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"A Herdeira Deu um Tapa na Garçonete Grávida… Sem Saber Que Ela Carregava o Filho do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — Você Está Carregando Meu Filho?

正文开头

Marina acordou antes do amanhecer com uma dor incômoda na parte baixa das costas.

Tentou mudar de posição. O bebê se mexeu, e ela respirou aliviada. Mas a lembrança do homem que a seguira no dia anterior voltou inteira, junto com o medo de que alguém descobrisse onde dona Célia morava.

Na cozinha, a mãe preparava café.

"Você está muito quieta, minha filha."

"Só dormi mal."

Célia observou a mão que Marina mantinha sobre a barriga.

"É melhor ligar para sua médica."

Marina concordou. Ligou para a clínica, descreveu os sintomas e recebeu orientação para avaliação presencial. Não queria arriscar nada.

Antes de sair, o telefone tocou. Era Dante.

"Bruno me contou que você pediu uma consulta. Posso levar você?"

"Como ficou sabendo?"

"A clínica confirmou o horário à equipe que está organizando seu transporte. Desculpe. Eu devia ter perguntado antes."

Marina se surpreendeu com a correção imediata.

"Minha mãe vai comigo."

"Então mando apenas o carro, se você quiser."

Ela olhou para Célia, que aguardava com a bolsa no ombro.

"Pode vir. Mas nada de entrar no consultório sem ser convidado."

"Combinado."

Dante chegou vinte minutos depois. Estava de camisa preta, com as mangas dobradas, e trazia um guarda-chuva grande o bastante para proteger as duas mulheres da chuva fina.

Não fez perguntas no caminho. Escutou Célia contar histórias sobre a infância de Marina e percebeu quanto havia perdido ao acreditar em documentos que nunca verificara de verdade.

Na clínica, a doutora Helena Batista examinou Marina com atenção. A avaliação não indicou trabalho de parto naquele momento, mas a médica reforçou a importância de descanso e acompanhamento. Explicou também quais sinais exigiriam atendimento imediato.

Dante esperou do lado de fora, andando de um lado para outro.

Quando Marina apareceu, ele se aproximou.

"E então?"

"Está tudo bem por enquanto. Preciso descansar."

Ele soltou o ar.

"Posso conversar com você? Sem discutir, prometo."

Célia percebeu o pedido e se ofereceu para tomar um café no térreo. Marina aceitou falar com Dante numa pequena sala de espera vazia.

Ele ficou de pé diante dela, como se não soubesse onde colocar as mãos.

"Eu vi os documentos", começou. "A transferência foi falsificada. E a empresa que pagou pela fraude está ligada a Augusto Albuquerque."

Marina olhou para o chão.

"Eu disse a verdade."

"Eu sei. E devia ter acreditado antes."

"Você acreditou porque era mais fácil pensar que eu queria seu dinheiro."

Dante recebeu a acusação sem se defender.

"Foi covardia minha. Eu tinha medo de confiar em alguém e usei aquele papel como desculpa."

Ela ergueu o rosto. Não esperava ouvir uma confissão tão direta.

"Eu fui ao seu escritório, Dante. Estava grávida e com medo. Fiquei duas horas na recepção. Um homem disse que você tinha ordens para nunca mais me ver."

"Eu não dei essa ordem."

"Mas também não veio me procurar de verdade."

Ele demorou a responder.

"Procurei do jeito errado. Mandei outras pessoas atrás de você. Nunca pensei que elas pudessem estar mentindo também."

正文1

Marina passou a mão pela barriga. O bebê respondeu com um movimento firme.

Dante viu a mudança em sua expressão.

"Ele mexeu?"

"Mexeu. Sempre faz isso quando fico nervosa."

O silêncio se prolongou. Dante deu um passo, mas parou antes de se aproximar demais.

"Posso perguntar uma coisa?"

Marina já sabia qual seria a pergunta.

"Você vem perguntando desde a festa."

"Eu preciso ouvir de você. Não de um exame, não de um relatório. De você."

Ela se levantou devagar, encarando o homem que amara e odiara durante meses.

"E se eu disser que é seu? O que vai fazer? Comprar uma casa? Contratar dez seguranças? Decidir até a cor do quarto?"

