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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 8

正文开头

Os dois gênios tinham medo do primeiro dia

"Não estamos negociando se vocês vão à escola", disse Lara. "Estamos conversando sobre qual escola."

Theo examinou o folheto do Colégio Horizonte.

"Eu já sei as letras."

"Sei."

"E números."

"Também sei."

Leo se aproximou do irmão.

"Eu sei esperar a vez."

Lara ergueu uma sobrancelha.

O menino corrigiu:

"Quando precisa."

Ela puxou uma cadeira e se sentou com eles.

"Vocês vão conhecer crianças daqui. Brincar, fazer amigos, aprender coisas que não são só números."

Theo passou um dedo pela fotografia do pátio.

"A gente pode continuar junto?"

Lara entendeu que a discussão não era inteiramente sobre o conteúdo das aulas.

"Na escola, sim. Vou perguntar como organizam as turmas."

Leo se inclinou contra ela.

"E você busca?"

"Busco."

"Mesmo se o trabalho demorar?"

Lara segurou o rosto dele.

"Eu busco. Se precisar de ajuda, aviso quem vai. Vocês não ficam lá sem saber."

Theo parou de mexer no folheto.

Ela lembrou dos colegas em Paris que tinham perguntado pelos pais. Lembrou das explicações que os meninos escolhiam esconder dela para não parecerem magoados.

"Alguém falou alguma coisa na escola antiga?"

Leo olhou para o irmão.

"Falaram."

Lara esperou.

"Que todo mundo tinha pai para a festa."

"Nós tínhamos você", disse Theo depressa.

Ela puxou os dois para perto.

"Vocês podem me contar quando uma coisa machuca. Não precisam falar que está tudo bem só para eu não ficar triste."

Leo abraçou sua cintura. Theo demorou mais, mas se acomodou no outro lado.

Passaram alguns minutos assim. Depois o menor levantou o rosto.

"Lá tem lanche?"

Lara riu.

"Eu vou perguntar."

Na manhã da visita, Leo apareceu com a mão sobre a barriga.

"Não estou muito bem."

Theo fechou a mochila.

"Talvez não seja uma boa hora."

Lara observou o menino menor, que tinha acabado de comer dois pedaços de pão e pedir mais queijo.

"Onde dói?"

Leo apontou o lado direito, depois mudou para o esquerdo.

"Aqui. Um pouco."

"Você mudou de lugar."

"A dor também."

A campainha tocou antes que ela respondesse.

Rafael estava à porta, pronto para acompanhá-los. Lara havia avisado o horário por telefone, e ele se oferecera para dirigir.

Leo correu para recebê-lo e parou no meio do caminho, lembrando da própria doença.

Colocou a mão na barriga de novo.

"O que aconteceu?", perguntou Rafael.

"Ele está avaliando se a escola provoca dor de barriga", respondeu Lara.

O homem olhou para o filho. Theo aguardava o resultado com a seriedade de um médico muito interessado.

Rafael se abaixou.

"Quer que sua mãe veja melhor antes de sairmos?"

Leo hesitou.

Lara se sentou no sofá e o chamou. Conferiu se havia algum sinal real de mal-estar, ofereceu água e ouviu a história até o fim.

Quando o menino pediu um biscoito, a dor desapareceu com uma rapidez notável.

"Acho que já consigo ir", anunciou.

Theo abaixou a cabeça para esconder a decepção.

正文1

Rafael pegou as mochilas.

"Bom saber."

No elevador, Leo olhou para ele.

"Você podia falar que a gente já é inteligente."

"Vocês são."

"Então?"

"Então vão à escola inteligentes."

Lara virou o rosto para disfarçar o sorriso.

Theo aceitou a derrota com mais dignidade. Pediu apenas que não os tratassem como bebês.

Rafael olhou para as mochilas quase do tamanho dos corpos deles.

"Vou tentar."

O Colégio Horizonte tinha um portão amplo e um jardim pequeno junto à recepção. Lara escolhera uma visita comum, sem anunciar o sobrenome do pai nas primeiras mensagens.

Ainda assim, quando Rafael saiu do carro, a diretora surgiu acompanhada de dois funcionários.

"Senhor Valença! Que satisfação recebê-lo."

Lara percebeu a mudança no tom, a pressa e o olhar lançado para os meninos.

A diretora falou em sala especial, acompanhamento individual e ajustes que nem sequer haviam sido pedidos.

Leo estufou o peito. Theo olhou para a mãe.

Lara apertou os dedos da própria bolsa.

"Eu marquei uma visita para conhecer a proposta da escola."

"Claro, senhora. Podemos oferecer condições..."

"As mesmas que oferecem às outras crianças."

A diretora parou.

Rafael ficou ao lado de Lara.

"Foi para isso que viemos."

O apoio dele a fez respirar melhor. Não queria começar uma vida nova numa escola que olhasse primeiro para a conta bancária da família.

A visita mudou de ritmo. Uma professora chamada Clara levou os meninos para ver o pátio enquanto a diretora explicava a rotina aos pais, a poucos passos de distância.

Leo viu um escorregador e esqueceu por alguns minutos que estava relutante. Theo se aproximou de uma mesa com blocos de construção.

