"Casamento às Pressas: A Esposa que Desarmou o CEO." Capítulo 1
Duas noivas
O homem com quem Marina ia se casar já estava esperando outra noiva no altar.
Ela parou na entrada do salão.
A música continuou por alguns segundos, doce e completamente inadequada. Então o violinista perdeu o tempo, uma cadeira arrastou no chão, e alguém deixou escapar um "meu Deus" alto o bastante para atravessar o corredor de flores.
A outra mulher também usava branco.
Não um vestido simples, comprado às pressas. Era uma criação de seda, com uma cauda que ocupava parte do tapete e um véu preso a um pente de diamantes. Sua mão estava apoiada no braço do noivo.
Marina baixou os olhos para o próprio buquê.
Tinham escolhido aquelas flores por ela. O vestido também. Até os brincos que agora pesavam nas suas orelhas pertenciam a uma decisão tomada por outra pessoa.
Mas ninguém lhe dissera que haveria duas noivas.
"O que está acontecendo?"
Sua pergunta saiu tão baixa que apenas o homem ao seu lado ouviu.
Orlando, o administrador da residência dos Montenegro, manteve as mãos unidas diante do corpo. Durante o trajeto, ele tinha sido gentil, perguntando se o ar do carro estava frio e oferecendo água. Agora, evitava olhar para ela.
"A senhora Helena vai explicar."
"O senhor sabia?"
Ele demorou um instante a mais do que deveria.
Marina deu um passo para trás.
A noiva do altar se virou completamente. Seu olhar percorreu o vestido de Marina, o buquê, o véu. A surpresa desapareceu, substituída por uma expressão que Marina conhecia: a irritação de quem acabara de encontrar alguém onde não deveria estar.
O noivo soltou o braço dela.
Foi um movimento pequeno, mas suficiente para tornar o silêncio ainda mais pesado.
Rafael Montenegro.
Marina o reconheceu pelas fotografias de revistas, pelas matérias sobre o grupo de joias e moda que ele dirigia, pelas conversas ouvidas nos corredores da faculdade. Nas imagens, parecia bonito demais para ser real.
De perto, era pior.
Alto, de ombros largos, ele vestia um terno escuro sem uma dobra fora do lugar. Tinha o maxilar firme e uma expressão que fazia qualquer admiração parecer uma péssima ideia.
Especialmente porque estava olhando para Marina como se ela tivesse acabado de invadir a própria casa dele.
Ela apertou o buquê.
Seis horas antes, sua preocupação mais urgente tinha sido encontrar dinheiro para a próxima etapa do tratamento da mãe.
Não um marido.
Muito menos o marido de outra mulher.
Naquela manhã, no café diante do hospital, Marina havia contado as moedas da bolsa antes de pedir um espresso. O estômago estava vazio desde a noite anterior, mas ela precisava ficar acordada.
O celular tinha quarenta e três mensagens sem resposta.
Algumas pediam o pagamento de dívidas da empresa do pai. Outras eram de pessoas que, uma semana antes, chamavam sua mãe de amiga e agora diziam que infelizmente não podiam ajudar.
Gustavo nem sequer atendera a última ligação.
Marina se recusara a tentar outra vez.
"Você é Marina Duarte?"
A mulher que parou diante da mesa usava um conjunto claro, sapatos discretos e uma pulseira cujo trabalho de cravação Marina reconheceu imediatamente. Não pelo preço. Pelo desenho.
Uma peça Montenegro.
"Sou."
"Helena Montenegro. Posso me sentar?"
Marina endireitou as costas.
Tinha ouvido aquele sobrenome a vida inteira. Seu pai possuíra uma empresa razoável, antes que os contratos desmoronassem e as cobranças começassem. Os Montenegro existiam em outro nível de riqueza, um que ela conhecia pelas vitrines e pelos convites para eventos.
Helena não perdeu tempo com o café.
"Se você aceitar se casar com meu filho, eu assumo as despesas do tratamento da sua mãe. E providencio uma quantia para que você possa se reorganizar."
Marina ficou tão imóvel que a atendente perguntou se podia recolher sua xícara.
Ela assentiu sem olhar.
"A senhora está falando sério?"
"Muito."
"Por quê?"
Helena colocou um envelope sobre a mesa, mas não o empurrou imediatamente.
"Conheço seu trabalho. A coleção Constelação foi sua, embora o nome que apareceu no concurso não fosse o seu."
