localização atual: Novela Mágica A Herdeira Deu um Tapa na Garçonete Grávida… Sem Saber Que Ela Carregava o Filho do Chefe da Máfia Capítulo 3 — A Mentira Que Separou Dois Corações
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"A Herdeira Deu um Tapa na Garçonete Grávida… Sem Saber Que Ela Carregava o Filho do Chefe da Máfia" Capítulo 3 — A Mentira Que Separou Dois Corações

正文开头

Na manhã seguinte, a chuva cobriu os telhados da Vila Mariana com uma névoa fina.

Marina abriu a janela de seu apartamento pequeno e respirou o cheiro de café vindo da cozinha. Dona Célia estava sentada à mesa, separando comprimidos numa caixinha de plástico.

"Você devia estar dormindo", a mãe disse.

"E a senhora devia me chamar quando precisar de ajuda."

Célia sorriu, mas o sorriso desapareceu ao notar a marca no rosto da filha.

"Aquele homem apareceu de novo?"

Marina não precisou perguntar a quem ela se referia.

"Apareceu."

"E sabe do bebê?"

"Sabe que estou grávida. Ainda não ouviu de mim o que quer ouvir."

Célia colocou a mão sobre a dela.

"Você não precisa decidir nada por medo."

Marina assentiu, embora o medo já tivesse ocupado espaço demais em sua vida.

Sete meses antes, conhecera Dante numa noite de tempestade, depois de um evento beneficente em São Paulo. Trabalhava na organização e ficara para ajudar a retirar caixas de alimentos destinados a famílias atingidas por enchentes. Dante aparecera sem fotógrafos, carregando mantimentos com a equipe.

Ele não se apresentara como chefe de nada. Dissera apenas que se chamava Dante.

Marina o repreendera por tentar erguer duas caixas ao mesmo tempo, enquanto havia voluntários precisando de orientação. Ele rira, surpreso por alguém lhe dar ordens.

Conversaram durante horas, esperando a chuva diminuir. Falaram de infância, perdas, de Sofia e da mãe de Marina. Dante confessou que carregava culpa por não ter estado ao lado da irmã no dia do acidente. Marina contou que aprendera cedo a cuidar dos outros.

O encontro se transformou em vários dias de mensagens, cafés discretos e passeios sem escolta aparente. Ela descobriu a extensão do poder dele, mas também viu a gentileza escondida sob a dureza.

Na última noite, entregaram-se a um sentimento que parecia impossível de interromper.

Na manhã seguinte, Dante precisou viajar a trabalho. Prometeu telefonar.

Quem apareceu foi Eduardo Ferraz, com uma pasta e uma expressão de desprezo educado.

"O senhor Montenegro prefere encerrar essa situação sem escândalo", dissera.

Marina recusara o envelope. Eduardo deixara uma carta com assinatura impressa e afirmara que Dante estava comprometido com Valentina Albuquerque.

Poucos dias depois, Marina descobriu que estava grávida. Tentou falar com Dante, mas o número dele deixou de completar chamadas. Na sede do Grupo Montenegro, um segurança a mandou embora.

Ela pensara em voltar. Pensara em enfrentar quem fosse necessário. Então começaram as mensagens anônimas, sempre lembrando que sua mãe dependia de tratamento e que uma criança precisava de tranquilidade.

Marina escolhera sobreviver em silêncio.

Rafael fora a única pessoa que nunca lhe pedira explicações humilhantes. Levava sacolas de mercado quando a geladeira estava vazia, acompanhava dona Célia a consultas quando Marina precisava trabalhar e sempre devolvia qualquer tentativa de agradecimento com uma brincadeira. "Amigo serve para isso", dizia. Quando ele desaparecera, Marina sentira que perdia mais que um apoio: perdia a testemunha de que sua história não era uma invenção. Por isso, apesar do medo, não conseguiria abandonar a busca por ele.

正文1

O toque da campainha interrompeu suas lembranças. Do lado de fora estava Bruno Almeida, sozinho, com uma sacola de pães e uma expressão séria.

"Não vim buscá-la, dona Marina. O senhor Dante pediu apenas que eu entregasse isto."

Dentro da sacola havia também um envelope. Marina o abriu com desconfiança. Era uma cópia da denúncia registrada pelo hotel sobre a agressão de Valentina, acompanhada dos contatos de uma advogada independente.

