"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 7
Uma aliança feita de bolo e segredos
"Eu estou ouvindo", disse Antônio.
Theo olhou para o pai, que conversava com Gabriel perto da porta. Depois se aproximou da mesa.
"Mamãe gosta de coisas que ela mesma escolhe."
Teresa assentiu devagar.
"Isso é importante."
"Papai ainda não sabe direito."
Leo apoiou os cotovelos na mesa.
"Ele pediu para casar. Ela disse não."
Antônio virou o rosto para a esposa.
Teresa fechou os olhos por um instante.
"Esse meu filho."
"Ele fez errado?", perguntou Leo.
"Talvez tenha pulado algumas partes."
"Quais?"
Antônio abriu as mãos.
"Conhecer. Conversar. Descobrir como fazer a outra pessoa sorrir."
Leo pareceu considerar a lista.
"Eu já sei."
"Como?"
"Abraço. Mas tem que ser na hora certa. Se ela está com tesoura, primeiro espera."
O avô soltou uma risada. Teresa apoiou a mão no ombro do neto.
"E vocês querem ensinar isso ao seu pai?"
Theo olhou novamente para Rafael.
"A gente quer que mamãe fique feliz."
A frase saiu séria demais para ser recebida como brincadeira.
Teresa se aproximou um pouco.
"Ela parece feliz com vocês."
"Parece", concordou ele. "Mas às vezes fica sozinha depois que a gente dorme."
Leo baixou os olhos para o bolo.
"Ela acha que a gente não vê."
Antônio trocou um olhar com a esposa. Os planos dos meninos não eram só uma vontade de ganhar brinquedos ou um pai para mostrar aos colegas.
Teresa passou a mão nos cabelos de Theo.
"Vocês podem gostar muito dele. Ela pode demorar mais."
"Eu sei."
"Então ninguém vai apressar sua mãe. Combinado?"
Leo suspirou.
"Pode ajudar devagar?"
"Pode", disse Antônio.
O menino estendeu a mão pequena. O avô apertou, solene. Theo fez o mesmo, e Teresa precisou participar também.
Rafael voltou no final da cerimônia.
"O que vocês estão fazendo?"
Leo não hesitou.
"Conversando sobre bolo."
Antônio limpou a garganta.
"Assunto importante."
Rafael olhou para o pai, depois para os filhos. Reconheceu uma formação de equipe da qual não recebera convite.
"Entendo."
Theo puxou o álbum novamente, encerrando o interrogatório. Rafael se sentou ao lado dele.
Havia uma fotografia de Teresa com um menino no colo e Antônio segurando um carrinho desmontado.
"Você quebrava brinquedo?", perguntou Theo.
"Eu queria saber como funcionava."
Leo apontou o pai com satisfação.
"É o que eu falo."
"A diferença", comentou Antônio, "é que você parece saber montar depois."
Rafael lançou um olhar para o pai.
"Alguns eu montei."
"Depois que eu achava as peças debaixo do sofá."
Os meninos riram. Era estranho e agradável descobrir que o homem alto também havia sido uma criança que deixava os adultos cansados.
Theo se inclinou sobre outra página. A fotografia mostrava Rafael dormindo no colo da mãe, com uma das mãos presa à blusa dela.
O menino ficou quieto por alguns segundos.
Teresa percebeu.
"Você também gosta de dormir com sua mãe?"
Theo tentou parecer indiferente.
"Quando está frio."
Leo o encarou.
"Você fala que eu invento."
Antônio levantou o álbum um pouco mais, escondendo o próprio sorriso.
Mais tarde, Rafael precisou voltar à empresa para uma reunião curta. Antes de sair, se abaixou diante dos filhos.
"Quero vocês aqui até sua mãe chegar. Nada de outro passeio."
Leo abriu a boca.
"Nada", repetiu o pai.
"Tá bom."
Theo assentiu, depois segurou um dedo dele.
Rafael parou.
"Você volta?"
"Hoje não consigo. Amanhã eu ligo."
O menino continuou segurando.
Rafael se aproximou.
"Eu vou avisar quando não puder vir. Não vou deixar você esperando sem saber."
Theo soltou a mão devagar.
Leo abraçou o pescoço dele por dois segundos, uma medida própria de despedida. Depois os irmãos foram até a janela vê-lo entrar no carro.
Teresa ficou ao lado de Antônio.
"Ele aprendeu alguma coisa", disse baixo.
"Já era hora."
Sem o pai, os meninos ficaram mais à vontade para explorar o jardim acompanhados do avô. Theo queria saber os nomes das plantas. Leo procurava uma árvore em que fosse permitido subir.
Antônio indicou uma baixa, ficou junto ao tronco e ajudou o menor a alcançar o primeiro galho.
"Agora eu sou alto", anunciou Leo.
"Aproveite."
Theo preferiu permanecer no chão, mas quando o avô perguntou se queria tentar, sua resposta veio depressa demais:
"Só um pouco."
Antônio ajudou também. Os dois ficaram sentados lado a lado, tênis balançando, como pássaros que tinham encontrado um lugar seguro.
Teresa trouxe água e pediu uma fotografia.
Theo ajeitou a camiseta. Leo colocou um braço em volta do irmão.
"Manda para a mamãe."
"Vou mandar."