Um menino de cabelo encaracolado pegou uma peça perto dele.

Theo ergueu os olhos.

"Eu ia usar."

"Eu peguei primeiro."

Clara se aproximou sem pressa.

"Tem outra igual na caixa. Vocês podem procurar juntos."

Theo quase disse que não precisava. Depois olhou para o irmão, já ocupado no escorregador, e se abaixou para conferir as peças.

O outro menino fez o mesmo.

Lara acompanhou de longe.

Rafael ficou perto o suficiente para falar baixo.

"Ele não gosta de pedir ajuda."

"Não."

"Conheço alguém assim."

Ela olhou para ele.

"Você?"

"Eu estava pensando em você."

Lara abriu a boca para responder, mas Leo gritou do alto do brinquedo:

"Mamãe! Olha!"

Ela acenou, sorrindo sem esforço. Rafael ficou olhando mais para o rosto dela que para o escorregador.

Ao final da visita, os meninos concordaram em experimentar a rotina. Theo perguntou duas vezes se ficariam no mesmo grupo. Leo quis saber como funcionava o lanche.

Lara confirmou os detalhes e acertou a adaptação. O primeiro período seria curto, e ela permaneceria disponível.

Na saída, Rafael segurou a mochila de Theo. O menino parecia dividido entre alívio e receio.

"Não pareceu ruim", disse o pai.

"Ainda não fui sozinho."

"Nem precisa decidir tudo hoje."

Theo ergueu os olhos.

Era bom ouvir aquilo de um adulto que parecia sempre conhecer as respostas.

正文2

No primeiro dia, alguns dias depois, Lara acordou antes dos filhos e conferiu as etiquetas das mochilas.

Theo levantou sozinho. Leo ficou enrolado no cobertor até o último momento, alegando que o sono tinha chegado tarde demais.

Ela sentou na cama.

"Pode estar com medo. Não precisa inventar."

O menino puxou o cobertor até o nariz.

"Um pouco."

Lara beijou a testa dele.

"Eu também fico um pouco quando começo alguma coisa."

"Você é grande."

"O medo não sabe contar idade."

Leo considerou isso e deixou que ela o ajudasse a vestir a camiseta.

Quando Rafael chegou, Theo já segurava a própria mochila. Leo trouxe um papel dobrado para a mãe.

Era um desenho dos três, feito antes da chegada do pai. Num canto, o menino acrescentara um homem muito alto com gravata.

Lara sorriu.

"Vou guardar na mesa."

Leo assentiu, tranquilizado. Alguma parte dele ficaria com ela durante a manhã.

No carro, o silêncio durou mais que de costume. Rafael não tentou ocupá-lo com promessas exageradas.

Na porta da sala, Theo segurou a mão do irmão. Leo abraçou Lara com tanta força que a alça da bolsa escorregou do ombro.

"Depois do lanche?"

"Depois do lanche", confirmou ela.

Rafael se agachou para a despedida. Leo encostou a testa no rosto dele; Theo apenas apertou seu ombro antes de entrar.

Lara ficou no corredor até que os dois se sentassem junto aos blocos.

Depois saiu em silêncio.

Perto do carro, procurou um lenço na bolsa e não encontrou. Rafael ofereceu um.

Ela soltou uma risada pequena, envergonhada.

"Eles estão bem."

"Eu sei."

"Eu também estou."

Ele não discutiu. Esperou.

Lara enxugou os olhos e dobrou o lenço entre os dedos.

Rafael abriu a porta para ela.

"Na saída, eu venho com você."

Ela olhou para o relógio dele.

"Você não tem trabalho?"

"Tenho."

"Então não precisa reorganizar tudo. Eu consigo."

Rafael apoiou o braço na porta aberta.

"Eu sei que consegue, Lara. Quero vir mesmo assim."

Ela não encontrou uma resposta imediata.

Pela janela da sala, dois rostos pequenos observavam o carro.

Leo cutucou o irmão e apontou para os pais.

Theo viu a mãe finalmente entrar sem parecer tão triste. Depois puxou Leo de volta para a mesa antes que a professora percebesse o vigia.

Clara os chamou para uma atividade com tintas. Leo olhou outra vez para o carro, mas Theo já havia escolhido duas folhas.

"Uma para mim e uma para ele", explicou.

Um dos colegas perguntou se eram irmãos de verdade. Leo se virou, indignado.

"Você não está vendo?"

Theo lhe entregou a folha antes que começasse um discurso.

"Ele só perguntou."

O colega se apresentou como Davi e mostrou uma marca de tinta no próprio dedo. Leo comparou com a sua, aceitando por alguns minutos aquela forma simples de conversa.

Theo misturou amarelo e azul, tentando reproduzir a cor do avião. Quando acertou, quis chamar a mãe por hábito. Olhou para a janela e lembrou que ela não estava ali.

Dobrou a folha com cuidado depois que secou. Levaria para mostrar na saída.

Do outro lado da sala, Leo já perguntava quanto tempo faltava para o lanche. A voz familiar fez Theo sorrir. Não estava em casa, mas não estava sozinho.

Naquele dia, o primeiro compromisso de Rafael Valença depois do almoço não ficou marcado como reunião.

Ficou marcado como buscar os filhos.

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