"Casamento às Pressas: A Esposa que Desarmou o CEO." Capítulo 6
O trabalho que ela roubou
Às oito e quarenta, Marina descobriu que uma mesma fornecedora tinha três cadastros, duas grafias para o nome e números diferentes em quase todas as planilhas.
Às nove e dez, descobriu que não havia jantar escondido na bolsa.
Às dez, descobriu que detestava profundamente quem chamava aquele volume de arquivos de uma tarefa rápida.
Mas encontrou um jeito de organizar.
Separou os documentos, criou uma tabela de consulta e marcou em amarelo as informações que precisavam ser confirmadas. Não inventaria respostas para entregar uma pasta mais bonita.
Quando terminou, enviou o arquivo a Vanessa e guardou uma cópia.
O elevador estava vazio.
Marina apoiou a cabeça na parede por alguns segundos, sentindo um cansaço que era quase bom. Tinha resolvido alguma coisa. Pequena, talvez, mas diferente de esperar.
Em casa, Orlando ainda estava acordado.
"Eu teria mandado buscar a senhora."
"Eu sei. Não queria atrapalhar."
"Buscar alguém é uma das coisas para as quais o carro existe."
Ela sorriu, sem forças para discutir.
Orlando ofereceu uma sopa. Marina aceitou meia tigela na cozinha antes de subir.
No quarto, a cama permanecia vazia.
Rafael continuava na França.
Ela pegou sua velha camiseta na bolsa e dormiu no sofá, embora pudesse ter escolhido a cama por alguns dias.
Não queria que o retorno dele virasse outra conversa sobre lugares que ela ocupava sem permissão.
Na manhã seguinte, suas caixas de arquivos não estavam na mesa.
Marina olhou ao redor.
Vanessa digitava com uma expressão tranquila demais.
Alguns minutos depois, Renata apareceu na porta.
"Vanessa, entra aqui."
Marina continuou abrindo as mensagens até ouvir seu próprio nome.
"Você também, Marina."
Na mesa da diretora estavam as caixas.
"Quem organizou isso?"
Vanessa respondeu depressa.
"Eu comecei ontem, mas a Marina me deu uma ajuda."
Marina olhou para ela.
"Eu organizei tudo."
"Não foi isso que eu quis dizer."
Renata ergueu a mão.
"Estou perguntando quem fez."
Marina explicou o processo, apontou os cadastros duplicados e abriu a tabela no computador da diretora. Não precisou procurar o arquivo. Conhecia cada coluna.
Renata voltou a Vanessa.
"Eu deixei essa tarefa com você na semana passada."
A compreensão fez Marina sentir raiva de uma vez.
"Você disse que a Renata tinha pedido para mim."
Vanessa cruzou os braços.
"Eu precisava sair. A organização ia beneficiar todo mundo."
"Principalmente você", Marina respondeu.
Renata soltou um suspiro curto.
"Vanessa, você vai corrigir os cadastros marcados. E não vai passar uma tarefa adiante usando meu nome."
"Mas..."
"Sem mas. Pode sair."
Marina ficou perto da porta, sem saber se também estava dispensada.
Renata apontou para a cadeira.
"Senta."
Ela se sentou.
"Da próxima vez, confirma comigo."
"Eu achei que..."
"Eu sei o que você achou. Trabalho em equipe não significa ficar com a parte que ninguém quer e deixar os outros escolherem o crédito."
Marina assentiu.
Renata abriu uma pasta nova.
"Agora vamos usar sua noite mal dormida para alguma coisa melhor."
O projeto era uma pequena coleção para uma marca parceira, voltada a mulheres que preferiam peças clássicas, mas não queriam repetir sempre as mesmas formas.
Marina passou os dedos pela referência impressa.
"Você quer que eu faça?"
"Quero que tente. Se ficar ruim, vamos descobrir onde. Se ficar bom, vamos descobrir por quê."
Ela sorriu antes de conseguir conter.
"Posso apresentar mais de uma ideia?"
"Pode. Mas não vinte ideias pela metade."
Marina saiu com a pasta abraçada ao corpo.
Vanessa olhou para ela da mesa ao lado.
Dessa vez, Marina não desviou.
À tarde, encontrou o tema nas tulipas que Helena cultivava numa área mais protegida do jardim. Não queria copiar uma flor inteira, nem transformar a peça num enfeite óbvio.
Queria a curva.
A maneira como as pétalas pareciam guardar alguma coisa sem fechar completamente.
Começou por linhas simples.
