"O Chefe da Máfia Quase Demitiu a Empregada… Até Sua Filha Dizer: “Papai Matou a Mamãe”" Capítulo 4 — A Filha do Meu Maior Inimigo
Dante segurava a fotografia como se ela pudesse explodir entre seus dedos.
“Responda, Marina.”
A jovem olhou para a casa iluminada atrás dele. Nas janelas do andar superior, as cortinas dos quartos infantis se moviam com o vento. Pensou em Luísa, Valentina e Maitê dormindo sem saber que sua presença ali estava prestes a mudar tudo.
“Esse homem é meu pai.”
Dante permaneceu imóvel.
“Seu pai?”
“Augusto Vasconcelos.”
O silêncio entre eles pareceu aumentar o tamanho do jardim.
“Qual é o seu nome verdadeiro?”
“Marina Vasconcelos.”
Dante deixou escapar uma risada sem humor.
“Você entrou na minha casa usando um nome falso. Tocou nas minhas filhas. Dormiu sob o meu teto.”
“Eu nunca faria mal a elas.”
“Seu pai mandou matar a mãe delas.”
Marina sentiu o rosto queimar.
“Foi isso que disseram. Eu também ouvi que o senhor mandou destruir a minha família.”
“Você está me acusando?”
“Estou dizendo que passei anos ouvindo versões de homens que tinham interesse em esconder a verdade.”
Dante se aproximou.
“E decidiu usar três crianças para investigar?”
A acusação atingiu Marina mais profundamente do que ela esperava.
“Eu vim procurar documentos. Não esperava conhecê-las dessa maneira.”
“Mas conheceu. E continuou mentindo.”
“Sim.”
A honestidade da resposta o surpreendeu.
“Eu não vou fingir que entrei aqui por acaso”, continuou Marina. “Queria saber se o senhor foi responsável pela morte do meu pai. Queria entender por que duas famílias foram destruídas na mesma guerra.”
“Seu pai comandava homens que matavam por dinheiro.”
“Eu sei que ele fez coisas terríveis. Descobri muitas delas depois que morreu. Não estou pedindo que o senhor o transforme em inocente.”
Dante apertou a fotografia.
“Então o que está pedindo?”
“Que não me condene pelos crimes dele. E que não castigue suas filhas por terem gostado de mim.”
Por um instante, Dante viu nela a mesma obstinação de Beatriz. A lembrança apenas aumentou sua raiva.
Ele chamou dois seguranças pelo rádio.
“Levem a senhorita Vasconcelos até a entrada. Recolham os pertences dela. Ninguém toca em suas coisas sem registrar o que foi encontrado.”
Marina endireitou os ombros.
“Não vou resistir.”
“Isso seria sensato.”
No corredor principal, Dona Rosa apareceu ao ouvir a movimentação. Ao ver Marina escoltada, perdeu a cor.
“Dante, o que aconteceu?”
“Pergunte à mulher que você contratou.”
Marina baixou os olhos.
“Ele sabe.”
Rosa fechou as mãos.
Dante percebeu a reação.
“Você sabia?”
A governanta não respondeu depressa o bastante.
“Rosa. Você sabia que ela era filha de Augusto Vasconcelos?”
“Sabia.”
Dante sentiu algo se romper dentro dele.
“Você cuidou de mim quando minha mãe morreu. Cuidou de Beatriz. Cuidou das minhas filhas. E trouxe para dentro desta casa a filha do homem que mandou atacar minha família?”
“Eu tinha motivos.”
“Motivos?”
“Ouça primeiro.”
“Não. Desta vez, não.”
Ele virou-se para os seguranças.
“Continuem.”
O grupo avançou pelo corredor de mármore. Marina ouviu passos pequenos no alto da escada.
Luísa apareceu primeiro, descalça, segurando o coelho de pelúcia de Maitê. As duas irmãs vieram logo atrás.
Ao ver Marina entre os homens de preto, a menina largou o brinquedo.
Maitê correu até ela e abraçou suas pernas.
Valentina começou a chorar.
Dante se aproximou, tentando manter a voz calma.
“Meninas, voltem para o quarto. Dona Rosa vai cuidar de vocês.”
Nenhuma obedeceu.
Marina se ajoelhou.
“Vocês não fizeram nada errado”, disse. “O pai de vocês só precisa resolver uma coisa.”
