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"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Capítulo 3

正文开头

O homem do quarto 417

Lara perdeu a vontade de se sentar.

O ruído de talheres, a conversa na mesa vizinha e o pedido de Leo por suco continuaram ao redor dela. Por um instante, tudo pareceu vir de muito longe.

"O que você sabe sobre esse hotel?"

Rafael notou a mudança no rosto dela e baixou a voz.

"Não precisamos conversar aqui."

Ela olhou para os filhos.

Theo já tinha percebido que alguma coisa estava errada. Leo segurava o copo sem beber.

"Gabriel", disse Lara, "você pode ficar com eles um minuto?"

O amigo se levantou.

"Claro."

"Eu vou ali. Vocês conseguem me ver."

Apontou para um pequeno salão de espera separado por uma divisória de vidro. Theo assentiu, mas acompanhou cada passo dela.

Rafael entrou atrás e esperou que Lara escolhesse onde ficar. Ela permaneceu de pé, braços cruzados.

"Se vai me perguntar pelas notícias daquela época, eu não tenho nada para explicar."

"Não acredito naquelas notícias."

Lara apertou os braços.

"Por quê?"

"Porque você passou a noite no quarto 417. Não no quarto que apareceu nas fotografias."

O ar pareceu faltar.

"Você..."

"Era meu quarto."

Ela olhou para o rosto dele, procurando uma lembrança clara. Encontrou apenas fragmentos: uma voz, uma mão perto do seu rosto, a luz sob uma porta. Nada que a preparasse para aquele homem, cinco anos depois, diante dos seus filhos.

"Eu não sabia quem você era."

"Descobri seu nome no dia seguinte. Quando consegui uma forma de contato, você já tinha partido."

"Eu não podia ficar."

A resposta saiu antes que ela decidisse dá-la.

Rafael não perguntou por quê. Isso a irritou e a aliviou ao mesmo tempo.

"Procurei você", disse ele. "As pessoas a quem perguntei não ajudaram. E você não quis ser encontrada."

Lara desviou o olhar para os meninos. Os dois fingiam prestar atenção em Gabriel, mas estavam virados para o vidro.

"Naquela época, eu não queria ser encontrada por ninguém."

Ele seguiu a direção dos olhos dela.

"Quantos anos têm?"

A pergunta que ela temera desde o aeroporto finalmente estava ali.

"Quatro. Vão fazer cinco."

Rafael ficou em silêncio.

Ela conhecia aquele silêncio. Era o intervalo antes de alguém começar a decidir o que seria feito com sua vida.

"Se está pensando em alguma coisa..."

"Estou pensando que posso ter dois filhos."

A voz dele não soou triunfante. Soou contida demais.

Lara sentiu a própria defesa vacilar.

"Eles são meus filhos."

"Eu ouvi. Não estou contestando isso."

"Você não conhece nenhum dos dois."

"Ainda não."

Aquela palavra deixou algo aberto entre eles.

Ela passou os dedos pela alça da bolsa, tentando organizar tudo que precisaria perguntar. Por que agora? O que ele queria? Por quanto tempo? O que aconteceria se os meninos se apegassem e ele desaparecesse?

Rafael pareceu compreender pelo menos parte.

"Não vou pedir que confie numa semelhança. Podemos fazer um exame. Com você acompanhando tudo."

正文1

Lara ergueu os olhos.

"Nada escondido."

"Nada escondido."

"E nenhuma conversa sobre isso com eles antes de termos certeza."

Ele olhou novamente para o salão.

Leo acenou pelo vidro.

"Acho que seu filho começou essa conversa antes de nós."

Lara quase sorriu. Quase.

"Ele também já disse que ia morar na Lua. Não significa que devamos comprar uma nave."

"Entendi."

Ao voltarem para a mesa, Theo puxou a cadeira para a mãe. Era um esforço sério, realizado com os dois braços.

Lara beijou o cabelo dele.

"Obrigada, Sol."

Leo encostou nela pelo outro lado.

"Você ficou triste?"

"Fiquei surpresa."

"Pode ficar surpresa feliz."

Ela olhou para Rafael. Ele não sorriu para incentivar o menino nem prometeu coisas grandiosas. Apenas esperou que ela respondesse.

"Vamos almoçar primeiro", disse Lara.

Gabriel perguntou se ela queria ir embora. Ela negou, embora precisasse segurar o copo com as duas mãos para disfarçar o tremor.

Theo comeu pouco. Leo ofereceu à mãe um pedaço de carne, como fazia quando acreditava que alguém precisava de ajuda.

Rafael percebeu que os dois olhavam para ela antes de olhar para qualquer outro adulto.

Era ali que começava o mundo deles.

Não bastaria entrar e exigir um lugar.

Dois dias depois, Lara levou os meninos a um laboratório escolhido após conferir o procedimento e os prazos. Rafael os esperava na recepção, sem a comitiva que ela imaginara.

Leo correu na direção dele, mas parou no meio do caminho e olhou para a mãe.

Ela assentiu.

O abraço veio em seguida, desajeitado e rápido. Theo se aproximou devagar.

"Não vai doer?", perguntou.

"A coleta é pela boca", explicou Lara. "Lembra do que conversamos?"

Ele lembrava. Ainda assim, observou primeiro o procedimento do irmão.