Ao chegar em casa, o carro de Rafael estava diante da garagem.
Marina diminuiu o passo.
Não tinha pensado que o retorno dele a deixaria tão consciente das próprias roupas, da bolsa pesada, do cabelo solto pelo dia inteiro.
No jantar, ele estava sentado diante de Augusto.
Cumprimentou-a com um movimento breve de cabeça.
Ela respondeu do mesmo modo.
Helena fez as perguntas sobre o trabalho, e Marina falou do projeto sem citar a colega.
Rafael permaneceu em silêncio.
Quando a mãe ofereceu o peixe preparado por ela, Marina experimentou e descobriu uma quantidade de sal que exigia heroísmo.
Helena a observava, esperançosa.
"Gostou?"
Marina pegou o copo de água.
"O ponto ficou ótimo."
Rafael olhou para o copo quase vazio.
Depois colocou mais um pedaço de peixe em seu prato.
"Então pode repetir."
Marina o encarou.
Havia a sombra de alguma coisa junto à boca dele. Não era exatamente um sorriso, mas certamente não era inocência.
Ela empurrou a travessa em sua direção.
"Você também devia experimentar mais. Sua mãe caprichou."
Helena ficou satisfeita.
Rafael foi obrigado a servir outra porção.
Marina bebeu água para esconder o sorriso.
Depois do jantar, levou o computador para o quarto. Rafael entrou pouco depois, tirando o relógio.
Ela reuniu as folhas espalhadas no sofá.
"Vou terminar uma coisa."
"Quanto tempo?"
"Não sei ainda."
Ele olhou para o relógio antes de deixá-lo na mesa.
Marina entendeu o recado.
Pegou o carregador, as folhas e foi para o pequeno espaço de leitura no corredor. Havia uma tomada, uma luminária e uma mesa estreita.
Serviria.
Desenhou até encontrar a proporção que queria. Quando o silêncio da casa ficou absoluto, conferiu a hora.
Passava de uma da manhã.
Marina apagou a luminária e juntou as folhas sob o computador. Entrou no quarto sem acender a luz, tateando o caminho para o sofá.
Esqueceu a mesinha.
O dedo do pé bateu na quina.
A dor foi tão aguda que ela soltou um som involuntário. O computador inclinou, as folhas escaparam, e Marina tentou evitar que tudo caísse.
Seu corpo foi junto.
Alguém a segurou pela cintura.
O movimento não foi suficiente para mantê-los em pé.
Ela caiu sobre Rafael, e Rafael caiu sobre o sofá.
Por um segundo, Marina só conseguiu sentir a mão dele em suas costas, a camiseta macia contra seu rosto e o calor que não combinava em nada com sua voz.
"Você pretende me derrubar toda noite?"
"Eu pretendo salvar o meu computador."
"E pisar em mim faz parte?"
"Ainda não."
Uma pausa.
Então a luz se acendeu.
Marina tentou sair depressa, mas a dor voltou ao apoiar o pé. Seu joelho cedeu, e ele a segurou outra vez.
O olhar de Rafael desceu para os dedos dela.
Havia sangue junto à unha.
"Fica quieta."
"Eu consigo..."
"Consegue se machucar de novo. Já vi."
Ele a colocou sentada e saiu para chamar Orlando.
Marina apertou o pé numa toalha enquanto esperava, envergonhada pela situação e furiosa com a mesinha.
Rafael voltou com uma funcionária e uma caixa de primeiros cuidados. Ficou ao lado até que ela terminasse de limpar o ferimento.
"Não precisa ficar olhando", Marina disse, ao fazer uma careta.
"Então não faça essa cara como se fosse desmaiar."
"Pode ficar tranquilo. Se eu desmaiar, tento cair longe de você."
A funcionária baixou o rosto para esconder um sorriso.
Depois que ficaram sozinhos, Marina viu uma folha na mão de Rafael.
Era o desenho das tulipas.
Ele o observou, sem dizer nada.
Marina estendeu a mão.
"Isso é meu."
Rafael lhe devolveu a página, mas continuou olhando por um instante para as linhas delicadas que preenchiam o papel.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 1
Paixão proibida: Um romance da máfia
Lucien, o Rei da Máfia, conhecido como o Diabo. Heloísa, conhecida como anjo. Os dois são arranjados para se casar, forçados pelos pais, juntando-se às duas máfias. Mas Heloísa acaba descobrindo que até o diabo já foi um anjo.Romance1.3 mil palavras8 2 -
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4