava preocupada que só quisessem ficar entre eles. Sempre foi mais fácil assim."
"Hoje eles fizeram um amigo."
"Depois de quase derrubar o amigo."
Rafael olhou para os meninos, que discutiam em voz baixa se Davi precisaria trazer peças ou apenas a vontade de brincar.
"Pelo menos estão resolvendo a parte seguinte."
Lara sorriu. Percebeu que gostava de contar a ele uma preocupação pequena e receber uma resposta que não a diminuía.
Rafael abriu a porta do carro. Ela foi conferir o cinto de Leo, e os dois se aproximaram ao mesmo tempo.
O ombro dele tocou o seu. Nada importante, aparentemente.
Lara se afastou primeiro.
Theo, do outro lado, observou a mudança na expressão da mãe e guardou a descoberta com a discrição de quem havia encontrado uma peça útil para um projeto ainda incompleto.
No fim de semana, os quatro fizeram um passeio pelo centro. Leo queria ver os prédios mais altos. Theo perguntava por que algumas ruas eram tão antigas. Rafael descobriu que explicar a cidade a duas crianças exigia mais criatividade que apresentar um projeto a investidores.
Lara o observava enquanto os meninos tentavam fazê-lo adivinhar o destino seguinte.
"Você não costuma andar assim, né?", perguntou.
"Assim como?"
"Sem um lugar exato para chegar."
Rafael olhou para as duas mãos pequenas presas às suas.
"Estou encontrando utilidade."
Ela sorriu e se afastou para fotografar os três. Theo percebeu primeiro e tentou corrigir a postura. Leo puxou o pai para baixo, exigindo uma foto em que todos tivessem o mesmo tamanho.
Rafael se abaixou. O terno tinha ficado em casa; de camisa com as mangas dobradas, parecia menos distante e perigosamente mais bonito.
Lara guardou o telefone depressa.
"Ficou boa?", perguntou ele.
"Ficou."
"Você nem olhou."
"Eu sei tirar foto."
O homem sorriu. Ela começou a caminhar antes que ele percebesse a cor do seu rosto.
No almoço, pai e filhos fizeram a mesma seleção cuidadosa dos legumes.
Lara pousou o garfo.
"Vocês três pensam que eu não vejo?"
Rafael parou com uma ervilha na beirada do prato.
Theo devolveu a sua ao lugar. Leo tentou escondê-la embaixo de uma batata.
"Não é coincidência", disse ela.
O pai comeu a ervilha primeiro. Os filhos o observaram como testemunhas de um sacrifício.
"Pronto", disse Rafael.
"Tem outras", respondeu Lara.
Leo suspirou. Theo pegou o garfo com resignação. Ela riu, e os três pareceram considerar aquele som uma compensação suficiente.
Enquanto os meninos se distraíam com um livro de atividades, Rafael perguntou sobre seu trabalho.
Lara explicou que a Maison Vallon possuía um pequeno núcleo em São Paulo. O diretor, Lourenço, lhe oferecera um contrato para desenvolver uma coleção, sem exigir que interrompesse as entregas de Paris.
"Vou começar na segunda-feira. Alguns dias no ateliê, outros em casa."
"A Vértice também precisa de alguém com seu perfil."
Ela ergueu os olhos.
"Você já viu meu portfólio?"
"Vi."
"Quando?"
"Depois que você contou o que queria fazer."
Lara não esperava que ele tivesse levado a conversa tão a sério.
"E a oferta seria para uma designer ou para a mãe dos seus filhos?"
Rafael apoiou os braços na mesa.
"A equipe gostou do trabalho. Eu gosto de vê-la mais vezes. São razões diferentes."
Ela sentiu o rosto aquecer.
"Você não facilita."
"Estou tentando."
Lara baixou os olhos para o cardápio, embora não estivesse escolhendo nada.
"Vou cumprir o que combinei com Lourenço. Depois podemos conversar sobre trabalho."
"Só sobre trabalho?"
Ela olhou para ele, encontrou o sorriso contido e decidiu não lhe dar a satisfação de responder.
Leo puxou a manga da mãe.
"Posso ver os doces na vitrine?"
Lara aproveitou a fuga.
Levantou-se com os filhos e foi até a entrada da confeitaria anexa ao restaurante. Theo queria saber qual bolo tinha chocolate por dentro; Leo defendia que olhar de perto ajudava a entender.
Ela se inclinou para explicar quando ouviu uma voz conhecida.
"Você continua fingindo que não tem família?"
Márcia estava junto à passagem, com uma sacola de compras no braço.
Lara se endireitou imediatamente.
"Não comece."
"Seu pai quer conversar."
"Ele pode telefonar."
Leo recuou até a mãe. Márcia pegou seu braço antes que chegasse.
"Pelo menos não ensine esses meninos a tratar as pessoas como você trata."
Lara segurou o pulso da mulher.
"Solte meu filho. Agora."
Do outro lado do salão, Rafael já havia se levantado.
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