Ao ver a foto, Lara respondeu quase imediatamente: Estou indo buscar meus dois macaquinhos.
Leo gargalhou quando Teresa leu a mensagem.
De volta à sala, Theo pegou um pequeno aparelho na mochila. Antônio reconheceu um telefone, mas não reconheceu a carcaça.
"Que modelo é esse?"
O menino olhou para Gabriel, que estava no corredor conversando com Lara sobre o horário.
"É nosso."
"Seu e do seu irmão?"
"Nós montamos algumas partes."
Antônio pegou o aparelho com cuidado. As bordas não tinham o acabamento de um produto comprado, mas a tela funcionava bem.
"Seu pai viu?"
"Não tudo. Mamãe sabe que a gente mexe em peças."
"E você quer mostrar?"
Theo hesitou.
"Quando ficar melhor."
O avô devolveu o telefone.
"Não precisa estar perfeito para me mostrar."
Theo ergueu o rosto. Ninguém tinha dito aquilo daquela maneira antes.
Guardou o aparelho, mas ficou mais perto de Antônio no sofá. Leo voltou com uma caixa que Teresa havia preparado para a mãe.
O avô puxou uma caixa de madeira debaixo da mesa. Dentro havia peças de um quebra-cabeça antigo, grandes e irregulares.
"Seu pai abandonou isso pela metade."
Theo se inclinou imediatamente.
"Você guardou?"
"Algumas coisas a gente guarda sem saber por quê."
O menino começou pelas bordas. Antônio tentou colocar uma peça junto a outra, percebeu que não encaixava e esperou a sugestão do neto.
"Essa fica do outro lado. Tem uma nuvem."
"Bem observado."
Leo deixou a caixa de bolo sobre a mesa e se aproximou também. Queria a peça com um barco. Theo lhe entregou sem discutir, embora ainda não soubesse onde ela ficaria.
Trabalharam juntos por algum tempo. Teresa voltou com um pequeno pano para limpar o joelho sujo de terra do menor. Ele parou de encaixar a peça e levantou a perna, aceitando o cuidado como se sempre tivesse sido recebido ali.
Theo olhou para os dois. Depois para o homem ao seu lado.
"A gente pode continuar outra hora?"
"Pode. Vou deixar na mesa."
"Não precisa deixar bagunçado."
"Não me incomoda."
Antônio retirou apenas as peças soltas da beirada, para que não caíssem. O resto permaneceu onde estava.
Theo passou os dedos pela parte pronta. Era uma coisa pequena, inacabada, que esperaria por ele naquela casa.
Leo colocou o barco no espaço certo e comemorou com os braços erguidos. Teresa pediu uma segunda fotografia.
"Essa mamãe também vai gostar", disse o menino.
O avô não insistiu para que sorrissem olhando a câmera. Registrou os dois curvados sobre a mesa, ocupados com aquilo que tinham começado juntos.
Quando Theo encostou discretamente o ombro no dele, Antônio ficou quieto. Era mais importante não interromper aquele gesto do que terminar o desenho do barco.
"Tem bolo, mas não é tudo nosso."
"Eu espero que não", disse o avô.
"A gente guardou bastante."
Lara chegou quando Gabriel já havia colocado as mochilas junto à saída. Uma entrega urgente ainda a esperava em casa, e ela pediu ao amigo que levasse os meninos ao carro. Não era o encontro tranquilo que pretendia ter com os pais de Rafael.
Teresa aceitou, embora claramente quisesse vê-la. Deixou os netos irem sem transformar o atraso numa ofensa.
Na despedida, Leo beijou as duas bochechas dela. Theo abraçou Antônio com os braços inteiros.
O avô ficou imóvel por um segundo, depois correspondeu.
"Até a próxima, Sol."
Theo sorriu, pequeno e luminoso.
Do lado de fora, Lara os recebeu com a expressão firme de quem guardara uma conversa por toda a tarde.
Leo entregou a caixa.
"Primeiro o bolo. Depois a bronca."
Ela olhou para ele.
"Vocês fizeram um passeio diferente do combinado."
"Tinha adulto", disse Theo.
"E ainda assim eu precisava saber antes. Não depois."
Os dois abaixaram o rosto.
Lara se agachou, segurando a caixa no colo.
"Eu quero que conheçam os avós. Não é disso que estou reclamando. Vocês entendem?"
Theo assentiu primeiro. Leo se aproximou e encostou a testa na dela.
"Desculpa, mamãe."
Ela beijou seu cabelo.
"Vocês vão me deixar grisalha antes dos trinta."
"Eu gosto do seu cabelo", disse o menino.
"Então ajude a preservar."
Naquela noite, dividiram o bolo depois do jantar. Lara pediu que contassem sobre a casa, e os dois falaram quase ao mesmo tempo.
O avô tinha fotografias. A avó abraçava muito. Papai tinha medo de cachorro quando era pequeno. A árvore do jardim era permitida, desde que o avô ficasse junto.
Lara ouviu cada detalhe.
Depois recolheu os pratos e colocou dois folhetos na mesa.
"Amanhã vamos conhecer uma escola."
O silêncio dos filhos foi tão completo que ela se virou.
Leo olhava para Theo.
Theo olhava para o folheto.
"A gente precisa conversar sobre isso também", anunciou o mais velho.
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