"O Chefe da Máfia Quase Demitiu a Empregada… Até Sua Filha Dizer: “Papai Matou a Mamãe”" Capítulo 1 — A Primeira Risada Depois de 14 Meses
O riso atravessou o corredor como um disparo.
Dante Montenegro parou diante da cozinha de sua mansão, no Jardim Europa, com a mão ainda fechada sobre a chave do carro. Havia regressado a São Paulo dois dias antes do previsto. Nenhum funcionário fora avisado. Nenhum segurança tivera tempo de preparar a habitual recepção silenciosa.
Mas alguém estava rindo.
Uma criança.
Durante catorze meses, aquele som não existira naquela casa.
Dante empurrou a porta.
No chão de mármore, uma moça de uniforme cinza estava sentada entre potes de farinha, colheres de madeira e pequenos pedaços de massa. Usava uma coroa torta feita de papel de embrulho. Uma mancha branca atravessava seu nariz.
À sua volta, três meninas de cinco anos gargalhavam.
Luísa, a mais velha por sete minutos, apontava para a coroa. Valentina batia palmas, sem conseguir parar. Maitê estava deitada no colo da moça, rindo com tanta força que mal respirava.
Dante sentiu as pernas perderem a firmeza.
Na última vez em que ouvira Maitê rir, Beatriz estava viva.
A lembrança veio inteira: a esposa cantando desafinada enquanto preparava brigadeiros; as meninas correndo pela cozinha; ele fingindo indignação porque haviam roubado chocolate antes do jantar.
Então surgiu outra imagem.
O carro destruído na Avenida dos Bandeirantes. A sirene. O lençol branco. O telefone de Beatriz, quebrado ao lado de uma cadeirinha infantil.
Quatorze meses antes, três veículos haviam cercado o automóvel da família. Homens armados dispararam contra a escolta e o carro. Beatriz se lançara sobre as filhas. As meninas sobreviveram. Ela não.
Dante passou os meses seguintes perseguindo a organização de Augusto Vasconcelos, apontada como responsável pelo ataque. Derrubara operações, perdera aliados, enterrara inimigos. Nada disso devolvera a voz às filhas.
Especialistas de São Paulo, do Rio e do exterior falaram em trauma, segurança emocional, paciência. Dante pagara por cada consulta. Não soubera oferecer nenhuma das outras coisas.
Agora suas meninas riam diante de uma desconhecida.
A moça foi a primeira a vê-lo.
Seu sorriso desapareceu. Ela levantou a cabeça e, por um segundo, pareceu reconhecer o homem que jamais encontrara pessoalmente.
“Boa tarde, senhor Montenegro.”
Dante não respondeu. Olhou para Maitê, que ainda segurava a manga da moça, e depois para a farinha espalhada pelo chão.
“Quem autorizou você a ficar sozinha com minhas filhas?”
A voz dele foi baixa. Isso bastou para que Valentina parasse de bater palmas.
“Dona Rosa me pediu para ajudar com o lanche”, explicou a jovem. “Nós estávamos fazendo biscoitos.”
“Eu perguntei quem autorizou.”
“Ela disse que o senhor não voltaria hoje.”
Dante aproximou-se. Luísa imediatamente se colocou entre ele e a moça, gesto tão pequeno que quase passou despercebido.
“Qual é o seu nome?”
“Marina Oliveira.”
“Há quanto tempo trabalha aqui?”
“Cinco dias.”
Cinco dias.
Dante passou mais de um ano tentando devolver às filhas um instante de alegria. Aquela mulher conseguira em cinco dias o que dinheiro nenhum comprara.
A constatação deveria tê-lo comovido. Em vez disso, acordou o medo que o mantinha vivo.
Quem entrava naquela casa podia estar procurando uma fraqueza. E suas filhas eram a única fraqueza que ele não conseguia esconder.
“Você está demitida. Saia da minha casa.”
Marina abriu a boca, mas não discutiu. Retirou cuidadosamente Maitê de seu colo e começou a se levantar.
A menina agarrou seu avental.
“Está tudo bem”, murmurou Marina. “Eu só vou conversar com o seu pai.”
Maitê não respondeu. Seu rosto se fechou como uma janela durante uma tempestade.
Dante reconheceu aquele olhar. Era o mesmo que encontrava todas as manhãs havia catorze meses.
