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"A Menina Pintou o Rosto do Chefe da Máfia Enquanto Ele Dormia" Capítulo 2 — A Menina Que Não Sabia Mentir

正文开头

César cobriu o punho com a mão antes que os seguranças percebessem, mas Dante já havia visto.

“Mostre a manga.”

“Você enlouqueceu?” César perguntou. “Está fazendo um interrogatório porque uma criança de três anos contou uma fantasia?”

Dante permaneceu imóvel diante dele, o rosto ainda coberto de flores infantis. A imagem seria ridícula em qualquer outro homem. Nele, tornava-se mais perturbadora.

“Mostre.”

César abriu os braços com irritação ensaiada. Havia tinta azul no punho direito, uma linha fina e seca perto do botão.

Luna apontou.

“Foi quando ele tentou pegar meu coelho.”

Marina se ajoelhou diante da filha.

“Quando isso aconteceu?”

“Na sala pequena. O moço abriu a porta que fica atrás do quadro. Eu estava procurando a orelha do Tico.”

Rafael ficou alerta. Atrás do quadro indicado por Luna existia um painel de serviço que dava acesso aos cabos das câmeras. Pouquíssimas pessoas sabiam disso.

César soltou uma risada sem humor.

“A criança ouviu empregados conversando e inventou uma história. Essa mulher trouxe a filha de propósito. Quer dinheiro.”

Marina levantou-se.

“Eu não quero nada do senhor Montenegro.”

“Então por que está aqui?”

“Porque preciso trabalhar.”

“Todos dizem isso antes de pedir uma fortuna.”

César tirou um talão do bolso interno do paletó, assinou um cheque e o jogou aos pés dela.

“Cinquenta mil reais. Pegue sua filha e desapareça.”

Marina olhou para o papel no chão. O valor pagaria dívidas, aluguel e meses de tranquilidade. Ela pensou na geladeira quase vazia e no aviso de despejo dobrado dentro da bolsa.

Depois pisou no cheque.

“Minha filha não está à venda.”

Dante observou a resposta sem interromper.

Marina pegou Luna no colo.

“Eu errei ao trazê-la. Aceito ser demitida. Mas ninguém vai chamar minha filha de mentirosa para proteger adulto.”

Ela caminhou em direção à saída.

“Pare”, Dante ordenou.

Marina se virou.

“Rafael vai levá-las à copa. Vocês não saem da mansão até eu descobrir o que havia no meu café.”

“Somos prisioneiras?”

“São testemunhas sob minha proteção.”

“Proteção e prisão usam portas muito parecidas.”

Um brilho de surpresa atravessou os olhos dele. Poucas pessoas o enfrentavam. Nenhuma usando uniforme cinza e segurando uma criança sonolenta.

“A diferença”, Dante respondeu, “é quem possui a chave. Você continuará com a sua.”

Ele fez um gesto para Rafael.

“Recolha a xícara, o bule e as imagens de todas as câmeras entre duas e quatro da tarde. Feche os portões.”

César deu um passo à frente.

“Você vai trancar sua própria família por causa disso?”

“Vou trancar qualquer pessoa que possa ter me dopado.”

Rafael obedeceu. Em menos de cinco minutos, os portões de ferro foram fechados e os celulares dos funcionários passaram por verificação. A mansão mudou de residência para fortaleza.

Na copa, Marina lavou as mãos de Luna e tentou controlar o tremor.

“Você nunca pode sair sem me avisar.”

“Eu só queria deixar o moço feliz.”

“Aquele homem não precisa que você cuide dele.”

正文1

Luna franziu a testa.

“Precisa, sim. Todo mundo tem medo dele. Ninguém ajuda quem todo mundo teme.”

Marina ficou sem resposta.

Rafael entrou e colocou sobre a mesa um prato com pão de queijo, frutas e leite.

“Ordem do senhor Montenegro.”

“Não queremos favores.”

“Não é favor. A menina está aqui desde cedo.”

Luna pegou um pão de queijo, mas antes de morder perguntou:

“Ele lavou o rosto?”

Rafael quase sorriu.

“Ainda não.”

