"A Herdeira Deu um Tapa na Garçonete Grávida… Sem Saber Que Ela Carregava o Filho do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — A Mulher Que Dormia Sob Seu Teto
Às seis da manhã, Marina abriu a porta do quarto e encontrou um homem de terno preto parado no corredor.
"Bom dia, senhora Oliveira. Sou responsável pela sua segurança."
Ela olhou para a esquerda, depois para a direita.
"Minha segurança ou minha prisão?"
O homem não soube responder. Atrás dele, Teresa apareceu carregando uma bandeja com pão de queijo, mamão e café descafeinado.
"O senhor Dante pediu que a senhora tomasse o café no quarto."
Marina cruzou os braços sobre a barriga de sete meses.
"Pois diga ao senhor Dante que minhas pernas continuam funcionando."
Desceu a escadaria da Mansão Montenegro com cuidado. A casa no Jardim Europa parecia um hotel de luxo, com janelas enormes, quadros caros e um silêncio que a incomodava. Na casa de sua mãe, na Vila Mariana, sempre havia rádio ligado, panela no fogo e vizinho chamando no portão.
Na sala de jantar, Dante falava ao telefone diante de uma mesa preparada para dez pessoas.
"Não assine nada com a Albuquerque até eu revisar os contratos", ordenou. "E quero o nome de todos que tiveram acesso aos documentos de Marina."
Ele desligou ao vê-la.
"Você deveria estar descansando."
"Bom dia para você também."
Dante puxou uma cadeira.
"A doutora Helena recomendou repouso relativo."
"Recomendou evitar esforço. Não recomendou que eu virasse um enfeite da sua mansão."
Ele apertou a mandíbula. Estava acostumado a comandar centenas de funcionários e a receber respostas imediatas. Marina, porém, não se intimidava.
"Há um motorista disponível para levar você aonde precisar."
"Ótimo. Hoje vou visitar minha mãe na cozinha. São trinta metros. Ele pode me levar no colo?"
Teresa, que servia o café, escondeu um sorriso.
Dante respirou fundo.
"Estou tentando garantir que você fique bem."
"Então comece perguntando do que eu preciso."
A frase ficou entre eles. Dante afastou a cadeira e se sentou, sem insistir.
"Do que você precisa?"
Marina não esperava que ele cedesse tão depressa.
"De uma consulta marcada com a minha médica. De poder falar com minha mãe sem alguém ouvindo. E de não encontrar um segurança cada vez que abro a porta."
"A consulta está marcada. Sua mãe pode ficar aqui pelo tempo que quiser. Sobre a segurança... podemos conversar."
"Podemos", ela respondeu, servindo-se de pão de queijo. "É assim que as pessoas fazem."
Sofia entrou na sala usando calça jeans e uma camiseta simples. Beijou o irmão no rosto e abraçou Marina.
"Trouxe uma coisa para o bebê. Mas juro que não é um presente absurdo."
Era um par de sapatinhos azuis, tricotados por ela mesma. Um dos calcanhares estava torto.
Marina riu.
"Ficaram lindos."
"Mentira. Ficaram parecendo duas batatas."
"Então serão as batatas mais bonitas de São Paulo."
Dante observou as duas. O riso de Sofia ainda o surpreendia. Depois do acidente de oito anos antes, a irmã passara meses com medo de entrar em um carro. Marina a ajudara sem saber quem ela era, sem pedir recompensa.
Agora aquela mesma mulher carregava seu filho.
No meio da manhã, Marina encontrou Dona Célia no jardim. A mãe regava uma pequena roseira que Teresa lhe oferecera.
"Você parece preocupada", Célia comentou.
"Ele acha que dinheiro resolve tudo."
"E você acha que precisa resolver tudo sozinha."
Marina baixou os olhos.
"Passei sete meses sem ele, mãe. Tenho medo de acostumar com essa proteção e depois ficar sem nada."
Célia segurou a mão da filha.
"Então não entregue sua vida. Divida as responsabilidades. É diferente."
Mais tarde, Marina pediu para visitar o Hotel Bellavista. Queria saber se ainda tinha emprego. Dante ofereceu o motorista, mas não condicionou a saída à presença de Bruno. Ela aceitou um carro discreto, depois de escolher o horário.
No hotel, o gerente a recebeu com constrangimento.
