localização atual: Novela Mágica Nos Braços do Homem que Eu Devia Temer. Capítulo 10
标题上

"Nos Braços do Homem que Eu Devia Temer." Capítulo 10

正文开头

Um quarto só dela

O alojamento ficava nos fundos do Clube Mirante, outra empresa de Davi.

Clara descobriu isso quando o carro passou pelo letreiro iluminado e por uma fila de pessoas esperando para entrar.

Havia música, cheiro de fritura, funcionários com rádio no ouvido e homens que interrompiam as conversas para cumprimentar Davi.

Beatriz levantou o queixo um pouco.

"Eu trabalhava na recepção daqui", explicou. "Antes de ir para o hotel."

Clara acompanhou a irmã pelo corredor lateral. Não gostou de atravessar uma parte do salão carregando sacolas, mas também não queria parecer ingrata.

Davi caminhava à frente. Parou perto de uma divisória, esperando as duas.

"O que acha?", perguntou a Clara.

Ela olhou para as mesas cheias, o palco pequeno, os garçons se movendo entre as pessoas.

"Parece que dá trabalho."

Ele riu.

"Dá dinheiro também."

"Ainda bem."

"Podia vir trabalhar comigo."

Beatriz olhou para ela imediatamente.

Clara percebeu, mas não entendeu.

"Já tenho emprego."

"Vi o salário."

"E eu vi que você não gosta dele."

"Aqui você ganhava mais."

"Fazendo o quê?"

Davi abriu a boca, depois olhou para o saco de livros nas mãos de Vicente.

"A gente encontrava alguma coisa."

"Quando encontrar, você me apresenta a proposta."

Ele pareceu surpreso. Depois sorriu, como se ela tivesse passado num teste que não sabia estar fazendo.

"Justo."

O quarto de Beatriz tinha duas camas, uma mesa e um banheiro pequeno. Ficava separado dos dormitórios coletivos por uma porta no fim do corredor.

Não era luxuoso. Era limpo. Havia espaço suficiente para que Clara colocasse a mala embaixo da cama e os livros numa prateleira.

Ela quase chorou de alívio.

Vicente deixou os sacos no chão. Davi permaneceu no batente.

"Se faltar alguma coisa, fala."

"Uma chave?", perguntou Clara.

Ele a encarou por um segundo.

Depois procurou a cópia no bolso e colocou em sua mão.

"Essa fica com você."

Ela fechou os dedos.

Dormiu melhor naquela noite do que nas últimas semanas.

Nos dias seguintes, aprendeu os horários do alojamento. A música diminuía depois de certa hora, mas ainda era possível sentir a vibração na parede. Pela manhã, precisava atravessar o pátio para tomar café antes de sair para o trabalho.

Beatriz se arrumava diante do espelho e falava cada vez mais de Davi.

O senhor Davi conhecia tanta gente. O senhor Davi resolvera um problema na folha de pagamento. O senhor Davi pagara o médico de um funcionário.

Clara escutava e concordava quando parecia apropriado.

Não contou sobre a estrada.

Também não contou sobre o fim de semana em Belo Horizonte. Era difícil explicar o que ainda não compreendia.

Uma noite, Davi apareceu quando ela organizava os livros.

Bateu uma vez e pôs a cabeça para dentro.

Clara endireitou o corpo.

"Espera eu responder."

Ele recuou imediatamente.

Bateu outra vez.

"Pode entrar?"

Ela tentou não sorrir.

"Agora pode."

Beatriz, sentada na outra cama, ficou vermelha.

"Desculpa, senhor Davi. A Clara..."

正文1

"Ela está certa", interrompeu ele.

Clara olhou para a prima. Beatriz baixou os olhos e começou a dobrar uma camiseta que já estava dobrada.

Davi apontou para um dos volumes.

"Tudo isso é da faculdade?"

"A maioria."

"Posso?"

Ela lhe entregou um livro grande sobre restauração de edifícios.

Ele o abriu com cuidado. Demorou numa fotografia de uma fachada antiga e passou o dedo pela margem, sem tocar a imagem.

"Você sabe fazer isso?"

"Não sozinha. Já participei de projetos com professores. Levantamento, desenho, pesquisa. Cada parte exige gente especializada."

"E gosta?"

Clara se sentou na cama.

Gostava tanto que era difícil responder sem parecer infantil.

"Gosto de descobrir por que uma casa foi construída daquele jeito. O que foi mudado. O que ainda dá para salvar."

Davi continuou olhando a página.

"A Rua das Rosas."

Ela assentiu.

"Era isso que queria explicar naquele almoço."

Ele fechou o livro sem bater as capas.

"Eu ouvi."

Clara sentiu um calor pequeno, perigoso, atrás do peito.

Beatriz se levantou de repente, dizendo que precisava buscar água. Quando a porta fechou, Davi tornou a entregar o livro.

