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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 6

正文开头

Duas cópias do filho que nunca dava notícias

Rafael saiu até a varanda para atender.

Lara não ouviu toda a conversa. Ouviu apenas:

"Não, mãe. Não é uma brincadeira."

Depois, um silêncio bastante comprido.

Quando ele voltou, tinha o telefone ainda na mão e uma expressão que ela não conseguia classificar.

"Sua mãe?"

"Quer conhecer vocês."

Lara endireitou as costas.

"Vocês?"

"Os meninos. E você."

Ela pousou a xícara.

"Não precisamos correr. Eles acabaram de entender o que está acontecendo."

Rafael assentiu.

"Eu disse isso."

Lara se surpreendeu. Esperara insistência, talvez o argumento de que os pais dele tinham o direito de ver os netos.

"E ela aceitou?"

"Disse que aceita esperar. Não disse por quanto tempo consegue."

O humor discreto aliviou a tensão.

No tapete, os meninos pararam de mexer no avião.

"Sua mãe é nossa avó?", perguntou Leo.

"É."

Theo olhou para Lara.

"E tem avô?"

Rafael sorriu.

"Também."

Leo pareceu fazer uma conta silenciosa. Até poucos dias antes, a família diária tinha três pessoas. Agora surgiam outras que ainda não sabia onde colocar.

"Eles são bravos?"

"Às vezes comigo."

"Por quê?"

"Dizem que trabalho demais."

Leo assentiu, satisfeito com a informação.

"Eles parecem inteligentes."

Lara riu. Rafael olhou para o menino, mas não conseguiu sustentar a seriedade.

Na casa dos Valença, Teresa já havia tirado dois álbuns do armário.

Antônio a observava por cima dos óculos.

"Ele disse que vai organizar uma visita."

"Você ouviu a voz dele?"

"Ouvi."

"Duas crianças, Antônio. Duas. E ele fala como se estivesse explicando uma mudança no estacionamento da empresa."

O marido fechou o jornal.

"Talvez esteja tentando entender."

Teresa se sentou, abriu um álbum e encontrou Rafael aos quatro anos, com uma expressão indignada diante de um bolo.

"Se forem parecidos com isso, espero que a mãe tenha paciência."

Antônio aproximou a cadeira.

"Ela teve por quase cinco anos."

Teresa ficou quieta.

A primeira alegria, enorme e desordenada, ganhou outra forma.

"Ele disse como ela se chama?"

"Lara."

"Então quando vier, nós precisamos recebê-la direito."

Naquela noite, Lara permitiu que os meninos vissem uma fotografia dos avós enviada por Rafael. Leo ampliou o rosto de Teresa. Theo examinou a postura de Antônio.

"A avó sorri", comentou o menor.

"Papai também", disse Theo.

"Pouco."

Lara pegou o telefone de volta.

"Nós vamos combinar uma visita. Com calma."

Os meninos assentiram.

A expressão dos dois deveria tê-la deixado mais desconfiada.

Dois dias depois, enquanto Lara precisava concluir uma prova de roupa, Gabriel os levou para um passeio e para retirar materiais numa loja. Era uma tarde comum, com um itinerário que ele havia mandado por mensagem.

Na volta, Leo anunciou que precisava entregar uma coisa.

Gabriel olhou pelo retrovisor.

"O quê?"

Theo mostrou um envelope.

Dentro havia um desenho feito pelos dois: uma casa, quatro adultos, dois meninos e um avião maior que todos os personagens.

"A gente quer levar para os avós", explicou.

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Gabriel diminuiu a velocidade.

"Sua mãe sabe?"

"Ela disse que vamos visitar."

"Isso não significa hoje."

Leo inclinou a cabeça contra a cadeirinha.

"Mas o desenho é de hoje."

Gabriel não se deixou convencer pela lógica. Parou num lugar adequado e tentou ligar para Lara. Ela estava numa prova e não atendeu. Então telefonou para Rafael, que estava entre reuniões.

O pai confirmou o endereço, avisou os pais e disse que chegaria assim que possível. Gabriel continuaria com os meninos e informaria Lara por mensagem.

Theo observou o irmão pelo retrovisor.

Leo fez um sorriso pequeno. O plano tinha sido pedir primeiro aos adultos certos, embora os dois soubessem perfeitamente que a visita seria uma surpresa para a mãe.

Quando chegaram à casa, Teresa estava junto à porta.

Vira uma fotografia recente enviada pelo filho. Não era o mesmo que ver duas crianças descendo do carro.

Leo saiu primeiro, com a mochila torta. Theo veio atrás, segurando o envelope.

Teresa levou a mão à boca.

Antônio apareceu no corredor.

"O que foi?"

A esposa se afastou um passo e deixou que ele visse.

O jornal dobrado escorregou da mão dele.

Theo examinou os dois, sério. Leo abriu um sorriso que não cabia no rosto.

"Oi, vovó."

Teresa se abaixou tão depressa que Antônio tentou ajudá-la tarde demais.

"Posso abraçar vocês?"

Leo não precisou de outra pergunta. Enfiou os braços em volta do pescoço dela.

Theo esperou um segundo. Depois se aproximou, e Teresa o trouxe para o abraço com cuidado, como se soubesse que não deveria apertar sua reserva antes de conquistar sua confiança.

Gabriel ficou perto do carro, deixando espaço para a primeira emoção.

