"Ela Foi Assinar o Divórcio… Mas o Bilionário Descobriu Que Ela Carregava Seu Filho!" Capítulo 1 — O Divórcio Que Nunca Foi Assinado
Na manhã em que deveria assinar os papéis do divórcio, Marina Oliveira Montenegro vomitou dentro de uma lixeira prateada.
O som ecoou pela sala de reuniões do escritório de advocacia mais sofisticado do Itaim Bibi, em São Paulo.
O advogado interrompeu a leitura do contrato. A secretária se levantou, assustada. E Dante Montenegro, o homem que havia passado os últimos seis meses tratando a própria esposa como uma desconhecida, abandonou a cadeira imediatamente.
— Marina!
Ela se apoiou na borda da mesa de mármore, tentando recuperar o fôlego.
— Estou bem.
Dante não pareceu convencido. Aos trinta e cinco anos, ele comandava um império empresarial avaliado em bilhões de reais. Era conhecido por enfrentar negociações milionárias sem demonstrar a menor emoção. Mas, naquele instante, seus olhos escuros estavam fixos no rosto pálido da esposa.
— Você está tremendo.
— Estou nervosa.
— Você quase desmaiou.
Marina pegou um lenço e limpou a boca.
— Estamos nos divorciando, Dante. Não é exatamente uma manhã agradável.
O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Sobre a mesa, os documentos aguardavam duas assinaturas. Três anos de casamento. Três anos de promessas. E tudo terminaria com algumas páginas carimbadas.
Marina havia imaginado aquele momento dezenas de vezes. Pensara que choraria. Que imploraria por uma explicação. Talvez até que Dante mudasse de ideia. Mas, depois de tantas noites esperando sozinha na mansão do Jardim Europa, ela já não tinha forças para pedir amor a um homem que parecia incapaz de oferecê-lo.
— Foi só enjoo de carro — murmurou.
Dante estreitou os olhos.
— O trajeto durou onze minutos.
— O trânsito estava horrível.
— Não havia trânsito.
Marina desviou o olhar. Odiava que ele ainda soubesse identificar suas mentiras. Durante seis meses, Dante havia ignorado suas lágrimas, seus telefonemas e suas tentativas de conversar. Mesmo assim, bastava uma pequena alteração em sua voz para que ele percebesse.
— Podemos terminar isso? — perguntou ela, apontando para os documentos.
Dante não respondeu. Em vez disso, virou-se para os dois seguranças próximos ao elevador.
— Preparem o carro.
Marina franziu a testa.
— O quê?
— Vamos ao hospital.
— Não vou a hospital nenhum.
— Vai, sim.
Ela se levantou bruscamente. O mundo girou. Antes que seus joelhos cedessem, Dante a segurou pela cintura. O contato fez o coração de Marina disparar. Havia meses que ele não a tocava daquela maneira.
— Me solta — sussurrou.
— Você mal consegue ficar em pé.
— Não tem mais o direito de mandar em mim.
O maxilar dele se contraiu.
— Não estou discutindo direitos.
— Então o que está fazendo?
Dante aproximou o rosto.
— Tentando impedir que você caia no chão.
Marina sentiu os olhos arderem.
— Engraçado. Você não se importou quando eu estava desmoronando dentro da nossa casa.
A frase o atingiu. Por um instante, a expressão dele mudou. Mas Dante apenas respondeu:
— Hospital. Agora.
— E se eu me recusar?
Ele a encarou.
— Eu carrego você.
Vinte minutos depois, Marina estava sentada no banco traseiro de uma SUV preta, com os braços cruzados. Dante permanecia ao seu lado. O motorista seguia em direção ao Morumbi.
Nenhum dos dois falava. Até que ele quebrou o silêncio.
— Há quanto tempo você está passando mal?
— Não estou doente.
— Marina.
Ela soltou o ar.
— Duas semanas.
— Todos os dias?
— Quase todas as manhãs.
Dante olhou involuntariamente para a barriga dela. Marina percebeu.
— Não.
— Eu não disse nada.
— Não precisava.
O silêncio voltou. Marina pressionou a mão contra o próprio ventre. Não podia ser. Depois de três anos tentando construir uma família com aquele homem, seria cruel demais descobrir uma gravidez justamente no dia em que o casamento acabaria.
No Hospital São Vicente, uma instituição privada frequentada por algumas das famílias mais ricas de São Paulo, a doutora Helena Sampaio solicitou exames de sangue. Dante insistiu em acompanhar a consulta. Marina não teve energia para discutir.
Enquanto aguardavam, ele caminhava de um lado para o outro.
— Vai acabar abrindo um buraco no chão — comentou ela.
Dante parou.
— Você está com medo?
Marina soltou uma risada sem humor.
— De quê? Do resultado ou de você?
Ele baixou os olhos. Antes que pudesse responder, a porta se abriu. A médica entrou segurando um tablet. Sua expressão era séria.
— Senhora Montenegro, recebemos os resultados.
Marina endireitou o corpo.
— É alguma coisa grave?
— Primeiro, preciso informar que seu teste de gravidez deu positivo.
O mundo pareceu parar. Marina ficou imóvel. Dante também.
— Grávida? — ela repetiu.
— Sim. Pelos resultados e pelas informações clínicas, estimamos aproximadamente nove semanas de gestação. Vamos confirmar a idade gestacional com ultrassonografia.