No escritório, Dante assistia às gravações. A câmera da sala pequena perdera o sinal por onze minutos. A do corredor mostrava César chegando com a bandeja de café, mas não registrava a saída dele. Exatamente às três e sete, a imagem congelava.

“A falha foi manual”, Rafael informou. “Alguém abriu o painel atrás do quadro.”

“Impressões?”

“Limpas.”

“E a xícara?”

“O laboratório particular está vindo. Leva duas horas.”

Dante tocou a flor amarela na própria face. Ainda não a apagara. Não por sentimentalismo, disse a si mesmo. A tinta lembrava que sua segurança fora atravessada por uma criança com um pincel. Se Luna conseguira chegar tão perto, um assassino também conseguiria.

César entrou sem bater.

“Você está humilhando nosso nome.”

“Nosso nome sobrevive a tinta lavável.”

“Não sobreviverá se seus homens descobrirem que você acredita numa empregada em vez da família.”

Dante fechou o notebook.

“Família não é salvo-conduto.”

César apoiou as mãos na mesa.

“Eu cuidei de você depois que seu pai morreu.”

“E por isso sabe exatamente quanto açúcar coloco no café.”

O tio recuou.

“Está me acusando?”

“Estou esperando o laboratório.”

Quando César saiu, Dante mandou Rafael verificar as finanças de Marina. O resultado chegou quarenta minutos depois: salário baixo, nenhuma passagem criminal, nenhuma transferência suspeita, aluguel atrasado e uma ação trabalhista contra o antigo patrão, que a demitira após ela denunciar assédio contra outra funcionária.

Ela não parecia uma chantagista.

Parecia alguém incapaz de ficar calada diante de abuso.

Às seis, o médico particular telefonou.

“Encontramos zolpidem e clonazepam no resíduo. Uma dose perigosa, Dante. Misturados ao café, poderiam deixá-lo inconsciente por horas.”

“Poderiam me matar?”

“Com álcool ou outra medicação, sim.”

Dante desligou e chamou Rafael.

Antes que falasse, as luzes da mansão se apagaram.

Um estrondo veio da copa.

Marina gritou o nome da filha.

Dante correu pelo corredor no escuro. Quando chegou, encontrou a janela aberta, a cadeira caída e o coelho de pelúcia de Luna no chão.

Minutos antes do apagão, Luna perguntara a Teresa por que a casa tinha tantos olhos nas paredes. A governanta explicara que as câmeras protegiam a família. A menina respondera que olhos também podiam fechar. A frase parecera apenas infantil, mas agora voltou à memória de Marina como aviso.

Enquanto Dante distribuía ordens, Marina recusou-se a permanecer parada. Verificou a copa, o banheiro e o armário onde Luna gostava de brincar. Encontrou no chão uma bala de hortelã ainda embrulhada. A filha não comia hortelã; dizia que ardia. César, porém, sempre mascava aquelas balas durante reuniões.

Rafael quis recolher a pista e afastá-la.

“Não sou parte da sua equipe”, Marina disse, “mas conheço minha filha melhor do que todos vocês.”

Dante concordou. Mandou que lhe dessem acesso às imagens e pediu que descrevesse cada hábito de Luna. Marina contou que a menina deixava portas entreabertas quando tinha medo, escondia o coelho antes de seguir desconhecidos e jamais soltava o laço amarelo do cabelo. Um dos laços foi encontrado preso à dobradiça da saída de serviço.

Do lado de fora, a chuva começava a cair sobre o jardim. Pegadas pequenas terminavam perto da janela da copa, mas não continuavam na terra molhada. A janela aberta era encenação. Quem levara Luna queria que procurassem fora enquanto permanecia dentro da mansão.

Dante voltou-se para os seguranças.

“Ninguém entra, ninguém sai e ninguém presume que uma criança de três anos não sabe deixar pistas.”

Então a energia de emergência oscilou, e um som metálico veio do subsolo. Marina apertou o coelho contra o peito, certa de que Luna estava em algum lugar escuro chamando por ela.

A menina havia desaparecido.

Na central, o técnico confirmou que o sedativo começara a agir poucos minutos depois do café. Se Luna não tivesse derrubado a bandeja e acordado Dante, ele teria permanecido inconsciente durante toda a retirada dos documentos. A “travessura” impedira que o plano transcorresse em silêncio.

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