Luísa olhou para os seguranças, depois para Dante.
Seu peito subia e descia rapidamente.
“Não leva ela embora!”
A voz ecoou pelo hall.
Dante ficou paralisado. A filha acabara de falar novamente, mas não para pedir que ele ficasse. Falara para impedir que ele afastasse outra pessoa de sua vida.
“Luísa, eu preciso proteger vocês.”
“Ela não machuca.”
As palavras saíram entre soluços.
“Eu sei que você gosta dela”, respondeu Dante. “Mas há coisas que você não entende.”
Luísa se agarrou ao braço de Marina.
“Eu entendo quando alguém vai embora.”
Dante sentiu o ar faltar.
Na noite em que Beatriz morreu, ele prometera às filhas que ninguém mais as abandonaria. Agora era ele quem ordenava outra despedida, diante dos olhos delas.
Rosa se aproximou lentamente.
“Deixe a Marina ficar até conversarmos.”
“Você perdeu o direito de me pedir confiança.”
“Talvez. Mas elas não merecem pagar pelo meu silêncio.”
Dante olhou para as meninas. Maitê chorava contra o ombro de Marina. Valentina segurava a mão de Luísa. As três pareciam prontas para desaparecer outra vez naquele silêncio de onde haviam acabado de sair.
Ele fez um sinal para os seguranças recuarem.
“Marina fica aqui, sob supervisão, até eu decidir o que fazer. Ninguém sai da propriedade esta noite.”
Os homens obedeceram.
Dante acompanhou Marina com os olhos enquanto ela se afastava. Não havia triunfo em seu rosto. Ela parecia exausta, como alguém que passara o dia inteiro sustentando um peso que já não podia carregar.
Na sala de estar, Maitê pediu que Marina se sentasse perto do sofá, apontando para a almofada onde costumava dormir. Marina obedeceu, mas manteve as mãos visíveis e a postura tranquila, sabendo que Dante continuava observando.
Luísa colocou o coelho de pelúcia no colo da irmã mais nova. Depois se aproximou do pai e parou a um metro de distância.
Dante se ajoelhou.
“Eu não vou deixar ninguém machucar vocês”, prometeu.
A menina estudou seu rosto. Seus olhos estavam vermelhos, mas não havia raiva neles. Havia medo.
Ele desejou perguntar se ela ainda acreditava que o pai matara a mãe. Não perguntou. Percebeu que exigir uma resposta naquele momento seria pensar primeiro em sua própria dor.
“Você não precisa falar agora”, disse apenas.
Luísa não o abraçou. Voltou para junto das irmãs.
Dante aceitou aquela distância como a primeira consequência de algo que precisava aprender a reparar. Durante muito tempo, confundira proteção com ordens. Naquela noite, descobria que nenhuma ordem poderia obrigar uma criança a confiar nele.
Rosa levou as meninas à sala de estar, mas Luísa só aceitou se Marina fosse junto. Dante permaneceu no hall, encarando a fotografia amassada em sua mão.
Minutos depois, Rosa voltou sozinha.
“Eu conheci a Marina antes de trazê-la para cá”, confessou.
“Isso já ficou claro.”
“Ela me procurou com uma cópia de um registro antigo. Havia uma transferência de dinheiro e uma alteração de rota no dia em que Beatriz morreu.”
Dante ergueu o rosto.
“Que alteração?”
“Uma ordem dada pouco antes da emboscada. Ela dizia ter sido enviada por alguém da sua própria equipe.”
“Por que não me contou?”
Rosa começou a chorar.
“Porque eu tinha medo de estar errada. E porque o homem que podia ter acesso àquela informação ainda trabalha nesta casa.”
Dante sentiu um frio lento subir pela coluna.
“Quem?”
Rosa olhou para o corredor vazio antes de responder.
“Dante, fui eu que trouxe a Marina. E sei de uma coisa sobre a morte da Beatriz que nunca tive coragem de contar.”
Ele se aproximou.
“Então conte agora.”
Rosa abriu a boca, mas o telefone de Dante vibrou.
Era uma mensagem de Ricardo Ferraz.
“Precisamos conversar. Descobri algo grave sobre a nova empregada.”
Dante leu a mensagem duas vezes.
Quando levantou os olhos, Dona Rosa tremia.
E ele compreendeu que o perigo talvez nunca tivesse estado do lado de fora dos portões.
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