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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 4

正文开头

Ela não queria um marido por obrigação

"Não."

Rafael piscou.

"Você nem pensou."

"Pensei o suficiente. Não vou me casar porque um exame confirmou que você é o pai dos meus filhos."

Ele olhou para os meninos, distraídos com o avião.

"Quero assumir minha responsabilidade."

"Então assuma como pai. Não precisa virar meu marido para isso."

Lara fechou a pasta e se levantou. O coração batia depressa, mas a voz permaneceu firme.

"Eu já aceitei uma proposta de casamento de alguém que não me amava. Não faço isso outra vez."

Rafael ficou em silêncio.

Ela não queria interpretar aquele silêncio como reprovação. Ainda assim, foi a primeira coisa que sentiu.

"Eles podem conhecer você", acrescentou. "Podem passar tempo com você. Nós podemos organizar tudo. Mas eu não entro num casamento para completar uma fotografia."

O homem apoiou uma mão no encosto da cadeira.

"Entendi."

Lara esperou a objeção.

"Entendeu mesmo?"

"Você não quer se casar comigo agora."

"Eu não disse agora."

"Também não disse nunca."

Ela abriu a boca, depois fechou. Rafael tinha uma calma irritante.

"Você está acostumado a conseguir o que quer?"

"Estou acostumado a trabalhar pelo que quero."

A resposta a deixou sem saber para onde olhar.

Da sala, Leo chamou:

"Papai, a asa caiu!"

Era a primeira vez que a palavra aparecia depois do resultado, sem jogo e sem teste. Rafael virou o rosto imediatamente.

Lara percebeu.

"Pode ir."

Ele se aproximou do tapete e sentou ao lado dos meninos. A calça de tecido escuro dobrou nos joelhos, e um homem que parecia ter sido feito para ocupar cabeceiras de mesa ficou no chão da sala pequena.

Theo mostrou o encaixe.

"Não é para apertar muito."

"Você já tentou?"

"Tentei. O Leo apertou mais."

"Eu queria garantir."

Rafael examinou a peça.

"Às vezes garantir demais quebra."

Lara, junto à mesa, ouviu aquilo e olhou para ele.

O homem não a encarava. Estava concentrado na asa.

Ela foi para a cozinha antes de sorrir.

Preparou café, colocou três copos de água no balcão e voltou para perguntar se ele queria alguma coisa.

Leo respondeu primeiro:

"Jantar."

"Eu perguntei ao seu pai."

"Ele também quer."

Rafael ergueu os olhos.

"Estou disponível."

Lara cruzou os braços.

"Que coincidência."

"Boa coincidência", disse Leo.

Theo fingiu conferir uma instrução.

Lara conhecia aqueles rostos. Os filhos começavam a funcionar em dupla sempre que queriam alguma coisa, e agora pareciam ter encontrado um adulto disposto a colaborar.

"Podemos comer fora", sugeriu Rafael. "Você escolhe o lugar."

Ela olhou para o relógio. Ainda precisava revisar um desenho, e não tinha vontade de cozinhar depois de uma tarde tão difícil.

"Um jantar. Sem outras propostas."

"Um jantar", concordou ele.

Leo levantou os dois braços.

"Todo mundo junto!"

Lara o segurou antes que esbarrasse no avião.

"Primeiro guardar. Depois lavar as mãos."

"Mas a gente vai sair."

"E vai sair com as mãos limpas."

O menino olhou para o pai, procurando um recurso.

正文1

Rafael apontou para o banheiro.

"Sua mãe falou."

Leo suspirou dramaticamente. Theo deu uma pequena risada, e os dois desapareceram pelo corredor.

O silêncio que ficou não era exatamente confortável.

Lara pegou as peças espalhadas, Rafael ajudou e as mãos dos dois se encontraram na mesma hélice.

Ela soltou primeiro.

"Meus filhos gostam de inventar histórias."

"Percebi."

"Não prometa nada só porque eles pedem de um jeito bonito."

Ele deixou a hélice dentro da caixa.

"Não tenho intenção de desaparecer."

Era a resposta para uma pergunta que ela não havia feito em voz alta.

Lara ajeitou a tampa, embora já estivesse no lugar.

"Você não sabe como eles ficam esperando."

"Então vou precisar aprender."

Ela olhou para ele.

Rafael parecia falar sério. Isso era mais perigoso para suas defesas que qualquer insistência.

Os meninos voltaram com as mangas úmidas. Leo havia tentado lavar os cotovelos para garantir que estava suficientemente limpo.

"Muito bem", disse a mãe, escondendo o sorriso. "Agora trocar essa camiseta."

Enquanto ela ajudava o menor, Theo ficou com Rafael perto da porta.

"Mamãe fica cansada", disse baixo.

O homem esperou.

"Às vezes fala que não está. Mas fica."

"Você percebe?"

Theo assentiu.

"Ela dorme na mesa. A gente põe o cobertor."

Rafael olhou para a mesa de trabalho. Havia uma almofada numa cadeira, um pote de lápis e uma manta dobrada no braço do sofá.

"Vocês cuidam bem dela."

"Você pode também."

A proposta veio sem cobrança. Quase uma autorização.

Antes que Rafael respondesse, Lara voltou com Leo pela mão.

Theo se afastou depressa.

Ela olhou de um para o outro.

