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"Casamento às Pressas: A Esposa que Desarmou o CEO." Capítulo 5

正文开头

O emprego que eu pedi

Caio não prometeu que Lúcia acordaria.

Marina percebeu isso antes de ele começar a falar, e agradeceu silenciosamente. Tinha ouvido consolos suficientes para reconhecer quando alguém tentava aliviar a própria dificuldade de estar perto da dor dos outros.

"Nós seguimos acompanhando a evolução dela", disse ele. "E você pode conversar com a equipe sempre que tiver dúvida. Mas precisa dormir e comer também."

"Eu dormi."

"E comeu?"

"Um pão de queijo."

Caio olhou para o relógio.

"São quase quatro da tarde. Isso não é exatamente uma vitória."

Marina deixou escapar uma risada cansada.

"Sua equipe conta tudo para você?"

"Não. Foi você que acabou de me contar."

Ele se levantou.

"Fica mais um pouco. Depois desce à cafeteria. Sua mãe precisa de você inteira, não desmaiando ao lado da cama."

Quando voltou à residência, o jardim tinha uma faixa de sombra atravessando as roseiras. Helena estava ali, de luvas, examinando um galho.

"Como ela está?"

"Sem mudanças."

Helena tirou as luvas e as deixou sobre um banco.

"Senta comigo."

Marina obedeceu. O silêncio entre elas não era confortável ainda, mas também não exigia uma explicação imediata.

Uma funcionária trouxe água. Marina bebeu quase o copo todo.

"Rafael viajou", Helena disse.

Ela olhou para a mulher.

"Hoje?"

"Paris. Um compromisso que já estava marcado."

Marina assentiu.

Naquela manhã ele se levantara da mesa sem olhar para ela. Podia ter informado. Não informara.

"Não estou dizendo isso para você se sentir dispensada", Helena acrescentou.

"Eu sei."

"E precisamos conversar sobre ontem. Eu devia ter contado tudo."

Marina passou o dedo pelo desenho do copo.

"Devia."

Helena aceitou a resposta sem tentar amenizá-la.

"Vou respeitar o que combinamos. Sua mãe terá o apoio prometido, independentemente de vocês se entenderem de imediato."

"Eu agradeço por isso. De verdade. Só preciso saber onde termino eu e onde começa a sua ideia de família."

Helena a observou por um momento.

"Você vai me dizer. Acho que já começou a dizer."

Marina soltou o ar, menos tensa.

"Quero trabalhar."

A resposta veio sem qualquer preparação.

Helena ergueu as sobrancelhas.

"Com design?"

"É o que sei fazer. E o que eu gosto de fazer. Não quero passar o dia esperando o horário de visita."

"Renata precisa de uma assistente na equipe. Você poderia conversar com ela."

Marina se endireitou.

"Na Montenegro?"

"Sim."

"Não quero que me contratem só porque estou morando aqui."

Helena sorriu de um jeito pequeno.

"Querida, eu conheci seu trabalho antes de conhecer sua vida. Posso abrir uma porta. Você terá de provar que consegue ficar. Renata não mantém alguém na equipe para agradar a mim."

Marina gostou da última parte.

"Ela não precisa saber do casamento."

"Por enquanto, podemos preservar sua privacidade. Algumas pessoas terão de cuidar dos documentos, mas não vamos anunciar sua vida no escritório."

"Quero ser Marina lá."

Helena assentiu.

"Então vai ser Marina."

No dia seguinte, ela passou quase vinte minutos escolhendo a roupa.

正文1

Não porque tivesse tantas opções. Sua mala ainda guardava as peças da vida anterior, e algumas pareciam formais demais, outras gastas demais.

Escolheu uma calça escura, uma blusa clara e os sapatos mais confortáveis que tinha. Prendeu o cabelo.

Depois, soltou.

Prendeu de novo.

"Você vai trabalhar, não fazer um desfile", disse ao reflexo.

Tirou a aliança e ficou olhando para ela.

Não queria mentir se alguém perguntasse se era casada. Também não queria a pergunta antes de abrir o computador.

Guardou o anel numa pequena caixa dentro da bolsa.

Renata a recebeu às nove.

O escritório da diretora de criação tinha paredes cobertas de referências, amostras de tecido numa bancada e uma mesa quase invisível sob pastas.

Marina reconheceu uma fotografia da exposição da faculdade.

Renata percebeu seu olhar.

"Você estava ali."

