"Ela Foi Assinar o Divórcio… Mas o Bilionário Descobriu Que Ela Carregava Seu Filho!" Capítulo 5 — O Segredo Que Destruiu Nosso Casamento
A frase escrita à mão parecia zombar de Marina.
“ENTREGA CONFIRMADA. O CLIENTE ACREDITOU.”
Ela leu novamente. E outra vez. Na terceira, percebeu que suas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar a pasta.
O cliente era Dante. A mercadoria, sua reputação. E o resultado daquela transação havia sido a destruição de um casamento.
— Marina?
A voz do marido surgiu na porta do escritório.
Ela ergueu os olhos. Dante estava sem o paletó, a gravata frouxa, o rosto marcado por uma noite sem dormir. Ao ver o relatório aberto, ele parou.
— Você encontrou.
— Encontrar? — Marina soltou uma risada seca. — Você guardou isso dentro da nossa casa durante seis meses. Como se fosse uma lembrança de viagem.
Dante entrou devagar.
— Eu deveria ter mostrado tudo a você.
— Deveria ter perguntado! — Ela ergueu uma fotografia. — Quem é esse homem?
Na imagem, Marina aparecia entrando num café da Vila Mariana ao lado de um desconhecido de camisa azul. Ela se lembrou daquele dia. Havia ido buscar uma encomenda para a mãe e esbarrara num funcionário que carregava caixas na porta.
— Nunca tive um encontro com ele. Nem sei o nome dele!
— Agora eu sei — respondeu Dante. — Bruno identificou o homem. Ele prestava serviços administrativos para uma clínica ligada a Ricardo.
Marina ficou imóvel.
— Então você já sabe que a fotografia foi armada.
— Sei.
— E ainda assim me deixou acreditar que a culpa era minha.
Dante olhou para o chão.
— Quando recebi os documentos, havia também recibos de hotel e um relatório dizendo que você escondia um tratamento médico. Eu pensei...
— Pensou que eu era uma mentirosa. Uma mulher interesseira que se casou com um bilionário e arrumou um amante.
— Não foi assim.
— Foi pior. Porque você nunca teve coragem de dizer em voz alta.
Marina fechou a pasta com força. Recordou as noites em que esperara por Dante na mesa de jantar. As mensagens sem resposta. O aniversário de casamento em que ele enviara flores pelo motorista e dormira fora.
— Naquela noite do nosso aniversário, você estava com ela?
— Com quem?
— Verônica.
— Não. Eu estava em Brasília, numa reunião. Bruno pode confirmar.
— Não quero mais que seu segurança confirme a verdade da minha vida.
Dante recebeu a frase em silêncio.
— Eu errei — disse. — Fui covarde. Não consegui suportar a ideia de que você pudesse ter escolhido outro homem.
— E resolveu me castigar por uma traição que nunca aconteceu.
Uma lágrima caiu sobre o papel. Marina a limpou antes que ele visse outra.
— Eu passei meses me perguntando se era bonita o bastante, inteligente o bastante, rica o bastante para continuar sendo sua esposa. Você sabe o que isso faz com uma pessoa?
Dante aproximou-se, mas parou quando ela recuou.
— Não vou justificar o que fiz.
— Então não justifique. Apenas me escute.
Ele assentiu.
— Eu estou grávida, Dante. Isso não significa que o nosso casamento esteja curado. Nosso filho não será uma desculpa para você recuperar o que perdeu.
— Eu sei.
— Não. Você vai aprender.
Marina deixou a pasta sobre a mesa.
— Amanhã vou para a casa da minha mãe. E quero meus documentos, minhas roupas e acesso a todos os registros que tenham meu nome.
— Vou providenciar.
— Sem me vigiar como uma prisioneira.
Dante respirou fundo.
— Posso pedir que Bruno organize uma proteção discreta? Não quero que você fique exposta a quem falsificou seus exames.
— Você pode pedir. E eu posso aceitar ou não.
— Certo.
Pela primeira vez, ele não deu uma ordem.
Na manhã seguinte, Marina saiu da mansão com duas malas. Beatriz observava da escadaria, sem se oferecer para ajudar. Dante acompanhou a esposa até o carro, mas não tocou nela.
— Se precisar de alguma coisa...
— Vou ligar para minha mãe — respondeu Marina.
Ele baixou os olhos. A frase doeu mais do que qualquer acusação.
Na Vila Madalena, Rosa Oliveira abriu a porta do pequeno restaurante antes mesmo de Marina chegar à calçada. Usava um avental florido e tinha farinha nas mãos.
— Minha menina!
Marina tentou sorrir. Não conseguiu. Desabou nos braços da mãe.
Rosa a levou para a cozinha, preparou chá de camomila e esperou. Só quando Marina conseguiu falar ouviu a história dos exames falsificados, da gravidez e das fotografias.
— Ele acreditou em tudo, mãe. Em tudo, menos em mim.
Rosa segurou o rosto da filha.
— Então agora você vai acreditar em si mesma. O dinheiro daquela família não vale a sua paz.
— Eu ainda amo o Dante.
— Eu sei. Mas amor não é licença para machucar.
No início da noite, Dante estacionou do outro lado da rua. Pela janela iluminada, viu Rosa abraçar Marina, que chorava sentada à mesa da cozinha. Ele desligou o motor, mas não saiu do carro.
Bruno telefonou.
— Senhor, localizamos a empresa que pagou serviços à clínica de Ricardo. O nome é Horizonte Participações.
— Quem controla?
— Uma holding vinculada a Marcelo Albuquerque.
Dante fechou os olhos. Marcelo, pai de Verônica, era seu parceiro havia quase dez anos.
— Temos prova de que o pagamento comprou a falsificação?
— Ainda não. Mas a data coincide com a criação do primeiro documento. Também identificamos uma segunda transferência, no dia em que o senhor recebeu o dossiê sobre Marina.
Dante olhou novamente para a janela do restaurante.
— Preserve tudo. Nada de acusações antes de termos provas.
— Há mais uma coisa — disse Bruno. — Encontramos o nome do homem da fotografia. Ele recebeu dinheiro da mesma empresa.
Dante ficou imóvel.
— Quanto?
Bruno informou o valor.
Dante sentiu a náusea da própria vergonha. Alguém pagara para encenar um encontro. Ele transformara aquela encenação em seis meses de crueldade.
Dentro do restaurante, Marina recebeu uma mensagem de Camila: “O dinheiro é apenas o começo. Pergunte a Dante quem lucraria se ele se divorciasse antes da próxima reunião do conselho.”
Marina olhou pela janela e viu a SUV preta estacionada na rua.
Não sabia que o homem que mais amava estava ali.
Mas soube, naquele instante, que sua separação nunca havia sido apenas uma história de ciúme.
Alguém tinha transformado seu casamento em um negócio.
E ela pretendia descobrir o preço.
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