“Bruno!”, chamou ele.
O chefe da equipe de apoio apareceu na porta. Atrás dele, Dona Rosa vinha apressada, com um pano de prato nas mãos.
“Senhor Dante, eu posso explicar”, disse a governanta.
“Depois. Quero a ficha dessa funcionária e a lista de todos que tiveram acesso à ala das crianças.”
“Ela não fez mal nenhum”, insistiu Rosa.
“Não pedi sua opinião.”
O silêncio caiu sobre a cozinha.
Marina recolheu a coroa de papel do chão. Olhou para as meninas, uma de cada vez, como se tentasse se despedir sem transformar aquele momento em outra perda.
“Os biscoitos precisam de mais dez minutos”, disse ela, suavemente. “Dona Rosa sabe tirar do forno.”
Dante não compreendeu por que aquela frase simples lhe provocou vergonha.
Ele se lembrou de uma discussão antiga com Beatriz. Ela dizia que as filhas precisavam se sujar, errar receitas e fazer bagunça. Dante reclamara da farinha nos móveis. Beatriz respondera, sorrindo, que um dia ele sentiria falta justamente daquilo. Agora havia farinha no mármore, e ele daria toda a fortuna para ouvi-la reclamar de novo.
Na parede, um calendário infantil ainda marcava o mês da tragédia. Rosa tentara substituí-lo diversas vezes, mas Luísa sempre o colocava de volta. Dante nunca perguntara por quê. Era mais fácil ordenar que ninguém mexesse no objeto do que conversar com a filha sobre o dia que ela não conseguia esquecer.
Marina percebeu seu olhar preso ao calendário. Não disse nada. Apenas se afastou para que ele pudesse ver as meninas sem que ela ocupasse todo o espaço entre eles.
Essa delicadeza o desconcertou mais do que qualquer explicação. Ele esperava súplicas, desculpas ou uma tentativa de conquistar sua simpatia. Encontrou uma mulher preocupada em não assustar três crianças.
Mesmo assim, seu medo continuava falando mais alto.
Marina deu dois passos em direção à porta.
Então sentiu um puxão no avental.
Luísa não estava olhando para ela. Estava olhando para o pai.
A menina caminhou até Dante, segurou a barra de seu paletó e levantou o rosto.
Ele se abaixou imediatamente.
“Meu amor?”
Os lábios da filha tremeram. Ela respirou fundo uma vez, depois outra. Parecia enfrentar uma parede invisível.
Dante esperou. Tinha esperado catorze meses. Esperaria o resto da vida.
“Foi o papai que matou a mamãe.”
A frase saiu rouca, quase sem ar.
Dante recuou como se tivesse recebido um golpe no peito.
Rosa levou a mão à boca. Marina ficou imóvel. Valentina começou a chorar sem fazer barulho.
“Luísa”, sussurrou Dante, “o que você disse?”
A menina apertou o tecido do paletó até os dedos ficarem brancos.
“Foi o papai.”
“Eu não estava lá, filha. Eu nunca faria mal à sua mãe.”
Ele se lembrava perfeitamente daquela manhã. Estivera numa reunião na Faria Lima, cercado por executivos e câmeras de segurança. Sua localização fora confirmada pela investigação. Não poderia ter participado fisicamente da emboscada.
Mas Luísa não falava de provas. Falava de algo que acreditava ter vivido.
Dante tentou tocar seu rosto. Ela se afastou.
A dor daquele movimento foi maior do que qualquer ferimento que recebera.
Marina se ajoelhou a uma distância respeitosa.
“Luísa, você está segura. Não precisa contar tudo agora.”
A menina olhou para Marina, depois para o corredor.
“Eu ouvi a voz dele.”
Dante virou a cabeça.
Um homem alto, de terno escuro e relógio prateado, observava a cena da porta. Era Ricardo Ferraz, seu chefe de segurança e amigo de quase vinte anos.
“Dante?”, perguntou Ricardo. “Aconteceu alguma coisa?”
Luísa soltou o paletó do pai.
Deu um passo para trás.
Depois outro.
E correu para se esconder atrás de Marina.
Ricardo franziu a testa.
Dante olhou para a filha, para o amigo e para a mulher que acabara de demitir.
Pela primeira vez desde a morte de Beatriz, não sabia em quem confiar.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4