"Estava."

"Eu lembro do projeto, não do seu rosto. Isso é bom."

Marina levou um segundo para entender.

Renata se sentou.

"Helena me ligou. Disse que você queria trabalhar. Eu tenho trabalho demais e pouca paciência. Podemos nos ajudar."

"Eu aprendo rápido."

"Todo mundo diz isso no primeiro dia. Vamos ver no terceiro."

Marina gostou dela imediatamente.

Renata lhe mostrou as tarefas: organizar referências, preparar apresentações, acompanhar fornecedores e ajudar nos projetos quando demonstrasse capacidade.

"Se eu pedir uma coisa, pergunte quando não entender. Se prometer entregar, entregue. E não me diga que está tudo pronto quando ainda faltam duas horas de trabalho."

"Pode deixar."

"Não posso. É por isso que estou avisando."

Marina sorriu.

Ao sair, foi apresentada à equipe.

Havia oito pessoas na área, três mesas grandes e uma bancada de materiais junto à janela. Uma moça de cabelo curto acenou. Outra abriu espaço para sua bolsa.

Vanessa não se levantou.

"A assistente é ela?"

Renata olhou para a funcionária.

"A assistente é Marina. Sim."

"Achei que a seleção ainda estava aberta."

"Eu terminei a seleção."

A resposta encerrou o assunto sem encerrar a expressão de Vanessa.

Marina ocupou a mesa indicada, ligou o computador e abriu a primeira pasta.

Dez minutos depois, uma pilha de folhas caiu diante dela.

"Já que você ainda está se ambientando, pode digitalizar isso para mim."

Marina olhou para a pilha.

"Tudo?"

"É rápido."

"Então você vai terminar rapidinho."

A moça de cabelo curto tossiu para esconder uma risada.

Vanessa franziu o rosto.

"Aqui a gente ajuda os colegas."

"Eu ajudo. Mas tenho as tarefas que a Renata acabou de passar. Qual dessas é urgente?"

Vanessa hesitou.

Marina retirou uma pasta de cima da pilha.

"Posso fazer essa depois de organizar as referências. As outras você leva. Não quero atrasar o que preciso entregar."

O silêncio ficou desconfortável apenas para uma delas.

Vanessa recolheu os papéis, fazendo um ruído desnecessário com as capas.

Marina respirou fundo.

Primeiro dia, primeira inimiga. Excelente currículo.

Na hora do café, pediu uma caixa de pequenos bolos de uma padaria próxima. Não gastou muito; ainda acompanhava cada saída de dinheiro.

Quando a entrega chegou, deixou a caixa na bancada.

"Eu queria agradecer por terem me recebido. Tem de chocolate e de limão."

A colega de cabelo curto se aproximou.

"Eu sou Tati. Você já me ganhou no chocolate."

Marina riu.

As perguntas vieram mais naturais depois disso. Onde estudara, de que área gostava, se já tinha trabalhado numa empresa grande.

Ela respondeu o que podia.

Quando alguém mencionou o casamento de Rafael, baixou os olhos para o teclado.

"Parece que a esposa é muito bonita", comentou Tati.

"Bonita não quer dizer desejada", Vanessa respondeu. "Todo mundo sabe que foi a mãe dele quem escolheu."

Marina sentiu um aperto na boca do estômago.

"Você estava no casamento?", perguntou.

"Não precisa estar para saber."

"Então talvez precise para ter certeza."

Vanessa lhe lançou um olhar afiado.

Marina voltou à tela.

Não tinha ido ali defender Rafael. Muito menos discutir seu próprio casamento com quem desejava transformá-lo em passatempo.

No fim da tarde, Renata saiu para uma reunião externa. Os colegas começaram a guardar as coisas.

Vanessa apareceu ao lado da mesa de Marina com duas caixas de arquivos.

"A Renata pediu que você organizasse tudo isso para amanhã cedo. Por fornecedor e coleção."

Marina olhou para as caixas.

"Ela pediu quando?"

"Antes de sair. Você estava no telefone."

Marina tinha atendido a enfermeira da mãe naquele horário.

A explicação parecia possível.

Vanessa já colocava a bolsa no ombro.

"Pode mandar para mim quando terminar. Eu faço a conferência."

Marina puxou a primeira caixa para perto.

A funcionária saiu sorrindo.

Só depois de abrir a pasta inicial Marina percebeu que levaria muito mais do que uma hora.

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