Antônio recuperou os óculos.

"Um de cada vez. Deixem eu olhar."

Leo se colocou à sua frente e virou o rosto dos dois lados.

"Eu tenho uma pinta. O Sol também, mas ele não deixa olhar muito."

"Eu deixo", protestou Theo.

Teresa riu com os olhos molhados.

"Sol?"

"Theo. Mamãe me chama de Sol. Ele é Lua."

"Eu gostei", disse Antônio.

Theo lhe ofereceu o envelope.

"Nós trouxemos isso."

O avô abriu ali mesmo. A casa tinha janelas tortas e um jardim desenhado em várias cores.

"Esse sou eu?"

Leo apontou.

"Esse. Tem óculos."

"E por que sou menor que o avião?"

"Porque o avião é importante."

Antônio soltou uma risada tão franca que Teresa olhou para ele, surpresa.

"Entrem. O avião e os passageiros todos."

Dentro, os meninos encontraram almofadas claras, plantas e fotografias familiares. Leo queria tocar em tudo. Theo queria identificar as pessoas.

Teresa percebeu a fome antes que qualquer um pedisse comida.

"Vocês já lancharam?"

"Um pouco", respondeu Theo.

"Pouco mesmo", reforçou Leo.

Em poucos minutos, uma mesa pequena estava coberta de pães, queijo, frutas, bolo e suco.

Gabriel tentou explicar que seriam apenas algumas horas.

"Claro", disse Teresa, acrescentando outro prato. "Só para eles não ficarem com fome nesse tempo."

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Antônio olhou a mesa.

"Se ficarem, nós falhamos gravemente."

Theo pegou primeiro uma fruta. Leo calculou o caminho até o bolo.

Teresa se sentou entre os dois, esperando que comessem antes de perguntar qualquer coisa. Leo abriu a mochila e tirou um pequeno casaco. A manga tinha um remendo quase invisível, feito numa linha da mesma cor.

"Foi sua mãe?", perguntou ela.

"Eu prendi num portão. Ela fez ontem."

Teresa passou um dedo junto à costura.

"Ficou bonito."

"Ela conserta tudo", disse Theo.

Antônio olhou para o menino.

"Tudo?"

"A roupa, o brinquedo. Quando eu fiquei com medo de uma tempestade, ela consertou também."

O avô não perguntou como se consertava uma tempestade. Esperou.

"Ela ficou no quarto. Contou os segundos comigo. Depois a gente dormiu."

Leo pegou um pedaço de queijo.

"Eu não tinha medo. Só fui para a cama dela porque estava frio."

Theo olhou para o irmão, mas teve a delicadeza de não discutir.

Teresa sentiu os olhos arderem outra vez. Pegou um guardanapo, fingindo arrumar a mesa.

Antônio aproximou a jarra de suco.

"Então sua mãe é muito boa com tempestades."

Theo assentiu, contente por alguém entender.

Leo colocou a metade do queijo no prato da avó, porque ela estava servindo todo mundo e ainda não tinha comido nada. Teresa agradeceu e aceitou, como se aquele pequeno pedaço fosse o presente mais importante da tarde.

"Precisa comer tudo?", perguntou.

Teresa arregalou os olhos.

"Não, meu amor. Só o que quiser."

Leo relaxou. Seria um trabalho grande demais, mesmo para ele.

Quando Rafael chegou, encontrou o filho menor explicando por que precisava guardar um pedaço de bolo para a mãe, e o mais velho sentado perto de Antônio com o álbum aberto.

Teresa ergueu a cabeça.

"Você ia me fazer esperar quanto tempo para conhecer esses meninos?"

"Eu pedi dois dias."

"Foram muito longos."

Rafael olhou para os filhos.

Leo mordeu o pão, ocupado demais para admitir qualquer participação.

Theo apontou uma fotografia.

"Você tinha medo desse cachorro?"

Antônio respondeu antes:

"Muito."

"Pai."

"Ele precisa conhecer a história da família."

O celular de Gabriel tocou. Lara retornava a ligação.

Rafael recebeu o aparelho depois da explicação inicial e foi até a varanda.

"Eles estão bem. Gabriel ficou com eles. Eu também estou aqui."

Lara não parecia tranquilizada pela eficiência da operação.

"Eles combinaram isso com você?"

"Não."

"Rafael."

"Eu não sabia do desenho."

Do outro lado, ela soltou um suspiro comprido.

"Eu vou conversar com os dois."

"Imagino."

"E você não vai dizer que foi uma coincidência."

Ele olhou para dentro, onde Leo oferecia uma fruta à avó com a expressão mais doce do mundo.

"Não seria uma explicação convincente."

Lara ficou em silêncio. Depois pediu para falar com os filhos.

Theo pegou o telefone primeiro, ouviu e prometeu esperar até a mãe buscá-los. Leo disse que estava com saudade e que havia bolo guardado.

Teresa viu o menino beijar a tela antes de devolver o aparelho.

Aquilo apertou seu coração mais que a semelhança com Rafael.

Quando os netos voltaram à mesa, Antônio empurrou o álbum para perto deles.

Leo olhou para a avó, depois para o avô.

"Vocês querem a mamãe aqui também?"

Teresa respondeu sem hesitar:

"Muito."

O menino trocou um olhar com o irmão.

Theo fechou o álbum com solenidade.

"Então nós precisamos conversar sobre uma coisa."

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