"Senhora Oliveira, a situação foi muito desagradável."
"Para mim também. Só quero saber se fui demitida."
"Não. A senhora está afastada conforme orientação médica. Seus direitos serão respeitados."
Marina exigiu que a agressão fosse registrada formalmente e que as imagens fossem preservadas. Não queria um favor de Dante. Queria que o hotel assumisse sua responsabilidade.
Ao sair, viu dois fotógrafos esperando do outro lado da rua. Um deles gritou:
"Marina! O bebê é do milionário?"
Ela entrou no carro sem responder, mas as mãos tremiam.
Na mansão, Dante encontrou a fotografia dela na tela do celular de Bruno.
"Quem divulgou o endereço do hotel?"
"Estamos verificando. Há movimentação de perfis ligados à assessoria de Valentina."
Dante fechou os olhos por um instante. Queria ordenar que todos desaparecessem. Em vez disso, procurou Marina na biblioteca.
Ela estava sentada junto à janela, costurando um botão da própria blusa.
"Soube dos fotógrafos", ele disse.
"Eu também. Estavam na minha frente."
"Posso reforçar a proteção nas saídas?"
"Pode. Desde que eu saiba quem está comigo e para onde vamos."
Dante assentiu. Ficou olhando o botão preso entre os dedos dela.
"Posso comprar roupas novas."
"Eu sei que pode. Mas gosto desta blusa."
Ele se sentou na poltrona oposta.
"Você me odeia?"
Marina ergueu os olhos.
"Às vezes. Outras vezes lembro da noite em que você ficou comigo na chuva, esperando um táxi que nunca vinha."
Dante sorriu de leve.
"Eu queria que o táxi demorasse."
"Eu percebi."
Por um instante, a distância entre eles pareceu diminuir. Então Marina voltou à costura.
"Não confunda isso com perdão."
"Não vou confundir."
Naquela noite, Dante deixou uma pequena caixa na porta dela. Dentro havia apenas um bilhete e uma fotografia recuperada do evento de sete meses antes: Marina sorrindo sob uma marquise, o cabelo molhado de chuva.
No bilhete, ele escrevera: "Não vou decidir por você. Mas vou estar aqui quando precisar."
Marina guardou a fotografia na gaveta. Tocou a barriga e sentiu o filho se mover.
No escritório, Bruno chegou com um arquivo recuperado do antigo celular de Rafael Vasconcelos.
"Ele tentou falar com o senhor antes de desaparecer", informou.
Dante pegou o aparelho.
Havia uma mensagem não entregue, escrita três meses antes:
"Eles sabem que o bebê é seu. Precisamos conversar antes que machuquem Marina."
Dante leu duas vezes.
Depois levantou os olhos para Bruno.
"Quem são eles?"
Bruno ampliou os detalhes da mensagem. Rafael tentara enviá-la de um telefone pré-pago, perto da rodoviária de Santos. Havia também três chamadas feitas para um número da sede do Grupo Montenegro.
"Por que ninguém me passou essas ligações?", Dante perguntou.
"Ainda não sabemos. Naquela época, o senhor estava viajando e a central de atendimento era terceirizada. Vou pedir os registros completos."
Dante sentiu o peso da descoberta. Talvez Rafael tivesse batido a uma porta que ele próprio deixara fechada.
"Não quero que Marina descubra isso por um boato", disse. "Amanhã vou mostrar a mensagem."
Bruno hesitou.
"Há outra coisa. O número de Rafael foi desativado no mesmo dia em que ele desapareceu."
"Isso não prova que esteja morto."
"Não, chefe. Mas alguém tentou apagar o caminho que ele deixou."
Quando Bruno saiu, Dante permaneceu sozinho no escritório. Na tela do telefone ainda apareciam as palavras sobre seu filho. Pela primeira vez, não pensou em vingança nem em dinheiro. Pensou em Rafael, um homem que não lhe devia nada e que talvez tivesse arriscado a própria vida para impedir que Marina fosse ferida.
Ele subiu ao corredor dos quartos e parou diante da porta dela. Do outro lado, ouviu a voz baixa de Marina cantando uma canção de ninar. Dante não bateu. Precisava chegar com a verdade, não com mais uma ordem.
"Quem são eles?" continuava sendo a pergunta.
E a resposta parecia estar cada vez mais perto de sua própria empresa.
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