"O que vocês estavam conversando?"

"Sobre o avião", respondeu o filho.

Rafael não o corrigiu, mas também não confirmou. Lara guardou aquilo para depois.

No carro, os dois meninos pediram para ver a cidade pela janela. Rafael ajustou a rota para evitar um trecho mais parado, enquanto Lara conferia os cintos das cadeirinhas.

"Vocês precisam de alguma coisa para o apartamento?", perguntou ele.

"Não."

"A torneira da cozinha faz um barulho", informou Leo.

"Gabriel já chamou alguém para consertar."

Rafael manteve os olhos na rua.

"Ótimo."

Lara reparou na resposta curta e não soube por que teve vontade de provocá-lo.

"Ele ajudou bastante com a mudança."

"Imagino."

"É um bom amigo."

O homem virou brevemente o rosto para ela.

Lara percebeu que sorria e se endireitou no banco.

No restaurante, Leo decidiu que queria sentar ao lado do pai. Theo preferiu a mãe. Quando o garçom se aproximou, os dois trocaram um olhar e pediram uma alteração de lugares.

"Eu quero olhar a janela", disse Leo.

"Eu também", acrescentou Theo.

O resultado deixou Lara e Rafael sentados juntos.

Ela apoiou o cardápio na mesa.

"Vocês acham que eu não percebo?"

Leo abriu os olhos.

"A janela é bonita."

Rafael olhou para o vidro, que refletia principalmente o salão.

"Muito bonita."

Lara lançou um olhar para ele. O homem ergueu o cardápio, mas não escondeu inteiramente o sorriso.

正文2

Ela descobriu que o sorriso dele mudava seu rosto de uma maneira injusta.

"Leo disse que você desenha roupas", comentou Rafael, enquanto esperavam os pratos.

Lara assentiu.

"Eu trabalhava numa maison em Paris. Ainda tenho algumas entregas de clientes antigos para concluir."

"Quer continuar aqui?"

"Quero. Mas no meu ritmo. Preciso organizar a vida deles primeiro."

Rafael olhou para os dois, ocupados comparando os próprios desenhos no papel oferecido pelo restaurante.

"Você fala como se não pudesse organizar a sua também."

Ela girou o copo entre os dedos.

"Por um bom tempo, não pude."

"E agora?"

Lara pensou antes de responder. Não estava acostumada a falar sobre planos com alguém que acabara de conhecer, muito menos com aquele homem.

"Agora eu gostaria de ter uma marca. Algo que levasse meu nome porque fui eu quem fez. Ainda vai demorar."

Theo levantou a cabeça.

"Eu já desenhei o letreiro."

"Você desenhou uma placa com um sol enorme", lembrou Leo. "Quase não cabia o nome dela."

"A sua tinha um astronauta."

"Era bonito."

Lara começou a rir. Rafael pediu para ver os dois projetos, e os meninos fizeram promessas imediatas de trazer os desenhos na próxima visita.

Ela ia dizer que aquela visita não estava marcada. Não disse. Era agradável demais ouvi-los discutindo um futuro em que seu sonho também tinha lugar.

Escolheram pratos simples. Leo pediu batatas; a mãe acrescentou legumes. Theo recusou sobremesa com solenidade, e o irmão anunciou que seria obrigado a comer por dois.

"Ninguém é obrigado a comer sobremesa", disse Rafael.

"Você ainda não conhece todas as regras da família."

O homem olhou para Lara.

"Existe essa regra?"

"Existe um menino tentando inventar."

O jantar avançou em interrupções pequenas: um copo ameaçando cair, uma dúvida sobre o tamanho de um prédio, o pedido para que o pai provasse uma batata escolhida especialmente por Leo.

Rafael provou.

Não parecia saber como recusar os gestos dos filhos, embora já soubesse apoiar os limites da mãe.

Lara percebeu que tinha parado de vigiar a passagem do tempo.

Quando Theo quis ir ao banheiro, o menino olhou para ela, depois para o pai.

"Você pode me levar?"

Rafael deixou o guardanapo na mesa.

"Posso."

Lara deu as orientações necessárias, observando os dois se afastarem. Theo caminhava perto do homem, ainda sem pegar sua mão.

Na metade do caminho, pegou.

Ela sentiu um aperto inesperado no peito.

Leo encostou o queixo no braço dela.

"Você não gostou?"

"Gostei, Lua."

"Sua cara ficou diferente."

Lara beijou a testa do filho.

"Às vezes a gente gosta de uma coisa e se emociona."

Ele pareceu satisfeito com a explicação. Pegou uma batata e ofereceu a ela.

"Então toma."

Quando os dois voltaram, Rafael ajudou Theo a subir na cadeira. O menino tinha a mão ainda perto da manga dele.

Lara ia comentar alguma coisa, mas uma voz atrás dela fez o sorriso desaparecer.

"Lara?"

Bruno estava na entrada do salão.

Priscila segurava seu braço, usando um vestido claro e a mesma expressão que a irmã lembrava da porta entreaberta, cinco anos antes.

Os olhos dos dois desceram até as crianças.

"Então as histórias eram verdadeiras", disse Priscila.

Rafael percebeu que Lara tinha ficado imóvel. Pousou o garfo, virou-se devagar e olhou para a mulher que acabara de falar.

"Que histórias?"

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