Nove semanas. Marina olhou para Dante. Ele estava pálido. O homem que nunca demonstrava medo diante de adversários poderosos parecia incapaz de pronunciar uma palavra.
— Nove semanas... — murmurou ele.
Marina sentiu uma lágrima escorrer. Durante tanto tempo, sonhara em contar ao marido que estava esperando um filho. Imaginara abraços. Beijos. Uma comemoração. Nunca imaginara receber aquela notícia diante de um homem que havia acabado de pedir o divórcio.
— Parabéns — disse a médica delicadamente.
Marina não conseguiu responder. Então Helena consultou novamente o tablet. Sua expressão mudou.
— Existe outra questão que precisamos esclarecer.
Dante ergueu a cabeça.
— Que questão?
— Há uma medicação registrada no histórico da senhora Marina que pode interferir na ovulação.
Marina franziu a testa.
— Que medicação?
A médica informou o nome de um medicamento utilizado em determinados tratamentos hormonais. Marina balançou a cabeça.
— Nunca tomei isso.
Helena pareceu surpresa.
— Consta aqui uma consulta hormonal realizada há três meses.
— Isso é impossível.
— Também existe uma prescrição associada.
— Doutora, eu nunca fiz tratamento de fertilidade.
Dante se levantou.
— Mostre o registro.
Helena virou o tablet. Na tela havia um relatório médico. Nome da paciente: Marina Oliveira Montenegro. Data da consulta: três meses antes. Prescrição hormonal. Consentimento informado. E, na parte inferior, uma assinatura.
MARINA OLIVEIRA MONTENEGRO.
Marina levou a mão à boca.
— Essa assinatura não é minha.
Dante se aproximou.
— Tem certeza?
Ela virou o rosto imediatamente.
— Você está perguntando se eu reconheço a minha própria assinatura?
Ele ficou imóvel.
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Então por que perguntou?
A médica interveio.
— Precisamos verificar a autenticidade desse documento. Por enquanto, não podemos concluir quem o inseriu no sistema.
Marina apontou para a tela.
— Quem autorizou essa consulta?
Helena abriu outro arquivo.
— O médico responsável aparece identificado como doutor Ricardo Ferraz.
Dante parou de respirar por um instante. Marina percebeu.
— Você conhece esse homem?
Ele não respondeu imediatamente.
— Dante?
— Conheço.
— De onde?
— Ricardo trabalhou durante anos com a rede médica privada utilizada pela minha família.
— E por que ele teria acesso aos meus dados?
Dante passou a mão pelo rosto.
— Porque eu confiava nele.
Marina sentiu um frio percorrer a coluna.
— Você está me dizendo que alguém falsificou minha assinatura dentro de uma rede médica ligada à sua família?
— Estou dizendo que vou descobrir o que aconteceu.
Ele tirou o celular do bolso.
— Bruno, localize Ricardo Ferraz. Imediatamente.
A voz do segurança surgiu do outro lado. Dante ouviu por alguns segundos.
— Quero endereço, telefone e os últimos registros profissionais. Tudo.
Desligou. Marina continuava olhando para a assinatura. Alguém havia usado seu nome. Alguém havia inventado uma consulta. Mas por quê?
A médica explicou que seriam necessários exames complementares para avaliar sua saúde e a gestação. Também recomendou preservar os registros originais para uma investigação formal. Marina concordou.
Dante permaneceu ao lado dela. Pela primeira vez em meses, não parecia interessado em ir embora.
Alguns minutos depois, o celular dele tocou. Era Bruno. Dante atendeu imediatamente.
— Encontrou?
A expressão dele endureceu.
— Como assim, desapareceu?
Marina levantou a cabeça. Dante ouviu o restante da informação.
— Quando?
Pausa.
— Entendi. Continue procurando.
Ele desligou lentamente.
— O que aconteceu? — perguntou Marina.
Dante olhou para ela.
— O telefone de Ricardo foi desativado.
— E daí?
— O consultório foi esvaziado entre ontem à noite e esta manhã.
Marina sentiu o sangue gelar.
— Ele fugiu?
— Ainda não sabemos.
— Dante, por que um médico desapareceria justamente quando descobrimos que ele falsificou meus documentos?
Dante não respondeu. E foi naquele instante que o celular de Marina vibrou sobre a mesa.
Número desconhecido. Uma fotografia apareceu na tela. Uma mulher de cabelos castanhos estava parada diante do prédio onde Marina morava antes do casamento, na Vila Mariana.
Marina ampliou a imagem. Não reconheceu o rosto. Então leu a mensagem.
“NÃO DEIXE DANTE LEVAR VOCÊ PARA CASA.”
Seu coração disparou. Uma segunda mensagem chegou.
“FOI POR CAUSA DESSE BEBÊ QUE EU VOLTEI.”
Marina sentiu os dedos perderem a força. Aquela mulher sabia da gravidez. Sabia onde ela morava. E parecia saber alguma coisa sobre Dante.
Marina ergueu lentamente os olhos.
— Dante...
— O que foi?
Ela virou a tela para ele.
— Quem é essa mulher?
Dante olhou a fotografia. E, pela primeira vez desde que Marina o conhecera, o medo apagou completamente a frieza de seu rosto.
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