"Ele disse que a senhora decide se quer seguir adiante", Bruno explicou.

Marina examinou os papéis.

"E a investigação?"

"Encontramos indícios de que o comprovante de transferência foi montado. A conta não pertence à senhora."

"Quem fez isso?"

"Ainda estamos verificando."

Bruno hesitou antes de continuar.

"Também estamos procurando Rafael Vasconcelos."

Marina apertou o envelope.

Rafael era seu amigo havia muitos anos. Trabalhava na área financeira do Grupo Albuquerque e fora uma das poucas pessoas que acreditaram nela quando todos a chamaram de oportunista. Oferecera ajuda com consultas e aluguel, mas Marina aceitara apenas o indispensável.

Quando os rumores sobre a gravidez começaram, Rafael dissera a conhecidos que assumiria a criança. Não por acreditar ser o pai, mas para afastar a curiosidade de gente perigosa.

Três meses antes, desaparecera depois de avisar que encontrara documentos importantes.

"Ele tentou falar com Dante?", Marina perguntou.

"Ainda não sabemos."

Ela fechou os olhos. Rafael havia arriscado a própria segurança para protegê-la. Se estivesse em perigo por causa daquela história, Marina não conseguiria se perdoar.

Na sede do Grupo Montenegro, Dante examinava registros telefônicos com Bruno por chamada de vídeo. Descobriu que o número usado para enviar mensagens falsas a Marina fora ativado por uma empresa terceirizada ligada a Eduardo Ferraz.

"Quero documentos, não suposições", ordenou.

"Estamos cruzando os pagamentos, chefe."

Dante encarou a cidade pela janela. Durante meses imaginara Marina vivendo confortavelmente com o dinheiro que supostamente recebera. Agora via a mulher grávida trabalhando até a exaustão, protegendo a mãe e tentando pagar as contas.

A culpa tinha um gosto amargo.

À tarde, Marina saiu para comprar frutas e buscar um medicamento na farmácia. Percebeu um homem de boné cinza do outro lado da rua. Ele parou quando ela parou. Atravessou quando ela atravessou.

Ela entrou numa loja de produtos de limpeza e esperou alguns minutos. Ao sair, o homem estava junto a um carro escuro.

O telefone vibrou.

"Pare de fazer perguntas sobre Rafael. Pense no seu bebê."

Marina gelou. Tentou ligar para a polícia, mas os dedos tremiam tanto que errou a tela duas vezes. Então discou para Bruno, cujo número estava no envelope.

"Tem alguém me seguindo."

"Onde a senhora está?"

Ela informou a rua. Bruno pediu que permanecesse dentro da farmácia mais próxima e acionou a polícia. Poucos minutos depois, Dante chegou com um segurança. O homem de boné tentou se afastar, mas foi abordado por agentes chamados ao local.

Marina saiu da farmácia ao reconhecer Dante.

"Você não devia ter vindo pessoalmente", disse.

"Você estava com medo."

"Eu consigo cuidar de mim."

"Eu sei. E você não precisa fazer isso sozinha."

O homem abordado começou a gritar que não fizera nada. Dante se colocou entre ele e Marina, sem encostar no suspeito.

"Ninguém toca nela", declarou, olhando diretamente para o homem.

Marina segurou o braço de Dante.

"Não quero que você machuque ninguém. Quero que descubram quem mandou ele me seguir."

Dante virou-se para ela.

"É exatamente o que vamos fazer."

Naquela noite, Bruno entregou os primeiros resultados da perícia financeira particular. A conta usada no falso comprovante fora criada com documentos adulterados. Os pagamentos aos intermediários passavam por uma empresa de consultoria vinculada ao Grupo Albuquerque.

Dante folheou o relatório até encontrar um nome.

Augusto Albuquerque.

O homem que, na noite anterior, chamara a agressão de Valentina de pequeno mal-entendido havia financiado a mentira que destruíra seu relacionamento.

Bruno permaneceu em silêncio enquanto Dante fechava a pasta.

"Prepare uma cópia para meus advogados", Dante disse. "E outra para as autoridades competentes."

"O senhor acha que Augusto sabe do bebê?"

Dante olhou para a fotografia de Marina, registrada por uma câmera do hotel. Ela aparecia protegendo a barriga logo depois do tapa.

"Se ele não sabe", respondeu, "alguém está fazendo de tudo para impedir que eu descubra."

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