"Não desiste disso."

"Você fala como se fosse fácil."

"Não falei que era."

Ela apoiou o volume no colo.

"Obrigada."

Ele assentiu, sem transformar o agradecimento numa oportunidade de se aproximar. Disse que Vicente deixaria alguns contatos para qualquer problema e foi embora.

Beatriz voltou minutos depois.

Naquela noite, não falou de Davi.

Dois dias mais tarde, enquanto Clara separava a roupa do trabalho, a prima pediu que procurasse outro lugar para morar.

A frase veio baixa, quase carinhosa.

"Não é por mim. Estão comentando que eu trouxe gente de fora."

Clara ficou com a camisa nas mãos.

"Eu posso ajudar com as despesas."

"Não é dinheiro."

"O Davi autorizou."

"Você vai fazer eu reclamar dele?"

Clara não queria fazer ninguém reclamar de ninguém.

Olhou para a chave na mesa. Tinha começado a se acostumar a carregá-la no bolso.

"Eu procuro amanhã."

Beatriz abraçou os próprios joelhos.

"Você entende, não entende? Esse emprego é tudo que eu tenho."

Clara assentiu.

No dia seguinte, usou o intervalo para ligar para imobiliárias. Os imóveis baratos eram grandes demais, distantes demais ou exigiam garantias que ela não tinha.

No fim da tarde, encontrou um homem que anunciava quartos num grupo local. Ele pediu uma pequena taxa para mostrar as opções. Clara pagou, contrariada, e o acompanhou por duas ruas.

Na terceira, parou.

A luz estava acabando. Não havia comércio aberto. O homem insistia para que entrassem numa passagem estreita.

"Eu volto de dia", disse.

"Já estamos aqui."

"Não quero continuar."

Ele segurou seu braço.

Clara o empurrou e gritou.

Dois rapazes apareceram atrás deles. O homem a soltou quando um deles disse seu nome completo e perguntou o que estava fazendo.

Ela não ficou para descobrir de onde se conheciam.

Correu até a rua principal.

Uma Mercedes preta estava parada junto ao meio-fio.

正文2

Davi saiu do banco de trás ao vê-la.

"Clara?"

Ela chegou tão depressa que quase bateu contra ele. Davi segurou seus ombros, examinando o rosto, as mãos, o braço que ela protegia.

"O que aconteceu?"

"Eu estava vendo um quarto."

O rosto dele mudou.

Não gritou. Isso foi pior.

Vicente apareceu minutos depois, devolveu o valor que ela pagara e explicou que os rapazes trabalhavam na manutenção do clube. Tinham reconhecido Clara da mudança.

Davi ouviu sem tirar os olhos dela.

"Por que estava procurando quarto?"

"Porque preciso morar em algum lugar."

Ele inspirou devagar.

"Entra no carro. Depois você me explica."

Clara entrou porque suas pernas ainda tremiam.

Explicou durante o trajeto. Não acusou Beatriz. Disse apenas que o alojamento era para funcionários e não queria causar problemas.

Davi mandou Vicente telefonar para Rafael, o administrador do hotel.

Pararam no Grande Hotel Aurora.

Clara tentou argumentar sobre o preço. Sobre seu salário. Sobre colegas que podiam vê-la entrando todos os dias.

Davi escutou até o fim.

Depois chamou um homem magro, de óculos de armação preta, que havia descido para recebê-los.

"Rafael. A sala de dentro do meu escritório. Dá para usar como quarto?"

"Dá. Já tem banheiro."

"Então prepara. Ela entra pelo elevador lateral. Não precisa passar pela recepção."

Clara olhou de um para o outro.

"Vocês estão decidindo muito rápido."

Rafael sorriu.

"Você pode olhar primeiro. Se não gostar, encontramos outra solução."

A diferença entre as duas maneiras de oferecer ajuda quase a fez rir.

Davi percebeu.

"Isso. O que ele disse."

Ela os acompanhou.

O quarto era simples e silencioso. Uma cama, um armário, uma janela para os telhados antigos. Do lado de fora, o escritório amplo tinha uma mesa, estantes e um sofá.

Clara pousou a bolsa na cama.

"Eu não sei como pagar isso."

Davi permaneceu junto à porta aberta.

"Você não precisa pagar para ter um lugar seguro."

Ela olhou para ele.

"Preciso saber o que você espera em troca."

O sorriso desapareceu.

"Nada que você não queira me dar."

Clara não soube o que fazer com aquela resposta.

Rafael colocou uma chave nova sobre a cômoda e saiu para buscar as roupas de cama.

Davi se afastou, deixando a passagem livre.

"Pensa depois", disse. "Hoje você dorme."

Clara tocou a chave.

Pela segunda vez em poucos dias, aquele homem lhe dava uma porta que ela podia trancar.

Dessa vez, precisaria descobrir se queria mantê-lo do lado de fora.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部