Marina olhou para ela.
"Aquilo foi um projeto da faculdade."
"Um excelente projeto. Também conheço Renata, que acompanhou a exposição. Ela me falou de você antes de tudo isso acontecer."
Helena fez um gesto discreto em direção ao hospital.
Marina sentiu uma vontade absurda de esconder as mãos. Tinham pequenas marcas de tanto lavar e torcer as toalhas usadas para limpar o rosto da mãe. As unhas, antes cuidadas, estavam curtas e irregulares.
"A senhora investigou minha vida."
"Procurei saber com quem estava falando."
"E seu filho? Ele também procurou?"
Pela primeira vez, Helena desviou os olhos.
"Rafael e eu precisamos resolver uma situação. Ele vai entender."
Marina deveria ter insistido nessa frase.
Deveria ter perguntado que situação era aquela, por que a pressa, por que uma desconhecida estava sendo convidada a ocupar um lugar tão íntimo.
Em vez disso, olhou para o hospital.
Na noite anterior, segurara a mão da mãe enquanto uma máquina respirava por ela. Ainda não havia contado sobre o enterro do pai. Não porque quisesse esconder, mas porque Lúcia não acordava.
O mundo tinha se reduzido àquela cama.
"Minha mãe continuará sendo atendida se eu não conseguir me adaptar?"
Helena a observou com mais atenção.
"O tratamento dela não será interrompido para punir você. Isso vai constar do acordo."
"Eu quero ler."
"Claro."
Marina leu cada página, inclusive as que precisou reler porque as palavras se embaralhavam. O apoio médico não dependia de ela agradar ao futuro marido. Havia uma previsão para as despesas imediatas, para os cuidados seguintes e para sua segurança financeira.
Ainda assim, o papel não tornava a proposta menos assustadora.
"Eu não sou uma joia para a senhora escolher numa vitrine."
Helena recolheu o envelope devagar.
"Se achasse isso, não estaria aqui pessoalmente. Você pode recusar."
Marina fechou os olhos.
Podia recusar.
E voltar às quarenta e três mensagens, ao número de Gustavo, ao medo de cada ligação do hospital.
"Eu aceito conversar com ele", disse.
Horas depois, os preparativos tinham engolido a conversa.
Um carro, uma equipe, um vestido ajustado em minutos. Helena entrando e saindo, falando ao telefone. A confirmação de que o hospital recebera as providências prometidas.
Marina perguntara por Rafael três vezes.
Na quarta, a maquiadora pedira que não mexesse o rosto.
Agora, diante do altar, finalmente compreendia o que ninguém tinha explicado.
"Eu não posso fazer isso", disse a Orlando. "Ele vai se casar com ela."
"Espere um momento, por favor."
"O senhor quer que eu espere para ser humilhada na frente de todo mundo?"
Uma voz infantil interrompeu os murmúrios.
"Mamãe, por que chegaram duas princesas?"
Perto do corredor, uma mulher segurou um menino de cabelos escuros pela cintura. Ele se inclinou para olhar Marina e abriu um sorriso.
"Essa tem flores mais bonitas."
Marina teria rido em qualquer outro dia.
Naquele, sentiu os olhos arderem.
A mulher puxou o menino para perto e lhe ofereceu um olhar breve, quase solidário. Mais adiante, um homem que Marina reconheceu do hospital se levantou um pouco da cadeira. O médico da mãe.
Havia pessoas que a conheciam ali.
Isso tornou a vontade de fugir pior.
Helena saiu do lado do marido e começou a andar em sua direção.
Não parecia surpresa. Nem hesitante.
Rafael desceu um degrau do altar.
"Mãe."
Uma única palavra fez Helena parar.
A outra noiva apertou o braço dele outra vez.
"Rafa, diz que isso é algum engano."
Ele não respondeu a ela.
Continuou olhando para a mãe. Depois, lentamente, para Marina.
Marina ergueu o queixo, embora o buquê tremesse entre seus dedos.
Não tinha planejado destruir casamento nenhum.
Se aquela família queria uma cena, teria de explicar por que a colocara no centro dela.
"Eu também gostaria de saber", disse, finalmente alto o bastante.
Rafael soltou a mão da mulher ao seu lado.
"Então explique, mãe. Quem é ela, e por que está vestida de noiva no meu casamento?"
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