Dante baixou os olhos.

"Provavelmente eu tentaria fazer tudo isso."

Marina soltou uma risada sem humor.

"Está vendo?"

"Mas você me diria para parar. E eu teria que aprender a escutar."

A resposta a desarmou por um instante.

Ele respirou fundo.

"Marina, você está carregando meu filho?"

Ela sentiu as lágrimas chegarem. Durante sete meses protegera aquela verdade como quem segura uma vela acesa no meio de uma tempestade.

"Sim, Dante. Esse bebê é seu."

Ele ficou imóvel. Depois cobriu a boca com a mão e desviou o rosto, lutando contra uma emoção que não conseguia controlar.

"Meu Deus."

Marina começou a chorar.

"Eu tentei te contar. Você nunca respondeu."

Dante se aproximou apenas o suficiente para segurar as mãos dela, depois esperou que Marina decidisse se queria soltá-las.

"Me perdoa por não estar lá."

"Eu ainda não sei se consigo."

"Então não me perdoe hoje. Só me deixe fazer a coisa certa daqui para frente."

O bebê se mexeu novamente. Dante olhou para a barriga com uma mistura de espanto e ternura.

"Posso?", perguntou, indicando a mão.

Marina hesitou. Por fim, assentiu.

Ele encostou a palma com delicadeza no tecido do vestido. Um pequeno movimento respondeu ao toque. Dante fechou os olhos, e uma lágrima deslizou por seu rosto.

"Oi, meu filho", sussurrou.

Marina percebeu que ainda amava aquele homem. A descoberta a assustou mais do que qualquer ameaça, porque amar Dante significava voltar a confiar em alguém capaz de feri-la profundamente.

Mais tarde, ele propôs que ela e Célia ficassem temporariamente na Mansão Montenegro. Explicou que a investigação sobre Augusto avançava e que o endereço delas podia estar comprometido.

"Não vou viver trancada", Marina respondeu.

"Você terá seu quarto, suas chaves, seu telefone e liberdade para sair. A decisão é sua."

Célia aceitou a ideia depois de conversar a sós com a filha. Marina concordou em ficar alguns dias, até que houvesse informações mais claras sobre as ameaças.

A mansão, no Jardim Europa, tinha corredores silenciosos, um jardim enorme e uma cozinha que cheirava a pão recém-assado. Teresa Martins recebeu as duas com uma simpatia que não parecia ensaiada.

Sofia abraçou Marina na entrada.

"Agora posso cuidar um pouquinho de quem cuidou de mim."

"Sem exageros", Marina respondeu, sorrindo pela primeira vez naquele dia.

À noite, Dante passou diante do quarto de hóspedes. A porta estava entreaberta. Marina conversava baixinho com o bebê, contando que ele tinha uma avó teimosa, uma tia emocionada e um pai que precisava aprender muita coisa.

Dante quase sorriu. Não entrou. Pela primeira vez, entendeu que proteger também significava saber esperar do lado de fora.

No escritório, Bruno o aguardava com um envelope pardo.

"Chefe, encontramos a pessoa que preparou a primeira versão dos documentos falsos."

Dante abriu a pasta. Havia comprovantes de pagamento, mensagens recuperadas e o nome de uma funcionária ligada diretamente a Valentina.

"A assistente pessoal dela?"

"Sim. Recebeu dinheiro dois dias antes de Marina ser procurada por Eduardo Ferraz."

Dante leu a mensagem impressa no rodapé da página. A ordem era curta, brutal e impossível de confundir:

"Façam a garota acreditar que ele nunca quis nada sério. E garantam que ela não volte."

A mensagem saíra do telefone usado pela assistente de Valentina.

Bruno colocou outra fotografia sobre a mesa: Valentina e Eduardo entrando juntos no escritório de Augusto, na mesma semana.

"Isso não foi um mal-entendido", Bruno disse.

Dante fechou a pasta devagar.

"Não. Foi planejado."

Ele olhou na direção do corredor onde Marina dormia, com a mão pousada sobre a barriga.

Sete meses haviam sido roubados dele, dela e do filho que ainda não nascera.

E agora Dante Montenegro sabia por onde começar a procurar os responsáveis.

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