Leo abriu a boca com exagero e depois perguntou se merecia sorvete.

"Você não foi vacinado", respondeu a mãe.

"Mas fui muito corajoso."

Rafael inclinou o rosto para ela.

"Qual é a regra do sorvete?"

Lara não esperava a pergunta.

"Depois do almoço. E não todos os dias."

"Ouviu?", disse ele ao menino.

Leo suspirou. Parecia decepcionado ao descobrir que pai e mãe poderiam falar a mesma língua.

Theo, porém, soltou a mão dela e se aproximou da cadeira de Rafael. Não chegou a abraçá-lo. Ficou apenas ali, perto.

O homem não forçou nada.

Durante a espera pelo resultado, a rotina de Lara continuou. Havia desenhos por terminar, roupas por desempacotar e uma torneira no apartamento novo que Gabriel prometera resolver.

Ela tentou não pensar no envelope que mudaria a vida dos filhos.

Pensou mesmo assim.

À noite, Leo perguntou se poderia ligar para Rafael. Ela permitiu alguns minutos, e os dois conversaram sobre um modelo de avião que ainda não conseguia montar.

Theo escutou do outro lado da cama.

Quando Rafael perguntou se ele também queria falar, respondeu:

"A peça da asa está errada. Não é falta de força."

Lara tapou a boca para não rir.

正文2

Depois da ligação, Leo se deitou satisfeito. Theo esperou o irmão fechar os olhos antes de tocar no braço da mãe.

"Ele vai embora?"

Ela sentou na beira da cama.

"Não sei tudo o que vai acontecer."

O menino ficou sério.

Lara segurou a mão dele.

"Mas eu vou continuar aqui. Isso você pode saber."

Theo puxou o cobertor até o queixo. Leo, que fingira dormir, estendeu um pé e encostou na coxa dela.

Ela ficou entre os dois até a respiração se acalmar.

No dia da entrega do resultado, Rafael foi ao apartamento.

Lara abriu a porta e encontrou um homem de camisa escura, sem gravata, segurando uma pequena caixa.

"A peça da asa", explicou.

Leo apareceu atrás dela antes que pudesse responder.

"Você achou!"

"Seu irmão mandou uma foto."

Lara virou o rosto para Theo, que descobriu um grande interesse no rodapé da parede.

"Depois conversamos."

Ele assentiu sem arrependimento visível.

Deixaram os meninos montando o avião à vista da sala e foram até a mesa. Lara havia recebido o resultado digital, mas ainda não o abrira.

Rafael colocou o celular ao lado do dela.

"Quer abrir primeiro?"

Ela assentiu.

Leu o nome de Theo. Depois o de Leo. Conferiu seus próprios dados, como se um erro em qualquer letra pudesse alterar tudo.

O resultado não deixou espaço para dúvida.

Rafael era o pai.

Lara abaixou o telefone.

Na sala, alguém deixou uma peça cair. Leo reclamou, Theo pediu silêncio, e a vida cotidiana continuou durante aquele instante enorme.

"Lara?"

Ela olhou para ele.

Os olhos do homem estavam nos meninos. Não havia frieza ali. Havia espanto, e alguma coisa que ele parecia incapaz de dizer depressa.

Lara respirou fundo.

"Vamos contar."

Rafael esperou que ela chamasse os filhos.

Leo veio correndo. Theo trouxe a peça que segurava.

"O exame confirmou", disse a mãe. "Rafael é o pai de vocês."

O silêncio durou pouco.

"Eu falei!"

Leo se lançou sobre ele. Rafael o recebeu, depois ergueu os olhos para Theo.

O menino demorou mais. Olhou para Lara, como se precisasse ter certeza de que abraçar o pai não seria deixá-la para trás.

Ela abriu a mão e alisou sua nuca.

"Pode ir, Sol."

Theo deu dois passos e encostou no outro lado do homem.

Rafael passou um braço em volta dele.

Leo quis ver o resultado e franziu a testa diante das linhas que ainda não conseguia ler sozinho. Lara mostrou onde estava o nome do pai. Depois pegou uma fotografia antiga dentro da pasta: os dois recém-nascidos, lado a lado, enrolados em mantas diferentes.

"Quem é quem?", perguntou Rafael.

"Theo de amarelo. Leo de azul. Ele era menor."

O homem segurou a foto com cuidado. Aproximou o rosto, conferindo as mãos minúsculas.

"Eu gritava mais", informou Leo.

"Ainda grita", disse Theo.

Lara riu, e Rafael olhou para ela por cima da fotografia. Havia perguntas no rosto dele, mas naquela hora escolheu ouvir os filhos disputarem quem dera mais trabalho à mãe.

Lara baixou os olhos antes que os filhos vissem sua emoção.

Mais tarde, enquanto os meninos discutiam qual lugar o pai ocuparia no avião de brinquedo, Rafael se aproximou da mesa onde ela guardava os documentos.

"Quero fazer parte da vida deles."

"Nós vamos conversar sobre como."

"E da sua."

Lara parou.

Ele olhou para a fotografia dos três, apoiada junto a uma caixa de linhas. Depois voltou os olhos para ela, sério, como se apresentasse a solução mais simples do mundo.

"Case comigo."

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